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- FİNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA İLİŞKİN ESASLAR (DEVAMI) 2.7 Önemli Muhasebe Politikalarının Özeti (Devamı)

Já vimos que muitas vezes é o pedido que define a verdadeira natureza do interesse em litígio, se individual homogêneo137, difuso ou coletivo estrito senso138; mas,

na verdade, as suas implicações é que definirão todos os contornos da ação coletiva, como seu alcance e sua eficácia na proteção dos direitos.

Sabe-se que duas são as correntes sobre o pedido, a da individualização e a da substanciação, havendo na doutrina ampla aceitação da segunda como a eleita pelo Código de Processo Civil Brasileiro.139

A doutrina divide tradicionalmente o pedido da ação em mediato e imediato, e a causa de pedir em próxima e remota, dentro do esquema processual individual. As mesmas classificações também se aplicam, com as devidas conformações, aos processos coletivos.

Como esclarece Sandra Lengruber da Silva:

137 Fredie Didier Jr. e Hermes Zaneti Jr. explicam: “Por exemplo, em determinada ação onde se afirma a

lesão cometida por veiculação de publicidade enganosa o autor da ação deverá descrever os fatos que justificam a demanda e embasam sua pretensão, afirmando que a publicidade foi ao ar nos dias x e y, através da mídia televisiva, atingindo um universo de pessoas circunscritas em determinada região. Deverá afirmar, ainda, que existe uma extensão possível de várias pessoas atingidas pela publicidade que adquiriram o produto em erro e que foram lesadas em seus direitos individuais, e que estes direitos, pela característica de origem comum, se configuram como individuais homogêneos. Requererá, assim e ao final, ‘a condenação genérica, ficando a responsabilidade do réu pelos danos causados (art. 95, do CDC)’. No exemplo acima temos, 1) fatos (causa de pedir mediata ou remota), que originam lesão de direitos individuais; 2) um direito afirmado (causa de pedir imediata ou próxima), que pode ser configurado (em tese) como direito individual homogêneo por ter origem comum e se estender a vários titulares de direitos individuais hipoteticamente lesados; e, 3) um pedido imediato de condenação genérica, de acordo com o direito afirmado. Assim, trata-se claramente de uma ação para tutela dos direitos individuais homogêneos.” (Curso de direito processual civil: processo coletivo, cit., v. 4, p. 85).

138 Conforme Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida, “a ‘origem comum’ dos direitos e interesses

individuais homogêneos (causa de pedir próxima e remota) pode se identificar com a mesma origem (causa de pedir próxima e remota) dos direitos e interesses difusos ou coletivos da respectiva coletividade” e “a ‘origem comum’ dos direitos e interesses individuais homogêneos, sob o aspecto da causa de pedir remota, pode ser fática, identificando-se com as ‘circunstâncias de fato’ comuns ao universo de titulares de direitos difusos; ou jurídica, correspondendo à ‘relação jurídica-base’ da coletividade de pessoas titular de direitos coletivos, em sentido estrito”(Tutela dos interesses difusos e coletivos, cit., p. 21).

139 Como ensina Vicente Greco Filho, “o fato e o fundamento jurídico do pedido são a causa de pedir, na

expressão latina, a causa petendi”. Esclarece ainda: “O Código ao exigir a descrição do fato e o fundamento jurídico do pedido, filiou-se à chamada teoria da substanciação quanto à causa de pedir. A decisão judicial julgará procedente ou não o pedido, em face de uma situação descrita e como descrita. Essa teoria se contrapõe à chamada teoria da individualização, segundo a qual bastaria a indicação de um fundamento geral para o pedido.” (Direito processual civil brasileiro: atos processuais a recursos e processos nos tribunais. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. v. 2, p. 100).

Também aqui o pedido manifesta-se sob dois aspectos, mediato e imediato, sendo que o primeiro consiste no bem jurídico pretendido, enquanto o segundo refere-se ao provimento jurisdicional requerido. Mister gizar que o pedido imediato nas ações coletivas apresenta grande amplitude de possibilidades, face o previsto no art. 83, do Código do Consumidor, consignando a admissibilidade de todas as espécies de ações para propiciar a efetiva tutela dos interesses metaindividuais.140

Também discute-se acerca da possibilidade de cumulação de pedidos nas ações coletivas, sobretudo dos pedidos que, como visto, induzirão ao enquadramento da ação em defesa do interesse individual homogêneo.

