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Considerados o escopo nacional e a facilidade da coleta e no tratamento de dados de gastos com saúde e dos índices, a pesquisa que se mostrou mais conveniente foi a do tipo documental-quantitativa, com dados secundários sendo extraídos de publicações oficiais e com a necessária identificação da fonte. Não foram aplicados questionários nem feito qualquer outro procedimento que envolvesse a participação de pessoas que não o próprio pesquisador. Se por um lado isto trouxe um desejável distanciamento metodológico, pelo menos na manipulação dos dados, de outra parte pode ter perdido a sensibilidade de um pretenso pesquisado e os benefícios advindos do estabelecimento de um processo interativo com os beneficiários que, dessa forma, se teriam tornado copartícipes da avaliação.

Ala-Harja e Helgason (2000), ao analisarem o assunto da abordagem em relação à avaliação das políticas públicas, propõem três tipos principais, não mutuamente excludentes, cujas variáveis definidoras são a forma de ver a avaliação e a sua relação com a gestão de desempenho. Desta maneira, distinguem-se: a) Avaliação vista como função distinta e independente da gestão de desempenho, com regramento claro e próprio; b) Avaliação vista como função distinta, porém integrada à gestão de desempenho e c) Avaliação é integrada com a gestão de desempenho.

A primeira abordagem considera fundamental a independência da avaliação, mesmo dependendo da mensuração e de outras informações produzidas pela gestão de desempenho. O pensamento básico é de que a gestão de desempenho não se diferencia de qualquer outro processo passível de avaliação no âmbito das organizações. Uma ligação excessiva entre avaliação e gestão de desempenho causaria uma diminuição na capacidade avaliativa, limitando a possibilidade de apontamento de melhorias.

A segunda aponta para menos independência, mas a considera como um dos instrumentos da gestão de desempenho que pode ser superior a outros, pois permitiria um estudo mais aprofundado do desempenho do que a sua gestão. Pode cobrir períodos mais longos e incorporar, por exemplo, a avaliação de impactos ou resultados e ainda tornar possível a análise mais detalhada de causas e efeitos, trazendo a discussão sobre o desempenho para um contexto mais apropriado. A avaliação, nesta óptica, poderia ser usada para propiciar a visão mais ampla do desempenho, em contraposição a outras abordagens consideradas mais fragmentadas. No caso, a avaliação é pensada como distinta

e independente como forma de garantir sua especialização e serve para, de modo seletivo e periódico, produzir informações que não constam de outros processos.

A última considera os benefícios da incorporação de métodos avaliativos como instrumentos da gestão de desempenho. Tem-se, pois, a avaliação como atividade permanente e integrada aos processos-chave de gerenciamento.

Holanda (2003) diz que o caso brasileiro de abordagem em relação à avaliação de políticas públicas revela grande variedade, podendo ser considerada ampla e diversificada, porém não consolidada. Ele assim considera por entender que as tentativas de avaliação de programas no Brasil se caracterizam pela dispersão e descontinuidade, levando a que raramente seus resultados e evidências sejam documentados e sistematizados. O autor entende que isto decorre do fato de que a prática de planejamento governamental no Brasil, embora dê ênfase ao processo de formulação e elaboração de planos e projetos, frequentemente não se faz o mesmo com as etapas de acompanhamento e avaliação.

Foi a Constituição Federal, ao definir as diretrizes para a formulação obrigatória dos Planos Plurianuais – PPA conjugados com uma programação orçamentária unificada, que deu à avaliação um caráter de exigência.

Com o fito de estabelecer alguma conexão entre abordagem e método e, desta forma, classificar esta pesquisa, empregar-se-á o esquema seguinte formulado por Pollitt (1996) apud Ala-Harja e Helgason (2000).

Avaliação

Experimental Incorpora idéias positivistas de aplicação da metodologia de ciências naturais à engenharia de programas públicos. Em projetos experimentais, grupos aleatoriamente selecionados aparentemente similares após a aplicação de um programa a um deles. A atribuição do efeito observado ao programa depende da premissa de que não há nenhuma outra causa concorrente para o resultado.

Avaliação

pragmática Centra-se, acima de tudo, na utilidade dos resultados da avaliação. A avaliação deve se orientar pelos objetivos e práticas dos tomadores de decisão. A exeqüibilidade política, o timing e o custo são aspectos importantes. Projetos semi- experimentais (em que se busca eliminar explicações alternativas para os resultados por outros meios que não a seleção aleatória), estudos de casos e vários métodos descritivos são geralmente usados como ferramentas de avaliação.

Avaliação

econômica Geralmente é conduzida de maneira ligeiramente isolada da avaliação geral. As ferramentas incluem análises de custo-benefício e avaliações de custo-eficiência. Introduzem informações quanto ao custo dos programas como um dos critérios de avaliação.

Avaliação

naturalista Rejeita tanto a avaliação experimental quanto a econômica, alegando que a sociedade se constrói socialmente e está em constante mudança por força da interação dos indivíduos. Assim, a avaliação não pode oferecer respostas corretas e objetivas, mas meramente agir como elemento facilitador para a produção de consenso entre os interessados. Os métodos aplicados, tais como etnografia, observação de participantes, estudos de caso etc., têm por objetivo descrever e esclarecer os valores e premissas dos interessados e dar apoio à negociação desses aspectos no processo avaliativo.

No caso da investigação em foco, a sua qualificação como uma pesquisa quantitativa a inclui num combinado da segunda com a terceira, com precedência desta sobre aquela. O esforço foi, porém, no sentido de que os resultados encontrados não sejam somente um “exercício formal ‘desinteressado’” conforme é referido no início deste trabalho, mas a busca de melhoria real nas condições de vida e saúde da população.

Benzer Belgeler