5. FAYDALI FRENLEME SİSTEMİNİN TASARIMI VE
5.3. Faydalı Frenlemenin Ölçüm Yöntemi
O ISD apresenta uma forte perspectiva interacionista social de linguagem e se fundamenta em teorias de linguagem que dão primazia ao social, focalizando como
50D’une part, dans la mesure où il constitue un garde-fou précieux contre toute interprétation déterministe, mécaniste ou unilatérale de l’influence de la situation de communication, ou du contexte de production, sur le texte produit; d’autre part, en ce que se donner des réseaux
terminologiques différents pour l’analyse différenciée des deux versants c’est en fait se donner les moyens de mieux saisir, analyser, et ensuite tenter de conceptualiser les interactions qui s’instaurent entre ces derniers.
51Sur le versant «contenu», le régime d’organisation est celui de la planification générale du contenu thématique, ou du plan du texte, qui concerne les thèmes ou les éléments de
connaissance qui y sont mobilisés, et leur déploiement dans le successif;
Sur le versant «expression», le régime d’organisation est celui des types de discours, envisagés comme modalités de gestion énonciative du contenu thématique, ou comme des configurations discursives mobilisant chacune un sous-ensemble spécifique (et identifiable) de ressources linguistiques
44
objeto de análise as ações de linguagem, relacionadas às representações do agente e do contexto da ação em seus aspectos físicos, sociais e subjetivos. Bronckart (2008) retoma a teoria do agir de Habermas, segundo a qual as representações coletivas estão organizadas em um sistema de coordenadas ou mundos formais ou representados: mundo objetivo, social e subjetivo. O ISD procura explicitar as relações do agir e da linguagem no desenvolvimento humano na construção das atividades coletivas, nas formações sociais e nas mediações.
Segundo Bronckart (2008), todo agir humano apresenta pretensões de validade em relação ao mundo físico, social e subjetivo. O ser humano realiza diversas avaliações coletivas sobre o agir como as do interlocutor, as da comunidade discursiva e as da sociedade em geral, por exemplo, e sobre o próprio mundo vivido por ele. Os sujeitos assumem posições sócio-historicamente e são imersos em uma coletividade com a finalidade de interação. A linguagem é situada e os textos/discursos são os instrumentos principais do desenvolvimento humano, tanto em relação aos conhecimentos quanto em relação às capacidades do agir e da identidade dos indivíduos. A linguagem tem um papel central e decisivo em relação ao agir, à identidade de cada indivíduo e a ela própria.
Bronckart (2008), além de reler a visão de Habermas52 sobre a relação entre linguagem e agir, busca orientação em outros estudiosos, sobretudo em Ricoeur ([1983] 1994), e propõe que o texto pode desempenhar a função de reconfiguração do agir, já que contribui para a construção de modelos de agir. Em suas próprias palavras:
Se os textos contribuem para a clarificação, para a modelização ou para a morfogênese das ações, não somente em suas dimensões causo- temporais tematizadas por Ricoeur, eles contribuem também, necessariamente, para a clarificação do quadro social em que as ações de desenvolvem e, portanto, para a morfogênese do conjunto dos construtos coletivos ou do conjunto dos fatos sociais. (BRONCKART, 2008, p. 38).
Dessa forma, através da análise dos textos é possível se realizar uma interpretação do agir. Nessa proposta, as representações não são entendidas como reflexo da ação ou do pensamento, mas como o resultado de concepções do indivíduo e/ou de seu grupo, veiculadas pelas escolhas linguísticas; e as unidades linguísticas oriundas dessas escolhas caracterizam tanto o agir comunicativo, constituído por ações de linguagem em práticas sociais relacionadas a esferas de atividade, quanto o agir praxiológico, composto pelo agir prático que ajuda a construir a sociedade em seus três mundos
45
(objetivo, social e subjetivo). Essa análise permite que se chegue à interpretação de um tipo de agir.
O termo “agir” assume um sentido genérico, ou seja, ele designa todo o comportamento ativo de um organismo. Segundo Bronckart (1999), aparentemente, apenas a espécie humana recorre ao agir comunicativo verbal, que organiza signos em textos através dos quais se constroem mundos de conhecimento que são capazes de acumular-se no curso da história.
