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Observa-se que a área é habitada por muitos animais. Na região do aeroporto, nas chácaras ao redor, é possível acompanhar alguns dos animais da família Cebida e (B8 e 11), popularmente conhecidos na região como “miquinhos”. Esses animais possuem a capacidade de sobreviver em ambientes alterados pelo homem, mas muitos estudiosos na área de Arqueologia, como o CPRM (serviço geológico do Brasil), Berbert-Born (2000), Perez (2009) escrevem sobre a fauna existente na região e teorizam sobre umapossível diminuição destes animais, em função do ambiente urbano, pois está havendo fragmentação do seu habitat.

Cotidianamente, os moradores notam a presença dos micos ao redor das residências e nas árvores. Registra-se, também, a presença de animais como a seriema, o tatu, o porco-do- mato, o coelho selvagem, o pássaro-preto, entre outras aves. O Mapa 7 mostra o registro paleontológico da Área de Proteção Ambiental (APA), indicando a fauna que existiu há alguns milhares de anos naquela região, tais como camelidae (camelos), ursidae(ursos),

canidaetucanos(tucanos). Nesta área visualizam-se a Gruta de Confins e a Gruta do

Galinheiro. O município está inserido diretamente nessa área de importantes estudos para geólogos e outras especializações, os quais explicam que a maioria das grutas não apresenta um potencial turístico devido ao difícil acesso às suas galerias, embora seja de conhecimento que em todas as grutas há um grau de dificuldade; no entanto, a acessibilidade é criada pela atividade turística. Percebe-se descaso, por parte da população e das autoridades, pois na região, em algumas áreas de preservação ambiental, há lixo e degradação ambiental; nenhuma ação efetiva por parte dos órgãos públicos para amenizar as perdas ambientais foi registrada durante as etapas do trabalho de campo.

As Fotos 4 e 5 apresentam, respectivamente, uma funilaria e a Gruta de Confins. A primeira fotografia mostra uma funilaria de aproximadamente trezentos anos, e segundo relato de moradores mais antigos, é uma área de risco e sem proteção para as crianças, uma propriedade particular, mas totalmente aberta, ao lado da Gruta de Confins, que possui galerias de acesso à Lagoa Vargem Bonita, onde já ocorreram alguns acidentes seguidos de mortes. No local, há o que os moradores denominam de sumidouros. Nestas fotos as paisagens registradas mostram que houve atividades ligadas à produção do calcário na região em alguns anos; registra um valor cultural que deve ser preservado, um cenário de construção da ação humana, e ao lado o paredão rochoso onde está situada a Gruta de Confins, edificada pela natureza, que possui entrada para a lagoa Vargem de Baixo. Porém, apesar da bela paisagem natural, existem depredações nos paredões. No trabalho de campo foi possível visualizar que o lugar é utilizado como moradia de pessoas marginalizadas, pois não há registros de fiscalização e proteção da área.

Foto 4 – Confins: funilaria existente nas proximidades da lagoa de baixo. Os moradores da região relatam que, nessa funilaria, acontecia a produção de cal, o material rochoso. A matéria-prima era queimada e obtida a cal, um procedimento antigo, existente há aproximadamente trezentos anos. Na parte de cima dessa área, sinaliza-se uma linha férrea, que indica o escoamento da produção. O topo dessa funilaria é de aproximadamente cinco metros, um grande círculo, “buraco” perigoso, pois não há sinalização de perigo, o que representa uma situação de risco, sobretudo para as crianças. O que existe no local é somente a cerca de arame farpado em torno da área da gruta.

Autor: Pereira. G.A.S. (Trabalho de Campo 2009/2010).

Foto 5 – Confins: Gruta de Confins: paisagem natural que está sendo depredada aos poucos pela ação humana. É interessante dizer que essa gruta se encontra ao lado da funilaria retratada anteriormente, sobre a qual não se encontrou nenhum registro histórico que contribuísse para esta pesquisa. Essa gruta possui acesso que leva à Lagoa de Baixo, mesmo porque a sua frente está voltada às margens da lagoa. Hoje, a gruta é utilizada por alguns vândalos para uso de entorpecentes e bebidas. Os moradores reclamam e relatam que existe um morador nessa área, mas não se encontra ninguém; deparamo-nos apenas com panelas. De acordo com a Prefeitura Municipal, trata-se de uma área particular que não apresenta perigo, todavia, não é o que parece, pois o acesso é muito fácil e o lugar apresenta um buraco de, aproximadamente, cinco metros, escondido em meio ao capim e a gruta.