Consuelo Yoshida expõe que um mesmo fato pode originar pretensões difusas, coletivas e individuais, dependendo do tipo de pretensão material e da tutela jurisdicional pleiteada.141

A mesma doutrinadora articula inclusive as implicações de tal situação na definição da competência para o feito, dizendo que muitas ações coletivas formulam, cumulativamente, pretensões coletivas (em sentido estrito) e individuais homogêneas, quando é também solicitada pretensão acerca do bem de natureza divisível (de cunho patrimonial, por exemplo), e conclui:

Se estão envolvidas pretensões coletivas (exclusiva ou cumulativamente), a propositura de ação única de âmbito nacional é uma imposição decorrente da natureza indivisível do bem. Se a ação coletiva contém exclusivamente pretensões individuais homogêneas, o que não é freqüente, a propositura de ação única, de âmbito nacional, regional ou local, conforme a extensão do dano (art. 93 da Lei n. 8.078/1990), embora não seja uma decorrência obrigatória, como sucede com as pretensões difusas e coletivas, é de todo aconselhável e conveniente, pelas razões apontadas.142

Outra questão diretamente incidente nas ações coletivas, no que tange ao pedido, é a possibilidade de elaborar um pedido genérico, o que até então não era factível, nos termos do artigo 286 do Código de Processo Civil, que prevê situações específicas para excepcionar a regra do pedido certo; quando se trata de ações coletivas, sobretudo das que tutelam interesses individuais homogêneos, o pedido genérico será regra, nos termos do artigo 95 do Código de Defesa do Consumidor.

140 SILVA, Sandra Lengruber da, Elementos das ações coletivas, cit., p. 87.

141 YOSHIDA, Consuelo Yatsuda Moromizato, Tutela dos interesses difusos e coletivos, cit., p. 206. 142 Ibidem, p. 17-18.

Barbosa Moreira explica a possibilidade de uma sentença ilíquida, afirmando que:

Nas hipóteses em que o autor formula pedido genérico (art. 286, 2ª parte, n. I a III), ‘se ao longo do processo de conhecimento não for possível colher os elementos necessários à determinação do objeto mediato do pedido, faculta-se o juiz, na sentença de procedência, deixar de fixar o valor ou de individualizar o objeto’.143

A sentença será então ilíquida, tornando-se indispensável proceder antes a liquidação da condenação genérica, assim como se faz no caso de execução pecuniária para reparação do dano causado pelo crime, com fundamento em sentença condenatória penal (art. 584, n. II).144

Todavia, o Código de Defesa do Consumidor tornou regra para a ação coletiva aquilo que era exceção para o processo individual, e, como veremos no item 4.5.1, a sistemática do processo coletivo tratou de forma mais direta e adequada a questão da sentença genérica, a fim de otimizar os resultados da tutela jurisdicional.

Nessa senda, há também que se falar acerca da mitigação dos princípios tradicionais incidentes sobre o pedido no processo civil, pois se tratando de tutela coletiva, pela própria natureza dos interesses ali demandados, como afirmamos diversas vezes no transcorrer deste trabalho, é fundamental a conduta pró-ativa do magistrado, no sentido de sempre buscar o atendimento das demandas sociais pela efetividade da jurisdição.

Paulo Henrique Lucon ensina que no processo coletivo, se o autor formula o pedido de modo inadequado, o juiz poderá sempre interpretá-lo da melhor forma, para garantir o direito que é assegurado à coletividade, sempre respeitando as garantias constitucionais, como o contraditório e a ampla defesa. Conclui o autor que:

Somente desta maneira restará preservada a indisponibilidade deste direito, que não pertence a um único indivíduo, tampouco àquele que postula em juízo em virtude de legitimação conferida pela lei. Por isso, conclui-se que o art. 293 do CPC não é aplicável subsidiariamente aos

143 MOREIRA, José Carlos Barbosa. O novo processo civil brasileiro: exposição sistemática do

procedimento. Rio de Janeiro: Forense, 2005. p. 190.

144 No mesmo sentido: “Nesses três casos, não sendo possível a determinação do objeto do pedido mediato no

transcurso do processo, o juiz está autorizado a proferir sentença que é denominada ilíquida, e que, portanto, deve ser liquidada antes da instauração do processo de execução (ver arts. 586 e 603 do CPC).” (MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz, Manual do processo de conhecimento, cit., p. 99).

processos coletivos, devendo prevalecer então a interpretação extensiva, não apenas ao pedido, como também da causa de pedir, por decorrência lógica.145

Por isso, de lege ferenda, inúmeros são os dispositivos que pretendem positivar a flexibilização do pedido feito na petição inicial de ação coletiva, pois tal possibilidade perfaz instrumento indispensável para o alcance do escopo trazido pela nova sistemática.146

Ricardo Barros Leonel expõe esse panorama, mencionando a possibilidade de alteração extemporânea da demanda, nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Anteprojeto do Código Brasileiro de Processos Coletivos147, do artigo 10 do Código Modelo de Processos Coletivos para a Ibero-América148, ou mesmo a regra 14.1 das

145 LUCON, Paulo Henrique dos Santos et al. Interpretação do pedido e da causa de pedir nas demandas

coletivas (conexão, continência e litispendência). In: LUCON, Paulo Henrique (Coord.). Tutela coletiva: 20 anos da lei de ação civil pública e do fundo de defesa de direitos difusos, 15 anos do Código de Defesa do Consumidor. São Paulo: Atlas, 2006. p. 189.

