A técnica aplicada para a obtenção de dados referente à inclusão dos profissionais bibliotecários nos municípios paraibanos foi a entrevista não estruturada. Em termos gerais a entrevista é uma estratégia que possui consolidação dentro das ciências sociais a ponto de ser considerada por vários pesquisadores como a técnica por excelência da investigação social. Para Selltiz apud Gil (2006) a entrevista configura-se como uma técnica dotada de flexibilidade e pode ser utilizada nos mais diversos campos, podendo-se afirmar que parte importante do desenvolvimento das ciências sócias foi alcançada devido ao seu mérito.
Enquanto técnica de coleta de dados a entrevista é bastante adequada para a obtenção de informações acerca do que as pessoas sabem, crêem, esperam, sentem ou desejam, preferem fazer, fazem ou fizeram, bem como acerca das suas explicações ou razões a respeito das coisas precedentes. (SELLTIZ apud GIL, 2006. p).
A citação anterior representa sem dúvida o motivo preponderante que justifica a escolha da técnica. Por meio da entrevista será possível desvendar quais as causas que auxiliam e dificultam a inclusão de profissionais bibliotecários nos municípios paraibanos. Já fora dito que mesmo que a política nacional de criação de bibliotecas seja de âmbito federal, a implementação total fica sob a responsabilidade dos gestores municipais. Estes são representantes constituídos do poder executivo e somente a eles cabem a obrigação de executar as leis e de decidir sobre a inclusão de um profissional bibliotecário nos quadros de pessoal de seu município. Entrevistando estes prefeitos será possível entender o que eles pensam, sentem e o que pretendem fazer a respeito da inclusão de profissionais bibliotecários para gerenciar os estoques de informação disponíveis nas BP das suas cidades.
Quanto ao caráter não estruturado empregado nas entrevistas deu-se pelo fato de que esta modalidade de diálogo confere ao entrevistador uma flexibilidade de conversação e que possibilita um aprofundamento em face às questões trazidas. Segundo Richardson (1999):
A entrevista não estruturada [...] em vez de responder à pergunta por meio de diversas alternativas pré-formuladas, visa obter do entrevistado o que ele considera os aspectos mais relevantes de determinado problema: as suas descrições de uma situação em estudo. Por meio de uma conversação guiada pretende-se obter informações detalhadas que possam ser utilizadas em uma análise qualitativa. A entrevista não estruturada procura saber que, como e por que algo ocorre [...]. (RICHARDSON, 1999, p.208).
O pretendido no projeto elaborado para o exame de qualificação foi de aplicar esta técnica aos prefeitos municipais e em caso de ausência, aos secretários cujas secretarias tenham sob sua responsabilidade a BP. Porém só conseguimos agendamento para as entrevistas com os respectivos secretários que em determinados municípios eram secretários de educação, de educação e cultura ou unicamente secretários de cultura. O que determina essa heterogeneidade de secretarias responsáveis pelas bibliotecas é a complexidade administrativa dos municípios. Relativamente em municípios menores a tendência era de encontrarmos um só secretario tratando de três assuntos numa única pasta: Educação, Cultura e Meio ambiente. Nos municípios maiores era possível encontrar uma secretaria exclusivamente dedicada às questões culturais e por conseqüência à BPM. A pesquisa foi iniciada no começo do mês de agosto de 2010. Esse período foi demarcado em todo o país pelo primeiro turno da campanha eleitoral. Ao entrarmos em contato com os quatro primeiros municípios não tivemos condições de agendar qualquer audiência com o(a) prefeito(a) a fim de realizar a entrevista. A justificativa sempre era de que os mesmos estavam viajando, ou ocupados com outros assuntos de interesse público e não julgavam importante participar da pesquisa. Os contatos eram feitos por meio de telefone com os secretários de gabinete na tentativa de agendar uma entrevista com o gestor maior do município. Às vezes a audiência era marcada, mas ao chegarmos no município contatado quem nos recebia era o secretário imediato. Por este motivo as entrevistas que estavam previstas para serem aplicadas aos prefeitos ficaram restritas nos oito municípios aos secretários. Um dos oito secretários no final da entrevista quando já estava desligado o gravador, nos alertou sobre a não possibilidade de acesso ao prefeito do seu município, o motivo foram as eleições 2010. Acreditamos que o motivo assumido por este secretário tenha
sido o mesmo motivo que levou a maioria dos prefeitos a não quererem participar da pesquisa por pensarem que talvez tivessem as questões do seu município expostas em algum meio de comunicação. Do que concernia à pesquisa alertamos todas as vezes aos secretários de gabinete que não se tratava de uma pesquisa de cunho político-partidário ou houvesse interesse de publicarmos naquele momento dados sobre o município. Ficou explícito que se tratava de uma entrevista acadêmica com metodologia aprovada em Comitê de Ética e Pesquisa (CEP). Entregamos inclusive um termo lido e esclarecido recomendado pelo CEP nos comprometendo a não revelarmos informações que pusessem em risco a imagem do município.
A operacionalização da entrevista foi controlada por meio de um guia esquemático (anexo C) que continha questões a respeito da inclusão de bibliotecários nos municípios. As perguntas foram formuladas de modo a obter respostas que pudessem subsidiar a análise de casa hipótese. Durante as entrevistas as questões foram aprofundadas e as experiências narradas pelos entrevistados foram gravadas em formato digital, transcritas e tratadas conforme as prerrogativas recomendadas por Bardin (2009), constituindo o corpus da pesquisa e possibilitando a inicialização da etapa seguinte referente à análise dos dados por meio da análise de conteúdo.
3.3 ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DOS DADOS