YÜKÜMLÜLÜKLER DAHİL)
23. FİNANSAL ARAÇLAR Finansal Borçlar:
4.5.1. A origem dos interesses difusos
O primeiro fato que revelou esse interesse ocorreu com o advento da revolução industrial e a conseqüente constatação de que os valores tradicionais, individuais, do século dezenove, não sobreviveriam muito tempo, sufocados ao peso de uma sociedade de massa56.
Na sociedade de massa não há espaço para o homem enquanto indivíduo isolado; ele é englobado pelos grandes grupos em que se decompõe a sociedade; os indivíduos são agrupados em grandes classes ou categorias e, como tais, normatizados.
Paralelamente à revolução industrial e à massificação da sociedade, tivemos também o advento do sindicalismo, que contribuiu para aflorar, ainda mais, a ordem coletiva.
Em virtude dessa radical transformação da sociedade tradicional numa sociedade de massa, de tecnologia crescente, os valores alteraram-se, interesses de outra ordem afloraram e passaram a clamar por proteção. Dentre esses interesses novos, os coletivos receberam guarida e possibilidade de expansão no seio das associações e sindicatos, bem como foram criados novos instrumentos jurídicos de massa. Mais recentemente, verificou-se a necessidade de tutelar os outros interesses, ou seja, os interesses difusos, que são aqueles que passam à órbita dos grupos institucionalizados, pelo fato de que sua indeterminação não permite sua captação em termos de exclusividade
4.5.2. Características
São quatro as características principais:
• Indeterminação dos sujeitos
Essa característica deriva, em boa parte, do fato de que não há um vínculo jurídico a agregar os sujeitos afetados por esses interesses: eles se agregam ocasionalmente, em virtude de certas contingências, como o fato de habitarem certa região, de consumirem certo produto, de viverem em certa comunidade.
Como explica Celso Bastos57:
“Quando nos referimos aos interesses difusos dos usuários de automóveis, por exemplo, abarcamos uma indefinida massa de indivíduos das mais variadas situações, esparsos por todo o país, sem qualquer especial característica jurídica homogênea, que apenas praticaram, aos milhares ou milhões, um mesmo ato jurídico instantâneo, compra de um veículo”.
Podemos dizer então que se o interesse é sempre uma relação entre uma pessoa e um bem, no caso dos interesses difusos essa relação é super ou metaindividual, isto é, ela se estabelece entre certa coletividade e um dado bem da vida difuso como objeto.
Aceitamos o argumento de que pode suceder que esse interesse, num caso concreto, venha a ser veiculado, exteriorizado por um dos sujeitos ou uma entidade, mas isso não altera a essência dos interesses, que permanecem difusos, pelo fato de se referirem a toda uma coletividade, indistintamente.
Essa indeterminação de sujeitos revela-se também quanto à natureza da lesão decorrente de afronta aos interesses difusos: essa lesão é disseminada por um número indefinido de pessoas, tanto podendo ser uma comunidade, como uma etnia ou mesmo toda a humanidade.
Os interesses difusos situam-se no extremo oposto dos direitos subjetivos.
57BASTOS, Celso. A tutela dos interesses difusos no direito constitucional brasileiro. Revista de
• Indivisibilidade do objeto
São indivisíveis os interesses difusos no sentido de serem insuscetíveis de partição em quotas atribuíveis a pessoas ou grupos preestabelecidos. Trata-se, como bem diz Barbosa Moreira, de uma “espécie de comunhão, tipificada pelo fato de que a satisfação de um só implica, por força, a satisfação de todos, assim como a lesão de um só constitui, ipso facto, lesão da inteira coletividade”.
Por fim, essa característica advém do fato de que os interesses difusos apresentam uma estrutura peculiaríssima, dado que, como eles não têm seus contornos definidos numa norma – como o direito subjetivo –, resulta que sua existência não é afetada, nem alterada, pelo fato de virem a ser exercitados ou não.
• Intensa conflituosidade
Os interesses difusos são e estão soltos, desagregados, disseminados entre segmentos sociais mais ou menos extensos; não têm vínculo jurídico básico, mas exsurgem de aglutinações contingenciais.
E o que deflui desse entrechoque de massas de interesses são os contornos diversos dos conflitos: não se trata de controvérsias envolvendo situações jurídicas definidas – v.g. A se julga credor de B, que resiste àquela pretensão – mas de litígios que têm por causa remota verdadeiras escolhas políticas. Podemos mencionar, como exemplo, a proteção dos recursos florestais que conflita com os interesses da indústria madeireira e, por decorrência, com os interesses dos lenhadores à mantença de seus empregos; entre tantos outros.
• Duração efêmera
De fato, os interesses difusos não se apresentam jungidos a um vínculo jurídico básico, mas a situações de fato, donde deriva a conseqüência de que eles são mutáveis como essas mesmas situações de fato; e mesmo podem fenecer e desaparecer, acompanhando o declínio e extinção dessas situações, embora, pela mesma situação, possam reaparecer.
Em outras palavras, quando não exercidos a tempo e hora, os interesses difusos modificam-se, acompanhando a transformação da situação fática que os ensejou.
A essa notável transição ou, em outras palavras, natureza mutável dos interesses difusos, segue-se a conseqüência da irreparabilidade da lesão, em termos substancias. Com efeito, os interesses difusos dimanam dos valores mais elevados para a sociedade, como a preservação do meio ambiente, direitos dos consumidores, entre outros. Uma vez lesionados esses interesses, o direito não poderá oferecer reparação integral, em espécie, porque não se trata de valores fungíveis, suscetíveis de reparação por ressarcimento pecuniário.
Pelo que fora exposto, podemos definir os interesses difusos como sendo interesses metaindividuais que, não tendo atingido o grau de agregação e organização necessário à sua afetação institucional com certas entidades ou órgãos representativos dos interesses já socialmente definidos, restam em estado fluido, dispersos pela sociedade civil como um todo – por exemplo, o interesse à pureza do ar –, podendo, por vezes, concernir a certas coletividades de conteúdo numéricas indefinidas – v.g. os consumidores.
Nesse sentido, Hugo Mazzilli58 afirma:
“Difusos são interesses ou direitos transindividuais, de natureza
indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. Os interesses difusos compreendem grupos menos determinados de pessoas (melhor do que pessoas indeterminadas, são antes pessoas indetermináveis), entre as quais existe vínculo jurídico ou fático preciso. São como um feixe ou conjunto de interesses individuais, de objeto indivisível, compartilhados por pessoas indetermináveis, que se encontram unidas por circunstâncias de fato conexas”.
4.6. Interesses difusos e coletivos: jurisprudência do Supremo Tribunal