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1.4. Okuma Çemberi

1.4.2. Okuma Çemberinde Okuyucu Rolleri

1.4.2.2. Okuma Çemberindeki Yardımcı Okuyucu Rolleri

1.4.2.2.7. Film Eleştirmeni

As espécies produtoras de bagas consideradas no presente estudo foram colhidas no seu ambiente natural, sendo também designadas de frutos silvestres. Existem dados que demonstram que os frutos silvestres apresentam teores mais elevados de compostos fenólicos, assim como, maior capacidade antioxidante, comparativamente às culturas domésticas e derivados genéticos. Isto deve-se essencialmente às condições de crescimento sob stress, designadamente o stress ambiental e o stress hídrico [17].

2.2.1. Espécies endémicas da Madeira

A Madeira possui uma vasta e exuberante flora, que contribui para o seu elevado interesse a nível científico e socioeconómico. São várias as espécies endémicas, onde se inserem a Rubus grandifolius, a Sambucus lanceolata e a Vaccinium padifolium [22].

Rubus grandifolius

O género Rubus tem ganho grande importância, dados os possíveis benefícios para a saúde provenientes dos seus fitoquímicos naturais. Alguns estudos [23] têm considerado os frutos de Rubus como um alimento nutritivo e saudável, devido ao seu conteúdo em compostos fenólicos, vitamina C, α-tocoferol, fibras, minerais e ácido linoléico e linolénico. O género Rubus compreende cerca de 130 espécies e a hibridização entre elas é comum [23].

A Rubus grandifolius Lowe (Figura 4) é tradicionalmente conhecida como “silvado”, sendo os frutos conhecidos como amoras. Esta variedade endémica é uma planta rara do Arquipélago da Madeira, pertencente à família Rosaceae.

Figura 4 - Rubus grandifolius (Pico do Arieiro).

Figura 5 – Amoras e silvado colhidos em Machico.

A utilização das folhas e frutos (Figura 5) da espécie Rubus grandifolius na alimentação e na etnofarmacologia da Madeira é antiga. Rivera e Obón (1995) [24], fizeram o levantamento desses usos: os frutos eram utilizados sob a forma de xarope para as crianças, também como remédio para a diabetes, como depurativo, diurético e analéptico1, assim como para alívio da dor de garganta.

Esta espécie foi alvo de estudo por parte de Gouveia-Figueira e Castilho (2015) [25], que identificaram cerca de 40 compostos fenólicos na espécie selvagem (folhas, frutos e flores). De entre os compostos identificados, os flavonóides, as antocianinas, triterpenos e formas conjugadas de ácidos hidroxicinâmicos, foram os maioritários. Adicionalmente, concluíram que as flores são a parte morfológica com menor actividade antioxidante, já os frutos possuem maior capacidade antioxidante.

1 Substância estimulante.

Sambucus lanceolata

A espécie Sambucus lanceolata (ou sabugueiro) é considerada um arbusto pertencente à família Adoxaceae e género Sambucus. Pode atingir até cerca de 6 metros de altura, desenvolvendo flores brancas entre Maio e Junho. As bagas, de cor violeta, ocorrem no final do verão (Figura 7) [22].

Figura 6 - Folhas de sabugueiro colhidas no Pico das Pedras.

Figura 7 - Bagas de sabugueiro colhidas no Pico das Pedras.

De acordo com a revisão de Mikuli-Petkovsek et al. (2015) [26], o sabugueiro representa um grupo heterogéneo de espécies selvagens, semi-domésticas ou cultivadas, com características morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e genéticas comuns.

Poucos são os estudos sobre esta espécie em particular. Porém, na literatura foram encontrados vários estudos sobre outras espécies do género Sambucus. De acordo com a revisão de Sidor e Gramza-Michalowaska (2014) [27], o fruto do sabugueiro contém compostos com elevada actividade biológica, essencialmente polifenóis, como flavonóis, ácidos fenólicos, proantocianidinas e antocianinas. Estes

frutos são ricos em antocianinas, tais como a cianidina-3-glicósido, a cianidina-3- sambubiósido, a cianidina-3-sambubiósido-5-glicósido, cianidina-3,5-diglicósido, cianidina-3-rutinósido, pelargonidina-3-glucósido, pelargonidina-3-sambubiósideo e delfinidina-3-rutinósido. O sabugueiro é também uma boa fonte de flavonóis e ácidos fenólicos, que podem aparecer na sua forma livre ou de glicósido. Os flavonóis predominantes são as quercetinas, canferóis e isoramnetinas.

Estudos epidemiológicos reportaram uma correlação significativa entre o consumo de bagas de sabugueiro e a ocorrência/ausência de várias doenças degenerativas, entre as quais se incluem as doenças cardiovasculares, cancro e a doença de Alzheimer. Estes efeitos encontram-se relacionados com o conteúdo de compostos bioactivos presentes nestas bagas [26].

Vaccinium padifolium

A espécie Vaccinium padifolium (ou uveira da Madeira, como é conhecida popularmente) pertence à família Ericaceae. É um arbusto que cresce até 6 metros de altura, sendo os ramos novos geralmente avermelhados, assim como as folhas (Figura

8) [22].

Figura 8 - Folhas verdes (maduras) e vermelhas (jovens) da uveira da Madeira.

Os frutos possuem forma quase ovóide, com cores que vão desde o preto ao azul (Figura 9). Têm sido utilizados como conservantes alimentares e em etnofarmacologia local, nomeadamente para o alívio da tosse, resfriados e bronquite [24].

Figura 9 - Bagas de uveira da Madeira.

Figura 10 – Corola de flores em forma de campânula da uveira da Madeira. Foto de Capelo (2003) [28].

Foi reportado na literatura [29] que as antocianinas presentes nas espécies de Vaccinium são galactósidos, glicósidos e arabinósidos das antocianidinas: delfinidina, cianidina, petunidina, peonidina e malvidina. As concentrações destas antocianinas variam significativamente entre as diferentes espécies do género Vaccinium.

A malvidina e delfinidina são as antocianinas maioritárias do género Vaccinium, constituindo cerca de 75% das antocianinas identificadas, embora a concentração de antocianinas seja variável com percentagens de delfinidina (27-40%), malvidina (22- 33%), petunidina (19-26%), cianidina (6-14%) e peonidina (1-5%) [30].

Cabrita e Anderson (1999) [31] foram os primeiros a estudar as bagas desta espécie e conseguiram isolar 20 antocianinas a partir do extracto. No ano 2000 Cabrita,

Frøystein e Anderson [32] isolaram mais 5 antocianinas que não haviam sido reportadas na publicação anterior. Concluíram assim que esta é uma espécie constituída por uma mistura muito complexa de antocianinas.

2.2.2. Espécie endémica dos Açores

Vaccinium cylindraceum

A espécie Vaccinium cylindraceum Sm., (ou uveira dos Açores) é uma planta endémica do Arquipélago dos Açores, também pertencente à família Ericaceae. É um arbusto que cresce até 3 metros de altura, com folhas caducas. As suas flores aparecem em Junho e os seus frutos entre Setembro/ Outubro (Figura 11). Esta planta é amplamente distribuída em todo o Arquipélado dos Açores à excepção da ilha Graciosa, crescendo principalmente em solos ácidos [33]

Figura 11 – Bagas, folhas e flores da uveira dos Açores. Fotos de Hélder Fraga [34]

Há alguns estudos referentes à morfologia e ao cultivo da planta mas, apesar de mencionados [35], não é possível encontrar qualquer estudo sobre o seu perfil fitoquímico na literatura da especialidade.

Benzer Belgeler