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Rastreabilidade é a capacidade de inter-relacionar e recuperar entidades que se identificam durante um processo. Segundo o Glossário de Engenharia de Software da IEEE [Gse90], rastreabilidade é:
(1) o grau no qual relacionamentos podem ser estabelecidos entre dois ou mais produtos de um desenvolvimento de software, especialmente quando existem relações de predecessor e sucessor ou generalização e especialização entre esses produtos; por exemplo, o grau em que os requisitos e o projeto de um determinado componente de software se associam. (2) O grau em que cada elemento em um produto do desenvolvimento de software estabelece para sua razão de existir; por exemplo, o grau em que cada elemento em um gráfico de bolhas referencia os requisitos que o satisfaz.
Análise de rastreabilidade se refere à habilidade de definir e recuperar associações entre entidades, incluindo requisitos ou outros tipos de artefatos de software. A rastreabilidade de informações é representada por elos que relacionam requisitos a (1) outros requisitos, (2) artefatos que satisfazem esses requisitos (elos de satisfação) ou as suas fontes [Kas04].
Um ponto fundamental para rastreabilidade consiste em perceber um sistema de informação como um conjunto de documentos e artefatos que descrevem o software em diferentes níveis de abstração e não apenas como uma implementação. Neste contexto, Pfleeger define rastreabilidade como a habilidade de relacionar os itens dependentes dentro de um modelo e seus correspondentes em diferentes modelos [Pfl90]. Adicionalmente, esta técnica provê um apoio essencial para o entendimento da organização estrutural entre os requisitos e seus artefatos derivados [Pal00]. O sucesso
da análise de rastreabilidade depende fortemente da consistência e completeza dos relacionamentos identificados.
A rastreabilidade possui diversas classificações bem aceitas na literatura para avaliar a qualidade e o alcance dos relacionamentos. A primeira dimensão de rastreabilidade diz respeito à interconexão dos itens relativos aos modelos. Nesta perspectiva, Pfleeger apresenta os seguintes tipos [Pfl90]:
rastreabilidade vertical: os itens relacionados pertencem ao mesmo artefato; rastreabilidade horizontal: os itens relacionados pertencem a artefatos
diferentes.
Ambos os tipos de rastreabilidade são necessários para compreender um conjunto completo de relacionamentos pertinentes à análise de impacto.
Para o mapeamento, tanto vertical quanto horizontal, Pfleeger sugere o uso de grafos, onde um conjunto de objetos corresponde aos nodos e os relacionamentos correspondem a arestas [Pfl90]. É sugerida uma modularização entre requisitos, projeto, código e teste que estruturam uma organização vertical de seus componentes, e estes componentes se relacionam horizontalmente com os demais módulos. A Figura 2.1 apresenta a proposta de organização horizontal entre componentes de software.
Figura 2.1 – Rastreabilidade em Artefatos de Software segundo (proposto em [Pfl90]). Segundo Gotel e Finkelstein, um termo mais comum para rastreabilidade é apresentado como Rastreabilidade de Requisitos que corresponde à habilidade de relacionar requisitos específicos com suas implementações [Got94]. Nesta perspectiva, é apresentada uma divisão de rastreabilidade em duas dimensões principais:
pré-rastreabilidade: capacidade de rastrear, a partir dos requisitos, as necessidades dos usuários;
pós-rastreabilidade: capacidade de recuperar como cada requisito é implementado.
Lindvall, em [Lin94], apresenta duas classificações para rastreabilidade levando em conta o tipo de relacionamento entre os elementos:
relacionamento explícito: representa a capacidade de recuperar relacionamentos entre dois modelos utilizando elos previamente definidos; relacionamento implícito: em oposição ao relacionamento explícito,
representam associações organizadas por convenções como, por exemplo, padronização para nomes de entidades.
Uma abordagem explorada por Bianchi et al. [Bia00] diz respeito a relações obtidas através de sintaxe e semântica dos modelos que consistem em:
relacionamentos estruturais: que corresponde a rastreabilidade associada a uma dependência sintática entre alguns artefatos originados a partir do código fonte;
relacionamentos cognitivos: que dizem respeito aos elos de rastreabilidade obtidos através da semântica associada às decisões de projeto [Rug90].
Uma abordagem comum para manter elos de rastreabilidade é o uso da matriz de rastreabilidade [Kot98, Lef99]. Uma matriz de rastreabilidade é uma matriz em que cada linha e cada coluna correspondem a uma entidade de software como, por exemplo, um requisito. A relação entre as duas entidades é expressa colocando uma marca entre a intersecção da linha e coluna. Por exemplo, o relacionamento entre um requisito, organizado em uma linha da matriz, e uma classe do software, representado por uma coluna, pode ser representado por um símbolo de intersecção na matriz entre a linha e coluna associada. Este símbolo representa que o requisito é implementado parcialmente ou totalmente por aquela a classe.
Lindvall define que rastreabilidade é uma propriedade de um sistema e um fator de qualidade que corresponde ao entendimento do software e ao acompanhamento da documentação de seus modelos [Lin94]. Apesar disso, Ramesh e Jarke [Ram01] apresentam um estudo que evidencia que as práticas de rastreabilidade não são em geral completas, pois não endereçam a informação semântica (rationale) destes elos de rastreabilidade. Um relacionamento entre um requisito e uma classe, por exemplo, pode resultar em interpretações diferentes para interessados diferentes. Ramesh e Jarke
argumentam que, por exemplo, o relacionamento entre um requisito e uma classe pode ser interpretado como que a “classe implementa o requisito” ou que a “classe representa uma restrição para o requisito“. Um elo de rastreabilidade simples representa apenas uma associação entre entidades, isto é, representa que uma entidade afeta outra, sem incluir a semântica que motivou essa associação. O fator de qualidade definido por Lindvall necessita de um suporte semântico para capturar o entendimento e razão que motivaram o elo de rastreabilidade.
De posse de um sistema rastreável, essa análise pode apoiar o desenvolvimento e manutenção do software, permitindo assim uma compreensão do sistema, apoiando a análise de impacto de mudanças. Neste caso, uma forma tradicional de estimar o impacto de mudanças é utilizar informações estáticas sobre o código, isto é, dependências, para identificar partes do código potencialmente afetadas.