16 ÖZKAYNAK YÖNTEMİYLE DEĞERLENEN YATIRIMLAR
38 FİNANSAL ARAÇLARDAN KAYNAKLANAN RİSKLERİN NİTELİĞİ VE DÜZEYİ
Em âmbito internacional, os primeiros esforços no combate ao tráfico de pessoas tem início na Conferência de Paris, onde em 18 de maio de 1904, foi assinado o primeiro acordo internacional visando a repressão deste tipo de delito, o Acordo para a Repressão do Tráfico de Mulheres Brancas84, convolado em Convenção no ano seguinte. Neste documento, as discussões foram centradas ao tráfico de escravas brancas, aliciadas para propósitos imorais, ou seja, para a prostituição, buscando estipular uma diferenciação ao conceito do tráfico de escravos desenvolvido no século XIX.
Recebeu inúmeras críticas, haja vista que restringiu a abordagem à questão específica do comércio de escravas brancas, prática esta limitada ao continente europeu.85
Em 04 de maio de 1910 foi adotada a Convenção Internacional pela Supressão do Tráfico de Escravas Brancas86, em Paris, a qual se preocupou com a análise das razões pelas quais as pessoas eram traficadas, principalmente no que diz respeito ao mercado consumidor, que possibilitava e estimulava tal prática. Apresentou avanços por considerar a possibilidade de o tráfico ultrapassar as fronteiras nacionais. Contudo, a questão do tráfico ainda permanecia fortemente vinculada à questão da prostituição. Esse documento entrou em vigor no Brasil somente no dia 27 de agosto de 1924, por meio do Decreto nº16.57287,ou seja, 14 anos depois de sua assinatura. Seus dois primeiros artigos dispunham:
Art. I – Qualquer pessoa que, para satisfazer a paixão de outros, tenha contratado, seqüestrado ou seduzido, inclusive com seu consentimento, uma mulher ou garota que seja menor, para propósitos imorais, mesmo quando os vários atos que juntos constituem a ofensa foram cometidos em diferentes países, deverá ser punida.
Art. II – Qualquer pessoa que, para satisfazer a paixão de outros, tenha, pela fraude ou pelo uso da violência, engano, abuso de autoridade, ou quaisquer outros meios de constrangimento, contratado, seqüestrado ou seduzido uma mulher ou garota maior de idade para propósitos imorais, mesmo quando os vários atos que juntos constituem a ofensa foram cometidos em diferentes países, também deverá ser punida.
84Disponível em: http://wwwcrl-jukebox.uchicago.edu/bsd/bsd/u2312/000076.html. Acesso em:11 maio 2014. 85JESUS, Damásio Evangelista de. Tráfico internacional de mulheres e crianças – Brasil: aspectos regionais e
nacionais. São Paulo: Saraiva, 2003, p.27.
86Disponível em: http://www.pjetam.gob.mx/tamaulipas/interiores. Acesso em: 04 nov.2014.
87Disponível em: http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:federal:decreto:1924-08-27;16572. Acesso em: 11 maio
Em 30 de setembro de 1921, em Genebra, foi celebrada a Convenção Internacional para a Repressão do Tráfico de Mulheres e Crianças, documento que somente foi internacionalizado em nosso ordenamento jurídico posteriormente, por intermédio do Decreto n°23.812, de 30 de janeiro de 193088. Seus primeiros artigos assim dispunham:
Art.1º
As Altas Partes Contratantes comprometem-se, no caso de não serem ainda Partes no Ajuste de 18 de maio de 1904 e na Convenção de 4 de maio de 1910, a transmitir as suas ratificações aos ditos Atos ou as suas adesões aos referidos Atos, no mais breve prazo e na forma prevista no Ajuste e Convenção acima citados.
Art.2º
As Altas Partes Contratantes comprometem-se, a tomar todas as medidas em vista de procurar e punir os indivíduos que praticam o tráfico de crianças de um e do outro sexo, estando essa infração compreendida no que dispõe o artigo primeiro da Convenção de 4 de maio de 1910.
Art.3º
As Altas Partes Contratantes comprometem-se a tomar as medidas necessárias a fim de punir as tentativas de infração e, nos limites legais, os atos preparatórios das infrações previstas nos arts.1º e 2º da Convenção de 4 de maio de 1910.
