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O Código Penal de 1940, em seu art.23156, Título VI “Do Crime contra os costumes”, capítulo V “Do Lenocínio e do Tráfico de Mulheres”, disciplinava a conduta típica de o agente promover ou facilitar o ingresso no território brasileiro de mulher que viria a praticar a prostituição ou a de proporcionar a saída do território de mulher que iria exercê-la no estrangeiro. Nesse sentido, verifica-se que o tipo penal previa apenas o tráfico internacional de mulheres, silenciando a respeito do tráfico

52 Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1960-1969/decreto-lei-1004-21-outubro-1969-351762-

publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 03 nov.2014.

53 Art.254. Promover ou facilitar a entrada, no território nacional, de mulher que nêle venha exercer a prostituição, ou

a saída de mulher que vá exercê-la no estrangeiro: Pena – reclusão, de três a oito anos, e pagamento de cinco a quarenta dias-multa. §1º Se ocorre qualquer das hipóteses do §1º do art.251: (Formas qualificadas) Pena – reclusão, de quatro a dez anos, além da multa.§2º Se há emprêgo de violência, grave ameaça ou fraude: Pena – reclusão, de cinco a doze anos, sem prejuízo da pena correspondente à violência.

54FRAGOSO, Claudio Heleno. Lições de direito penal – parte geral. 16.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p.65. 55 PONTE, Antônio Carlos da. Crimes eleitorais. São Paulo: Saraiva, 2008, p.18.

56 Tráfico de Mulheres. Art.231. Promover ou facilitar a entrada, no território nacional, de mulher que nele venha

exercer a prostituição, ou a saída de mulher que vá exercê-la no estrangeiro: Pena: reclusão, de três a oito anos. §1º Se ocorre qualquer das hipóteses do §1º do art.227: Pena – reclusão de quatro a dez anos. §2º – Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude, a pena é de reclusão, de cinco a doze anos, além da pena correspondente à violência. §3º – Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa de cinco contos a dez contos de réis. (PIERANGELI, José Henrique. Códigos penais do Brasil – evolução histórica. 2.ed. São Paulo: RT, 2004, p.478.)

interno e interestadual, previsões inseridas na legislação brasileira somente em decorrência da Lei nº11.106, de 28 de março de 2005.

Constata-se que a Lei nº11.106/05 surgiu da necessidade imperiosa do Brasil adequar-se às exigências dispostas no Protocolo Adicional Relativo ao Tráfico de Pessoas, o que ensejou uma nova redação ao art.23157 do Código Penal, ampliando a proteção penal por afastar a questão de gênero, instituindo “pessoa” como sujeito passivo do crime de tráfico internacional para a prostituição e não mais apenas mulher. O objetivo era retirar do Código tipos penais ou expressões nele inseridas que constituíam discriminação de gênero, sob pena de ofensa aos princípios da dignidade da pessoa humana e igualdade, afinal, na contemporaneidade, é inegável que os transgêneros, homossexuais, travestis, dentre outros, também sofrem discriminação, exploração e violência sexual. Além disso, incluiu o verbo “intermediar”, intensificando a aplicação da lei penal além de criar um tipo penal possibilitando a criminalização do tráfico interno de pessoas, materializado no art.231 – A58. Desta feita, passamos a ter

duas espécies de tráfico de pessoas: o internacional e o interno.

Posteriormente, com o advento da Lei nº12.015, de 07 de agosto de 2009, o crime em pauta sofreu substanciosas alterações, tanto no art.23159 como no 231-A60, incluindo, revisando e excluindo dispositivos.

57 Tráfico internacional de pessoas. Art.231. Promover, intermediar ou facilitar a entrada, no território nacional, de

pessoa que venha exercer a prostituição ou a saída de pessoa para exercê-la no estrangeiro: Pena: reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. §1º Se ocorrer qualquer das hipóteses do §1º do art.227: Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa. §2º Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude, a pena é de reclusão, de 5 (cinco) a 12 (doze) anos e multa, além da pena correspondente à violência.

58 Tráfico interno de pessoas. Art.231–A. Promover, intermediar ou facilitar, no território nacional, o recrutamento, o

transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento da pessoa que venha exercer a prostituição: Pena– reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos e multa. Parágrafo único. Aplica-se ao crime de que trata este artigo o disposto nos §§1º e 2º do art.231 deste Decreto-Lei.

