2.4. Fen Okuryazarlığın Boyutları
2.4.3. Fen-Teknoloji-Toplum Çevre İlişkileri
Observou-se que o aparecimento do sono NREM surge nos cães neonatos a
partir do 14° dia de idade, com características diferentes do padrão de sono quieto,
antes verificado. Dentro deste tipo de sono pode-se caracterizar o registro de SI dividido em: SI-A ou sonolência superficial, e SI-B ou sonolência profunda, sendo que esta divisão não foi feita em cães neonatos na literatura pesquisada.
O estágio 1 do sono NREM segundo Reimão (1985) anteriormente citado, ou sono I por nós descrito, foi estabelecido segundo critérios de Rechtschaffen e Kales (1968) e Broughton (1999), quando o SI-A foi bem definido com registro predominante de ondas na faixa alfa e teta rítmico, com pouco teta irregular e beta difuso e escasso, apresentando poucos abalos musculares. Já no sono IB houve predomínio de ondas teta-beta irregulares, pouco ou desaparecimento do alfa, alguns delta isolados e irregulares, sem fusos de sono e CK, com ou sem OAV. Neste último, pode-se observar registro de alguns movimentos oculares lentos. Tanto o SI-A como o SI-B foram quantificados pelo tempo de registro em segundos e
Wauquier e colaboradores (1979) em trabalho feito com sete cães adultos da raça Beagle, fizeram uma análise visual e digital EEG dos traçados do ciclo sono- vigília durante 24 horas, e descreveram um tipo de sono leve ou sonolência de ondas lentas na faixa de alfa (4 a 7Hz) com fusos no córtex frontal com mais de
100µV e poucos movimentos, que diferenciava do EEG de alerta pela alta amplitude
e predomínio de alfa. Fox (1967) refere que o cão neonato apresenta uma atividade de ondas lentas sincrônicas na sonolência e no sono quieto, sugerindo que os graus de sincronia seriam níveis ou profundidades variadas do sono quieto. Comprova-se a não denominação do sono NREM, mostrando que na literatura não foram caracterizadas as divisões do sono I NREM (IA e IB) em cães neonatos, nem mesmo em cães adultos.
A partir do 14o dia de idade, o cão neonato apresenta um aumento
progressivo das ondas lentas e de alta amplitude (2,5 a 3Hz e 56 a 91µV)
caracterizando o sono NREM (Figura 8) com presença de respiração regular, sendo que 23,07% dos 26 cães estudados apresentaram um esboço do sono II, e 15,38% deles definiram o sono II com aparecimento de grafoelementos como CK e OAV e um maior teor de ondas delta em menos que 20% da época, com um gradiente antero-posterior de freqüência e amplitude (GAPFA). Este GAPFA constitui a localização das ondas mais lentas e amplas nas regiões posteriores, predominando os ritmos mais rápidos e de menor voltagem nas projeções anteriores.
O GAPFA, acima descrito, foi citado em três trabalhos com cães neonatos, como sendo um elemento caracterizado por grande atividade elétrica de 4Hz e 100 a
200µV em maior quantidade em regiões posteriores que aparecem a partir da quarta
semana (TAKAHASHI e INADA, 1986 e PELLEGRINO, 2000), entretanto um deles (FOX, 1964) refere que existe uma mudança da atividade elétrica do córtex occipital e frontal entre a terceira e quarta semana, não determinando qual região, neste período, tem maior atividade, e que somente na sexta semana, a freqüência e amplitude são maiores nas regiões frontais.
Takahashi e Inada (1986) descreveram que a distribuição entre os sítios heterólogos (anterior e posterior) foi diferente até equilibrar-se na sexta semana de idade.
No presente estudo verificou-se a denominação do GAPFA pela análise visual
continuam com este aspecto nos registros deste sono, até 45o dia de idade. Ondas de alta amplitude nas regiões posteriores, chamada de ondas cone (cone waves),
foram observadas em nosso estudo no período a partir de 14o dia de idade, o que
Niedermeyer (1999c) relatou ser um aparecimento normal para a faixa etária de neonato humano RN. Este elemento, agora descrito em cães neonatos, não foi encontrado na literatura pesquisada.
Todos os autores pesquisados descreveram um traçado caracterizado por
ondas lentas com 3 a 4Hz e 70 a 100µV de amplitude que, dependendo do trabalho,
descreveram com aparecimento na segunda semana de vida ou na terceira semana, com aumento progressivo de ocorrência, chamado de sono de ondas lentas. Nenhum deles denominou este padrão de onda como sendo SII, nem mesmo a relação dos grafoelementos (CK, OAV) com sua ocorrência, como verificado em
nosso trabalho. O CK foi observado com predomínio da região anterior até o 45o dia
de idade, e sua ocorrência no meio do exame foi independente de estímulos
externos. Todavia, no 35o e 45o dia de idade foram verificados CK relacionados com
estímulo auditivos ou dolorosos, como o teste de despertar estimulado pelo beliscão entre os coxins dos membros pélvicos ao final do exame.
