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FİNANSAL ARAÇLARDAN KAYNAKLANAN RİSKLERİN NİTELİĞİ VE DÜZEYİ ....................... 55-75

O envelhecimento populacional é uma preocupação e também um desafio para a humanidade, principalmente, nos países em desenvolvimento, face ao despreparo para se atender este contingente da população.

Conforme afirma Neri (2000), o envelhecimento configura-se, ainda, como uma das diversas manifestações da complexa questão social que vem se apresentando como uma forma de exclusão social.

Costa (2001) coloca que o fenômeno universal do envelhecimento das populações, decorrência do aumento do tempo de vida, tem colocado, na ordem do dia, a questão dos idosos e dos aposentados. Diz ainda que, embora a longevidade (processo inevitável e irreversível) constitua uma notável conquista da ciência, todas as pessoas sensatas são unânimes em afirmar que, mais importante do que ter a existência prolongada é envelhecer com dignidade e qualidade de vida.

A população idosa, que já foi uma minoria e era preterida, em favor de outras faixas etárias, passou a ser alvo de preocupação e atenção, por parte dos governos. No nosso entendimento, essa realidade vem exigindo a busca de soluções imediatas para as questões que envolvem o assunto, por profissionais de todas as áreas.

De acordo com Holanda (2006), as diferentes concepções que orientam esse novo contexto, juntamente com a implantação de novas linhas de ação, redimensionam o olhar sobre a velhice e, criticamente, ampliam e complexificam o campo de estudos e atuação sobre o processo de envelhecimento.

Na velhice, em decorrência de inúmeros fatores já referidos, pode ocorrer a diminuição dos contatos sociais e um progressivo esvaziamento dos papéis sociais, na família e na sociedade, o que leva o idoso a um isolamento e recolhimento ao espaço doméstico.

Portanto, a fase final da existência humana deve ser repensada, a cada dia, como também o lugar social ocupado pelo idoso que é sujeito pleno de direitos, enquanto cidadão.

Ressaltamos que, a família, a comunidade e o Estado são os responsáveis pela garantia dos direitos sociais da pessoa idosa, permitindo-lhe uma melhor qualidade de vida.

Entretanto, algumas pessoas idosas já não dispõem ou nunca possuíram uma família que lhes garantisse, plenamente, seus direitos. Em tais casos, deve estar mais realçado o papel do Estado e da comunidade para ampará-las.

A família é a principal fonte de ajuda e apoio ao idoso, tanto nas atividades domésticas, como na vida diária, companhia e cuidados, em caso de doença. É dever da família satisfazer às necessidades físicas, econômicas,

psíquicas e sociais de seus componentes. Essas necessidades, quando satisfeitas, são fundamentais na velhice, e, mais uma vez, colocamos a família como ponto chave para a manutenção da identidade pessoal, proporcionando um ambiente favorável ao idoso (RIBEIRO, 2001).

A família deve permitir que a pessoa idosa viva num espaço social menos competitivo, menos agressivo e mais adequado a suas necessidades.

Como o ser humano tem uma dimensão social que não pode esgotar-se no lar, surge daí a importância da vida em comunidade.

Segundo Mercadante (2002), a existência da comunidade permite espaços nos quais os indivíduos podem estabelecer relações de maior proximidade, de intimidade, de relações mais pessoais. O pertencimento do indivíduo à comunidade cria o lugar de referência. A autora coloca ainda que, a idéia de pertencimento, o sentimento de pertencer a um grupo é o que fundamenta a relação social, o lugar social de uma pessoa, na comunidade.

A nosso ver, a vida comunitária é uma possibilidade de ampliação da sociabilidade para o segmento idoso. É uma alternativa de vida, em relação ao arranjo familiar.

Mercadante (2002) diz ainda que, viver em comunidade é para o idoso a possibilidade de viver uma solidão positiva, sem que ele seja tratado como socialmente incapaz.

Face ao acima exposto, ressaltamos o Estatuto do Idoso que, no parágrafo IV, indica a necessidade de viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso com as demais gerações. Para isso, no seu Artigo 9º, regulamenta a proteção social como fundamental ao envelhecimento saudável, sendo um direito social, e dever do Estado Brasileiro em promovê-la, através das políticas públicas. Dentre a multiplicidade de direitos afirmados neste dispositivo, destaca-se o direito à Assistência Social, conforme explicitado, no Artigo 33 (BRASIL, 2003b).

Segundo o discurso oficial, a Política Nacional de Assistência Social (PNAS) constitui-se em área estratégica de atuação, junto aos idosos, com expressiva cobertura de benefícios, nas três Unidades da Federação. Prevê ações voltadas para esse segmento da população e de sua família (BRASIL, 2004).

Os serviços que buscam potencializar as famílias, fortalecer os vínculos familiares e comunitários, além de promover a integração social da pessoa idosa, na

PNAS, estão elencados como estratégias de prevenção às vulnerabilidades e riscos sociais, dentro da Proteção Social Básica (BRASIL, 2004).

De acordo com a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, instrumento importante e atual de padronização de serviços do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), é fundamental a oferta de serviços de convivência e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Estes serviços têm seu foco nas vulnerabilidades e potencialidades, de acordo com as demandas dos idosos (BRASIL, 2009).