A Foto 6 mostra a Gruta da Lapa Vermelha; na parte mais alta da vegetação foi encontrada Luzia, o fóssil mais antigo da América.

Foto 6 – Confins: Gruta da Lapa Vermelha. Na rodovia, é possível visualizar essa belíssima gruta em conjunto com o espelho d’água. Trata-se de uma área importantíssima para pesquisadores da Arqueologia; porém, o acesso é difícil e perigoso, por isso não é aberto ao publico. A área é monitorada pelo IBAMA. Ao lado desse cenário, temos a proprietária do lugar, que é a empresa mineradora Lapa Vermelha.

Autor: Pereira. G.A.S. (Trabalho de Campo – 2009/2010).

A Foto 7 apresenta uma gruta, paredão rochoso localizado na área urbana de Confins, no quintal de uma residência, palco de trabalhos escolares na região. Na prática, os alunos compreendem o relevo da região e são instruídos pelos professores, durante o trabalho de campo, e incentivados a pesquisarem sobre a formação do relevo da região. Porém, essa gruta sofre com a degradação ambiental, pois o lugar é cercado por entulhos. A paisagem na foto é uma das mais belas da região, pois na sua entrada há uma pequena lagoa fazendo parte deste cenário, onde é possível avistá-la na rodovia próximo à empresa de mineração Lapa Vermelha. Todavia, o acesso é restrito e difícil; apenas pesquisadores que solicitam ao Instituto de Brasileiro do Meio Ambiente - IBAMA conseguem autorização. O uso de instrumentos adequados é necessário para realizar o trabalho de campo, por isso o proprietário da fazenda possui sua sede nas proximidades da gruta, onde ele passa a monitorar a entrada das pessoas no lugar. Existem na região inúmeras pinturas rupestres, grutas e sítios arqueológicos, além de diversas espécies de invertebrados endêmicos, que só ocorrem no local e estão ameaçadas de extinção.

Foto 7 – Confins: paredão rochoso, cercado por entulhos, na área urbana da cidade. Essa gruta fica no quintal de uma moradora da cidade e é formada por um imenso paredão rochoso que fica na área urbana do município de Confins. O lugar poderia ser mais valorizado pelos órgãos públicos, mas o que se observa é o descaso.

Autor: Pereira. G.A.S. (Trabalho de Campo 2009/2010).

A área de estudo apresenta um grau de sensibilidade ambiental ao tipo de formação do relevo, a rede de drenagem, as riquezas das grutas em registro paleontológico da APA, indicando a necessidade da presença concreta e efetiva do estado, com ações de preservação. Por haver um distanciamento da metrópole, a cidade não possui uma função importante na região, mas, por outro lado, existe o aeroporto internacional que foi estabelecido no município em 1984, com a finalidade de aumentar os voos aéreos com grandes jatos. Nesse momento, compreende-se que o município passa a ser um anexo da metrópole.

A INFRAERO tem como premissa assegurar o cumprimento de normas e padrões de proteção ao meio ambiente na implantação, operação e expansão dos seus aeroportos administrados, visando à minimização e prevenção dos impactos ambientais que possam ser provocados por suas atividades. A respectiva empresa nacional dispõe de uma Política Ambiental que norteia o estabelecimento de estratégias e objetivos da empresa ao planejar, construir e operar suas instalações aeroportuárias em conformidade com leis e regulamentos ambientais nacionais e internacionais. Para atender às diretrizes estabelecidas em conformidade com a Política Ambiental, foram instituídas estruturas organizacionais na sede da empresa, nas Superintendências Regionais e em alguns aeroportos.