Art.4º
As Altas Partes Contratantes comprometem-se, no caso em que não existam entre elas Convenções de extradição, a tomar todas as medidas que estejam em seu alcance para a extradição dos indivíduos acusados das infrações enumeradas nos arts.1º e 2º da Convenção de 4 de maio de 1910, ou dos condenados por tais infrações.
Art.5º
No parágrafo B do Protocolo final da Convenção de 1910, as palavras “vinte anos completos” serão substituídas pelas palavras “vinte e um anos completos”.
Vislumbra-se que o Decreto n°23.812/30 teve como inspiração a Convenção de 1910, realizando significativas alterações, passando a conceber como criança o menor com idade até 21 anos, de forma diversa da Convenção de 1910 que se reporta a mulheres menores, compreendidas com idade inferior a 21 anos.
Por sua vez, a Convenção para a Repressão do Tráfico de Mulheres Adultas, celebrada em Genebra, datada de 11 de outubro de 1933 e emendada em 1947 (Decreto nº37.176, promulgado em 15/04/1955), trouxe relevantes modificações, pois passou a criminalizar o recrutamento que objetivasse a exploração posterior da prostituição, ainda que houvesse o consentimento da vítima.
Em 1949 houve a Convenção e Protocolo Final para a Repressão do Tráfico de Pessoas e do Lenocínio-Lake Sucess, (promulgada em nosso país pelo
88 Disponível em: http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=29183. Acesso em: 15 maio
Decreto nº46.981, de 08 de outubro de 195989), a qual veio a valorizar a dignidade e o valor da pessoa humana, como bens afetados pelo tráfico, o qual põe em perigo o bem- estar do indivíduo, da família e da comunidade. Vítima pode ser qualquer pessoa, independentemente de sexo e idade. É permitido à legislação interna prever condições mais rigorosas e lançar bases para a cooperação jurídica internacional. Sob o ângulo das pessoas que exercem a prostituição, consideradas vítimas, enfatiza-se a obrigação dos Estados em atuar na prevenção, na reeducação e na readaptação social, além de facilitar a repatriação no caso de tráfico internacional. Os Estados devem abolir qualquer regulamentação ou vigilância das pessoas que exercem a prostituição.90
De acordo com seu art.1º, as partes se comprometem em punir toda pessoa que, para satisfazer às paixões de outrem, “aliciar, induzir ou descaminhar, para fins de prostituição, outra pessoa, ainda que com seu consentimento”, bem como “explorar a prostituição de outra pessoa, ainda que com seu consentimento.” Por sua vez, o art.2º detalha as condutas de manter, dirigir ou, conscientemente, financiar uma casa de prostituição ou contribuir para esse financiamento; de dar ou tomar de aluguel, total ou parcialmente, um imóvel ou outro local, para fins de prostituição de outrem.
Estas discussões, em que pesem as respectivas críticas, principalmente por se preocuparem, basicamente, com o comércio global do sexo, resultaram na Convenção das Nações Unidas sobre a Supressão do Tráfico de Pessoas e a Exploração da Prostituição dos Outros, em 1949. Apresentou um viés de reprimir a prostituição, criminalizando atos de terceiros que incitem ou concretizem a sua exploração, independente da vítima. Recebeu críticas por não definir o tráfico de pessoas, além de tê-lo equiparado à exploração sexual, sem estipular os outros fins aos quais eram destinadas às vítimas do tráfico.
Em 1959, as Nações Unidas promovem estudos, almejando modificações na Convenção de 1949, concluindo que os problemas decorrentes do tráfico de pessoas deveriam ser considerados em conjunto objetivando dar maior efetividade nesse processo, desvinculando-o, unicamente, da prostituição.
Nesse sentido, Ela Wiecko V. de Castilho pontua:
89 Disponível em: http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=112661. Acesso em: 16 maio
2014.