Tais serviços estão previstos para serem realizados em grupos organizados, de acordo com as necessidades identificadas, de modo a garantir aquisições progressivas aos idosos, a fim de complementar o trabalho social com as famílias, e prevenir a ocorrência de situações de risco social. São consideradas intervenções sociais planejadas que criam situações desafiadoras, estimulando e orientando seus usuários, na construção e reconstrução de suas histórias e vivências individuais e coletivas, na família e na comunidade. Outra proposição de tais serviços é desenvolver o sentimento de pertença e de identidade, fortalecendo os vínculos familiares, incentivando a socialização e a convivência comunitária. De acordo com o texto oficial, têm caráter preventivo e assentam-se na defesa e afirmação dos direitos, bem como, no desenvolvimento das capacidades e potencialidades, com vistas ao alcance de alternativas emancipatórias para o enfrentamento às vulnerabilidades sociais (BRASIL, 2009).

Nesse contexto, os comumente chamados grupos de convivência de idosos, de uma forma ou de outra, anunciam que trabalham pela promoção do envelhecimento ativo, objetivando a preservação das capacidades e do potencial de desenvolvimento do indivíduo idoso.

Borges et al. (2008) coloca que, as primeiras experiências com grupos de convivência remontam à década de 1970, quando o Serviço Social do Comércio de São Paulo iniciou um programa para a terceira idade. Na esfera pública, inicialmente, o atendimento ao idoso, por meio de grupos de convivência, era realizado pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), nos seus centros sociais. Posteriormente, o trabalho foi repassado para a Legião Brasileira de Assistência (LBA), no início dos anos 80. Àquela época, a concepção que predominava, na atenção ao idoso, era o assistencialismo entendido como clientelismo, caridade e executado com ações apenas pontuais.

Numa visão atual e reconceituada, focada na garantia dos direitos sociais, os grupos de convivência para idosos propõem como objetivo promover o encontro desse segmento populacional e seus familiares, para o desenvolvimento de atividades planejadas e sistematizadas que possibilitem a melhoria do convívio em família e a integração à comunidade (BRASIL, 2004).

Diante do exposto, embora previstos na PNI, é no âmbito da PNAS que os grupos de convivência são, formalmente, recomendados entre as estratégias para promover a participação e integração dos idosos, bem como para fortalecer os vínculos não rompidos.

De acordo com o SUAS, o potencial afetivo e de proteção aos idosos e suas famílias estão diretamente relacionados aos contextos socioculturais em que vivem, às redes de pertencimento, e ao desenvolvimento das políticas públicas para esses contextos. No mesmo marco legal, considera-se que a atenção às famílias e aos idosos materializa o avanço do trabalho de caráter preventivo de proteção social, voltado ao fortalecimento de vínculos sociais e de pertencimento, entre os sujeitos que compõem as famílias, de maneira a alcançar o respeito e a concretização dos direitos humanos e sociais (BRASIL, 2005b).

Costa (2000) coloca que os grupos de convivência, constituindo-se em atividades sistêmicas e regulares, oferecem e emprestam significado e satisfação à existência, quer pelo compromisso e responsabilidade social neles implícitos, quer pela oportunidade de manter o convívio social.

Segundo Oliveira (2007), os resultados dos grupos de convivência poderão ser benéficos aos participantes e à comunidade em geral, na medida em que os idosos venham, também, a atuar em programas mais amplos, voltados à comunidade. Considera também que essa prática de sociabilidade pode ser uma fonte de prazer, a partir da construção de laços de amizades, e da contribuição do segmento idoso para a comunidade em que vive.

A mesma autora coloca que, os participantes buscam os grupos para desfrutarem das atividades artísticas, culturais, esportivas e de lazer que são oferecidas, porque a forma de vida deles não está fora da realidade. A biografia de cada um, a forma de receber e reinterpretar a sua cultura e a sua sociedade está no fundamento das suas escolhas. A possibilidade de reinserção, de reinterpretação da própria vida localiza o indivíduo como elemento ativo e não passivo da realidade (OLIVEIRA, 2007).

No nosso entendimento, essa intervenção social deve estar pautada nas características, interesses e demandas dos idosos. Devemos considerar que a vivência em grupo, as experimentações artísticas, culturais, esportivas e de lazer, e a valorização das experiências vividas, constituem formas privilegiadas de expressão, interação e proteção social.

A convivência é necessária e importante para o bem estar da pessoa idosa. Há que se reconhecer ser fundamental está com o outro, principalmente, quando esse outro se encontra em condições semelhantes, em um processo de envelhecimento que envolve condições sociais, afetivas, de saúde que lhe são peculiares.

Acreditamos ser a convivência necessária como apoio para o enfrentamento aos problemas que acometem as pessoas idosas. As reuniões dos grupos de convivência tendem a favorecer o desenvolvimento das relações interpessoais ao oportunizarem o conhecimento do outro, e o auto-reconhecimento, enquanto membro de um grupo. A troca de afetividade e de experiências aumenta o bem estar físico e mental do idoso.

Fortalecendo a nossa argumentação citamos Silva (2004) que defende a importância dos grupos de convivência para os idosos como espaço de expressão, aprendizagem, troca de experiência, valorização pessoal, social e de desenvolvimento biopsicossocial e cultural. Segundo a mesma autora, os grupos criam oportunidades, para que os idosos possam melhorar e exercitar a convivência grupal, a cooperação, a participação cidadã e a consequente organização, influindo, diretamente, na sua qualidade de vida.

Na medida em que se desenvolvem condições do indivíduo descobrir-se como agente de mudanças, na velhice, tanto no nível pessoal e familiar como no âmbito social, ampliam-se as possibilidades de se resgatar o valor inestimável de sua existência na sociedade/comunidade em que vive.

5 METODOLOGIA