59 Tráfico internacional de pessoa para fim de exploração sexual (Redação dada pela Lei nº12.015, de 2009). Art.231.

Promover ou facilitar a entrada, no território nacional, de alguém que nele venha a exercer a prostituição ou outra forma de exploração sexual, ou a saída de alguém que vá exercê-la no estrangeiro. (Redação dada pela Lei nº12.015, de 2009) Pena – reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos. (Redação dada pela Lei nº12.015, de 2009) §1º Incorre na mesma pena aquele que agenciar, aliciar ou comprar a pessoa traficada, assim como, tendo conhecimento dessa condição, transportá-la, transferi-la ou alojá-la. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) §2º A pena é aumentada da metade se: (Redação dada pela Lei nº12.015, de 2009) I – a vítima é menor de 18 (dezoito) anos; (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009). II – a vítima, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato; (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009) III – se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; ou (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009) IV – há emprego de violência, grave ameaça ou fraude. (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009). §3º Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009).

60 Tráfico interno de pessoa para fim de exploração sexual (Redação dada pela Lei nº12.015, de 2009). Art.231–A.

Promover ou facilitar o deslocamento de alguém dentro do território nacional para o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual: (Redação dada pela Lei nº12.015, de 2009) Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Redação dada pela Lei nº12.015, de 2009) §1º Incorre na mesma pena aquele que agenciar, aliciar, vender ou comprar a pessoa traficada, assim como, tendo conhecimento dessa condição, transportá-la, transferi-la ou alojá-la. (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009) §2º A pena é aumentada da metade se: (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009) I – a vítima é menor de 18 (dezoito) anos; (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009) II – a vítima, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato; (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009);

Em relação ao art.231, o qual disciplina o tráfico internacional de pessoas, verifica-se a alteração da rubrica do crime, no qual foi inserida a finalidade: para fim de exploração sexual. Foi criado o §1º, estipulando um tipo específico para a intermediação, a qual deve ser compreendida em sentido amplo, pois qualquer pessoa que tomar parte no tráfico de pessoa para prostituição ou exploração sexual poderá ser punida: agenciar, aliciar, comprar a pessoa traficada, transportar, transferir ou alojar tal pessoa, conhecendo a situação. Também foi substituída a figura qualificada do §1º, que fazia expressa remissão ao art.227, §1º, por causas de aumento, que ampliaram as hipóteses, consoante a leitura do art.231, §2º, I a IV. A seu turno, a pena de multa ganhou parágrafo próprio, §3º, aplicável quando a finalidade for obter vantagem econômica.

No mesmo sentido, a redação do art.231-A também recebeu uma importante alteração, pois separou-se a conduta da pessoa que promove o deslocamento (caput) daquela que agencia ou intermedeia o tráfico (§1º). Nesse sentido, a intermediação deve ser considerada em sentido amplo, possibilitando a punição de qualquer pessoa que venha a tomar parte no tráfico de pessoa para a prostituição ou exploração sexual. Ademais, inseriu-se o exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual como finalidade a ser atingida, mas não obrigatória.

Substituiu-se o critério qualificador do parágrafo único pela causa de aumento de metade da pena, a qual incidirá se a vítima for menor de 18 anos (§2º, I); se a vítima, por enfermidade ou doença mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato (§2º, II); se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância (§2º, III), se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude (§2º, IV). Por sua vez a multa, da mesma forma que no art.231, ganhou parágrafo destacado (§3), aplicando-se quando for vislumbrado o fim de obter vantagem econômica.

Nesse sentido, Paulo César Corrêa Borges refere que a modificação do Título VI, intitulando-o “Dos crimes contra a dignidade sexual”, trazida pela Lei nº12.015/09, aproxima-se da objetividade jurídica tutelada pela lei, qual seja, a III – se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; ou (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009) IV – há emprego de violência, grave ameaça ou fraude. (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009) §3º Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. (Incluído pela Lei nº12.015, de 2009).

liberdade sexual, dando ênfase à própria dignidade humana, como princípio do Estado Democrático de Direito, sendo uma de suas manifestações a dignidade sexual.61

A seu turno, pondera Guilherme de Souza Nucci:

Por certo que toda reforma possui acertos e incorreções. Todavia, é uníssono o entendimento de que o novo nome dado ao título que trata da disciplina sexual penal foi positivo, no sentido que que se objetivou proteger a respeitabilidade do ser humano em matéria sexual, garantindo-lhe a liberdade de escolha, sem qualquer forma de exploração, especialmente quando envolver tipos de violência. Igualmente, voltou-se particular atenção ao desenvolvimento sexual do menor de 18 anos e, com cuidado maior, em relação ao menor de 14 anos.62

