A importância de se analisar o saldo de empregos da cidade de Maranguape é que essa variável está relacionada com o desenvolvimento econômico e social da cidade, uma vez que com a abertura de novos postos de trabalho, aumenta e melhora o poder aquisitivo das famílias. Fator esse que associado a outros fatores, pode elevar tanto o PIB da cidade bem
como o desenvolvimento econômico de Maranguape, permitindo assim uma elevação também na qualidade de vida da sociedade, fazendo assim a cidade se projetar em um novo contexto social e econômico no estado do Ceará.
O mercado de empregos de Maranguape segundo o IPECE (2014) possui oito setores de atividades empregatícias considerando o fator emprego formal. Os setores destas atividades são: extrativa mineral, indústria de transformação, serviços industriais de Utilidade Pública, construção civil, comércio, serviços, administração pública e agropecuária.
Segundo IPECE (2014), Maranguape possui uma relação atípica entre o número de admissão e demissão nos postos de trabalho, possuindo uma alta rotatividade da mão de obra. Esse fator se deu por causa de diversos fatores externos. Entre eles pode-se citar a seca vivenciada pelo município neste período estudado, podendo esta seca ter afetado ou não mercado de trabalho da cidade, fator esse que será analisado nos capítulos seguintes.
Para melhor entender o mercado de trabalho da cidade, veremos no quadro abaixo das admissões e demissões, podendo ser observada esta rotatividade de mão de obra através dos números de saldo de empregos.
Tabela 11 – Mercado de Trabalho – relação entre emprego e desemprego. Movimentação agregada em 2010 2011 2012 2013 2014 Total Maranguape 1) Admissões 5.283 3.765 3.267 3.886 3.885 20.086 2) Desligamentos 3.951 4.500 3.816 3.727 4.095 20.089 Saldo agregado 1.332 -735 -549 159 -210 -3
Fonte: Autor com dados do CAGED
A tabela aborda uma proporção negativa entre o número de admissões e desligamentos nos postos de trabalhos ao decorrer do período em análise, essa proporção negativa se dá nos anos de 2011, 2012 e 2014, com saldos negativos de setecentos e trinta e cinco (-735), quinhentos e quarenta e nove (-549) e duzentos e dez (-210) respectivamente, bem como de forma agregada durante o período abordado obtendo um saldo negativo de três (-3). Analisando as contratações nota-se que o ano que se mais contratou foi em 2010 com 5.283 contratações, enquanto que em 2014 teve apenas 3.885 contratações; por outro lado analisando o número de desligamentos aumentou de 3.951 no ano de 2010 para 4.095 no ano
de 2014, ficando uma preocupação tanto para as famílias, como para poder privado e o poder público.
A preocupação para as famílias se dá do ponto de vida social e econômico, pois para poder evoluir no bem estar delas, ou pelo menos manter o mesmo grau de qualidade de vida se faz necessário um emprego digno que financie o básico das condições necessárias para a sobrevivência, levando em consideração ainda a contrapartida do poder público.
Abordar-se-á agora a descrição ano após ano, durante período em análise de como se processou as admissões/demissões e quais foram os setores que mais sentiram essa rotatividade ou sofreram com o saldo negativo de empregos, segundo apontam estudos do IPECE neste sentido:
Tabela 12 – Saldo de empregos formais – ano 2010
Fonte: IPECE / CAGED
De acordo com os estudos do IPECE (2011), na figura acima se tem a Indústria de Transformação como motor na geração de empregos, seguido pela Construção Civil, com a abertura respectivamente de 2912 e 1240 postos de trabalhos formais. Porém, esses também foram os setores que mais demitiram, comprovando assim a alta rotatividade da mão de obra no mercado de Maranguape.
Já no ano seguinte, ano 2011, se deu a seguinte análise: Tabela 13 – Saldo de empregos formais – ano 2011
Neste ano a alta rotatividade da mão de obra do mercado de Maranguape (admissão/demissão) deixou o saldo de empregos agregado do município negativo com um número de (- 735) postos de trabalhos. Saldo esse puxado pelos números do setor da Indústria de Transformação, que desta vez demitiu mais do que contratou, ficando com saldo negativo de (-575) postos de trabalhos, um número elevado se comparado com o saldo do ano anterior, que fechou de forma positiva com um saldo de 610 postos de trabalhos, e o setor da Construção Civil que também teve seus números afetados e configurou no mercado de trabalho com baixas no seu saldo de empregos, tendo um saldo negativo de (-365) postos de trabalho.
Portanto, os dois maiores setores que puxavam a contratação de mão de obra, mesmo com um número alto de rotatividade, fecharam o ano de forma negativa.
Ainda de acordo como CAGED (2013) a análise do ano de 2012 do mercado de trabalho se deu da seguinte forma:
Tabela 14 - Saldo de empregos formais – ano 2012.
