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– FİNANSAL ARAÇLARDAN KAYNAKLANAN RİSKLERİN NİTELİĞİ VE DÜZEYİ Yabancı Para Pozisyonu

75 de pesquisa relativos à língua portuguesa e a outros idiomas66, empenhava-se em participar de eventos e congressos científicos. É importante mencionarmos um específico, dada a repercussão que teve em sua experiência docente. Trata-se de sua participação no 24º Congresso Internacional de Americanistas, em 1929, em Hamburgo na Alemanha. Dessa participação, veio o convite para desenvolver atividades na Universidade de Hamburgo. Dentre as atividades planejadas, estava a apresentação de sua tese: Método no estudo das

línguas sul-americanas.67

Além do mencionado pertencimento ao Pedro II, esse convite para Universidade de Hamburgo decorreu de sua produção intelectual, da imersão considerável nas questões relativas à Língua Portuguesa e outros estudos específicos da Filologia, e também a inclinação intelectual alimentada pelos seus contatos e interlocução sobre os seus estudos.

Distanciar-se do Brasil após duas prisões, dedicar-se a uma experiência educacional em outra cultura e ainda aproveitar esta estada para proporcionar estudos de piano a sua filha Dulce foram razões que o animaram a aceitar o convite. Foi importante a intervenção e o apoio de Coelho Netto para que Oiticica conseguisse a permissão de viagem e a licença das atividades do Colégio Pedro II sem prejuízo dos seus vencimentos.

Oiticica lecionou Português na Universidade de Hamburgo – Alemanha, entre 1929 e 1930:

Fui para a Alemanha em 1929, com um contrato de 5 anos. Em 30 veio a Revolução (uma revolução como todas as outras: não resolveu coisa nenhuma). Criou-se o Ministério da Educação, e o ministro Chico Ciência mandou-me voltar. Os alemães e os diplomatas brasileiros tudo tentaram para que eu ficasse. O Ministro, porém, foi intransigente: Apresente-se! Quando me apresentei, perguntou-me: “Então, Professor, que é que o Senhor fazia em Hamburgo?”. Dei-lhe conta do que fizera no Congresso dos americanistas de 1929 e das conferências que realizara, além dos cursos regulares que dera na Universidade. “Ora, então o Senhor devia ter ficado!...” conclui o excelente Ministro. (OITICICA, apud NEVES, 1970, p.13).

O apelido “Chico Ciência” dado ao ministro da educação na gestão Getúlio Vargas mostrou o desprezo intelectual que Oiticica dispensou a Francisco Campos. Oiticica dependia de seus vencimentos, e a sua condição de catedrático do Pedro II o obrigava a apresentar-se ao seu posto se solicitado. Ademais, o preço que pagava por causa de suas adesões ao anarquismo era alto, pois até então, ele havia encarado duas prisões de 1918-9 e 1924-1925. A primeira, com o exílio no Riachão, e as detenções nas Ilhas Rasa e das Flores68, sem contar as

66 Vale lembrar que José Oiticica iniciou os seus estudos de idioma com o seu pai e, ao longo da vida, dominou com fluência o latim, francês, alemão, grego e esperanto.

67 Este trabalho foi publicado no volume 9º do Boletim do Museu Nacional em 1933. 68 Prontuário 9897, Arquivo do Estado.

76 detenções mais curtas. Essa militância anarquista teve um preço alto e provavelmente parte dessa conta foi cobrada por esse descaso tácito em relação às solicitações feitas para que pudesse terminar do contrato de cinco anos do acordo selado com o governo alemão. Oiticica atribuiu a rescisão do contrato de cinco anos com a Universidade de Hamburgo como um desdobramento da Revolução de 1930.

Sobre a docência de José Oiticica na Universidade de Hamburgo, encontramos no acervo da Biblioteca Nacional quatro cartas enviadas a Coelho Netto em que José Oiticica descreve as suas condições e objetivos de trabalho.

