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Farklı Yöntemlerle Hazırlanan PRP'lerde PDGF Değerleri

4. TARTIġMA

4.13. Farklı Yöntemlerle Hazırlanan PRP'lerde PDGF Değerleri

Há pouco mais de três décadas (no fim dos anos 70), a semiótica de Greimas, que deixava pouco espaço para o sujeito, reconhece textualmente a sua importância nas pesquisas lingüísticas, trazendo para suas reflexões o estatuto da “enunciação”.

Bertrand (2003, p.78) apresenta um histórico da teoria semiótica: “Greimas declarava em 1976 que ‘a reflexão sobre o estatuto da língua esteve, desde o começo, indissoluvelmente ligada à dimensão discursiva de sua manifestação enquanto fala’”. Aponta rumos para os estudos lingüísticos da contemporaneidade, apresentando ao leitor a importância da enunciação, no reconhecimento de “sujeitos” (enunciador/enunciatário), como um “dos pontos de discussão essenciais da semiótica com as outras disciplinas da linguagem e do sentido.” (p. 80).

Enquanto a semiótica do enunciado estuda as formas da estruturação do enunciado, numa herança formalista, na busca das articulações internas ao texto, a semiótica da enunciação centra-se nas operações de discursivização, para uma situação extralingüística. A essa última, Bertrand (2003) caracteriza como “semiótica da leitura”, endereçando uma crítica à primeira:

O desnudamento das estruturas formais quebra a ligação do discurso com seu sujeito, arranca a obra da realidade histórica de sua produção e de sua recepção, ignora a cronologia, a historicidade, as condições de leitura [...] e sua eficácia comunicativa. (p. 19).

Tendo ignorado as questões relativas ao sujeito enunciador até a década de 70, num momento de se construir a “objetivação do texto”, o conceito de enunciação, se limitava a espelhar a dicotomia saussureana langue/parole, explica Bertrand (2003, p. 51). Mas em um dos artigos do próprio Greimas (1975, p. 26), se reconhece a necessidade de “determinar o estatuto e o modo de existência do sujeito da enunciação”:

Ou a enunciação é um ato produtor não lingüístico e, como tal, escapa à competência do semiótico, ou então ela se acha presente, de uma maneira ou de outra, - como um pressuposto implícito no texto, por exemplo – e, neste caso, a enunciação pode ser formulada como um enunciado de um tipo particular, isto é, como enunciado dito enunciação, por comportar outro enunciado como seu actante-objeto, vendo-se, portanto, reintegrada na reflexão semiótica que vai procurar definir o estatuto semântico e gramatical de seu sujeito. (GREIMAS, 1975, p. 26).

Na semiótica greimasiana, a enunciação, pressuposta pela existência do enunciado, é reconhecida, tendo no sujeito “uma pura e simples posição”, um sujeito “lógico”. Quando as pesquisas sobre os diferentes níveis de estruturação do sentido se estabilizaram, no final dos

anos 1970, coube à enunciação a função de organizar a passagem das estruturas elementares e semiovirtuais – consideradas como um estoque de formas disponíveis anteriores a ela (uma gramática) – às estruturas discursivas (temáticas e figurativas) que as atualizam e as especificam no interior do discurso enunciado. No cruzamento entre as coerções sintáticas e semânticas que circunscreve a competência do enunciador e o espaço de relativa liberdade, pressuposta pela efetuação do discurso, eis aí o campo do sujeito da enunciação, cuja prática enunciativa vem das práticas sociais da linguagem. Nesse aspecto, Bertrand (2003) observa que a perspectiva da semiótica atual é a do domínio das codificações do uso, de um lado, e a que remete à singularidade da efetuação do discurso, de outro.

A nós, que nos interessamos por apreender os efeitos de sentido da temática da “terra” no discurso jornalístico, é importante destacar que a apreensão desse gênero prende-se à espessura enunciativa resultante da ação de um sujeito, que insere no mundo sua percepção, suas emoções como sujeito do inteligível e, por que não, do sensível. Na prática da linguagem, o objeto significante é significante para o sujeito que o apreende, o vê, o sente, o compreende, modulado por afetos intersubjetivos na eficácia da comunicação praticada na linguagem, em geral, utilitária (se nos referimos a gêneros como reportagens, notícias, editoriais, etc). Ator tematizado e figurativizado, o sujeito da enunciação do texto jornalístico toma corpo para ocupar um espaço social. O conceito “corpo” entra para a teoria semiótica a partir dos estudos dedicados à paixão, dada a insuficiência das teorias para explicar a riqueza discursiva, regida por sujeitos de estado (“sujeitos inquietos”) ou por sujeitos do fazer (que podem ou não ter uma vontade para realizar a ação). Vamos a Maingueneau (1995, p.145) e encontramos a noção de corpo, quando se refere à “conformidade estreita entre uma maneira de se inscrever carnalmente no mundo”. Para essa noção ele busca o conceito de ethos. Consultamos também Fiorin ( 1996, p. 90 ), que se refere ao termo “corpo”, chamando a atenção para a necessidade de se desenvolver uma teoria para observar o modo de dizer, “o tom associado a um certo caráter e a uma certa corporalidade, que se manifestam na enunciação enunciada”:

