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38 FİNANSAL ARAÇLARDAN KAYNAKLANAN RİSKLERİN NİTELİĞİ VE DÜZEYİ (a) Sermaye risk yönetimi

A articulação do debate escolanovista por intelectuais brasileiros também se manifestava em Portugal, dada à recorrência com a qual obras de brasileiros eram publicadas em Portugal. O livro de Silvio Romero, intitulado Provocações e debates, em que o autor introduzia a idéias da escola nova, de Edmond Demolins, por exemplo, foi publicado na cidade do Porto, em Portugal. Nesse livro, há uma carta em que Silvio Romero enviou a José Oiticica informações sobre o método sociológico de Le Play, a pedagogia de Demolins em atenção, principalmente, à experiência do Colégio Latino-Americano fundado por Oiticica no ano de 1905, cuja metodologia de funcionamento se inspirava na experiência da École des

Roches, fundada por Demolins em 1899.

Como Silvio Romero, outros intelectuais brasileiros participavam do debate sobre a escola nova, colaboravam em diversas revistas européias. Esse intelectual e José Oiticica orquestraram o debate educacional sobre a nova educação proposta pelo pedagogo Edmond Demolins em sua revista La Science Socialle, fundada em 1886 na França. Essas ocorrências de chofre sinalizam que o espaço do debate entre educadores brasileiros, portugueses, franceses e outros era amplo e que havia conexões entre diferentes sujeitos, inseridos em grupos distintos, quase todos interessados nessa proposta de uma educação nova, que deveria substituir o ensino enciclopédico, em consonância com as várias lentes disponibilizadas pelos debates sociológicos desde o final do século XIX.

O interesse de Oiticica em fundar o Colégio Latino-Americano em 1905 manifestou-se nessa ambiência quando se disseminava por toda a Europa um debate focalizado no tema da renovação educacional. Essa troca de idéias, embates e lutas veiculavam-se por meio da circulação de livros, revistas, jornais em que os intelectuais, professores publicavam os seus ensaios, relatavam as suas experiências, confrontavam e construíam suas práticas discursivas acompanhando os vieses das ciências naturais e sociais. Era comum a publicação de cartas- resposta, livros como resposta a oposições e composições em questões relativas aos diferentes projetos para a educação nova.

Essa articulação de idéias estava em aberto diálogo com a sociologia, a maior parte deles, por meio das vertentes da biologia evolucionista de Darwin, do racionalismo e do materialismo histórico. Com a psicologia, ao lado da Biologia buscava-se apreender a dinâmica e os processos como se dava a aprendizagem dos alunos. Nos discursos dos sujeitos que escreviam em jornais da imprensa libertária, tanto os periódicos dirigidos por José Oiticica, como outros dos anos iniciais do século XX, como, por exemplo, A Lanterna, a

55 partir de 1901, A Voz do Trabalhador, desde 1908, A Vida em 1914, entre outros, apresentam diversos artigos em que se podem ver comprovadamente essas articulações do discurso que versavam sobre o projeto de uma escola nova.

A pesquisa de Barreira (2005 e 2006), que examinou as revistas de educação e ensino que circularam em Portugal no início do século XX, detectou a existência de inúmeros artigos de intelectuais portugueses que sinalizam uma clara associação do movimento de renovação nacional nas práticas discursivas de portugueses das mais diferentes colorações ideológicas, entre as quais liberais, maçons, socialistas e libertários.

O seu estudo, numa dimensão mais ampla, demonstra que havia uma luta contra o

velho ensino cuja superação encetava para diferentes propostas do novo ensino, este concebido de maneira particular nos diversos grupos que participavam do debate educacional nos periódicos de ensino e de educação. Na luta, pela nova educação, conforme afirmou Barreira (2006, p.1):

Cada grupo concebia o “novo” de determinada maneira e, conseqüentemente, as estratégias que propunham para a consecução dos objetivos que postulavam nem sempre coincidiam, com exceção talvez de uma delas: o papel relevante que atribuíam à educação escolar, no processo de construção da “nova” sociedade.

