• Sonuç bulunamadı

Dentro do aspecto intelectual, é um dos objetivos poder complementar os desdobramentos propostos no projeto de pesquisa, comparando os achados com a população de alta renda da Aldeota. Também se percebeu a necessidade de realizar um estudo epidemiológico quantitativo para levantar a prevalência e severidade da cárie dentária na população do Dendê, relacionando-a com o perfil socioeconômico, padrões de acesso aos serviços de saúde e autopercepção em saúde bucal, que se encontra inclusive em fase de redação final de encaminhamento para publicação. É também meta do grupo de pesquisa da UNIFOR escrever um livro dessa temática, em parceria com a Fiocruz, para divulgar ainda mais as informações gerados nesses temas correlatos, já muito divulgados através das pesquisas da profa. Marilyn K. Nations, com produção consolidada no campo da Antropologia Médica.

No aspecto social, será intensificada a aproximação com os setores do poder público, especialmente gestores das Unidades de Saúde e das células regionais da Secretaria Municipal de Saúde. Nossa parceria já é frutífera, mas os dados encontrados poderão certamente auxiliar na revisão das estratégias de acesso ao serviço e de acolhimento das populações segregadas. Os gestores dos serviços de saúde bucal precisam perceber que a população anseia por tratamentos de qualidade pois deseja a preservação dos seus dentes. Muito embora possam ter comportamentos que aparentemente mostrem ao contrário, são formas subliminares de evidenciar sua revolta silenciosa para a sociedade. Também é muito importante estimular na comunidade do Dendê maior comprometimento das lideranças comunitárias ― que atualmente desviam seus objetivos para interesses partidários pessoais ― contribuindo para vocalizar com maior poder os anseios da população e materializar os princípios de participação popular previstos na Constituição Federal, tão necessários para construção de uma sociedade com maior eqüidade no SUS.

Como meta pessoal, o pesquisador deseja contribuir com outras formas de refinamento do modelo biomédico47, prevendo na universidade a oferta de disciplinas como Saúde e Espiritualidade. Também é objetivo, aproveitando o título de Doutor, contribuir para formalização do Instituto Bhaktivedanta, faculdade que se comprometerá com formas alternativas de pensar a resolução das questões sociais a partir das estratégias de autoconhecimento.

5 REFERÊNCIAS

1. Baldani MH, Narvai PC, Antunes JLF. Cárie dentária e condições socioeconômicas no estado do Paraná, Brasil, 1996. Cad Saúde Pública. 2002; 18(3): 755-63.

2. Edelstein BL. Disparities in oral health and Access to care: findings of national surveys. Albul Pediatr. 2002; 2(2 Suppl): 141-7.

3. Lacerda JT, Simionato EM, Peres KG, Peres MA, Traebert J, Marcenes W. Dor de origem dental como motivo de consulta odontológica em uma população adulta. Rev Saúde Pública. 2004; 38(3): 453-8.

4. Gillcrist JA, Brumley DE, Blackford JU. Community socioeconomic status and childrens dental health. Am Dent Assoc. 2001; 132(2):216-22.

5. Gomes PR, Costa SC, Cypriano S, Sousa MLR. Paulínia, São Paulo, Brasil: situação de cárie dentária com relação às metas da OMS 2000 e 2010. Cad Saúde Pública. 2004; 20(3): 866-70.

6. Freire MCM, Pereira MF, Batista SMO, Borges MRS, Barbosa MI, Rosa AGF. Prevalência de cárie e necessidades de tratamento em escolares de 6 a 12 anos na rede pública de ensino. Rev Saúde Pública. 1999; 33(4): 385-90.

7. Narvai PC, Frazão P, Roncalli AG, Antunes JLF. Cárie dentária no Brasil: declínio, polarização, iniqüidade e exclusão social. Rev Panam Salud Publica. 2006; 19(6): 385- 93.

8. Patussi MP, Marcenes W, Croucher R, Sheiham A. Social deprivation, income inequality, social cohesion and dental caries in Brazilian school children. Soc Sci Med. 2001; 53: 915-25.

9. Moreira TP, Nations MK, Alves MSCF. Dentes da desigualdade: marcas bucais da experiência vivida da pobreza na comunidade do Dendê, Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saúde Pública. 2007; aceito para publicação.

10. Silva SRC, Castellanos-Fernandes RA. Autopercepção das condições de saúde bucal por idosos. Rev Saúde Pública. 2001; 35(4): 349-55.

11. Bonfim C. Desigualdade cresce no Ceará. Diário do Nordeste. 2006 Dez 21; Seção: Regional.

12. Bernal C. A metrópole emergente: a ação do capital imobiliário na estruturação urbana de Fortaleza. Fortaleza: Editora UFC; 2004.

13. Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS). Iniqüidades em saúde no Brasil: nossa mais grave doença. Rio de Janeiro: Secretaria Técnica da CNDSS; 2006.

14. .Ministério da Saúde. Projeto SB Brasil 2003: Condições de saúde bucal da população brasileira 2002-2003. Brasília: Ministério da Saúde; 2004.

15. Salako NO. Infant feeding profile and dental caries status of urban Nigerian children. Acta Odontol Pediat. 1985; 6: 13-17.

