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5.2 Farmakokinetik özellikler Genel özellikler

Intermediaria entre o Scientista e o Agricultor, a "Parahyba Agricola" será um pharol a projectar seus raios polymaticos sobre os que, fortes, mourejam na vida simples do campo: abnegados, regam com o suor dos rostos o solo fecundo da terra natal: e, humildes e obscuros, fazem a grandeza econômica da Patria, pela nuiça paga de contemplar as ondulações douradas das cearas maduras e o olhar bucólico e nostalgico dos bois mansos.

Parahyba-Agricola (jan. 1922, p.1)

Em nome dos anseios de alguns grupos políticos e intelectuais paraibanos, foi lançada em janeiro de 1922 a revista ilustrada Parahyba-Agricola, trazendo consigo o subtítulo em nada despretensioso de revista mensal de agricultura, industria e commercio. O impresso prometia qualificar a produção agrícola do estado por meio da circulação de informações úteis para a gente do campo, dizia ainda que, diante de tão prodigiosas condições naturais, era inadmissível que os resultados da economia estadual seguissem tão limitados. Atribuía responsabilidade do propalado atraso das lavouras paraibanas à gestão estatal, mas seguia exaltando os líderes do executivo em suas inúmeras contribuições para o desenvolvimento do mundo rural. Concluía enaltecendo a produção camponesa, na paisagem de suas cearas maduras e no pastar nostálgico dos bois mansos. Ao passo que alardeava para as novidades que se faziam necessárias no mundo rural, portanto, o periódico agenciava as tradições da gente do campo, convertendo a bravura que outrora perfizera os contornos daqueles sertões nordestinos em um cenário bucólico, povoado de

criaturas amansadas80.

No curso de tais ambivalências, a Parahyba-Agricola munia-se de um projeto de modernização que julgava capaz de conduzir as populações do campo ao posto de civilização. Essa necessidade, elevada ao posto de evidência pelos intelectuais que movimentaram tal periódico, trazia por propósito a construção de um projeto nacional, o qual os conectaria nacionalmente com grupos políticos de outras partes do país. Projeto nacional escrito assim, no singular, para dar conta da unidade personificada nos discursos coletivos frente ao cenário político brasileiro. Conforme Sônia Regina de Mendonça (1997[1990]), o ruralismo foi instituído na Primeira República como um movimento de intelectuais e políticos articulados em alguns estados da federação, sobretudo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, e aqueles das regiões Norte e Nordeste, no entorno das demandas dos produtores rurais dissidentes do grupo cafeeiro paulista, que costumava monopolizar a agenda de investimentos públicos no circuito nacional. Deve-se atentar que, civilizar a população camponesa significava compreendê-la como atrasada e dotada de práticas de criação e cultivo obsoletas, tomando por referência a linha do progresso desenhada pela modernização. Essas representações, pelo menos a princípio, desembocariam em uma proposta de futuro medida com um termômetro alheio aos domínios das experiências daquela população. A autora encerrou sua periodização em 1931, mas não sem antes apontar para a permanência dos propósitos ruralistas, que, em meio às constantes reinvenções de seus discursos, restaram profundamente entranhados na história republicana do Brasil.

Corporificado, dentre outros espaços, em torno do expediente de um periódico cuja circulação decerto foi predominante em esfera estadual, o ruralismo se constituiu em terras paraibanas atendendo a demandas particulares inscritas na arquitetura do poder local. Nesse sentido, a revista Parahyba-Agricola, grafada, em outros momentos, Parahyba Agricola ou Paraíba Agrícola, foi entregue à cena pública nos primeiros anos das décadas de 1920 e 1930, bem como por toda a década de 1950. A particularidade dos momentos em que perdeu espaço ou nos quais foi retomada, seguindo o mesmo nome e a mesma política editorial, disse muito de sua força enquanto unidade de posição, mas também de suas fraquezas internas, de forma que não houve acaso entre os projetos vindouros ou fracassados de seu aparecimento, esbarrando no espaço limítrofe das condições de produção e dos interesses políticos que envolveram a história da imprensa brasileira.

