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Para analisar os dados, utilizei a Análise Textual Discursiva (ATD). Conforme Moraes e Galiazzi (2011, p. 7): “corresponde a uma metodologia de análise de dados e informações de natureza qualitativa com a finalidade de produzir novas compreensões sobre os fenômenos e discursos.” Estava preocupada com a natureza interpretativa das informações coletadas e como estas deveriam produzir compreensão visando à elaboração do texto final. Como esses autores, acredito que o papel do investigador é fundamental, já que este se torna autor e sujeito no processo de investigação.

Como explicitam Moraes e Galiazzi (2011, p. 19):

O pesquisador que, mesmo vivendo esse turbilhão de emoções que o atropelam, consegue refletir sobre seu processo de transformação ao longo das análises, dá-se conta de que sua própria identidade está se reconstruindo, que está em processo de ‘abandonar posturas menos adequadas ou desnecessárias ao tempo atual.’ Em síntese, o pesquisador também se reconstrói como pesquisador e sujeito durante as análises. É o que denominamos a metamorfose do pesquisador.

Durante a realização da análise, é importante destacar que os dados foram intensamente lidos e relidos na tentativa de aprofundar a compreensão acerca dos discursos que se foram construindo no decorrer da investigação.

Quanto à técnica, afirmam Moraes e Galiazzi (2011, p. 165) que: “aqueles que se envolvem em uma pesquisa de natureza qualitativa e dentro dela com Análise Textual Discursiva logo compreendem que ainda que tenham optado por um caminho metodológico,

este não está dado, mas precisa ser construído.” Com isso, torna-se um caminho desafiador

porque não está delimitado, transita-se em um terreno de insegurança e de incerteza em que os pesquisadores devem se apropriar profundamente de todas as informações obtidas.

Com isso, o modo como foram analisadas as informações exigiu esforço; foi preciso ir até o esgotamento da análise e da interpretação dos dados. Desse intenso mergulho no corpus e por meio da desconstrução, da interpretação, das descrições sistêmicas e constantes quanto à organização e teorização dos textos emergiram as categorias aqui apresentadas.

Esta técnica consiste em três etapas: de estruturação dos dados, isto é, a unitarização dos textos produzidos por meio dos relatos dos sujeitos; a categorização, que prevê o agrupamento dos elementos, ideias e expressões por semelhança e por fim, o metatexto, construído para dar validade ao produto de análise advindo da descrição e interpretação de dados. Esta validade pode ser impressa a partir da inserção de citações e falas dos textos analisados.

A unitarização é a etapa de reconstrução de significados que os autores dos textos pretenderam expressar neles. Os sentidos não se desprendem dos textos: precisam ser reconstruídos. Estas reconstruções são necessariamente afetadas pelas concepções teóricas do pesquisador, por suas teorias e por visão de mundo. “Cada fragmento produzido deve ter relação com os objetivos, e o processo de unitarização como um todo deve refletir as intenções da pesquisa e ajudar a atingi-las.” (MORAES; GALIAZZI, 2011, p. 126).

A categorização é a etapa do processo analítico da pesquisa qualitativa que se insere em uma metodologia aberta e em permanente construção. Esse movimento de síntese que segue a unitarização desenvolveu-se a partir de pressupostos derivados da linguagem, antecedeu o processo de escrita desse relatório, correspondendo à construção de uma estrutura de organização que levou à produção de metatextos. Esse processo exigiu esforço e envolvimento, bem como um retorno constante às informações.

Por fim, o metatexto finalizou o processo e pode ser caracterizado como um exercício de produção de um texto a partir de um conjunto de textos. Nesse processo, construíram-se estruturas de categorias que, ao serem transformadas em textos, encaminharam as descrições e interpretações capazes de apresentarem os novos modos de compreender os fenômenos aqui investigados. Assim, a descrição, a interpretação e a síntese foram elementos fundamentais na elaboração desse metatexto.

No movimento permanente de construção e de reconstrução textual, foi possível tornar, conforme Mores e Galiazzi (2011), esse metatexto mais qualificado, vislumbrando outros conhecimentos acerca do problema de pesquisa. Isto resultou na expressão, por meio da linguagem escrita, das principais ideias que emergiram das análises da desconstrução, da reconstrução e da categorização dos textos produzidos pelas participantes. A partir dos argumentos elaborados enquanto pesquisadora na investigação, tive a intenção de comunicar as novas compreensões acerca do meu objeto de pesquisa.

A categorização, etapa em que se realiza o estabelecimento de relações de semelhança entre as unidades de sentido, foi construída de forma indutiva, ou seja, as categorias foram

criadas a partir das unidades de análise, por meio de comparações de organização de ideias, visando partir de ideias particulares em direção à ideia geral, emergiram da análise do pesquisador, considerando seus conhecimentos e teorias implícitas que influenciaram de modo particular suas percepções e interpretações para chegar às categorias emergentes.

No caso dessa pesquisa, foi possível identificar três grandes categorias, o movimento de constituição da escola; a dimensão pedagógica da escola; a rede de relações. Essas categorias subdividiram-se em nove subcategorias de análise. As categorias foram emergindo da interpretação cada vez mais aprofundada dos textos que foram sendo reconstruídos e foram organizadas de modo cronológico, seguindo o critério de validade.

4 O MOVIMENTO DE CONSTITUIÇÃO DA ESCOLA

O início de tudo...

Narra-se aqui a história construída a muitas mãos em um contexto em que autores também são os atores e colocam-se de maneira espontânea quando relatam fatos significativos no seu modo de ver e entender os acontecimentos. Conforme esses olhares, são apresentados as ideias, os sonhos, as aprendizagens, as práticas e as experiências do grupo de participantes dessa pesquisa.

O movimento de constituição desse espaço escolar foi marcado por uma fase de estudos do grupo, na intenção de construção do significado desse projeto de constituição para a comunidade do bairro e para o próprio grupo de professoras. Como seria estruturada em todos os seus aspectos: pedagógico, organizacional, administrativo e didático, a escola.

Inicio caracterizando a escola municipal de educação integral em que a pesquisa foi realizada, abordando questões como o local onde ela se situa, o desejo e a mobilização da comunidade em torno da sua existência e o envolvimento do grupo para conhecer essa realidade. Logo a seguir, relato a primeira reunião pedagógica da escola, destacando as expectativas das professoras com o projeto que assumiram.

Por fim, narro os desafios na constituição da escola, abordando os principais problemas enfrentados pelo grupo nesse trabalho, como a falta de estrutura física e desconhecimento teórico e prático do assunto educação integral. Destaco os elementos importantes da trajetória de constituição da escola, como o grupo, o estudo e a pesquisa, abordando os aspectos de formação desse grupo, a organização em torno do estudo e o aprendizado da prática da pesquisa pelas professoras.

Benzer Belgeler