Bronckart (2004) defende que todo e qualquer texto pode contribuir para a clarificação das ações e para a construção de modelos de agir, ou para a morfogênese das ações, isto é, para o desenvolvimento de suas formas e estruturas próprias em um determinado momento sócio-histórico. Interpretar, portanto, um texto, nessa perspectiva, é interpretar, principalmente, as ações que ele apresenta. Portanto, quando um falante comenta sobre o agir de alguém ou sobre o seu próprio agir, ele também estará agindo. A partir da perspectiva de clarificação do agir humano, Bulea (2007, 2009) desenvolve a noção de figuras de ação. As figuras de ação são produtos interpretativos que visam à interpretação do agir. Elas são identificáveis, sobretudo, através da análise nos textos da relação entre o tema e os tipos de discurso, que organizam um conteúdo temático, mas também por outras instâncias como as relações de temporalidade, as marcas de agentividade e as modalizações. O pressuposto dessa análise é o de que esses elementos servem ao indivíduo para reorganizar seus conhecimentos e suas representações sobre o mundo e sobre o seu agir em particular. Bulea (2007, 2009) identifica as seguintes figuras de ação: ação ocorrência, ação acontecimento passado, ação experiência, ação canônica e ação definição.
A figura de ação ocorrência apresenta um forte grau de contextualização. Através dela o agir é captado através de dimensões particulares e específicas e é apreendida de forma contígua à sua textualização. “Sua construção repousa sobre identificação de um conjunto de constituintes do agir extraídos de suas dimensões particulares, específicas (...) ou como são espaço-temporalmente acessíveis ao actante.”53 (BULEA, 2009, p. 142, tradução minha).
A ação acontecimento passado capta de forma retrospectiva o agir na sua singularidade, mas sem relação com a situação de produção de linguagem. A contextualização é fragmentária e seletiva. Trata-se de figura de ação que “propõe uma apreensão do agir
53 As construction repose sur l´identifiction d´um ensemble d´ingrédients de l´agir saisis dans leurs dimensions particulières, spécifiques (...), ou como são spatio-temporallement accessibles à l´actant.
46
da forma como ele pode ser evocado sempre sob o ângulo da singularidade, mas sem relação de contiguidade com a situação de sua textualização”54 (BULEA, 2009, p. 142-
143, tradução minha).
A ação experiência incide sobre a cristalização pessoal de múltiplas ocorrências do agir vividas. Ela corresponde a uma espécie de balanço da experiência do actante, a partir da sedimentação, dessingularização e des-contextualização de repetidas práticas de uma mesma tarefa. A autora destaca que,
Como não é muito ligada a um contexto singular, a ação experiência apreende notadamente os componentes estáveis e inevitáveis do agir, suas variantes de alta recorrência, assim como as características próprias ao actante, suas maneiras de fazer que transgridem a singularidade das situações.” (BULEA, 2009, p. 144, tradução minha)55.
A ação canônica capta o agir sob forma de construção teórica, fazendo abstração do contexto em que se desenvolve e das propriedades do actante que a realiza. De fato, “ela dá conta principalmente da estrutura cronológica prototípica do agir, assim como as normas que o regem, e então a responsabilidade recai nas instâncias institucionais exteriores ao actante” (BULEA, 2009, p. 145).56
A ação definição capta o como objeto de reflexão, na qualidade de suporte e de alvo de uma redefinição por parte do actante. Assim,
O agir é considerado como um “fenômeno do mundo” e engaja uma atividade de investigação que consiste de um lado em uma apreensão das características e do status do agir, e de outro em um exame das atitudes socioprofissionais que se manifestam sob o seu olhar (incluído a sua própria). Contrariamente às outras figuras, a ação definição não tematiza os actantes, a organização cronológica do agir nem seus componentes praxiológicos, mas reúne traços julgados pertinentes, suscetíveis de o circunscrever e de o delimitar em relação a outros tipos de atividade. (BULEA, 2009, p. 146).57
54 [...] propose une saisie rétrospective de l’agir, en tant que ce dernier peut être évoqué toujours sous l’angle de la singularité, mais sans rapport de contiguïté avec la situation de sa mise en forme langagière.
55 N´entant plus liée à um contexte singulier, l´action expérience saisit notamment les constituants stabes et incontournables de l´agir, ses variantes à forte recurrence, ainsi que les caractéristiques propes à l´actant, ses façons de faire qui transgressent la singularité des situations.