CAPÍTULO 3

CONFINS E SUA REALIDADE NO CONTEXTO DA

URBANIZAÇÃO

Neste capítulo tratar-se-á da influência do aeroporto na cidade de Confins, procurando caracterizar sua marginalização e em que consiste essa situação. Trata-se de um processo histórico que deixou marcas no espaço. Por isso, o ponto central do estudo é a transformação desse espaço que não nega tudo o que existia no município. Portanto, o enfoque do trabalho é importante para a Geografia, pois permite apreender como os grandes projetos influenciam a vida das pequenas cidades e mostra como ocorrem as ligações da metrópole aos lugares.

Confins procura estimular a sua aceitação na região metropolitana e elevar a estima dos seus moradores, utilizando como artifício sua ligação com o aeroporto. Este é um aspecto positivo que está no seu território, um fator que estimula o desenvolvimento econômico; mas o que se percebe é uma realidade de continuidade de um pequeno arraial com ruas pequenas, pouca infraestrutura, características de um modo de vida singular, representado nas conversas dos moradores, nas festas religiosas e na valorização do homem.

As contradições nas cidades resultam de conflitos políticos e territoriais de suas histórias. Suas constantes transformações estruturais, representações e organizações do espaço levam vários estudiosos a procurarem interpretar suas especificidades. No caso em estudo, foram evidenciadas as desapropriações que resultaram em conflitos de ordem jurídica e que alteraram o modo de vida da população, deslocando alguns dos moradores locais. A grande obra decorre de articulações na esfera Estadual e Federal e da busca pelo desenvolvimento econômico para a região, desconsiderando os impactos na vida dos moradores de Confins.

A aceleração da economia, por intermédio do PAC é motivador para o estabelecimento de várias obras em Minas Gerais, pois estas propiciam melhorias na infraestrutura urbana e ocasionarão investimentos no setor de transporte do Estado e do País. As obras realizadas pelo PAC contribuirão para que a capital mineira possa sediar alguns dos jogos da Copa do Mundo, que acontecerá em 2014, e também ser subsede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Isso transforma Belo Horizonte num verdadeiro canteiro de obras e, nesse caminhar,

percebe-se que acarretará as transformações no que ser refere à área metropolitana. Como a cidade de Confins na microrregião metropolitana, isso representa mudanças também para o lugar. Essas obras ocorrem desde 2005, e consistem na formação da malha viária Linha Verde para facilitar o trânsito até ao Aeroporto Internacional de Confins. Destaca-se, ainda, a construção do Palácio do Governo, entre outras obras de melhorias urbanas.

O Aeroporto Internacional Tancredo Neves ocasionou mudanças no lugar, pois o mesmo não apresentava uma funcionalidade, e em função do momento e da necessidade de aumento de fluxos econômicos por meio de movimentações aéreas, ganhou incentivos governamentais a partir de 2005, consolidando dinamismo e fluidez na região. E assim a capital, os municípios do entorno e o próprio Estado de Minas Gerais foram beneficiados no âmbito comercial, político e socioeconômico. Esse conjunto de infraestrutura propicia um novo cenário urbano na região, principalmente na pequena cidade de Confins, onde essas práticas econômicas, políticas e sociais estabelecem novas relações de poder, ficando evidente o confronto da diferenciação de classes sociais nas formas de apropriação e reprodução do espaço. Pode-se perceber as diferenças socioeconômicas a partir das moradias, que antes eram simples e, após a reativação do aeroporto, essa realidade passa por mudanças com a proliferação dos condomínios fechados e chácaras de lazer.

A formação de rede de transporte, inclusive aéreas, é uma necessidade, e a sua utilização deixa claro que, por intermédio dela, é que o processo de reprodução do capitalismo concretiza o seu espaço, e nele se instala, trazendo consigo um processo de revalorização dos lugares. A rede, neste caso estabelecida, liga-se e se amplia no aeroporto. Em grande parte são valores mercantis que circulam cada vez mais rápido, e isto significa que são nestes lugares, dotados de fluidez, que se estabelecem o eixo de ligação das redes. Diante dessa mobilidade do Aeroporto Internacional de Confins é que ocorre uma perspectiva urbana de desenvolvimento da região, que altera o cotidiano da respectiva cidade, destacando-se dentre as demais cidades metropolitanas, apesar de ser uma das menores da região no que se refere ao número de habitantes e ao desenvolvimento, gerando ressignificações ao lugar, ou seja, passa a proliferar novas rotinas e padrões de vida social característicos da metrópole.