Os tons podem ser moderados ou agressivos, alegres ou tristes, monótonos ou vibrantes etc. Cada um deles está associado a uma imagem do corpo do enunciador, que não estará representada para o olhar no enunciado enunciado, mas que se percebe no modo de dizer. Esse corpo veste-se de uma dada maneira etc. Temos, assim, o corpo jovem vestido de maneira bem moderna do enunciador da Folha Ilustrada; o homem rude e grosseiro, com corpo enorme, da direita mais bruta; o barbudinho do PT; o corpo bem cuidado vestido com elegância clássica da nova direita etc. (FIORIN, 1996, p. 90).

O princípio que anima o procedimento metodológico de análise dos textos jornalísticos é o de que a enunciação, sempre pressuposta, pode enunciar-se no enunciado, tornando-se acessível a partir de marcas aí deixadas. Sujeitos constroem o mundo, o objeto semiótico, que é significante na inter-relação entre sujeitos que transpõem os efeitos de sentido para compreendê-los. Para tanto é necessário lançar mão de recursos para apreender os mecanismos das operações enunciativas. Dentre elas destacam-se a “debreagem” e a “embreagem” como mecanismos estabelecidos por Greimas, citados nos trabalhos dos semioticistas franceses atuais, tanto Fontanille & Zilberberg (1998), como Bertrand (2003) e em incontáveis estudos realizados no Brasil.

O mecanismo da debreagem é “a operação pela qual a instância da enunciação disjunge e projeta para fora de si, no ato de linguagem [...] os elementos que servem de fundação ao enunciado-discurso”(Greimas & Courtés, s/d, p. 95). Essa cisão “fundadora, portanto, da instância do discurso, atualiza, simultaneamente, as categorias enunciativa (dêiticas) e as categorias do discurso (ator, espaço, tempo)” (BERTRAND, 2003). Logo, temos três tipos de debreagem: actorial, espacial e temporal.

A embreagem, que também se decompõe em embreagem actancial, espacial e temporal, é definida por Greimas & Courtés (s/d, p. 140) como “o efeito de retorno à enunciação, que se reproduz pela neutralização da oposição entre certos termos da categoria da pessoa e/ou do espaço e/ou do tempo, bem como pela denegação da instância do enunciado”.

Fontanille & Zilberberg (2001, p.148) destacam que, enquanto a debreagem “instala as condições de enunciação”, a embreagem “só pode operar, e, portanto, simular essa enunciação, sob as condições impostas pela debreagem”. Logo, do ponto de vista da sintaxe enunciativa, a embreagem, “apoiando-se nas categorias atualizadas pela debreagem, propõe apenas um simulacro da instância de discurso, ‘a enunciação enunciada’, [...] potencial, na medida em que é convencional e, em maior ou menor grau, invariável”.

Imprescindível chamar a atenção para o trabalho minucioso de Fiorin (1999) que nos oferece um suporte para nossas leituras das categorias discursivas do “eu, aqui, agora”. Para ilustração, podemos citar as marcas sintáticas como a debreagem resultante do emprego de um “eu” explícito, narrador, delegado pelo sujeito da enunciação; a embreagem do sujeito que, sem dizer “eu”, acaba por reforçar o “eu” que fala. São vários mecanismos que, se observados pelo analista, proporcionam um alargamento do olhar, pondo mais luz em determinados efeitos de sentido.

Em se tratando da enunciação do discurso jornalístico, a instância geradora do dizer pode muito bem assumir a responsabilidade pelo que enuncia, sem que se mostre, sem que, para isso, opte pela primeira pessoa, sem dizer “eu”. Nesse caso, a enunciação se referencializa nos enunciados, por meio de avaliações e interpretações implícitas de um narrador implícito a essa totalidade, com um enunciador que chama para si a responsabilidade pelo dizer. Fiorin (1996) refere-se às “apreciações moralizantes” que, recorrentes, contribuem para traçar a imagem do ator da enunciação. Assim, as apreciações podem ser entendidas de acordo com todo e qualquer julgamento, de forma positiva ou negativa.