80Em estudo sobre a Inglaterra industrial intitulado O campo e a cidade: na história e na literatura, Raymond

Williams (2011[1973]) explicou como as formas de representar os espaços estavam tomadas de relações de poder. Ao passo que se apregoava sobre o mundo rural certa imagem bucólica, também se estava colocando em pauta a emergência do capitalismo agrário.

Os propósitos ruralistas decerto não se restringiriam aos domínios de uma revista e nem o periódico pode ser resumido às demandas desse grupo. O ruralismo dispôs de outros espaços institucionais nos quais pode se constituir e propagar as suas ideologias, dentre os quais os suplementos agrícolas do jornal A União, que apesar de cumprir uma agenda estatal também inscreveu algumas demandas desse grupo, o qual possuía alguma hegemonia no poder público. Nesse mesmo caminho, também o periódico atendia a outras questões para além dos anseios dos seus patrocinadores, vista a necessidade de estabelecer um diálogo social e atrair público. Mediante essas duas fronteiras, esse sub-tópico se propôs a analisar as estratégias de um grupo político na composição de um projeto nacional por meio da estrutura de um periódico ao qual foi direcionada essa missão. Em meio a isso, há que se pensar em que momentos a necessidade de um suporte impresso que divulgasse uma agenda agrícola de saberes foi acionada e que possíveis dificuldades esbarraram na permanência de sua publicização.

A Parahyba-Agricola chegou à cena pública, como periódico de circulação mensal, em janeiro de 1922. Àquele momento, funcionou na Rua Gama e Melo, n.61, Cidade da Parahyba, sob direção de Diogenes Caldas, Antonio Lucena, Sylvio Torres e Alpheu Domingues. A ocasião não poderia ser mais flagrante, naquele ano, comemorava-se o centenário da Independência do Brasil. Em seus quadros funcionais estavam intelectuais vinculados às “classes conservadoras do estado”, como seus editores fizeram questão de frisar na década seguinte (PARAHYBA AGRICOLA, jul.1931, p.5). Esses sujeitos foram em sua maioria agrônomos, veterinários e outros simpatizantes da causa agrícola. Entenda-se por causa agrícola o projeto político- intelectual que priorizou a mecanização da lavoura à reforma agrária como saída para a crise econômica na qual o país mergulhou com a decadência do regime escravista e subsequente esgotamento do mercado do café.

O impresso trazia por subtítulo a expressão revista mensal de agricultura, industria e commercio (PARAHYBA-AGRICOLA, jan. 1922). Essa frase, se isolada do termo principal que nomeava o periódico, conduziria seu leitor à ilusão de que, em sua política editorial, haveria a defesa equânime desses três mundos de produção econômica. Habitaria, portanto, um universo oposto daquele que reinara na expressão Parahyba-Agricola, no qual uma dessas três bases preponderou absolutamente. Postas em conjunto, as duas sentenças compuseram um discurso: a economia paraibana deveria assumir a sua vocação agrícola, elevada, o tempo todo, ao posto de evidência, o que implicaria, por si só, no desenvolvimento de sua indústria e de seu comércio, aspecto esse que explicaria a hierarquia disposta na sequência das bases produtivas apresentadas. A preponderância da agropecuária sobre as demais formas produtivas consolidava um certo mito

de fundação que o periódico em questão não se furtou de exaltar: a propalada vocação agrícola do país.

A década de 1920 apresentou ao público leitor periódicos com uma arquitetura gráfica inovadora para os padrões gráficos da época. Em meio a esse cenário, destacavam-se as revistas ilustradas. A constituição editorial de uma revista ilustrada cumpria um papel importante na construção da imagem política que esse periódico vendia. Ao dispor de gravuras e fotografias como linguagem para a elaboração do seu discurso, a revista ampliava as possibilidades de acesso ao seu conteúdo. A visualidade imersa em sua estrutura se estendia para além da configuração da fonte que constituía o seu texto, permitindo que fossem ultrapassadas as dimensões da linguagem escrita, a qual também se convertia em linguagem oral quando algum leitor o transmitia para os seus ouvintes, para o universo da linguagem imagética. O leitor que se aventurasse pelos mundos da Parahyba-Agricola por certo não ficaria indiferente às gravuras que povoavam as suas páginas e que ultrapassavam os limites do discurso agrícola, alcançando elementos meramente decorativos, os quais eram afixados no topo das páginas, ao lado das fotografias, entre os textos, no início das seções e no caderno de propagandas. Todo o universo pictórico do referido impresso contribuía na constituição de um conceito moderno e sofisticado para aquela revista, que no, ambicioso projeto de fazer-se publicar mensalmente, conseguiu manter-se em circulação por quase dois anos.