O Estado e o mercado financeiro transformam as cidades, mas os sujeitos sociais são desterritorializados dos lugares alcançados por esse processo urbano e não participam desse novo cenário que foi planejado e articulado para garantir acessibilidade ao aeroporto. A circulação de mercadorias intensifica a formação de subcentros, pois a área central da metrópole encontra-se em um desdobramento ou em uma extensão dessa área. Portanto, as implicações da movimentação do aeroporto se estabelecem nas novas funcionalidades do

espaço. Trata-se de tornar o espaço eficaz e dotado de maior dinamismo.

As transformações urbanas ocorridas na metrópole tornaram-na um verdadeiro canteiro de obras (Foto 8), mudando as vias para dinamizar o fluxo de circulação na região. Isso repercute diretamente na chegada do novo ao lugar, pois condiciona mudanças e transformações na metrópole. Com a inauguração do centro administrativo, o vetor norte possui uma nova perspectiva de melhoria na sua qualidade de vida.

Foto 8 – Confins: transformações urbanas para se chegar a Confins. Com aconstrução da Linha Verde o governo teve que retirar famílias ao longo da via; o fato apresenta a demolição de casas para a concretização da infraestrutura para a via de acesso ao aeroporto.

Autor: Pereira, G. A. S. (2009).

O uso da fotografia permite-nos fazer um paralelo entre os equipamentos urbanos que passam a incorporar a cidade ao destacar as imagens mais antigas, mostrando o processo de desenvolvimento do lugar diante da reativação aérea, o que contribuiu para o seu desenvolvimento e ajudou a redefinir as funções e a vida de mais uma cidade interiorana. Contudo, Confins, por localizar-se em uma área de preservação ambiental, parece não ter para onde crescer. Neste sentido, indaga-se: Como o município suportará o aeroporto e o desenvolvimento que se diz sustentável? O centro administrativo, somado a investimentos privados, possibilita o desenvolvimento de projetos de ampliação de rodovias, corredores de transporte e geração de emprego, mas a comunidade dificilmente será absorvida pelo sistema, pois muitos cidadãos não possuem a qualificação necessária para ocupar um posto de trabalho gerado pela grande obra. O desenvolvimento anunciado gera, no mínimo, insatisfação.

transporte público que não atende a demanda da população local de modo eficiente, sendo, ao mesmo tempo, um problema e um desafio para o crescimento e a qualidade de vida do eixo norte da região metropolitana.

A nova roupagem urbana está ligada às construções modernizadoras que se estabelecem nos lugares, e propicia sonhos de uma nova realidade com facilidades ligadas à infraestrutura, saneamento básico, transporte acessível, educação e saúde. A cidade vive esse momento, pois se entende que essa roupagem urbana são os novos elementos que estão inseridos neste espaço interiorano, sendo parte de um processo que a cidade vive numa relação entre o tradicional e o moderno, com o surgimento de novas formas de ocupação retratadas no lugar. Em decorrência dessa transformação, surge a especulação imobiliária, que se aproveita da facilidade de locomoção e viabiliza a construção de condomínios fechados. Cria-se, assim, a segregação espacial, com estruturação restrita, em que não há o livre acesso. Desta forma, as populações sentem as primeiras mudanças ocasionadas no lugar, influenciando o seu cotidiano, sem falar no pânico que os mesmos desenvolvem com a proliferação de favelas nas imediações.

O lugar contrapõe-se ao que se refere ao encaixe desse processo. O Estado traz dinamismo ao espaço e cria condições para que o moderno se instale. Mas a forma como a cidade irá planejar e se adequar a essa nova realidade é outra história, que apresenta outras problemáticas socioespaciais11. O desenvolvimento é, também, uma questão importante na reprodução do espaço, pois implica em usos e apropriações da infraestrutura promovida pelo Estado que, seguramente, gerará novas articulações para atender à estrutura comercial da metrópole e às relações do País com o Exterior. Possibilitará a descentralização das atividades de comércio e serviços e, provavelmente, promoverá o surgimento de atividades planejadas para atender a demanda da sociedade por espaços no entorno do aeroporto.