Niedermeyer (1999c) comenta que o CK, observado em crianças a partir do 5o
mês, pode aparecer algumas vezes como resposta a estímulos sensoriais, já Fox (1964) citou o primeiro aparecimento do CK em cães neonatos dentro de uma
atividade EEG (2 a 5Hz e 40 a 80µV) somente após estímulo tátil, visual e auditivo,
entre a terceira semana e meia e a quarta semana de idade, sem diferença entre as regiões anteriores e posteriores. No entanto, não descreveu a importância da relação do CK com o estadiamento do SII agora estabelecidos.
O aumento do número de ondas lentas (1 a 3Hz e 70 a 182µV),
caracterizando o SIII com ondas na faixa de delta em 20 a 50% da época, foi
observado a partir do 14o dia de idade, sendo que, no 14o e no 21o dia somente um
cão (3,85%) em cada período foi observado, e no 28o dia de idade 73,08% dos cães
apresentaram SIII. Verificou-se que neste sono as ondas de maior amplitude destacam-se nas regiões anteriores (frontal) e não é visto mais o GAPFA, o que comprova uma das caracterizações deste sono diferente do SII.
Observou-se, neste trabalho, o registro de um elemento caracterizado por uma onda aguda de menor amplitude que precede o CK durante o SIII, em cães a
partir do 35o dia de idade, denominado por nós de mitten pattern (Figura 50), como descrito por Leem-Huis e Stamps (1949) (LEEM-HUIS E STAMPS, 1949 apud Niedermeyer, 1999b) em exames de EEG em SIII de neonatos humanos. A denominação deste elemento em cães neonatos não foi encontrada na literatura pesquisada.
O SIV com delta, em mais que 50% da época, foi observado a partir do 28o
dia de idade (M5), sendo os períodos de maior ocorrência em segundos no 28o dia e
45o dia com 11,54% dos 26 cães, em cada período citado.
O 35o dia de idade (M6) foi o que teve maior número de ondas lentas,
principalmente de SII (92,31%), com diminuição discreta de SIII e maior de SIV. Já
no 45o dia de idade (M7) houve diminuição dos trechos de SII, SIII e SIV (Figura 67),
porém, nos trechos registrados, verificou-se aumento da amplitude das ondas lentas
(1 a 3Hz e 70 a 210µV).
Takahashi e Inada (1986), em estudo sobre o desenvolvimento do sono NREM em cães Beagle, com base na análise do espectro de potência e correlação cruzada com EEGq, consideraram um aumento progressivo das ondas lentas (até
500µV) até a 14a semana, com diminuição (100µV) até a 30a semana de idade,
porém não utilizaram cães acima de um ano de idade, não obtendo com precisão o tempo definitivo de maturação do sono NREM. Fox (1967) descreveu que a partir da quinta semana até a décima semana de idade houve um aumento da freqüência e
da amplitude, que diminuía entre a 12a e 16a semana com continuidade da
diminuição da freqüência até a idade adulta.
A progressão do aumento das ondas lentas acima de 45 dias de idade, como alguns autores relataram (FOX, 1967c; MORGAN et al., 1972; SENBA et al., 1984; TOURAI et al., 1985; TAKAHASHI e INADA, 1986) não foi o objetivo do presente estudo, já que se padronizou o período neonatal como 30 dias de idade, utilizando mais 15 dias para abranger com fidelidade este período.
Nosso estudo não só relatou as observações feitas previamente por CHARLES e FULLER (1956), FOX (1964c), FOX (1967), MORGAN e colaboradores, (1972), SENBA e colaboradores, (1984), TOURAI e colaboradores, (1985) e TAKAHASHI e INADA (1986) como caracterizou uma nova nomenclatura para as fases do sono NREM, como o SIII e SIV com registro de ondas lentas e com alta voltagem no período neonatal, além do SI e SII já descritos.
O despertar com estímulo auditivo torna-se mais difícil, dependendo do grau de sincronia nas diferentes áreas corticais, e este fenômeno é sugerido como sendo um grau ou variáveis profundidades do sono quieto (FOX, 1967b), sendo esta
observação agora realizada a partir do 21o dia de idade, principalmente durante o
registro do SIII, subdivisão do sono NREM já denominado.
Somente um trabalho (FOX, 1967c) citou quatro fases do sono de cão neonato comparado com o trabalho feito por Petre-Quadens (1966) com neonato humano, caracterizando o estágio A como um EEG com aumento discreto da amplitude comparado com o EEG de alerta, o estágio B como o sono quieto com movimentos corporais ocasionais, sem movimento dos olhos e surtos fuso-like de 6 Hz. O estágio C, considerado também sono quieto, com surtos de ondas lentas e largas com fusos de 12 e 13Hz e o estágio D ou sono irrequieto com EEG de baixa voltagem, movimentos rápidos dos olhos e corporais e surtos de fusos ocasionais no começo deste estágio.
Fox (1967c) considerou a sonolência, o sono quieto e o sono ativo representado respectivamente pelos estágios A, C e D acima descritos, mostrando que após este trabalho nenhum outro classificou com detalhes estes estágios de sono relacionados com a maturação eletrocortical do cão neonato.