Figura 20: Capa da Parahyba-Agricola

Fonte: Parahyba-Agricola (jun. 1922, capa) Fonte: Parahyba-Agricola (jun. 1922, caderno de Figura 21: Propaganda da Casa Arens

propagandas)

mudava o seu layout a cada novo volume publicado, alocando uma fotografia no centro da página. Essas imagens acabavam fazendo da revista também um belo catálogo de gravuras a ser explorado pelos leitores mais curiosos. O arsenal pictórico, a propósito, era muito mais amplo do que as fronteiras da questão agrícola imprimiam sobre o texto escrito. Ao longo das páginas do impresso, era possível encontrar retratos de animais dispostos coletivamente ou individualmente, os quais costumavam acompanhar textos que tratassem da pecuária, da caprinocultura, da avicultura ou da suinocultura, entre outros. Gravuras ensaiadas para outros contextos também faziam cena, a exemplo das representações das lavouras, dos edifícios, das máquinas, das pessoas do mundo rural em suas práticas cotidianas e, em alguns casos, de personalidades da política paraibana.

Porém, também havia as ilustrações das paisagens naturais de Fernando de Noronha e de outros lugares do país que, de fato, não possuíam nenhuma ligação com o tema abordado na página, tendo por finalidade exclusiva deleitar o leitor com informações de outros horizontes. Em se tratando de um mundo no qual a fotografia ainda era uma tecnologia cara e de difícil circulação, essa também era uma função importante a ser cumprida. As propagandas em uma revista ilustrada decerto ficavam muito mais interessantes (Apêndice B). É provável que a descrição dos produtos vendidos nos armazéns da cidade não conseguisse competir com a sua exposição em uma fotografia, e as ferramentas que agregavam valor aos bens de consumo não se encerravam nessa margem. Havia todo um universo de gravuras em volta que direcionavam o olhar para o centro da página, abrilhantando a sua funcionalidade e atestando o seu caráter moderno. Na década de 1920, outros periódicos ilustrados tiveram vez no cenário público paraibano, a exemplo da Era Nova e do próprio jornal A União, que excepcionalmente naquele momento ocupou sua página com um número significativo de elementos gráficos, vide José Luciano de Queiroz Aires (2015[2012]).

Em 1922, a revista exaltou a figura executiva de Epitácio Pessoa, destacando a sua "intransigente honestidade, que fechou as arcas do thesouro á voracidade dos parasitas inescrupulosos da nação" (PARAHYBA-AGRICOLA, nov.1922, p.2), em uma clara alusão aos cafeicultores paulistas, que disputavam a prioridade dos recursos públicos destinados à produção nacional. Conforme Lúcia de Fátima Guerra Ferreira (1993[1982]), o referido estadista foi constantemente condenado pelo grupo paulista, que sempre se ressentia da divisão de recursos públicos entre os produtores agrícolas, destinando valores em igual proporção em subsídios aos cafeicultores e em apoio aos flagelados da seca. Ao passo que esse tipo de barganha tentava destituir o tráfico de recursos que priorizava o desenvolvimento do Sudeste em detrimento das

demais regiões do país, suas razões não se mostravam tão sociais quanto se pregava, parte significativa desses valores eram usurpados pela elite, constituindo o que a autora chamou de indústria da seca.

