No dia 29 de março de 2012 (uma quinta-feira), o JA comemorou 40 anos no ar. Apresentado diretamente do centro de Porto Alegre, o jornal, dividido em quatro blocos, apresentou notícias e comemoração num estúdio de vidro montado no centro da capital (no entorno do Mercado Público), onde a apresentadora Cristina Ranzolin anunciava as atrações do dia: “Entramos no ar com a mesma energia de todos os dias, mas com o coração ainda mais orgulhoso por estamos há tanto tempo na sua companhia”. O discurso foi reforçado por uma sucessão de vinhetas com os logotipos usados ao longo dos anos do telejornal. É o que Hjelmslev (1975 apud Duarte, 2004, 90-1) denomina de metadiscursividade: “é recorrente, volta-se para um outro discurso, pré-existente a ele, do qual ele fala, constituindo-se esse em condição de usa existência e em sua razão de ser”. A história do programa foi sendo contada ao longo dos blocos de programação com recuperação de fragmentos de reportagens, com ênfase nos antigos apresentadores do programa. O que se viu foi uma mistura de telejornalismo e entretenimento. Tal fato foi contado em depoimento pela apresentadora Cristina Ranzolin, no livro Histórias e bastidores, de Lisiane Sackis (2012, p. 157):
Já ajudei a apagar diversas velinhas desse quarentão, mas desta vez foi especial. Foi minha sugestão que o programa tivesse grande participação das nossas Praças do interior, porque acho que são elas que fazem nosso programa ser tão variado e completo. O estúdio de vidro no centro da capital foi um charme, era lindo e nos deixava ao lado do nosso público querido, muitos vieram de longe para nos ver ao vivo, emocionante!
Além do estúdio de vidro, o telejornal esteve ao vivo nas onze cidades onde a RBS mantém emissoras que retransmitem a programação da emissora, municípios do interior do Rio Grande do Sul, e na capital federal, Brasília. O programa festivo também botou os repórteres nas ruas, a bordo de um helicóptero e de uma embarcação:
“Das águas do Guaíba, a bordo do Catamarã, vamos comemorar quatro décadas dedicadas a você” - Camila Martins.
“Do céu também, daqui do RBS Cop, vamos aplaudir a história de quem diariamente é sua companhia na hora do almoço” — Roberta Salinet.
“Aqui das ruas, juntinho do nosso telespectador, viajando por todos os cantos deste estado, vamos saber o que a comunidade quer que seja notícia no JA nos próximos 40 anos” — Manoel Soares.
O Jornal do Almoço escalou, ainda, seus comentaristas, grupos de samba e trouxe os destaques da dupla Grenal no esporte. Durante os tradicionais 45 minutos de programação, foi reforçado o fato de o JA ser o programa mais antigo da TV Gaúcha, e, segundo o texto da apresentadora: “o mais lembrado, o mais querido”. A partir daí, seguiu-se o que chamaram de uma viagem para visitar as emissoras do interior. Uma das apresentadoras era Lisiane Sackis: “Para festejar uma data tão importante, o coordenador do JA no estado, Raul Ferreira, definiu que cada uma das 11 emissoras da RBS TV apresentariam aquilo que melhor retrata a vocação da cidade onde a TV está instalada” (SACKIS, 2012, p.155).
A repórter Roberta Mércio, diretamente de Bagé, chamou os assuntos que foram destaque nas quatro décadas de programação: secas, milionário que sofreu queda de balão e o culto às tradições e ao dia a dia do homem do campo em uma região que tem a agropecuária como base na economia. De Bagé, o JA foi até Erechim, onde a repórter Liliane Martins mostrou o desenvolvimento do Alto Uruguai, e a comemoração contou com agricultores de 44 cidades da região de cobertura. Vanessa Backes, de Uruguaiana, comemorou a data no calçadão da cidade. Em Santa Rosa, Lisiane Sackis falou sobre o setor metal-mecânico; já em Rio Grande, Lisandra Reis entrou ao vivo do cais do porto, que atualmente é um grande polo naval. A apresentadora Francine Rabuske, de Santa Cruz do Sul, representou os municípios do Vale do Rio Pardo que, de acordo com o noticiado, têm 120 mil habitantes e 133 anos. E assim seguiu-se um giro pelo interior, passando por todas as emissoras que formam a rede televisiva da RBS no estado. Em cada região foi montada uma obra de arte ao vivo, feita por artistas plásticos e grafiteiros, em homenagem aos 40 anos do Jornal do Almoço, como conta a apresentadora Cristina Ranzolin (apud SACKIS, 2012, p. 157): “Os quadros feitos em cada região foram muito significativos, marcaram aquele momento histórico para nós todos. Acho que conseguimos fazer um aniversário diferente, as comemorações desta vez duraram uma semana, mas o JA merecia!”.
Durante todo programa foi reforçada como característica do telejornal o fato de estar sempre pertinho do telespectador, seja no estúdio ou nas caravanas para apresentação do JA em cidades do interior. Vale destacar o encerramento de Cristina Ranzolin: “São vocês que fazem o nosso JA ter o sucesso que ele tem e que nos impulsionam para fazer um JA ainda melhor a cada dia. O programa mais antigo da TV Gaúcha está de volta amanhã. Uma boa tarde a todos e até lá”.
Elizabeth Bastos Duarte (2004, p. 01) diz que um dos fenômenos marcantes na produção televisiva é a crescente vocação pra falar de si própria. Baudrillard (1997, p. 159)
também discorreu sobre o fato de que os meios de comunicação remetem uns aos outros e só falam entre eles:
Esse telecentrismo se desdobra num juízo moral e político implícito implacável: subentende que as massas não têm essencialmente necessidades nem desejo de sentido ou de informação – querem apenas signos e imagens; o que a televisão lhes fornece em profusão.
Duarte (2004, p. 02) também faz referências ao artigo “TV: a transparência perdida”, de Umberto Eco (1983), que discorre ser uma das particularidades da televisão dos anos 80 a tendência de voltar-se para si própria. Tal afirmação, em nossa opinião, continua valendo nos dias de hoje como estratégia para agradar saudosistas e ao mesmo tempo mostrar para os novos telespectadores seu passado de glórias. Com o Jornal do Almoço, essa prática tem sido recorrente em programas que buscam fatos históricos, engraçados e alguns até mesmo trágicos, que pontuaram a tela ao longo de suas transmissões. Um bom exemplo disso foi a edição dos 40 anos do JA; daí seu destaque com esta descrição.