Mesmo que não haja um eu explicitamente instalado por uma debreagem actancial enunciativa, há uma instância do enunciado que é responsável pelo conjunto de avaliações e, portanto, um eu. [...] Há, pois, um narrador implícito e um narrador explícito. (FIORIN, 1996, p. 65)

Segundo Bertrand, a enunciação tem uma dimensão sócio-cultural, impessoal:

A sedimentação das estruturas significantes, que são fruto da história, determina todo ato de linguagem. Há o sentido dejà-lá, depositado na memória cultural, arquivado na língua e nas significações lexicais, fixado nos esquemas discursivos, controlado pelas codificações dos gêneros e pelas formas de expressão que o enunciador, durante o exercício individual da parole, convoca, reitera, renova e transforma. (BERTRAND, 2003, p. 55)

Além das operações enunciativas de debreagem e embreagem centrada sobre as operações do sujeito, Fontanille & Zilberberg (2001) fazem referência a outra operação: a convocação. Estabelecida por Greimas, ela recobre o processo de discursivização do conjunto de categorias semionarrativas disponíveis que, segundo os autores “permite às categorias aceder à presença discursiva, sendo, portanto, controlada pelas modalidades existenciais”. (FONTANILLE; ZILBERBERG, 2001, p.148).

Ao se interessar pela competência modal do sujeito, a Semiótica passa a investigar menos a ação dos sujeitos em busca de determinados valores investidos no objeto (a narratividade) e mais a manipulação. Afirma Fiorin (2000, p. 174): “parte-se da constatação de que só pode executar uma ação quem possuir pré-requisitos para isso, ou seja, de que o fazer exige condições prévias. Só pode realizar uma ação o sujeito que quer e/ou deve, sabe e pode fazer. É isso que se chama competência modal do sujeito.”. Continua o autor a afirmar que ao reconhecer que a modalização do fazer é a sobredeterminação de um predicado do fazer por outro predicado (querer/dever/saber/poder), “a Semiótica começa a realizar uma tipologia mais fina dos sujeitos. [...] não se procura mais apenas explicar as relações entre

sujeito e objeto, mas entre sujeitos, o que leva ao interesse pela competência modal do sujeito que realiza a transformação”. Citando Pottier, Fiorin afirma que a Lingüística “tem hoje uma abordagem enunciativa da modalização, conferindo-lhe o papel de exprimir a posição do enunciador em relação àquilo que diz” (p. 178). Por meio de um estudo minucioso das modalidades de base, os modos de existência do sujeito e as relações entre o sujeito do predicado modal e o do predicado modalizado, o autor fornece definições taxonômicas para as diferentes modalidades, afirmando que “uma teoria do discurso precisa de uma teoria forte das modalidades, pois a modalidade é inerente ao ato de dizer e, portanto, um elemento indispensável para a compreensão da discursivização”. (p. 191). Não vamos aqui resumir esse estudo, mas quando tratarmos das modalidades, recorreremos a ele.

Afirma Greimas (1983, p. 95) que “manifestações elementares do ser vivo em relação ao seu mundo” são representadas por um espaço tímico, no nível das estruturas abstratas. Esse espaço tímico corresponde ao espaço modal, onde aparece o sujeito modalizado, ou seja, o que se move por desejos ou saberes. Pode se tratar de um aditivo para o sujeito, que o apresenta de maneira própria, modificando sua enunciação. Esse aditivo constrói o ator da enunciação, como um “sistema de atrações e repulsões”, conforme admite o semioticista: “A relação entre o sujeito e o objeto, que define o sujeito enquanto existente semioticamente, acha-se assim dotada de um ‘excedente de sentido’, e o ser do sujeito se acha modalizado de uma maneira particular.” (p.95)

Eis como Greimas se refere à categoria tímica, considerada, além de primitiva, proprioceptiva, fundamentando o modo de ser do ator da enunciação:

Trata-se de uma categoria (tímica) primitiva, dita também proprioceptiva, com a ajuda da qual se procura formular, muito sumariamente, a maneira como todo ser vivo, inserido num meio, “sente-se” a si e reage a seu contexto, um ser vivo que é considerado como um “sistema de atrações e repulsões ”. (GREIMAS, (1983, p.95)

A proprioceptividade diz respeito aos movimentos de virtualização/realização na construção do sentido. Por ser “a estrutura axiológica elementar abstrata”, portanto, “pura virtualidade”, como diz Greimas (1983, p.198), interessa-nos que o “excedente de sentido” contribui para incorporar o ethos de cada um dos jornais, ou seja, o “projeto editorial” (a que estaremos tratando especificamente nas reflexões sobre a linguagem jornalística) que firma a cumplicidade das informações entre enunciador e leitor.