Com o passar de nove meses da publicação do seu primeiro volume, algumas mudanças puderam ser aferidas na condução editorial da revista. Os números referentes aos meses de agosto e setembro de 1922 foram condensados em um mesmo exemplar, portando algumas descontinuidades em relação ao que fora regra nas edições anteriores. Naquele momento, o periódico dispôs de uma seção na primeira página reafirmando as suas bases políticas, suprimiu o nome dos seus editores, e assim permaneceria nos números subsequentes, não sendo possível calcular se houve alguma mudança em seu quadro, e transferiu a sua redação para a Praça Venâncio Neiva, n.80 (PARAHYBA-AGRICOLA, ago./set. 1922). Os números posteriores seguiram mensais, mas esse quadro sugere que houve uma crise de gestão ou de financiamento no seu processo de editoração, a qual foi vencida com algum custo. A soma dos esforços em questão implicou na manutenção da revista em circulação por mais um ano. Em abril de 1923, a redação voltaria ao seu lugar de origem (PARAHYBA-AGRICOLA, abr. 1923), desde então, os sinais da crise que se abateu sobre o processo de editoração do impresso foram ficando cada vez mais evidentes. Em junho de 1923, a amplitude de temas publicados poucas vezes saiu das questões relativas à produção do gado e, quando os textos não retomavam publicações de outros periódicos do país, era o próprio Sylvio Torres que os havia escrito. Enfim, os números de julho e agosto daquele ano seriam também condensados em um mesmo volume (PARAHYBA- AGRICOLA, jul./ago. 1932), dessa vez sem editorial e sem números que lhe dessem sequência.

A revista possuía um experiente arrojado, publicando artigos que atendiam a um catálogo variado de demandas. O conteúdo perpassava a variedade de culturas que poderiam ser empregadas na lavoura, fazia propaganda das máquinas agrícolas e dos métodos mais modernos de produção, os quais incluíam da disposição das sementes na oportunidade do plantio ao seu armazenamento. Nessa mesma esteira, tratava-se de criação de animais, que deveria perpassar a profilaxia das inúmeras doenças que esses poderiam adquirir e/ou transmitir, mas também da alimentação quando da ausência de chuvas e da melhor forma de marcar o couro para aproveitá- lo no momento do abate. O leitor que se debruçasse mais atentamente sobre o periódico, contudo, estaria certo da importância do crédito agrícola e do ensino rural para a execução dessas atividades. Essas duas demandas compunham o cenário em questão como a pauta mais diretamente voltada aos gestores públicos, a observar pela linguagem adotada pelos autores, que se dirigia antes à necessidade daquele benefício do que propriamente enquanto exposição dos

meios pelos quais a população conseguiria acessá-los.

Em meio a esse catálogo de temas, no entanto, também se insurgia certa pauta de assuntos mais diretamente voltados aos hábitos e à saúde da gente camponesa. Após a longa exposição sobre as espécies de cobras que circulavam pelos sertões paraibanos, o periódico expôs a forma como tratar das picadas (PARAHYBA-AGRICOLA, out./nov./dez. 1931). Ainda por esse caminho, foram citadas as verminoses que costumavam atacar a população rural e dos métodos de profilaxia que tais possibilidades demandavam. Falava-se das práticas atrasadas de cultivo dos agricultores sertanejos, em uma escancarada tentativa de ilustrar os seus hábitos e torná-los mais adeptos a uma rotina mecânica de trabalho. Por fim, investia-se sobre a gente camponesa um calendário que, àqueles dois anos, era publicado em suas últimas páginas, junto a outras informações de utilidade pública: tabelas com as dosagens dos medicamentos que deveriam ser ministradas a cada animal em casos de doença; listas com os preços das vacinas, dos adubos, do algodão e outros produtos, a fim de evitar o aproveitamento de atravessadores ao pequeno produtor; catálogos de máquinas agrícolas, entre muitas outras proposições.

Figura 22: Calendário Agrícola Fonte: Parahyba-Agricola (maio de 1922,

p.20).

