• Sonuç bulunamadı

A Escola Paulo VI: na década de 70/80 e no cenário pós-LDB de 96

A escola Paulo VI é cenário dos dois períodos distintos desta pesquisa. Localizada no Bairro Jardim América, a Escola Paulo VI funcionava, inicialmente, como um anexo do Colégio Estadual Liceu do Ceará. Nesse primeiro momento a escola estava sob a égide e os preceitos da LDB de 1961, sem ainda ser de cunho profissionalizante. O local onde estava instalada a escola ocupava o espaço do Matadouro Modelo14 (antigo Matadouro Público de Fortaleza), instalando-se de forma improvisada esse prédio de 1964 a 1968, sendo, pois, anexo do citado estabelecimento escolar, e tendo como diretor o Padre Aberto Nepomuceno de Oliveira. (BLOG DA EEEP PAULO VI, 2015)

14 Descrito assim no sítio Fortaleza Nobre: “Matadouro Modelo no Jardim América inaugurado em 18/07/1926.

Foi desativado em 1962. Passando os trabalhos para o FRIFORT (Frigorífico Industrial de Fortaleza).” Arquivo Nirez. Disponível em: http://www. fortalezanobre.com.br/search/ label/Matadouro % 20Modelo. Acesso em 12 de outubro de 2015.

Foto 1 – Matadouro modelo de Fortaleza

Fonte: Arquivo Nirez

A edição da lei nº 9.050 transformou, em 31 de maio de 1968, o antigo anexo do Liceu do Ceará desde 1964, em Colégio Paulo VI, denominado assim por sugestão do então diretor durante esse período, o religioso e professor Alberto Nepomuceno. Referido professor foi escolhido para ser diretor do colégio Paulo VI, permanecendo até 1971. Nesse momento, a oferta de ensino ginasial e científico (equivalente aos 1ºs e 2ºs respectivamente). Isso se alterou com a escola se adequando à legislação que surgiria em seguida, ainda no mesmo ano15.

Em 1973, já sob a égide da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1971, uma reconstrução da escola foi realizada com a finalidade de propiciar condições estruturais com blocos para a Educação Geral e Especial (técnico). Em matéria no Jornal O Povo, na edição de 10 de dezembro de 1973, houve quem fizesse ilações comparativas com outras obras de vulto, como o Estádio Castelão e Estação Rodoviária16.

A partir desta data de reinauguração, a escola altera sua condição de atendimento, não mais disponibilizando o 2º grau (o atual ensino médio); passando a ofertar o ensino de 1º

15 Fonte: http://escolaprofissionalpaulovi.blogspot.com.br/p/blog-page_5212.html

16 “A respeito das transformações do estabelecimento, os alunos destacaram a atuação do atual governo do

estado, havendo, inclusive, quem colocasse as obras do Colégio na mesma linha de vulto do Castelão e da Estação Rodoviária. ‘O diretor Xavier é pessoa que a gente não encontra em qualquer lugar. Ele é um homem que sabe dar valor aquilo a que se propôs fazer’, acentuou uma garota, no auge do seu entusiasmo.” (Fonte: Jornal O Povo – Edição 10 de dezembro de 1973. Ver anexo P)

grau: 1ª a 8ª série no período diurno, e 5ª a 8ª séries no período noturno. Ou seja, o ensino de 2º grau fora abolido, muito por adequação do espaço para acomodar a parte diversificada (especial). (ESCOLA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL PAULO VI, 2015)

Durante os anos 70, O Colégio Estadual Paulo VI se pautou em atender a clientela para cursos técnicos básicos, como assim preceituava a LDB em vigor. A legislação educacional prescrevia que a formação propedêutica estaria aliada a profissionalizante, sendo uma intenção de escola unitária ou algo parecido.

No Paulo VI, os cursos ofertados aos alunos do 1º grau estavam numa linha iniciante, principalmente nas áreas industrial (mecânica, marcenaria e tipografia), comércio (técnicas comerciais) e datilografia. A carga horária prevista pela LDB era de 180 dias letivos, com tempo de aula reduzido. (percebe-se uma distinção com um tempo pedagógico menor em relação à atual legislação).