Ao se afirmarem as oportunidades, vinculadas aos investimentos recebidos, também os serviços espontâneos devem aparecer em função da expansão da periferia e devido à criação de espaços para receber mão-de-obra. Cabe, ainda, ao Estado, estudar essas eventualidades e planejar, de fato, o processo de metropolização em Confins. Neste contexto, as novas formas de centralidade surgem e redefinem a função urbana de Confins.

A hierarquia urbana e suas funções centrais consolidam a descentralização, visto que os projetos governamentais direcionam as construções de hotéis e indústrias especializadas para atender as demandas socioespaciais provocadas pelo aeroporto. Essas ações implicam em

descentralização e se fazem pertinentes a partir do momento em que se inaugura o projeto do Palácio do Governo, às margens da “linha verde”. Isso fomentará ainda mais a especulação imobiliária, pois a área central é produto da ação dos proprietários dos meios de produção, apesar da intervenção do Estado. Assim, a metrópole adquire novas centralidades em função do aeroporto, com vistas ao dinamismo territorial.

A apresentação dessa discussão conceitual permite-nos dialogar a respeito da temática, esclarecendo o elo existente entre a grande obra e a pequena cidade. Como afirma Santos (2005), o uso do território se dá pela dinâmica dos lugares e o conjunto destes se estabelece em redes dentro dos lugares; em relações que indicam contradições entre o mundo e o lugar. Assim, diz-se que o estudo e a pesquisa levam-nos ao entendimento de que o novo urbano chega às áreas distantes, modificando o cotidiano do lugar.

A estratégia que leva ao desenvolvimento do Setor Norte, ou seja, a medida política adotada é que induzirá a um novo modo de vida urbano para a cidade, com novo dinamismo, fluidez, novos equipamentos urbanos no lugar, e não apenas em suas margens rodoviárias. Estudar o lugar é necessário, pois debatemo-nos com as rupturas e visualizamos o antes, o durante e o depois. Compreendem-se os mecanismos que fazem emergir um novo modo de vida urbano em todos os aspectos: físico, econômico e cultural, concordando com Santos (2005), quando afirma que os territórios são formas, mas os territórios usados são objetos e ações, sinônimo de espaço humano, espaço habitado, e trata-se de um novo funcionamento do território. Neste estudo, podem-se visualizar vários territórios, pois em cada área observada encontra-se um grupo específico, com finalidades específicas ao atuar no lugar. Até mesmo o fim do encontro entre os lugares, que parecem esquecidos, está no cenário da mudança. As metamorfoses socioespaciais ocorrem em distintas proporções e, nesse jogo de interesse acerca do desenvolvimento econômico, Confins parece tornar-se um espaço que se redefine com anexação de área pela metrópole.

Cabe, aqui, entender o lugar e o processo que o circunda, pois mesmo recebendo as mudanças, qual sua reação? Se a transformação vem de fora, como fica o lugar por dentro? Em Confins, a anexação de área revela uma faceta do processo urbano, e permite refletir e compreender a importância de estudar os lugares e entender que existe uma hierarquia que controla e afeta as áreas antes não conhecidas. Assim, foi e é o processo de desenvolvimento do Brasil uma quebra de culturas relacionadas ao pensamento elitista voltado para atender os interesses externos que se instalaram no lugar.

Ao se fazer uma comparação entre a cidade de Confins e Lagoa Santa, nota-se que o processo histórico desta é diferente daquela, pois a emancipação de ambas ocorre em

momentos e situações diferentes, sem falar que apresentam números populacionais diferenciados, visto que Lagoa Santa possui uma localização geográfica estratégica, pois a via de acesso à cidade localiza-se em frente ao aeroporto, enquanto Confins localiza-se em um vale, apesar de ser detentora das terras do aeroporto.

Com a chegada do aeroporto internacional na região, houve investimentos que impulsionaram o desenvolvimento da cidade de Lagoa Santa (Fotos 9 e 10), onde se pode

Benzer Belgeler