56 Elle rend compte surtout de la structure chrono-logique prototypique de l´agir, ainsi que des normes qui les régissent, et dont la responsabilité incombe à des instances institutionelles extérieures à l´actant.
57 L’agir est envisagé comme un “phénomène dans le monde” engageant à une activité d’investigation, qui consiste d’une part en une appréhension des caractéristiques et du statut de l’agir, et de l’autre em l’examen des attitudes socio-professionnelles qui se manifestent à son égard (y inclus la sienne propre). Contrairement aux autres figures, l’action définition ne thématise ni les actants, ni l’organisation chronologique de l’agir, ni ses constituants praxéologiques, mais rassemble des traits jugés pertinents, susceptibles de le circonscrire et de le délimiter d’autres sortes d’activité.
47
De acordo com Bulea (2009), em termos linguístico-discursivos, as características das figuras de ação podem ser sintetizadas a seguir58:
58Traduzido de “Tableau 2: caractéristiques contrastives des figures d´action.” (BULEA, 2009, p, 150)
48
Ação
ocorrência evento Ação passado
Ação
experiência canônica Ação definição Ação
Tipo de discurso Discurso interativo (discurso reportado) Relato
interativo interativo Discurso Discurso teórico Discurso interativo Discurso teórico Eixo de referência temporal Situação de interação (eixos locais) A montante (marcado) Não delimitado (marcado) Não delimitado (não marcado) Não marcado Localizações, formas verbais Anterioridade, posterioridade, simultaneidade Isocrômicas Passado composto, imperfeito Neutras, presente genérico Presente
genérico impessoais Formas “ser”/”ter”
Agentividade Implicação forte
eu Implicação atestável eu Implicação menor tu (eu, se) Neutra a gente, se Inexistente
Figura 9Características contrastivas das figuras de ação (Traduzido de Bulea, 2009)
Os estudos de Bulea (2007, 2009) mostram que a mobilização das figuras de ação possibilita ao sujeito fazer interpretação de seu agir. Essas figuras constituem um dispositivo de reconstrução do agir individual nas produções de linguagem, já que, em certa medida, expressam a consciência discursiva do sujeito que se enuncia no discurso. Essa consciência se reflete no grau de importância que esse sujeito dá quer a si próprio ou à ação que ele produz.
Disso, concluo que as figuras de ação apresentam potencialidades para uma análise crítica do(s) discurso, pois, além de relevarem um determinado grau de consciência discursiva, esses produtos interpretativos permitem a realização do trabalho reflexivo sobre as possíveis e diferentes formas de captação e abordagem de um tema.
Os textos resultantes do agir comunicativo moldado pelo gênero depoimento em documentários podem revelar, pela análise das figuras de ação, as dimensões psicológicas e sociais dos trabalhadores da cana de açúcar. Podem evidenciar o papel de construção de identidade arrogado pelas narrativas dos trabalhadores, bem como o desenvolvimento da identidade pessoal e social proporcionado pelos textos que constituem o campo genérico autobiográfico (pela possibilidade de auto-representação e comunicação interpessoal que comportam) e pela própria linguagem, entendida numa perspectiva interacionista e praxiológica.
49
2 Perspectivas e métodos de análise
Trabalho, nesta investigação, com elementos efêmeros do universo que nos cerca: a sociedade moderna e, assim, sou levado a estabelecer um primeiro parâmetro para as minhas discussões, a de que as sociedades modernas
[...] não têm nenhum centro, nenhum princípio articulador ou organizador único e não se desenvolvem de acordo com o desdobramento de uma única "causa" ou "lei". A sociedade não é, como os sociólogos pensaram muitas vezes, um todo unificado e bem delimitado, uma totalidade (...) são caracterizadas pela "diferença"; elas são atravessadas por diferentes divisões e antagonismos sociais que produzem uma variedade de diferentes "posições de sujeito" - isto é, identidades - para os indivíduos. (HALL, 1998, p. 17).
Valho-me de depoimentos colhidos nos documentários Bagaço (2006) e Tabuleiro de Cana, Xadrez de Cativeiro (2006), ambos sobre o trabalho escravo da cana de açúcar. Trata-se de um trabalho que pretende entender as relações que a prática social da escravidão moderna estabelece com o mundo e, por conseguinte, com os escravizados e sua representação do agir nos/pelos discursos. Um trabalho marcado pela pesquisa qualitativa, a seguir delineada.