Assim, permanece durante a década de 70, sofrendo alteração quando a legislação começa a adequar-se à realidade concreta das escolas e sistemas de ensino pelo país afora. O que fora planejado pelos ideólogos do regime militar, como metas educacionais de formação para o trabalho não logra êxito. Vários seriam os porquês do fracasso, mas assim como ocorreu em outras ocasiões, revogam-se leis e engendram-se novas diretrizes sem maiores questionamentos.

A lei n.º 7044/82 trouxe em seu bojo a supressão do princípio da formação para o trabalho. Com isso, a Escola Estadual Paulo VI continuou adotando a mesma grade curricular, até que o governo estadual resolvesse dissolver a parte especial (ensino técnico). De acordo com depoimento do professor de tipografia, em um belo dia, todos os equipamentos e maquinários (datilográficos, tipográficos etc.) foram recolhidos para locais diversos.

Após esse fato interessante que marcou o fim definitivo do que restava da LDB de 1971, o quadro de professores se readaptou ao ensino regular, assim sendo até o início dos anos 90. O professor que lecionava Tipografia no quadro do ensino técnico seria posto como professor de Filosofia (curso em que se formara anteriormente). Observa-se, então, um realinhamento do quadro de professores.

Uma nova mudança na escola aconteceu no final da década de 90 com a implantação do Tele-ensino. A modalidade de ensino pela televisão tinha sido um convênio entre o governo do estado do Ceará e a Fundação Roberto Marinho na transição dos anos 90 para os

anos 200017. Fora alvo de muitas críticas, tanto de pedagogos, quanto de profissionais do magistério, mas também contando, com defensores dessa prática educativa. Como este trabalho acadêmico não pretende esmiuçar sobre outros períodos que não àqueles postos com o ensino técnico-profissionalizante, não se estenderá mais acerca disso.

Como sempre que uma modalidade de ensino se extinguia, o ensino regular ocupava o espaço pedagógico de forma plena e sendo apenas esta a disponibilizada. Com isso, novamente na transição das décadas de 90 para 2000, seria retomada plenamente a modalidade de ensino regular.

Foto 2 – Pátio interno da atual EEEP Paulo VI

Fonte: Blog da EEEP PAULO VI

A partir dessa situação escolar, transcorreram os anos 2000 com os mesmos parâmetros correlatos a demais escolas estaduais, com o ensino convencional das disciplinas da base comum nacional. Essa situação escolar só seria quebrada com a implantação de

17 “Adotando o maior programa de regularização do fluxo escolar da educação básica no Brasil, com a

metodologia do Telecurso 2000, a SEDUC implantou, no ano 2000 o projeto Tempo de Avançar, oportunizando, através de convênio com a Fundação Roberto Marinho e Editora Globo, aceleração da escolaridade de cearenses na faixa etária de 15 a 29 anos. Ao todo foram instaladas 4.111 tele-salas em 2.893 unidades escolares, sendo atendidos 100.604 alunos de ensino fundamental e 39.983 alunos do ensino médio. Dos 184 municípios cearenses, 174 aderiram ao programa, entretanto, em todos eles existem telesalas instaladas nas escolas estaduais. O programa desenvolvido ofereceu uma iniciativa inédita de estímulo aos professores, visando a erradicação do déficit de educação básica entre jovens e adultos, com prioridade para os jovens 15 a 29 anos, sem formação no ensino fundamental.” Estud. av. vol.15 no.42 São Paulo May/Aug. 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-4014200100 0200006. Acesso em 13 de outrubro de 2105.

escolas profissionalizantes em 2008. Portanto, há oito anos que está implantada a Educação Profissional na EE Paulo VI.

Na atualidade, a EEEP Paulo VI oferta 5 cursos técnicos em nível médio: Logística, Hospedagem, Enfermagem, Redes de computadores e Técnico em Segurança do Trabalho. A grade curricular agrega disciplinas das bases: comum e técnica. (Anexos J, K, L, M, N)

5 EVIDÊNCIAS E CONSIDERAÇÕES DA INVESTIGAÇÃO SOBRE EDUCAÇÃO