Nas cartas recebidas por Coelho Netto, José Oiticica o coloca a par de suas estratégias para ensinar os alemães a falarem o português. Também tece uma série de elogios à língua portuguesa que, segundo ele, é dotada de especial musicalidade. Conta sobre como foi a sua primeira aula na Universidade de Hamburgo:

Minha primeira aula na Universidade aos alunos do preliminar que falam português, foi sobre sua obra. Lemos um trecho do Rei Negro, expliquei o vocabulário, expus o assunto e terminamos as duas horas de trabalho com um apanhado do Rajá [professor de Português do Colégio Pedro II] cujo tema serviu para falar nas três raças caldeadas no Brasil. Houve enorme interesse por essas cousas novas e o desejo de conhecer sua obra. Não pude, entretanto adotar como base de estudo, o Rei Negro, ou outro qualquer romance seu por não haver exemplares no mercado. Para o semestre de verão vou mandar buscar em Portugal Os Sertões, tendo em vista a tradução já feita que pode auxiliar os ainda pouco treinados, isto é, a maioria. [...] (Correspondência passiva de Coelho Netto, Hamburgo: 01/12/1929-Acervo Biblioteca Nacional).

Além da amizade por Coelho Netto, José Oiticica tinha especial reconhecimento pelo seu trabalho. Essa admiração aparece de várias formas nas publicações de José Oiticica. Desde a escolha de contos e de poesias para exemplificar a arte do bem escrever, no Manual

de Estilo (1926), como na publicação anterior em seu Manual de Análise - léxica e sintaxe (1919), no uso de excertos para demonstrar exercícios. As produções de Coelho Netto o acompanharam em situações diversas como em sua prisão de 1924, quando em bilhete a sua esposa ele solicitou o envio de uma gramática de autoria desse intelectual.

No caso da experiência da Universidade de Hamburgo, ele compartilhou com o amigo o uso de seus romances em sua primeira aula, e mostra-lhe sua disposição em usar em suas aulas e conferências outros livros do amigo. Nota-se também que uma de suas preocupações foi discutir com os seus alunos sobre o que era o Brasil a partir do encontro das três raças caldeadas: o branco, o negro e o índio.

77 Teófilo Andrade relata que conheceu Oiticica na Universidade de Hamburgo e compartilha algumas de suas impressões sobre as práticas pedagógicas de Oiticica no ensino da língua portuguesa aos seus alunos alemães:

Conheci-o na Alemanha, quando ele dava cursos de português na Universidade de Hamburgo. Realizou ali em poucos meses, um trabalho formidável. Lembro até hoje de tê-lo visto demonstrar musicalmente, que a portuguesa é a mais sonora das grandes línguas ocidentais, mais sonora que o francês, o italiano e mesmo o espanhol. [...] Os professores e filólogos alemães tratavam-no com consideração e respeito. Pouco depois, contudo, veio a revolução de 1930. E uma das primeiras coisas que esta fez, no Ministério do Exterior, foi liquidar a obra de penetração cultural iniciada por Otávio Mangabeira. José Oiticica carregado de filhos teve de abandonar às pressas o posto, e regressar ao Rio, onde reassumiu a cátedra no Pedro 2º. (ANDRADE, Teófilo, O

Jornal, Rio de Janeiro, 3-11-1957, apud NEVES, 1960, p. 18).

Mesmo abreviada a experiência de José Oiticica na Universidade de Hamburgo, esta rendeu-lhe frutos. Além disso, foi José Oiticica quem sugeriu a criação de um Instituto Brasileiro de Filologia69 para o qual o Colégio Pedro II deveria conseguir dos poderes públicos os recursos para a sua fundação, de acordo com Dória (1997, p.247) iniciativas como essas mostram que Oiticica utilizava as suas habilidades intelectuais para arregimentar pares para suas idéias, muitas delas com resultado prático, como se pode constatar pela criação do referido instituto. Essas habilidades foram registradas também no relato de Teófilo Andrade quando mencionou as relações construídas com os filólogos alemães.70

Benzer Belgeler