Por sua vez, Julio Fabbrini Mirabete leciona que a primeira e mais importante modificação foi a alteração do título “Dos crimes contra os costumes” para “Dos crimes contra a dignidade sexual”, o que revela uma evolução tanto na forma do legislador como da sociedade por ele representada, em compreender o conteúdo e o alcance dos crimes sexuais em nosso País. Desta feita, verifica-se com acerto que a anterior denominação do Título VI demonstrava a importância que o legislador de 1940 concedia à tutela da moralidade sexual e pudor público nos crimes sexuais em geral, os colocando acima do amparo a outros bens jurídicos importante, como a liberdade sexual e a integridade física e psíquica da vítima.63

Acerca das reformas referentes à matéria sofridas pelo Código Penal, Renato de Mello Jorge Silveira observa que a reforma perpretada pela Lei nº11.106/2005, pode ser considerada um marco para o direito penal sexual, por exterminar figuras como a da mulher honesta ou a extinção da punibilidade pelo casamento do autor do delito ou terceiro com a vítima, circunstâncias muito criticadas pela doutrina, finalmente extirpadas do direito pátrio. Assim, a conduta delituosa prevista no art.231 – tráfico de mulheres – foi comutada pelo tráfico internacional de pessoas, abarcando também os homens, ainda que representem a minoria. Entretanto, importante considerar que a retirada das expressões, como pretendido, é insuficiente para uma reforma ideal.64

61 BORGES, Paulo César Corrêa. Tutela penal dos direitos humanos: crimes sexuais. Marcadores sociais da

diferença e responsabilidade penal. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2011, p.41.

62 NUCCI, Guilherme de Souza. Crimes contra a dignidade sexual: de acordo com a Lei nº12.015/2009. 2.ed. São

Paulo: RT, 2010, p.27.

63 MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de direito penal – parte especial. v.II. 27.ed. São Paulo: Atlas, 2010, p.383. 64 SILVEIRA, Renato de Mello Jorge. Crimes sexuais: bases críticas para a reforma do direito penal sexual. São

A seu turno, a reforma de 2009, realizada pela Lei nº12.015, trouxe como um grande avanço a alteração da denominação do título dos ‘Crimes contra os Costumes’ para ‘Crimes contra a Dignidade Sexual’, tendo em vista o princípio da dignidade humana, substrato de um Estado Democrático de Direito.65

Desta feita, podemos considerar que as alterações impostas foram consideráveis avanços, por proteger o vulnerável, abrangendo a dignidade sexual independente do gênero (se homem ou mulher), afastando o conceito de violência presumida, disciplinando de forma mais incisiva as condutas inseridas nos arts.231 e 231-A do Código Penal. Entretanto, é forçoso reconhecer que o tráfico de seres humanos não é apenas para a exploração sexual, pois há outras formas de exploração, como o trabalho forçado, a escravidão ou a condição análoga, o tráfico de órgãos, tecidos e células, além de outras práticas degradantes, razão pela qual nossa legislação atual não é suficiente para proteger os diversos bens jurídicos que carecem de proteção penal efetiva e adequada.

Nesse sentido, importante lembrar que no dia 07/05/2014, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou o Projeto de Lei nº5.317/13, do deputado licenciado Giroto (PR-MS), que incluiu entre os crimes hediondos o tráfico interno e o tráfico internacional de pessoas para fim de exploração sexual.

A proposta altera a Lei dos Crimes Hediondos (nº8.072/90) e teve o apoio do relator, deputado Fabio Trad (PMDB-MS), o qual referiu dados citados por Giroto, segundo os quais somente no Brasil o tráfico de seres humanos movimenta em torno de 32 bilhões de dólares por ano, de acordo com a ONU.

Fabio Trad explicou que a lei de crimes hediondos serve exatamente para proteger casos especiais, como a vida e a dignidade sexual. “Por isso somos favoráveis à ampliação do rol de crimes hediondos para que passem a constar os crimes de tráfico internacional e interno de pessoas para o fim de exploração sexual”, disse. Agora, a proposta será analisada e votada no plenário.66

O Decreto nº5.948, de 26 de outubro de 2006,67 foi o responsável por introduzir a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, estabelecendo

65 RODRIGUES, Thaís de Camargo. Tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual. São Paulo:

Saraiva, 2013, p.30.

66 BRASIL. Câmara dos Deputados. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITO-E-

JUSTICA/467390-CCJ-APROVA-PROJETO-QUE-TORNA-TRAFICO-DE-PESSOAS-CRIME-HEDIONDO.html. Acesso em: 14 maio 2014.

67Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Decreto/D5948.htm. Acesso em: 14

princípios, diretrizes e ações para coibir a prática do tráfico, utilizando a mesma conceituação inserida no Protocolo de Palermo. Entretanto, em que pese esta semelhança, nossa Política Nacional diferencia-se do referido protocolo por considerar irrelevante o consentimento da vítima como causa desqualificadora do tráfico, art.2º, §7º68, além de apresentar como desígnios a prevenção ao tráfico, repressão aos traficantes e organizações criminosas além da cautela às vítimas, amparo psicológico, jurídico e assistencial.

Assim, em 13 de março de 2007, foi publicada a Portaria Conjunta nº63169 que designou os membros do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), encarregado de elaborar o I Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Os trabalhos foram coordenados pela Secretaria Nacional de Justiça, do Ministério da Justiça, pela Secretaria de Direitos Humanos e pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, ambas da Presidência da República.

Em 8 de janeiro de 2008, o então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva instituiu, pelo Decreto nº6.34770, o I Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (I PNETP), que tem o objetivo de prevenir e reprimir o tráfico de pessoas, além de responsabilizar os seus autores e garantir atenção e suporte às vítimas. Concluído em janeiro de 2008, o Plano Nacional possibilitou a integração de diversos órgãos governamentais, sociedade civil e organismos internacionais que atuam no enfrentamento a esse crime.

O I PNETP possibilitou a intersetorialidade da temática, pois se ampliou a articulação entre diferentes saberes e experiências no planejamento, implementação e avaliação de ações previstas na Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Dentre os principais resultados citamos a ampliação de assistência às vítimas; o aumento significativo de estudos e pesquisas sobre o tema; o crescimento no número de denúncias e os inquéritos instaurados.

68Art.2o Para os efeitos desta Política, adota-se a expressão “tráfico de pessoas” conforme o Protocolo Adicional à

Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial Mulheres e Crianças, que a define como o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos. §7o O consentimento dado pela vítima é irrelevante para a configuração do tráfico de pessoas. 69 Disponível em: http://www.spm.gov.br/legislacao-1/nacional/portarias/portaria-2007/portaria-631a-13032007.pdf.

Acesso em: 5 maio 2014.

70Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6347.htm. Acesso em: 5 maio

Desde a criação da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, por meio do Decreto nº5.948, de 26 de outubro de 200671, o governo federal tem demonstrado interesse e compromisso no enfrentamento a essa atividade criminosa no Brasil, fazendo o enfrentamento ao tráfico de pessoas se tornar uma política de Estado consolidando princípios, diretrizes e ações de prevenção, repressão e responsabilização de seus autores, bem como o atendimento às vítimas.

A implementação da Política Nacional foi apenas o ponto de partida para enfrentar essa prática criminosa, possibilitando incorporar o tema do tráfico de pessoas à Agenda Pública Governamental e, consequentemente, viabilizando a construção e a aprovação do I Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Com base na Política, o Plano Nacional ganhou força para enfrentar os desafios, que ainda são muitos. No entanto, o primeiro passo já foi dado, porém, é preciso estar sempre vigilante, já que as formas pelas quais esse crime é praticado se transformam todos os dias.

Sobre a política e o Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, Anália Belisa Ribeiro analisa:

O ano de 2006 constituiu-se como um marco histórico para o Brasil no que se refere à construção de uma Política Nacional e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. O PNETP reconhece o tráfico humano como um problema multidimensional que necessita de ações articuladas, e envolve pela primeira vez todos os diferentes atores e agências governamentais que deveriam estar envolvidos. Numa análise mais ampla, pode-se dizer que a política antitráfico brasileira se baseia nos princípios de direitos humanos (arts.1º e 3º), uma vez que, por exemplo, declara que nenhum direito da vítima é condicionado a sua cooperação com a justiça (art.3º, III).Contudo, ainda existe um grande trabalho pela frente para a efetiva implantação da política. O desenvolvimento e a implementação do Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, conforme previsto na Política Nacional, deverá estabelecer metas específicas a longo, médio e curto prazo, um cronograma, responsáveis governamentais e necessariamente um orçamento detalhado. A sociedade civil, sem dúvida, tem um papel importante no monitoramento da implementação da Política e do Plano Nacional.72

É incontroverso que uma Política de Estado precisa ser contínua e permanente, por isso, com o objetivo de dar continuidade aos trabalhos já desenvolvidos, além de desenvolver novas ações que enfrentem de forma efetiva e concreta esse tipo de crime, o governo criou o Grupo de Trabalho para coordenar o

71 Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Decreto/D5948.htm. Acesso em: 15

maio 2014.

72RIBEIRO, Anália Belisa. O enfrentamento ao tráfico de pessoas no Brasil. In: (Coord.) MARZAGÃO JÚNIOR,

Benzer Belgeler