5. SONUÇ, TARTIġMA VE ÖNERĠLER
5.2. Öneriler
A utilização do jogo como elemento nas atividades práticas realizadas no estágio de Educação Pré-Escolar e de 1.º CEB foi algo ao qual atribuí grande relevância. Sendo uma estratégia para atrair as crianças das duas valências e potenciar as suas aprendizagens através da sua conjugação com os conceitos e diferentes temáticas a abordar, considerei que a promoção de diversas atividades lúdicas seria um potente meio para usar na minha prática pedagógica.
O jogo é uma das ferramentas mais presentes e cativantes para as crianças, pois elas tomam-no como algo desafiante e divertido, entregando-se sem resistência, ao contrário do que se presencia com conteúdos formais, com a pressão de serem avaliadas. Isto acontece porque o jogo opõe-se à atividade séria que é o trabalho (Wallon, 1879-1962 citado por Negrine, 1994, p.30) e oferece a oportunidade das crianças terem “(…) liberdade de ação, pulsão interior, naturalidade, atitude e consequentemente, prazer raramente encontrados em outras atividades de escola (…)” (Negrine, 1994, p.16).
Esta ferramenta revela-se eficaz na educação devido à sua capacidade de fascinar as crianças para a aprendizagem. A sua caraterística lúdica desperta a curiosidade das mesmas, levando-as a participarem voluntária e ativamente no processo de aprendizagem, de forma informal, alegre e descontraída. Desta maneira, os conhecimentos surgirão espontaneamente e as crianças aprenderão mais facilmente.
Ao integrar o jogo no ensino, passamos a considerá-lo um elemento didático- pedagógico e mudamos a prática para algo mais dotado de motivação e prazer. Segundo Kamii (1996), as crianças envolvem-se totalmente no jogo de forma natural, participam apenas por mera satisfação e aplicam-se por alcançar o sucesso, ganhar o jogo. Sem se aperceberem, elas desenvolvem diversas capacidades, competências e atitudes necessárias à sua formação, tornando estas estratégias enriquecedoras. Quanto mais estas atividades apelarem ao raciocínio, à reflexão e à criatividade, mais contribuirão para o desenvolvimento e estruturação do pensamento crítico da criança.
As atividades lúdicas, além de proporcionarem desenvolvimento dos conhecimentos das crianças, podem ser opções que contribuem para uma melhor relação
entre docente e criança e entre crianças, dado ser um meio de interação e socialização poderoso. Uma vez que proporcionam um contexto aprazível e rico ao processo de ensino-aprendizagem, fazem com que as crianças também se relacionem melhor com o conhecimento e a sua aquisição, despertando para a curiosidade, gosto e disponibilidade para aprenderem. Logo, levam ao estímulo de uma aprendizagem ativa e ao desenvolvimento de atitudes de cooperação e entre-ajuda, socializadoras e afetuosas, aquando o seu contato com o grupo.
O jogo, sendo uma atividade bastante diversa, é capaz de desenvolver na criança “uma grande variedade de atividades mentais como a linguagem, a memória, o raciocínio, a imaginação, a criatividade e o planejamento”, auxiliando a “desenvolver as habilidades sociocognitivas das crianças, assim como ampliar seu conhecimento do mundo social” (Ortiz, Fuentes e López, 2004, p. 144).
Wallon (1879-1962) refere a existência de quatro tipos de jogos: os funcionais, que fazem alusão à exploração do corpo através de movimentos simples e pelos sentidos; os de ficção , marcados pela imaginação e pelo faz-de-conta que partem da realidade da criança; os de aquisição que surgem através da necessidade da compreensão do mundo que rodeia a criança e esta apreende-o vendo e ouvindo, interagindo com o meio e os de fabricação caraterizados pela improvisação, criação e transformação dos objetos reais em objetos imaginários, sendo estes, uma causa ou consequência dos jogos de ficção. (Kishimoto, 1994 & Negrine, 1994).
Já Piaget (1896-1980), segundo Kishimoto, aponta três géneros de jogo sendo eles: os jogos de exercícios que correspondem, simplesmente, à repetição, reprodução e combinação de movimentos e gestos, pelo puro prazer de os executar; os jogos simbólicos que aludem à representação, ao faz-de-conta e à linguagem sendo uma forma de assimilação do real através do simbólico e, por fim, os jogos de regras onde as próprias regras irão estimular a atenção e regular comportamentos, sejam elas criadas pelas crianças ou não e fazendo com que o prazer passe a estar nos resultados obtidos e no cumprimento das mesmas, ao invés do processo, como nos jogos anteriores, fomentando a competição salutar, integrando e regulando o grupo social (Kishimoto, 1994).
Conclui-se que a associação do jogo às práticas de um docente poderão criar ambientes mais favoráveis à aprendizagem. Porém e posto que o jogo educativo deverá ter a função lúdica (divertir) e a função educativa (ensinar), há que haver um equilíbrio pois, tal como Kishimoto (1994) atenta, a educação não deverá ser baseada sómente no
jogo porque “essa postura isolaria o homem da vida, fazendo-o viver num mundo ilusório.” (p.21). Revela-se igualmente importante a adequação dos jogos às idades das crianças, às suas capacidades, aos seus interesses e necessidades, sem esquecer o fator desafiador, podendo levar a que as mesmas percam o interesse e a utilidade dos mesmos seja descartada, caso não estejam ajustados. A atenção do docente também deverá recair na adequação e significação do espaço, do ambiente de jogo e dos materiais/brinquedos a serem utilizados pelas crianças. Ainda deve ter em conta que os jogos poderão trazer efeitos positivos e negativos e, como tal, deve auxiliar e ensinar a jogar, tendo em mente que “o jogo não é inato, mas uma aquisição social.” (Kishimoto, 1994, p.20). Também, e segundo Alain (1957) (citado por Kishimoto, 1994), o docente deve permitir que as crianças errem e aprendam pelos erros, sendo incentivada a investigação e a procura de soluções para os problemas.
Por fim, tal como aconselha Brougère (1998):
Como, pois conciliar essa necessidade de jogar que é irresistível na criança com a educação que se deve dar-lhe? Muito simplesmente fazendo o jogo o meio de educar a criança. O jogo é um fim em si mesmo para a criança, para nós, deve ser um meio. Não se trata de deixar a criança livre de sua atividade abandonada a si mesma; a criança deve jogar, mas todas as vezes que você lhe dá uma ocupação que tem aparência de um jogo, você satisfaz essa necessidade e, ao mesmo tempo, cumpre seu papel educativo (p.122)