A ênfase da sua investigação incidiu no exame das proposições de Adolfo Lima, um renomado escolanovista português, difusor e praticante das idéias libertárias, que foi diretor pedagógico e professor de Sociologia na Escola Oficina nº 1 de Lisboa e professor na Escola Normal Primária de Lisboa.

Esta escola foi fundada em 1905, o mesmo ano da fundação do Colégio Latino- Americano de José Oiticica, e “a partir de 1907 quando Adolfo Lima e outros professores anarcosindicalistas portugueses passaram a compor o seu corpo docente, outra forma de educação começou a ser nela experimentada” [...]. A instituição pertencia a uma organização maçônica e republicana denominada inicialmente Sociedade Promotora de Asilos, Creches e Escolas e depois, em 1913, chamada Sociedade Promotora de Escolas (BARREIRA, 2005, p.1).

Na fase de funcionamento do Colégio Latino-Americano, até o ano de 1908, além das referências no debate com Silvio Romero, a respeito dos posicionamentos e da interlocução de José Oiticica próximos à experiência da École des Roches de Demolins, não encontramos outros indícios que demonstrassem de forma mais precisa a inserção de Oiticica no debate escolanovista.

56 libertários, sobretudo nas conferências proferidas na Liga Anticlerical do Rio de Janeiro e nos artigos, momento em que participa ativamente da criação de escolas de ensino racionalista, inspiradas no modelo racionalista de Francisco Ferrer y Guardía. Essa campanha acontecia por toda a imprensa libertária. O fuzilamento desse pedagogo libertário, morto no dia 13 de outubro de 1909, era rememorado como uma forma de fortalecer a luta em prol das escolas modernas, cujo modelo já havia sido experimentado em São Paulo.

Nos periódicos fundados por José Oiticica, A Vida, em 1914 e depois, Spartacus, em 1919, figuram sempre nas páginas finais uma lista com livros, folhetos e jornais como leituras recomendadas, aquelas que todos deveriam ler. Entre os livros recomendados estavam os de Adolfo Lima, o Diretor da Escola Oficina nº 1 de Lisboa, cujos títulos são apresentados abaixo:

Leitura que recomendamos O que todos devem ler Livros

(...)

Adolfo Lima – O contrato de trabalho ...4.000

Adolfo Lima – O ensino da História (1 vol. de 63 pags)...700

Adolfo Lima – O teatro na escola (1 vol. de 32 pags)...300

Adolfo Lima – Educação e Ensino (Educação integral)...2.000 (...)

Os livros indicados nesta página serão remetidos para qualquer lugar do Brasil, ao preço aqui indicado e sem aumento do porte do correio, si o pedido vier acompanhado da respectiva importância do vale postal, dinheiro em carta registrada com valor declarado, ou com selos do correio do valor de 10 ou 20 reis. Esta administração satisfaz também com prontidão qualquer encomenda de livros, nacionais ou estrangeiros, de propaganda social, que venham acompanhados da importância correspondente, bem como se encarrega de tomar assinaturas para todas as publicações periódicas da Europa e da América. (A Vida, ano I, nº 2, p. 18, 31-12- 1914).

A maior parte dos livros era procedente de Portugal. A parceria na veiculação dessas publicações, divulgadas como leituras recomendadas para a educação nova em periódicos, como, por exemplo, A Vida, deixa ver a clara conexão entre a militância dos professores militantes libertários de Portugal e os do Brasil. Na militância anarquista o dispositivo de criar e alimentar uma rede solidária de divulgação das idéias fazia parte da estratégia do combate pela palavra. No caso da militância do professor José Oiticica, esta evidência se fortalece ao examinarem-se as idéias que apresenta para a educação nova, como será demonstrado no capítulo que se segue.

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Benzer Belgeler