16. Matos DL, Lima-Costa MF, Guerra HL, Marcenes W. Projeto Bambuí: avaliação de serviços odontológicos privados, públicos e de sindicato. Rev Saúde Pública. 2002; 36: 237-43.

17. Thompson WM, Poulton R, Milne BJ, Caspi A, Broughton JR, Ayers KM.

Socioeconomic inequalities in oral health in childhood and adulthood in a birth cohort. Community Dent Oral Epidemiol. 2004; 32: 345-53.

18. Silva LC, Duran M. Mortalidad infantil y condiciones higienico-sociales em lãs Américas. Un estudio de correlación. Rev Saúde Pública. 1990; 24: 473-480.

19. Gilbert GH, Duncan RP, Shelton BJ. Social determinants of tooth loss. Health Serv Res. 2003;38: 1843-62.

20. Vasconcellos MCC, Lui Filho O, Jesus BJ, Nogueira JRB. Experiência de cárie dentária em escolares: o papel da ocupação da mãe. Rev Odont USP. 1993; 7: 237-243 21 .Nörmark S. Social indicators of dental caries among Sierra Leonean schoolchildren. Scand J Dent Res. 1993; 101: 121-129.

22. Kran MN, Cleaton-Jones PE. Dental caries in african preschool children: social factores as disease markes. J Public Health Dent. 1998; 58: 7-11.

23. Luz AS, Campos AA. Epidemiologia: saúde bucal e condições de vida. Fortaleza: Editora Expressão; 2003.

24. Tomita NE, Torres FC. Saúde bucal de pré-escolares: as iniqüidades sociais e a subjetividade da dor. Rev Bras Odont Saúde Coletiva. 2000; 1: 25-33.

25. Al-Hosani E, Rugg-Gunn A. Combination of low parental educational attainment and high parental income related to high caries experience in pré-school children in Abu Dhabi. Comm Dent Oral Epidemiol. 1998; 26: 31-36.

26. Patussi MP. Privação e saúde bucal: medidas ao nível do indivíduo e da área geográfica na qual ele reside. Rev Ação Coletiva. 1999; 2: 3-8.

27. Misrachi LC, Arellano OM. Conductas y factores determinantes em salud oral de los adolescentes. Rev Chil Pediatr. 1995; 66(6): 317-322.

28. Moreira TP, Nuto SAS, Nations MK. Confrontação cultural entre cirurgiões-dentistas e a experiência de usuários de baixa renda em Fortaleza-CE. Saúde em Debate. 2004; 66: 58-67.

29. Nations MK, Nuto SAS. “Tooth worms”, poverty tattoos and dental care conflicts in Northeast Brazil. Soc Sci Med. 2002; 54: 229-244.

30. Travassos C, Martins M. Uma revisão sobre os conceitos de acesso e utilização de serviços de saúde. Cad Saúde Pública. 2004; 20: 190-198.

31. Neri M, Soares W. Desigualdade social e saúde no Brasil. Cad Saúde Pública. 2002; 18: 77-87.

32. Kleinman A. Writing at the margin: discourse between anthropology and medicine. Berkeley: University of California Press; 1995.

33. Wolf SMR. O significado psicológico da perda dos dentes em sujeitos adultos. Revista da APCD. 1998; 52: 307-315.

34. Farmer P. Infections and inequalities: the modern plagues. Berkeley: University of California press; 1999.

35. Abreu MHNG, Pordeus IA, Modena CM. Representações sociais de saúde bucal entre mães no meio rural de Itaúna (MG), 2002. Ciênc Saúde Coletiva. 2005; 10: 245- 259.

36. Flores EMTL, Drehmer TM. Conhecimento, percepções, comportamentos e

representações de saúde e doença bucal dos adolescentes de escolas públicas de dois bairros de Porto Alegre. Ciênc Saúde Coletiva. 2003; 8:743-752.

37. Narvai PC. Odontologia e Saúde Bucal Coletiva. São Paulo: Editora Hucitec; 1994. 38. Bosi MLM, Affonso KC. Cidadania, participação popular e saúde: com a palavra, os usuários da Rede Pública de Serviços. Cad Saúde Pública. 1998; 14: 355-365.

39. Gadamer HG. Verdade e método. Petrópolis: Vozes; 1997.

40. Kleinman A. Patients and healers in the context of culture: an exploration of borderland between anthropology and psychiatry. Berkeley: University of California Press; 1980.

41. Uchoa E, Vidal JM. Antropologia médica: elementos conceituais e metodológicos para uma abordagem da saúde e da doença. Cad Saúde Pública. 1994; 10: 497-504.

42. Young A. Suffering and the origins of traumatic memory. In: Kleinman A, Das V, Lock M, organizadores. Social suffering. Berkeley: University of California Press; 1997. p. 32-45.

43. Elstad JI. The psycho-social perspective on social inequalities in health. Soc of Health & Illness. 1998; 20: 598-618.

44. Evans RG. Introduction. In: Evans RG, Barer ML, Marmor TR, editores. Why are some people healthy and others not? The determinants of health populations? New York: de Gruyter; 1994. p.ix-xix.

45. Wilkinson RG. Unhealthy societies. The afflictions of inequality. Londres: Routledge; 1996b.

46. Escorel S. Vidas ao léu: trajetórias de exclusão social. Rio de Janeiro: Fiocruz; 1999.

Benzer Belgeler