1. GİRİŞ
1.8. Kaynak Özetleri
(…) exercícios de tradução e interpretação podem servir para levar o estudante a uma compreensão mais profunda da língua e cultura alvo, visto que ele deve dominar completamente os elementos linguísticos (gramática e vocabulário) e não linguísticos (contextos, piadas, provérbios) (MACIAS; BENET; REYNOSO, 2009, p. 01, tradução nossa9).
Por se tratar de um trabalho de doutorado, pressupõe-se que há algum ineditismo em sua proposta. Por isso, é interessante e relevante citar outras pesquisas na área temática geral “tradução literária” relacionada ao “ensino/aprendizagem de línguas”, palavras- chave usadas para busca em ferramentas como SciELo, Google, Google Acadêmico e Portal CAPES durante a coleta de textos para formação do arcabouço teórico10.
Ao fazer as primeiras tentativas de pesquisa nas bases de dados citadas, a pesquisadora não encontrou, até a data de 04 de março de 2014, pesquisas que tivessem muito em comum com a proposta da presente tese, ou seja, que relacionassem especificamente a tradução literária ao ensino/aprendizagem de línguas.
Em outra tentativa, dessa vez tentando ampliar os resultados obtidos, usando os termos “tradução” e/ou “literatura” juntamente com “ensino/aprendizagem de línguas”, a pesquisadora encontrou alguns trabalhos que poderiam ter um ou mais elementos semelhantes aos da sua pesquisa. Foi possível classificar os resultados da busca em dois grupos11:
● Trabalhos que relacionam a literatura (metodologia, textos adaptados e/ou textos autênticos, escolha de material) com o ensino/aprendizagem de LE: Alonso (2011), Gonçalves (2011), Marinho (2010), Mota (2010), Mutran (1994), Valente e Pinheiro (2008).
● Trabalhos que relacionam a tradução (língua e tradução, usos e benefícios da tradução, relação entre língua materna e língua estrangeira, uso de dicionários, tipologias textuais, tradução como ato comunicativo, tradução como ferramenta pedagógica) com o ensino/aprendizagem de LE: Azenha Junior (2006), Bohunovsky (2011), Checchia (2003),
9 “(…) translation and interpretation exercises can serve to bring the student to a deeper understanding of the target language and culture, given that he/she must fully dominate linguistic elements (grammar and vocabulary) and non-linguistic elements (contexts, jokes, proverbs)” (MACIAS; BENET; REYNOSO, 2009, p. 1).
10 Não se trata, porém, de um possível estado da arte, pois é menos abrangente, mas acreditamos que ajudaria a traçar um perfil, mesmo que superficial, sobre as pesquisas afins. Um levantamento muito aprofundado geraria outra tese e este não é o objetivo do presente trabalho.
11 Para detalhes, inserimos, em nossos anexos, dois quadros que trazem exemplos de contribuições de colegas de diversas instituições, nacionais e internacionais. Lá é possível verificar maiores informações sobre as referências citadas para cada grupo, como os resumos reproduzidos na íntegra.
Costa (2008), Kaunas (2012), Lázaro (2004), Macias, Benet e Reynoso (2009), Soares e Romanelli (2011), Tessaro (2012).
Verificou-se, portanto, que há sinais de um movimento acadêmico que visa à valorização do trabalho com literatura aliado e integrado ao ensino/aprendizagem de línguas. Acreditamos na validade dessas propostas, visto que, a nosso ver, a literatura é, ao mesmo tempo, passado, presente e futuro das línguas. Seria o museu da língua, da mesma forma que se torna o seu palco e o seu laboratório. Pensamos, portanto, que a leitura deve ser incentivada entre os estudantes de idiomas como forma de expandir vocabulário e de adquirir conhecimento sobre estruturas gramaticais, além de questões culturais.
Também observou-se que há tentativas de ressignificar a tradução nas aulas de línguas. Historicamente, a tradução já teve papel de destaque no ensino de LE (o método Gramática e Tradução é autoexplicativo como exemplo desta afirmação), desde seus primórdios até meados do século XX (cf. BROWN, 2001), quando foi supostamente banida por novos métodos, como o Direto. Pode-se dizer que a ação de traduzir, quando mecânica e sem um objetivo traçado além de fornecer ao aluno a resposta para uma pergunta direta sem dar espaço ou oportunidade para reflexão e autonomia (o termo da língua inglesa spoon- feeding se encaixa perfeitamente nessa descrição, pois remete ao bebê ou ao debilitado que precisa que outras pessoas lhe deem de comer, ao mesmo tempo em que traça esse paralelo com a passagem de conhecimento de forma muito simplificada e direta), trouxe à tona uma visão negativa dessa prática. Porém, nota-se que as pesquisas realizadas procuram embasar o trabalho com tradução de forma a torná-lo uma opção pedagógica dentro do ensino/aprendizagem de línguas.
Pode-se concluir que os trabalhos que mais se comparam ao presente texto são os de Azenha Junior (2006), Kaunas (2012), Macias, Benet e Reynoso (2009) e Tessaro (2012).