A semiótica vem apresentando estudos que fazem emergir o sujeito. Não se trata apenas de um “eu” em sua convocação enunciativa em busca do objeto, mas em busca do

fluxo de emoções. Isso não se esgota num esquema narrativo canônico. Considera, então, a convocação enunciativa que converte timia em modalização, que converte em sensibilização, retomando assim o sujeito. (GREIMAS, 1993 p.153).

Uma das fases da Semiótica, a paixão, segundo Fiorin (2000, p. 177) é entendida “como efeitos de sentido de qualificações modais que alteram o sujeito de estado, o que significa que é vista como um arranjo das modalidades do ser, sejam elas compatíveis ou incompatíveis”. Explica que é a cultura que determina os arranjos modais que têm um efeito de sentido passional. Embora as paixões se caracterizem fundamentalmente pelo arranjo das modalidades, a modalização não é suficiente para produzir efeitos passionais, pois as mesmas organizações modais podem gerar ou não sentidos patêmicos. Explica ainda que “as configurações modais estão sobredeterminadas por uma modulação, que gera efeitos de sentido patêmicos”. Continua o autor: “passa-se, no estudo do componente patêmico, da modalização à aspectualização e à intensidade. O conceito de aspectualização, entendida não apenas como processo lingüístico, mas como processo discursivo, não é somente uma sobredeterminação de todas as categorias de enunciação, o tempo, o espaço e a pessoa.”(p.190). Afirma também que “o conceito de foria [...] conjugando a intensidade e a extensão, produz, ao projetar-se no espaço e no tempo, efeitos de andamento e de ritmo discursivos”. Conclui o autor que “o estudo das paixões passa a convocar, simultaneamente, grandezas, em geral, discretas e categoriais (modalizações) e grandezas contínuas e articuladas (aspectualização e intensidade).

Procurando fornecer respostas coerentes às questões sobre o engendramento da significação, a semiótica, na última década do século XX, constituiu conceitos e modelos para dar conta dessa tarefa. Dessa forma, passou a ter estatuto de rigor e coerência não só para descrever a lógica narrativa ou as estruturas já discretizadas no discurso, como também descrever as paixões e as emoções.

Com a Semiótica das paixões (GREIMAS & FONTANILLE, 1993) surgem questões que conduzem o “sujeito” para o centro das atenções. Podemos considerar, por exemplo, estudos sobre a identidade modal, que tratam especificamente da existência semiótica dos sujeitos, levando a considerações sobre “estados de coisas” e também “estados de alma”. De um lado, os estados de coisas tratavam como “ser” um estado juntivo e, do outro, os estados de alma abordavam o “ser” como estado modal. O problema era articulá-los, tratando-os como um objeto “homogêneo” por fazerem parte de uma mesma instância: o sujeito. Estudos consagrados às paixões, colocam-nos diante da necessidade de tratar os

fenômenos discursivos a partir das manifestações da atividade perceptivo-enunciativa do sujeito. Segundo os estudiosos da semiótica, não há qualquer possibilidade de se resvalar numa ontologização do sujeito, afirmando que se trata do sujeito semiótico.

Definida no Dicionário de Semiótica (GREIMAS & COURTÉS, s/d) como categoria classificatória do semantismo da percepção que o homem possui de seu corpo, a “protensividade” é a atividade do sujeito de se inscrever num espaço e se perceber reagindo a ele, possibilitando as manifestações da atividade perceptivo-enunciativa que transita entre as figuras da superfície discursiva. O sujeito passa a ser reconhecido como instância fundadora dos fenômenos discursivos provenientes de uma tensividade. O sujeito da percepção instaura um ponto de vista, na demarcação de um lugar, a partir do qual focaliza o mundo. Na ótica tensiva o ato perceptivo joga com as forças entre o que é esperado pelo sujeito e o que lhe é oferecido, criando, do ponto de vista das paixões, um desnível modal. Fontanille (1998) leva- nos a observar o caráter fundamental do sujeito no engendramento da significação, tendo, na incompletude do enunciador, um movimento de passagem do enunciado à enunciação, que instaura as figuras do discurso. Se observada na dimensão do “sentir”, é descrita como “inquietude”, fundando os valores passionais; na dimensão da experiência estésica, instaura a “imperfeição” e a estrutura dos valores estéticos; na dimensão narrativa é vista como “falta”; na dimensão ética, é vista na possibilidade de desenvolver o “excesso ou a insuficiência”. Na dimensão do discurso é tomada como “coesão ou dispersão”.

