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38 FİNANSAL ARAÇLARDAN KAYNAKLANAN RİSKLERİN NİTELİĞİ VE DÜZEYİ (a) Sermaye risk yönetimi
A despeito das premissas acima explicitadas, fortemente apoiadas pela Doutrina mais abalizada, as autoridades fiscais federais costumam adotar inteligência diversa, entendendo que as indenizações de seguro têm natureza de receita para fins de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Veja-se, nesse sentido, a resposta dada no Processo de Consulta nº 81/07 – SRRF / 7ª RF:
ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep
EMENTA: INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. Integra a receita bruta para efeito de cálculo do PIS/Pasep o valor recebido, pela Pessoa Jurídica, a título de indenização de seguro pela perda ou sinistro de seus bens do Ativo Permanente e do Circulante.
DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.718, de 1998, artigos 2º e 3º, Parágrafos 1º e 2º, incisos I/IV.
ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
EMENTA: INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. Integra a receita bruta para efeito de cálculo da Cofins o valor recebido, pela Pessoa Jurídica, a título de indenização de seguro
159 SEHN, Solon. Não-Incidência do PIS/Pasep e da Cofins sobre Reembolsos e Indenizações. Revista
Dialética de Direito Tributário, São Paulo: Dialética, n. 162, mar. 2009, p. 68.
pela perda ou sinistro de seus bens do Ativo Permanente e do Circulante.
DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.718, de 1998, artigos 2º e 3º, Parágrafos 1º e 2º, incisos I/IV.
ELIANA POLO PEREIRA Chefe.160
Seguindo essa mesma linha, o CARF sustentou por muito tempo que “integra a receita bruta para efeito de cálculo da contribuição [PIS e Cofins] o valor recebido por pessoa jurídica a título de indenização de sinistro por roubo de mercadoria destinada à exportação”161.
No voto do Relator desse acórdão, contudo, fica claro que a conclusão a que chegou decorre do vício, muito comum no aplicador da lei, de interpretar supostamente de forma literal o dispositivo constante da legislação dessas contribuições, segundo o qual compõem a receita bruta todas aquelas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas162.
160 BRASIL. Ministério da Fazenda. Receita Federal. 7ª Região Fiscal. Solução de Consulta nº 81, de 7
de agosto de 2013. Chefe: Eliana Polo Pereira. Julgamento: 19 mar. 2007. Publicação: 29 maio 2007.
161 BRASIL. Ministério da Fazenda. Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 3402-001.660. Processo n°
16366.001208/2007-11. Recurso: Voluntário. Relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho. Julgamento: 14 fev. 2012. Órgão Julgador: Quarta Câmara / Segunda Turma Ordinária / Terceira Seção. Publicação: DOU, 26 jun. 2012: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ementa: DESPESAS COM SEGUROS PARA ARMAZENAGEM DO PRODUTO. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
Os custos com a taxa de seguro decorrentes das despesas de armazenagem geram créditos dedutíveis do PIS e da Cofins não-cumulativos, desde que suportados pelo adquirente.
INDENIZAÇÃO DE SEGURO. BASE DE CÁLCULO.
Integra a receita bruta para efeito de cálculo da contribuição o valor recebido por pessoa jurídica a título de indenização de sinistro por roubo de mercadoria destinada à exportação.
NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS.
O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento”.
162 Trecho do voto do Relator: “BASE DE CÁLCULO – INDENIZAÇÃO DE SEGURO. Quanto a essa
matéria, entendo que a primeira instância julgou acertadamente o assunto. Devendo ser mantido pelos seus próprios fundamentos, como se segue: A contribuinte insurge-se também, contra a inclusão na base cálculo da contribuição da indenização de seguro obtida referente a sinistro ocorrido com mercadoria destinada à exportação, entendendo não fazer parte do seu faturamento, que é a renda obtida das vendas de mercadorias e serviços. Sobre o assunto, vale lembrar que a Lei n°10.637/2002 ao instituir a incidência não-cumulativa da Cofins. definiu a base de cálculo da contribuição nos moldes constantes da Lei nº 9.718/98, sendo bastante claro o texto legal em determinar que as contribuições para a Cofins serão calculadas com base no faturamento da empresa, que corresponde a receita bruta; entendendo-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Enquanto o art. 1º §1º da Lei nº 10.637/2002 exprime o caráter bastante amplo da incidência da Cofins. passando a adotar uma base universal para efeitos de exigência dessas contribuições, abrangendo, em princípio, todas as receitas da empresa receita bruta, o § 3º do mesmo artigo delimita as exclusões da base de cálculo de forma
Com efeito, todas as “receitas” auferidas pelas pessoas jurídicas se sujeitam à incidência do PIS e da COFINS, mormente quando submetidas à sistemática não- cumulativa das Leis nº 10.637/03 e 10.833/04 (já que, sob a égide da Lei nº 9.718/98, as contribuições só incidem sobre o faturamento, ou seja, receitas decorrentes da venda de mercadorias ou da prestação de serviços).