Azenha Junior trabalha com valorização do trabalho de tradução em cursos de Letras como forma de contribuir para a pesquisa autônoma e para a formação do pensamento crítico. O presente trabalho parte do mesmo princípio, como explicado anteriormente. Os dados, porém, foram coletados em um curso de especialização em tradução focado em língua alemã.
Kaunas trata da tradução como ferramenta pedagógica e considera que os exercícios tradutórios fazem com que se pense “em direção a” e “a partir da” língua estrangeira. Essa ideia se assemelha à noção mencionada nesta tese de que a tradução
proporciona um caminho de mão dupla que lida tanto com a língua estrangeira quanto com a materna.
Tessaro também descreve a tradução como técnica didática e investiga, partindo de exercícios simples até atividades complexas (como a tradução de narrativas literárias e jornalísticas), como os professores aceitam esse ponto de vista. A pesquisadora da presente tese também verificou como os professores enxergavam a tradução, mas sugeriu discussões a respeito do tema e chegou a compartilhar tarefas que podem ser adaptadas e aplicadas em sala de aula.
Quanto ao texto de Macias, Benet e Reynoso (2009), ao qual a pesquisadora teve acesso em 2014, após o seu exame de qualificação, foi possível encontrar várias similaridades com as ideias que lhe surgiram a partir da sua própria experiência com tradução e ensino/aprendizagem de línguas, conforme descrito no seu histórico. Os autores, que trabalham com o ensino/aprendizagem de língua espanhola, afirmam que o método gramática- tradução é mantido no esquecimento frente ao crescimento da abordagem comunicativa e que, por isso, o uso de tradução em sala de aula é evitado. Porém, eles acreditam (assim como a pesquisadora desta tese), que tais exercícios tradutórios permitem uma melhora tanto no nível gramatical quanto lexical de estudantes de línguas, principalmente os que se encontram em níveis mais avançados de aquisição e que se trata de uma abordagem também comunicativa. “Exercícios de tradução permitem que os aprendentes se familiarizem com os vários níveis de significado que uma palavra pode ter, enquanto aumentam seu vocabulário e lhes oferecem uma maior granularidade em seu discurso” (MACIAS; BENET; REYNOSO, 2009, p. 03, tradução nossa12). Os autores ainda postulam que traduzir e interpretar um texto podem levar
o estudante a atingir níveis mais altos de controle da língua-alvo, ganhando autoconfiança para se comunicar tanto na forma escrita quanto durante uma conversa.
Como conclusão, pode-se afirmar que há elementos semelhantes nas pesquisas, o que poderia configurar uma tendência no campo do ensino de LE, mas também identifica-se pontos particulares em cada trabalho, tornando-os, de certa forma, únicos. Nenhum dos casos elencados, por exemplo, englobava a literatura e a tradução propondo reflexões interdisciplinares sobre o ato tradutório e exercícios de tradução literária especificamente, o que diferencia esta pesquisa das outras.
12 “(…) translation exercises allow the learner to become familiar with the multilevel meanings a word may have, while at the same time increasing their vocabulary and offering them greater granularity in their discourse” (MACIAS; BENET; REYNOSO, 2009, p. 03)
Vale destacar, assim, conforme explicitaremos no Capítulo 3, que os objetivos desta pesquisa são:
● Investigar que concepção professores em formação e em serviço têm em relação à tradução. Verificar se consideram a tradução literária como escolha pedagógica para promover a reflexão sobre a língua estrangeira estudada e, ao mesmo tempo, sobre a própria língua materna dos alunos. Analisar se, após leituras e discussões teóricas, é possível que eles mudem de opinião em relação ao trabalho com tradução em suas salas de aula;
● Analisar de que forma a tradução literária poderia ser utilizada em sala de aula.
Os resultados esperados são:
● Contribuir para a disseminação das práticas de leitura de vários gêneros textuais, para a valorização do trabalho de tradução e do tradutor, para o processo formativo reflexivo de professores em serviço e para que a área de ensino-aprendizagem de língua estrangeira e língua materna se expanda ainda mais, buscando melhores panoramas para o ensino/aprendizagem de línguas no Brasil.
Estes objetivos evidenciam-se nas seguintes perguntas de pesquisa:
1. Que concepção professores em formação e em serviço revelam em relação à tradução? Eles consideram a tradução literária como escolha pedagógica para promover a reflexão sobre a língua estrangeira estudada e, ao mesmo tempo, sobre a própria língua materna dos alunos? Se não, após leituras e discussões teóricas, é possível que eles mudem de opinião?
2. A tradução literária poderia ser utilizada efetivamente em sala de aula? Como?
A fim de seguir, então, para o segundo capítulo, retomamos os tópicos trabalhados neste item introdutório: apresentamos a pesquisa, resgatamos o seu histórico, justificamos a escolha dos dados para análise e citamos demais pesquisas sobre tradução relacionada ao ensino/aprendizagem de línguas.
No capítulo 2, apresentaremos o arcabouço teórico que embasa a presente pesquisa. Trataremos de questões relacionadas à noção de tradução como interpretação, comentaremos algumas tipologias sugeridas para o ato tradutório, discutiremos transcriação, identidade e representações.