Fonte: IPECE / CAGED
Pela segunda vez consecutiva o saldo agregado de empregos da cidade aparece com números negativos com um saldo de (-549), porém houve mudanças no quadro de contratações nos setores, ocorrendo uma elevação no número de contratações se comparado com o ano passado, fazendo com que o déficit no saldo agregado de empregos do atual ano tivesse uma redução de 186 postos, com relação ao déficit do ano passado que era de -735 postos de trabalho, tendo portanto um avanço no saldo de emprego mesmo este configurando de forma negativa.
Agora a avaliação do ano de 2013, os estudos apontaram o que se segue: Tabela 15 – Saldo de empregos formais – ano 2013.
Fonte: IPECE / CAGED
O mercado de trabalho de Maranguape voltou a ter saldo agregado positivo, com um número de 226 empregos formais de saldo, porém apresentou alguns setores negativos, como se pode ver o setor da Indústria de Transformação, Serviços de Utilidade Pública e Agropecuária.
A Indústria da Transformação pelo terceiro ano consecutivo vem com saldo negativo, mesmo sendo o setor que mais contratou. Neste ano seu saldo foi de (-115) tendo uma desaceleração se comparado com o saldo negativo do ano passado. O setor de Serviço de Utilidade Pública é considerado um setor de pouca expressão (se considerado seus números de contratações e demissões), mesmo assim fechou de forma negativa com (-5) empregos formais. Por último, e não menos importante o setor da Agropecuária que desde o ínicio do período tem seus saldos positivos, porém de forma desacelerada ano após ano, este ano fechar de forma negativa com um saldo de (- 4) empregos formais, podendo ser um dos responsáveis por essa queda no saldo de empregos a seca vivenciada pelo município, que por sua vez faz elevar os custos com a produção do setor (matéria-prima escassa, elevada manutenção da produção) ocasionando demissões no neste setor.
Para finalizar o período de análise, note-se como se comportou o mercado de trabalho durante o ano de 2014 como aborda o CAGED (2015).
Tabela 16 – Saldo de empregos formais – ano 2014
Extrativa Mineral 0 0 0 997 1.128 -131
Indústria da Transformação 1.889 1.861 28 99.492 101.281 -1.789
Serviços Ind. de Ut. Pública 14 4 10 2.507 1.908 599
Construção Civil 482 488 -6 85.367 78.191 7.176
Comércio 732 719 13 125.493 114.509 10.984
Serviços 750 566 184 209.769 186.627 23.142
Administração Pública 1 0 1 1.234 463 771
Agropecuária 227 247 -20 15.239 14.047 1.192
Total das Atividades 4.095 3.885 210 540.098 498.154 41.944 Fonte: Autor/ dados MTE - CAGED
Neste último ano do período estudado o setor da Indústria da Transformação continuou sendo o que mais contratou, sendo este, portanto o motor do mercado de trabalho, seguido neste ano pelo setor do Comércio, Serviços e a Construção Civil. O setor da Indústria voltou a ter saldo positivo de 28 postos de empregos, após ter amargado saldos negativos por três anos consecutivos.
A Construção Civil, bem como a Agropecuária apareceram com saldos negativos de (-6) e (-20) respectivamente. O setor da Construção se apresenta como um dos setores mais dinâmicos do mercado local, uma vez que se configurou com saldo positivo de empregos em 2010, e nos 2 anos seguintes apresentou déficit, mostrando uma pequena recuperação ano passado e fechando este último ano de forma negativa, mostrando portanto a alta rotatividade de mãos de obras e a variação de comportamento no mercado de empregos, sendo essa variação explicada por fatores externos, tais como a especulação do setor imobiliário, bem como elevação dos custos de produção da construção civil.
Maranguape atualmente se concentra algumas indústrias como: Dakota, Mallory, Indústria de Aguardente , Indústria de Produção de Leite, outros. Com a instalação dessas indústrias coube ao governo local, desenvolver políticas para manter essas, bem como atrair novas indústrias para a cidade. Assim, o governo foca no desenvolvimento da cidade, bem como no avanço da qualidade de vida da população, evitando essa elevada rotatividade
Discriminação
Saldo de Empregos Formais
Município Estado
de mão de obra, e buscando fiscalizar a qualidade desses postos de trabalho, pois de nada resolve para o desenvolvimento humano um crescimento econômico sem ser acompanhado por uma redução das desigualdades sociais.
Portanto, para complementação da análise social da cidade de Maranguape, o estudo busca analisar também as irregularidades das chuvas e a ação destas diante a produção agrícola. Assim se poderá ver um quadro social mais completo de Maranguape, fazendo relação com a qualidade de vida de seus habitantes durante o período.
6. AS IRREGULARIDADES DAS CHUVAS E O IMPACTO NA PRODUÇÃO