Bastante fecundo é reconhecer que o “eu semiótico” habita um “espaço tensivo”, de que falam Fontanille & Zilberberg (2001):

[...] o espaço em cujo âmago a intensidade e a profundidade estão associadas, enquanto o sujeito se esforça [...] por ajustar e regular as tensões, organizando as morfologias que o condicionam. (FONTANILLE & ZILBERBERG, 2001, p.128).

É preciso relacionar, nesse caso, o observador ao “sujeito perceptivo” e o tempo ao “centro dêitico” com que a dominância relativa de um sobre o outro traduza gradientes de intensidade e de extensidade. A partir disso, podemos tratar da semantização das formas e dos regimes temporais em termos de foco e de apreensão.

Sobre tal questão pronunciam-se Fontanille & Zilberberg:

No espaço tensivo, que é seu [do sujeito de percepção] domínio privilegiado, esses gradientes são postos em perspectiva pelo foco ou pela apreensão de um sujeito perceptivo. Essa orientação dos gradientes em relação a um centro dêitico e em relação a um observador os converte em profundidades

semânticas. Trata-se, bem entendido, de profundidades que articulam um espaço mental, às vezes mais, às vezes menos abstrato, o espaço epistemológico da categorização, mas isomorfo do espaço da percepção e dele diretamente derivado: a profundidade semântica obedece de fato à mesma definição que a profundidade figurativa; só muda o grau de abstração. (FONTANILLE & ZILBERBERG, 2001, p. 20).

Há uma correlação do conceito de práxis enunciativa ao de norma. Os autores explicam que a norma limita as possibilidades de atualização da língua, lembrando que o conceito refere-se a subcódigos específicos de subgrupos pertencentes a uma comunidade lingüística mais abrangente, pré-determinando a realização de discursos concretos, ou seja, a fala. Para os semioticistas franceses, o poder de mediação e de seleção da norma pode ser comparado ao da práxis. Ambos se assentam em usos que, graças à atualização, aparecem como produtos da combinatória lingüística. No entanto, a título de potencialização, restringem, de fato, a extensão dos possíveis em uma dada cultura. Todavia, por se tratar de um conceito que leva à noção de estaticidade, como o de língua, por pressupor um “depósito” de estruturas fixas, a práxis produz não só tais formas fixas, mas também as formas inventivas. Assim, a concepção de enunciação, em semiótica, associa-se a um conjunto de operações que pressupõe a dinamicidade.

Os trabalhos de Zilberberg contribuíram para que a semiótica tomasse uma configuração mais dinâmica ao abordar as questões do tempo numa ótica tensiva. Instrumental de grande importância no estudo das paixões, a tensividade vem se constituindo e alargando seu espaço na formulação de um modelo semiótico para abarcar o sujeito no ato de sua enunciação. O simulacro tensivo ajuda-nos a explicitar e entender o processo de categorização das figuras do mundo, um tema complexo por colocar em relação sujeito e objeto.

Para tratar da constituição das figuras do mundo pelo sujeito, Greimas & Courtés (1986), falam de “fazer seletivo de um sujeito” sobre o objeto, constituindo a categoria da “presença”. Benveniste focaliza essa categoria em termos de campo posicional (a dêixis enunciativa aponta para a existência do sujeito lingüístico). Zilberberg & Fontanille a abordam pela posição em relação ao sujeito, capaz de sentir e perceber, tendo como centro um “eu”, que instaura o campo perceptivo a partir do foco (visée) e da apreensão (saisie), como afirmamos acima. O foco engendra a relação do sujeito com o mundo, resultante do efeito de afetar, que a presença causa ao sujeito; a apreensão resulta da posição e quantidade da presença na extensão do campo perceptivo. (FONTANILLE, 2001 p.37).

pode-se descrever o campo de percepção. Instala-se assim um campo posicional em que o sujeito capaz de sentir e perceber é a “fonte” (source) e a presença focalizada é o “alvo” (cible). As focalizações e apreensões são controladas pelo “actante-controle”. Nesses termos,

Benzer Belgeler