Figura 23: Quadro de medidas agrárias Fonte: Parahyba-Agricola (jan. 1922, p.11)

A definição dessas unidades métricas trazia em seu escopo certo mecanismo de controlar a vida da gente camponesa que experimentava uma forma de perceber o tempo e as relações sociais de troca em tudo diferente daquela que as tradicionais redes de sociabilidade tinham estabelecido. A ciência objetivava racionalizar a vida no mundo rural, levando consigo um corpo

de mudanças que, em certo sentido, melhorava a vida daquela gente, mas que, por outro caminho, desvirtuava seus valores tradicionais. A divisão do calendário por espacialidade e cultura, a propósito, não era destituída de intencionalidade, ela tinha como objetivo apresentar um cenário produtivo desenhado por fronteiras econômicas racionais, delimitando o que se produzia em cada lugar, bem como quando cada produção deveria se estabelecer. Ficava para trás o termômetro incerto da agricultura dos trópicos, que mediante a variação do regime de chuvas, atendia a momentos variados de se estabelecer. (PARAHYBA-AGRICOLA, mai. 1922, p.20).

Esses planos racionais de cultivo inventaram certa forma de ler o passado e o futuro dispostos em uma seta, partindo do mais atrasado para o mais avançado. Aquela fórmula, a propósito, instituía outro modo mediante o qual o homem poderia se relacionar com a natureza, inventado domínios sobre ela. A apropriação das máquinas e de métodos disciplinados de produção em certa medida roubava da natureza a autoridade sobre o tempo de produção, sensação que parece ter sido comum entre os diferentes grupos sociais que experimentaram a modernização. Edward Palmer Thompson (2012a[1963]), a esse respeito, mostrou como, entre os operários ingleses, a fábrica se tornou o símbolo do processo produtivo, roubando o significado que até então estava na relação dos seres humanos com o que ele conseguia extrair da natureza.

Em três seções mais especificas, a referida revista ilustrada se propunha a conferir maior proximidade aos seus leitores. O mais destacado entre os espaços munido dessa função decerto foi a seção de consultas agrícolas, na qual o então diretor do impresso, Sylvio Torres, respondia as demandas mais particulares dos correspondentes, que costumavam relatar problemas que estavam tendo em suas lavouras ou esclarecer alguma questão que havia sido posta em pauta nos volumes que antecederam aquela publicação. A respeito dessa demanda, outra coluna marcou presença naquela folha, a qual também contava com a carta enquanto gênero discursivo, o que implicava em uma tentativa de estabelecer maior proximidade com os leitores ou com as leitoras. A seção Cartas Ruraes imprimia as correspondências do dr. Durval Sylvestre com o produtor Agricola de Campos, o segundo se dizia leitor assíduo daquele periódico e se valia de palavras escritas com uma grafia errada e estigmatizada, como se houvesse nela a intenção de atestar a ignorância dos seus semelhantes – a palavra redator, escrita à época redactor, foi designada como redactô, atestando que o escritor conhecia as normas gramaticais, observe-se o uso correto da letra c, mas que fazia questão de imprimir em seu texto certo tom coloquial, que da maneira como estava só poderia ter por finalidade a criação de uma máscara por meio da qual se intuísse

que a agenda do periódico estava alcançando o público mais pobre.

Àqueles primeiros anos da década de 1920, a revista Parahyba-Agricola atendeu ao propósito de noticiar o moderno para a elite e para a população rural por meio das mais variadas formas de linguagem nas quais a publicação se desdobrava, ao passo em que incidia sobre ela a agenda das demandas ruralistas. Os discursos inscritos naquela folha tiveram a autoria prioritária de agrônomos e veterinários, mas a gente camponesa apareceu enquanto objeto de estudo e leitores, mesmo que indiretos. Sendo assim, aquele periódico se instituiu enquanto espaço de sociabilidade, abrindo espaço para as demandas coletivas, mesmo que ainda as tratasse de forma desigual em relação aos seus demais escritores. Mediante os rumos que a política nacional havia tomado até então, o fato do campo ter ampliado a sua esfera pública e colocando outras demandas em pauta já foi uma importante conquista a favor da democratização.

Avesso às grandes polêmicas, a Parahyba-Agricola consolidou um discurso que se vendia homogêneo. Os leitores mais atentos precisariam de uma ampla bagagem conceitual no entorno das questões agrícolas para compreender em que pontos os intelectuais discordavam uns

Benzer Belgeler