Todavia, para que um ingresso qualquer seja tributável é imprescindível que se enquadre no conceito de “receita”, o qual, como visto, não abarca, absolutamente, toda e qualquer entrada identificada no patrimônio da pessoa jurídica. Esses ingressos podem ser considerados “receitas” para fins societários e contábeis (apuração do resultado) e até mesmo de incidência do imposto sobre a renda (apuração do lucro). Contudo, para fins de incidência tributária autônoma (PIS e COFINS) é necessário que se caracterizem como “disponibilidade de ingresso financeiro proveniente de operações praticadas no exercício da atividade empresarial, seja pela venda de mercadorias ou de serviços, seja pela cessão onerosa e temporária de direitos”163. Deve-se estar diante,
estreita, quase residual. Assim, as espécies de receitas não alcançadas pela contribuição, estão assim definidas: § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis n 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008). V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI- não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei n°10.684, de 30.5.2003) Por conseguinte, as verbas que não se encontram no rol taxativo das exclusões constantes do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, devem compor a base de cálculo da contribuição. Neste sentido, ou seja por falta de previsão legal que permita a exclusão da base de cálculo, também é devida a tributação dos valores lançados a título de indenização de seguros. Desse modo, não importando as classificações contábeis adotadas pela empresa, as quais não têm o condão de elidir a ocorrência do fato gerador, os ingressos de valores na empresa compõem a base de cálculo do PIS, por expressa determinação legal, sendo inócua as indagações sobre os aspectos legais e constitucionais, pois questões que versem acerca destes temas não podem ser apreciadas no âmbito deste julgado, por tratar- se claramente de discussão deferida ao Poder Judiciário. Como já mencionado a decisão da DRJ foi objetiva quanto a esse assunto, sabemos que exclusão na base de cálculo de tributos deve ser prevista em lei complementar específica, o que não ocorreu no caso em análise. Neste contexto, mantenho as receitas com indenização de seguros na base de cálculo da exação por falta de previsão legal para sua exclusão” (BRASIL. Ministério da Fazenda. Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 3402-001.660. Processo n° 16366.001208/2007-11. Recurso: Voluntário. Relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho. Julgamento: 14 fev. 2012. Órgão Julgador: Quarta Câmara / Segunda Turma Ordinária / Terceira Seção. Publicação: DOU, 26 jun. 2012).
163 MINATEL, José Antonio. Conteúdo Jurídico do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua
Tributação. São Paulo: MP, 2005, p. 252-253.
portanto, de ingresso positivo e definitivo no patrimônio da pessoa jurídica, decorrente da utilização de sua capacidade empresarial.
Daí porque acertado o Acórdão 02-03.758, proferido em 11.02.2009 pela
Câmara Superior de Recursos Fiscais164, no qual se concluiu que as indenizações de
seguro não podem ser classificadas como “receita” e, portanto, não se sujeitam à incidência das contribuições em foco:
PIS. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
BASE DE CÁLCULO. RECEITA CRÉDITO DO ICMS.
O crédito do ICMS registrado extemporaneamente não representa receita, não integrando a base de cálculo do PIS.
BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS.
O recebimento de indenização de seguro não representa ingresso de receita, não integrando a base de cálculo do PIS.
Recursos especiais do Procurador negado e do Contribuinte provido.
Deve ser realçado que, em seu voto, a Relatora MARIA TEREZA MARTÍNEZ
LÓPEZ deixa claro que, mesmo não se tratando da base de cálculo mais restrita da Lei nº
9.718/98 (exclusivamente o “faturamento” após a declaração da inconstitucionalidade do § 1º do seu artigo 3º), de qualquer modo não seria possível caracterizar indenização de seguro como receita:
Assim, claro está que o crédito de ICMS gerado por um contribuinte não é receita, e nem pode ser equiparado a tal eis que tem natureza meramente contábil, razão porque não devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição.
Melhor sorte não resta à tese da Procuradoria relativamente às indenizações de seguros recebidas pela contribuinte.
Os valores recebidos a título de indenização de seguros correspondem a recuperação de custos da contribuinte. São valores recebidos esporadicamente em contrapartida a uma perda patrimonial não se configurando como receita.165
Interessante notar a distinção feita pela Conselheira entre o conceito de receita para finalidade “meramente contábil” daquele utilizado para fins de incidência
164 BRASIL. Ministério da Fazenda. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Acórdão nº 02-
03.758. Processo n° 13936.000173/00-10. Recurso nº 201-122.666, especial do Procurador e do
Contribuinte. Matéria: PIS. Relatora: Maria Tereza Martínez Lopez. Julgamento: 11 fev. 2009. Órgão Julgador: Segunda Turma. Publicação: DOU, 11 fev. 2009.
165 Ibid.
do PIS e da COFINS, evidenciando que, mesmo para os tribunais administrativos, nem todos os ingressos considerados para fins contábeis devem ser considerados como base de cálculo daquelas contribuições.
Posteriormente, a orientação da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a ser seguida pelas câmaras baixas do CARF, como exemplificam os Acórdãos 330200.860 e 330200.858, da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 01.03.2011. Em ambos decidiu-se que, “tratando-se de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros ora discutidas como receitas para fins de incidência da contribuição em comento”, afastando-se a incidência do PIS e da COFINS.
Não identificamos, no âmbito dos Tribunais Superiores, julgados específicos a respeito dessa matéria. De todo modo, parece-nos, pelo exposto, ser irretocável o atual posicionamento do CARF sobre a matéria, influenciado pelo retrocitado acórdão da CSRF, que esclareceu qualquer dúvida possível em relação ao não enquadramento das indenizações de seguro como receitas das pessoas jurídicas e, consequentemente, a não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS.
4 TRIBUTAÇÃO DAS SEGURADORAS E RESSEGURADORAS