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- FİNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA İLİŞKİN ESASLAR 2.1 Uygulanan Finansal Raporlama Standartları

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DİPNOT 2 - FİNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA İLİŞKİN ESASLAR 2.1 Uygulanan Finansal Raporlama Standartları

As considerações de Winnicott a respeito da madrasta explicitam que cada indivíduo guarda em si uma dificuldade em juntar a agressividade que existe na natureza humana e misturá-la com o amor. No início, o indivíduo sente o mundo em extremos, amigável e hostil,

41 Com o tema “Madrastas e Padrastos”, Winnicott ministrou palestras na BBC de Londres no ano de 1955. Cf. D.

bom e hostil, branco e preto; o mau é temido e odiado e o bom é totalmente aceito. Gradativamente, os indivíduos desenvolvem-se a partir disso até o momento que conseguem tolerar ter idéias destrutivas e amorosas. (Winnicott 1993g [1955], p.10).

Em geral, pode-se notar com clareza essa situação, quando a mãe verdadeira e a madrasta unem-se na imaginação da criança com esses extremos, e especialmente quando a criança detesta sua mãe. Na concepção de Winnicott, a idéia de ódio pela mãe é difícil de ser aceita, mas diz ser inevitável porque considera que existe raiva em relação à mãe e o ódio está sempre presente, mesmo quando não há a menor dúvida quanto a um amor misturado com adoração.

Se existem duas mães, uma verdadeira que morreu, e uma madrasta, percebem com que facilidade uma criança obtém alívio para a sua tensão, fazendo uma perfeita e a outra horrenda? Isto se aplica quase tanto às expectativas do mundo quanto às crenças de uma criança (Ibid., p.11).

Segundo Winnicott, uma criança que percebe ou sente a devoção da mãe num período precoce estabelece as bases essenciais que a capacitam a começar existir como pessoa. Dizendo de outra maneira: “havia dependência absoluta no início e quando a criança começa a ser capaz de compreender isso se desenvolve também um medo da mãe primitiva, detentora de poderes mágicos para o bem e para o mal” (Ibid., p.12).

Isso é sentido com mais afinco no caso de uma menina cuja mãe, toda onipotente no início, que supria todas as suas necessidades, é, depois, a mesma mãe que frustra, mostra fatos não agradáveis da vida e que, ainda, coloca-se entre ela e o pai. Frente a isso, a mãe verdadeira e a madrasta partem de lugares diferentes, pois a primeira alimenta a esperança e a segunda teme que a menina conquiste o amor do seu pai. Assim, não se pode esperar que as crianças deixem de repente a tendência para dividir o mundo em geral e, especialmente, suas duas mães em boas e más.

Do lado da madrasta, segundo Winnicott, quando esta mulher se percebe cuidando de uma criança que nasceu de uma mulher que na sua idéia é sua rival, mesmo que esteja morta, pode tranqüilamente sentir-se impelida por sua própria imaginação a ocupar o lugar de bruxa em vez de fada madrinha e, com isso, impedir uma evolução gradual de sentimentos que conduzam à tolerância e à afeição.

Com base nos pressupostos já destacados, vemos que a maternidade é um acontecimento relevante na obra de Winnicott. Pela sua teoria, a constituição do psiquismo ocorre na experiência sintonizada e cadenciada entre o bebê e sua mãe. Ele nasce com um potencial que pode vir a ser desenvolvido pelo que ela for capaz de lhe oferecer. Mas, o que mais interessa ao autor é que a mãe seja livre para ter a experiência de fazer aquilo que lhe parece dever fazer, o que a habilita a descobrir a plenitude da maternidade em si própria.

Ao pensar sobre a boa mãe, com as suas formulações em torno da descrição e atitudes e da vivência da mãe devotada, Badinter (1985), no ponto que se refere ao aleitamento ao seio, diz que é a primeira prova de amor da mãe pelo filho, pois engendra grandes sentimentos de prazer, físicos e espirituais. Isso faz-nos perceber que o método mais rápido para evitar o sofrimento do bebê diante da fome é a mãe dar-lhe alimento quando ele quiser, até que consiga suportar ser alimentado em horários regulares. Para ela, Winnicott esqueceu de dizer que o aleitamento sem regras nem horas estabelecidas pode durar um longo período de tempo.

Considerando-se que um desmame se dá somente por volta de nove meses após o nascimento da criança, não se pode deixar de se preocupar com as mulheres que mantêm funções fora do lar, como no Brasil, que retomam as suas atividades no máximo 120 dias após o parto e, dependendo do caso, como no das executivas ou das profissionais autônomas, em que o retorno ao trabalho pode ocorrer já no primeiro mês de vida do bebê.

Pensando nas afirmações de Winnicott feitas pelas antenas da BBC, Badinter chama a atenção para o caso de muitas mulheres que poderiam ter experimentado o sentimento de culpa diante da sua exposição, já que não se reconheciam no retrato da boa mãe que ele descrevia. Essa autora diz que a idéia da mãe devotada, dos grandes psicanalistas do pós–guerra, exaltava o aleitamento natural e o devotamento materno, chegando ao ponto de alguns afirmarem que o desenvolvimento de um indivíduo teria sido diferente e melhor se ele tivesse sido beneficiado por um aleitamento bem - sucedido. Ela conclui, portanto, que essas palavras seriam cruéis para todas as mulheres que não amamentam os filhos ao seio (Badinter 1985, p. 311).

A autora citada acima constata que, para justificar os sacrifícios exigidos à mãe, Winnicott ressalta que, quando a mãe age de maneira devotada, estabelece os fundamentos da saúde mental de seu filho e ele só poderá alcançar a integridade dessa saúde mental, se tiver tido,

no início, um protótipo de experiência com uma mãe suficientemente boa. Portanto, chega-se aqui ao auge da imensa responsabilidade que pesa sobre a mãe, ser ou não suficientemente boa. E o que significa esta medida expressa pelo vocábulo “suficiente”, justaposto ao verbo “ser”?

Parece-nos que a mãe suficientemente boa é aquela que não mostra pressa, que é atenta a todas as minúcias que o cuidado do bebê exige e que se ocupa inteiramente dele. É uma mãe absolutamente devotada. Mas esse devotamento não é suficiente para caracterizar uma boa maternidade. Para que a relação entre a mãe e o filho tenha sido de fato bem sucedida, é imprescindível que a mãe encontre alegria na tarefa do cuidado materno, do contrário, tudo parece morto, mecânico, sem utilidade. Pelo visto, não é sem razão que Winnicott convida as mães a se alegrarem com sua situação.

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