90 CASTILHO, Ela Wiecko V. de. Tráfico de pessoas: da Convenção de Genebra ao Protocolo de Palermo. In:
A ineficácia da Convenção de 1949 é reconhecida pela convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (1979), ao obrigar os Estados Partes a tomar medidas apropriadas para suprimir todas as formas de tráfico e de exploração da prostituição de mulheres. Em 1983, o Conselho Econômico e Social da ONU decide cobrar relatórios. Em 1992, a ONU lança o Programa de Ação para a Prevenção da Venda de Crianças, Prostituição Infantil e Pornografia Infantil. A necessidade de um processo de revisão se fortalece na Conferência Mundial dos Direitos Humanos (1993), cuja Declaração e Programa de Ação de Viena salientam a importância da “eliminação de todas as formas de assédio sexual, exploração e tráfico de mulheres”. Daí o Programa de Ação da Comissão de Direitos Humanos para a Prevenção do Tráfico de Pessoas e a Exploração da Prostituição (1996)91.
Nota-se, a partir de então, a realização de conferências voltadas ao tema de direitos humanos e proteção da mulher, como a Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Direitos Humanos (Viena, 1993), a Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijing, 1995) e a Convenção Interamericana sobre o Tráfico Internacional de Menores (1998). A seu turno, a Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Direitos Humanos é de grande importância, uma vez que contribuiu para a atual conceituação e destaque dos direitos humanos, afirmando sua universalidade de indivisibilidade. No mesmo sentido, a Conferência Mundial sobre a Mulher, de Beijing, dirigiu-se aos aspectos referentes à questão de gênero e ações dos Estados para a proteção e punição da violência contra a mulher. Com isso, conclui-se que tanto na Conferência realizada em Viena em 1993 quanto na Conferência de Beijing de 1995, há cooperação com a consolidação da ideia de que o tráfico de seres humanos opõe-se à garantia dos valores fundamentais da pessoa humana, devendo, assim, serem tomadas medidas eficazes para o seu combate. 92
José Henrique Pierangeli e Carmo Antônio de Souza referem que a primeira lei incriminadora do tráfico de mulheres surgiu na Inglaterra, em 1885, com o Criminal Law Amendment Act (Decreto da Emenda da Lei Penal), donde se propagou para todo o planeta, tornando-se um crime internacional. A realização de vários congressos internacionais revelou a necessidade de uma efetiva cooperação internacional para combater esse flagelo.93
Neste sentido, lecionam:
91 CASTILHO, Ela Wiecko V. de. Tráfico de pessoas: da Convenção de Genebra ao Protocolo de Palermo. In:
Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Brasília: Ministério da Justiça, 2007, p.12.
92 SAKAMOTO, Leonardo; PLASSAT, Xavier. Desafios para uma política de enfrentamento ao tráfico de seres
humanos para o trabalho forçado. In: BRASIL. Secretaria Nacional de Justiça. Política nacional de enfrentamento ao tráfico de pessoas. 2.ed. Brasília: SNJ, 2008, p.09-10.
93 PIERANGELI, José Henrique; SOUZA, Carmo Antônio de. Crimes sexuais. Belo Horizonte: Del Rey, 2010,
O primeiro marco foi o Congresso Penitenciário de Paris, realizado em 1885. Em Londres, em 1899, realizou-se o Congresso Internacional sobre Tráfico de Escravas Brancas. Em 1902, agora com a participação de uma delegação brasileira, realizou-se a Conferência de Paris. Ainda durante o primeiro quarto do século XX foi realizada uma série de congressos com essa finalidade: em Viena (1909), Paris (1910), Bruxelas (1912) e Londres (1913). Em 1947 a ONU firmou o protocolo em Lake Sucess, onde foram ratificadas as conclusões anteriores. Atualmente, acha-se em vigor em nosso país a Convenção para repressão do tráfico de pessoas e do lenocínio, firmada e Lake Sucess, em 21.3.1950, à qual o Brasil aderiu por meio do Decreto Legislativo 6, de 11.6.1958. O Brasil também se vinculou à Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o chamado Pacto de São José da Costa Rica, que, em seu art.6.1, proíbe qualquer forma de tráfico de mulheres.94
Assim, em que pesem os esforços despendidos, no intervalo de tempo entre 1949 e o ano 2000 não se verifica a edição de outro documento internacional voltado à ampla prevenção e combate ao tráfico de pessoas. Apesar disso, consolidava- se na ONU o pensamento de que a garantia dos direitos humanos relaciona-se diretamente com a exploração do tráfico de pessoas95, razão pela qual, no ano de 2000 foi celebrado o Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime