Em Fortaleza, para se adaptar a LDB e aos PCN, durante o governo de Luizianne de Oliveira Lins, a Secretaria Municipal de Educação elaborou em 2011, as Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental do Sistema Público Municipal de Ensino de Fortaleza48. Foram publicados dois volumes – no volume 1:
[...] apresentam-se a base teórica e o corpo das Diretrizes Curriculares Municipais para o Ensino Fundamental da Rede Pública de Fortaleza, em consonância com o que preconiza a LDB atual – Lei nº 9.394/96, sobretudo o artigo 26 – e com o que estabelecem as atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (Resolução CNE/CEB nº 4, de 13 de julho de 2010). A publicação ora apresentada tem por base uma concepção de currículo fruto de uma elaboração coletiva e a metodologia aplicada foi a da problematização, o que implica pensar e caracterizar os processos educativos, de tal forma a responder aos desafios da prática pedagógica. (TEIXEIRA; DIAS, 2011, p. 18).
Vale ressaltar que neste documento contem a discussão atualizada sobre a avaliação do ensino e da aprendizagem para o ensino Fundamental, pois sugere a avaliação com um enfoque processual e integrante do currículo escolar e que deve englobar de forma indissociável as avaliações diagnóstica, formativa e somativa visando a aprendizagem do aluno.
O documento está fundamentado na Resolução nº 07/2010 do Conselho Nacional de Educação – CNE/CEB, que fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de nove anos e define em seus artigos 32, 34, e os incisos I e II do artigo 35, como a avaliação deve ocorrer na escola.
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Participaram da elaboração dessas diretrizes professores e professoras representantes das diferentes áreas do currículo, coordenadores pedagógicos, gestores escolares, equipes administrativa e pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza e das Secretarias Executivas Regionais/Distritos de Educação, bem como professores/assessores de IES do Ceará, integrantes da Rede de Pais e Mães pela Qualidade da Educação e da Secretaria de Direitos Humanos. (TEIXEIRA; DIAS, 2011, p. 18).
Art. 32 A avaliação dos estudantes, a ser realizada pelos professores e pela escola como parte integrante da proposta curricular e da implementação do currículo, é redimensionadora da ação pedagógica e deve:
I – assumir um caráter processual, formativo e participativo, ser contínua, cumulativa e diagnóstica, com vistas a:
identificar potencialidades e dificuldades de aprendizagem e detectar problemas de ensino; b) subsidiar decisões sobre a utilização de estratégias e abordagens de acordo com as necessidades dos estudantes, criar condições de intervir de modo imediato e a mais longo prazo para sanar dificuldades e redirecionar o trabalho docente; c) manter a família informada sobre o desempenho dos estudantes; d) reconhecer o direito do estudante e da família de discutir os resultados de avaliação, inclusive em instâncias superiores à escola, revendo procedimentos sempre que as reivindicações forem procedentes.
II – utilizar vários instrumentos e procedimentos, tais como a observação, o
registro descritivo e reflexivo, os trabalhos individuais e coletivos, os portfólios, exercícios, provas, questionários, dentre outros, tendo em conta a sua adequação à faixa etária e às características de desenvolvimento do educando;
III – fazer prevalecer os aspectos qualitativos da aprendizagem do estudante
sobre os quantitativos, bem como os resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais, tal com determina a alínea “a” do inciso V do art. 24 da Lei nº 9.394/96;
IV – assegurar tempos e espaços diversos para que os estudantes com menor
rendimento tenham condições de ser devidamente atendidos ao longo do ano letivo;
V – prover, obrigatoriamente, períodos de recuperação, de preferência
paralelos ao período letivo, como determina a Lei nº 9.394/96;
VI – assegurar tempos e espaços de reposição dos conteúdos curriculares, ao
longo do ano letivo, aos estudantes com frequência insuficiente, evitando, sempre que possível, a retenção por faltas;
VII – possibilitar a aceleração de estudos para os estudantes com defasagem
idade-série. [...];
Art. 34 Os sistemas, as redes de ensino e os projetos político-pedagógicos das escolas devem expressar com clareza o que é esperado dos estudantes em relação à sua aprendizagem.
Art. 35 (...)
Parágrafo único. A melhoria dos resultados de aprendizagem dos estudantes e da qualidade da educação obriga:
I – os sistemas de ensino a incrementarem os dispositivos da carreira e de
condições de exercício e valorização do magistério e dos demais profissionais da educação e a oferecerem os recursos e apoios que demandam as escolas e seus profissionais para melhorar a sua atuação;
II – as escolas a uma apreciação mais ampla das oportunidades educativas
por elas oferecidas aos educandos, reforçando a sua responsabilidade de propiciar renovadas oportunidades e incentivos aos que delas mais necessitem. (TEIXEIRA; DIAS, 2011, p. 126-127).
Percebe-se que o Conselho Nacional de Educação e a Câmara de Educação Básica – CNE/CEB complementam a LDB nº 9.394/96, ou seja, esclarece, dá mais detalhes sobre como a avaliação deve ser realizada. Assim, incorpora a ideia de acompanhamento individual que vários estudiosos sobre a avaliação apontam como estratégia para redução do fracasso
escolar, bem como o uso da variabilidade didática e a adequação das metodologias de acordo com a faixa etária. Partindo dessa reflexão, é possível observar o avanço na perspectiva da avaliação nas escolas municipais de Fortaleza.
O documento também apresenta um item sobre os procedimentos metodológicos- operacionais, ou seja, como a avaliação dos aluno deve ser registrada.
* Para efeito de organização e registro do desempenho escolar do estudante, o ano letivo será dividido em quatro etapas;
* o registro do desempenho do estudante do 1º (primeiro) e 2º (segundo) anos será expresso no Relatório;
* o registro do desempenho do estudante do 3º (terceiro) ao 9º (nono) anos será expresso em notas com variação em escala de zero a dez;
* o(a) professor(a) de cada disciplina/área do conhecimento deverá realizar no mínimo três situações avaliativas por etapa, considerando-se avaliação parcial do conhecimento; avaliação global do conhecimento e outras atividades avaliativas correlatas;
* o acompanhamento do desempenho do estudante será registrado em instrumentos próprios para este fim;
* durante cada etapa, ao se constatar dificuldades na aprendizagem, o(a) professor(a) deverá trabalhar com atividades de recuperação paralela, a fim de que o estudante possa caminhar progressivamente nas etapas subsequentes;
* a quarta etapa é obrigatória a todos os estudantes;
* para efeito de promoção, o estudante deverá atingir no mínimo a nota seis em cada disciplina/área do conhecimento e frequência mínima de 75% (setenta e cinco por cento) do total de horas letivas;
* a recuperação final será realizada ao término do ano escolar e antes do início do ano escolar seguinte;
* para efeito de promoção, após a recuperação final, o estudante deverá atingir no mínimo a nota seis;
* o resultado final do desempenho escolar do estudante será a média aritmética simples obtida com o somatório das notas das quatro etapas; e * cabe ao sistema de ensino e à escola garantirem condições para efetivar o processo de recuperação paralela e a recuperação final, devendo estas indicações estar contidas nos documentos oficiais da Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza – SME, do Conselho Municipal de Educação de Fortaleza – CME, na proposta pedagógica e no regimento de cada escola. (TEIXEIRA; DIAS, 2011, p. 129-130).
No entanto, a forma de atribuição de notas presente no texto parece não se diferenciar dos procedimentos existentes antes da elaboração do documento. Pois, durante o ano letivo escolar o estabelecimento de ensino ainda está centrado nos resultados das provas e exames.
Atualmente, nas escolas municipais a média permanece seis (6,0) e o professor é orientado para realizar três avaliações: uma avaliação parcial de conhecimento, avaliação das atividades e/ou trabalhos e avaliação global do conhecimento, também denominada de bimestral. Ao final de cada bimestre é realizada a recuperação paralela, caso o aluno tenha
obtido nota inferior a média.
No volume 2 das Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental do Sistema Público Municipal de Ensino de Fortaleza são sugeridos os conteúdos pertencentes a cada componente curricular, ou seja, das disciplinas: Artes, Ciências, Educação Física, Ensino Religioso, Geografia, História, Língua Português, Língua Estrangeira, Matemática e Temas Transversais. Este último corresponde aos mesmos temas dos PCN.
Contudo, espera-se que as diretrizes curriculares não seja apenas um documento oficial, mas que possa ser colocado em prática, sobretudo as propostas avaliativas do ensino e aprendizagem.