146 Ricardo Barros Leonel. Menciona que “a apresentação do Anteprojeto de Código Brasileiro de Processos

Coletivos, elaborado por estudiosos sob a coordenação da professora Ada Pellegrini Grinover, merece congratulações. Entre outras razões, pelo fato de reacender o debate quanto ao temário do processo coletivo, que se encontra em posição de destaque, neste novo milênio, como um dos mais importantes nos horizontes do moderno direito processual. (...) Um deles, na nossa modesta interpretação, está estampado na nova forma de equacionamento do problema da estabilização da demanda: preserva-se o sistema de preclusões e a regra da eventualidade, mas abre-se um canal de maior flexibilidade, de sorte a permitir que a sentença – e a tutela concreta aos direitos coletivos, que deve dela decorrer – se aproxime, o mais possível, da realidade da crise de direitos material.” (Causa de pedir e pedido nos processos coletivos: uma nova equação para a estabilização da demanda, cit., p. 154).

147 “Fugindo à solução contida no Código de Processo Civil, tradicional em nosso sistema processual, que

determina o saneamento como momento processual a partir do qual é absolutamente vedada qualquer alteração (art. 264, parágrafo único, do CPC), o anteprojeto prevê que a possibilidade de modificação extemporânea dos elementos objetivos da demanda, a causa de pedir e o pedido. Estabelece o art. 4º, parágrafo único, que, ‘a requerimento da parte interessada, até a prolação da sentença, o juiz permitirá a alteração do pedido ou da causa de pedir, desde que seja realizada de boa-fé, não represente prejuízo injustificado para a parte contrária e o contraditório seja preservado, mediante possibilidade de nova manifestação de quem figura no pólo passivo da demanda, no prazo de 10 (dez) dias, observado o § 3º do art. 10’. Essa nova equação da estabilização da causa de pedir e do pedido, que reflete a flexibilização da forma em benefício do resultado do processo, merece análise mais atenta.” (LEONEL, Ricardo de Barros, Causa de pedir e pedido nos processos coletivos: uma nova equação para a estabilização da demanda, cit., p. 146).

148 “A proposta de Código Modelo de Processos Coletivos para a Ibero-América, considerando as

peculiaridades dos interesses metaindividuais, também opta pela flexibilização. No Capítulo III, sob a rubrica ‘Dos processos coletivos em geral’, ficou estabelecido o seguinte: ‘Art. 10. Nas ações coletivas, o pedido e a causa de pedir serão interpretados extensivamente. § 1º Ouvidas as partes, o juiz permitirá a emenda da inicial para alterar ou ampliar o objeto da demanda ou a causa de pedir. § 2º O juiz permitirá a alteração do objeto do processo a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição, desde que seja realizada de boa-fé, não represente prejuízo injustificado para a parte contrária e o contraditório seja preservado’.” (LEONEL, Ricardo de Barros, Causa de pedir e pedido nos processos coletivos: uma nova equação para a estabilização da demanda, cit., p. 150).

Regras da Proposta de Código Modelo de Processo Civil Transnacional149, todas no sentido de flexibilizar a rigidez do processo tradicional quanto à estabilização da demanda. O autor aponta ainda solução adotada pelo direito comparado, especificamente o lusitano, em que:

(...) havendo consenso entre autor e réu, é possível alterar a causa de pedir e o pedido a todo tempo, inclusive em grau de recurso, desde que isso não gere prejuízo inaceitável para a instrução, discussão e julgamento da demanda. Na hipótese de inexistência de consenso, são possíveis modificações para: a) redução do pedido (equivale à desistência parcial); b) alteração decorrente da resposta do réu, quando da réplica (v.g., substituição do pedido inicial, formulação de subsidiários compatíveis com aquele); c) “desenvolvimento” do pedido inicial (v.g., indenização, quando o pleito originário era de proteção da posse ou propriedade); d) alteração simultânea da causa petendi e do petitum, desde que mantida a mesma relação de direitos material controvertida (v.g., do pedido de cumprimento de determinado contrato, mudança para o pedido de rescisão).150

Conclui-se que o escopo do reformador português foi aproveitar ao máximo o processo, resolvendo integralmente o litígio relativo a determinada relação de direito material.

Benzer Belgeler