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Farklı Tevhîd Anlayışları

BÖLÜM 2. SIDDIK HASAN HAN’A GÖRE TEVHİD

2.5. Farklı Tevhîd Anlayışları

Para solucionar os problemas que podem ocorrer no mercado de capitais relacionados à divulgação de informações (conforme descritos no item 2.2. acima) e devido à importância destas para o referido mercado (descrita no item 2.1), surgiu o princípio do full disclosure: divulgação de informações de forma ampla e transparente no mercado de capitais.

A transparência é necessária para propiciar a igualdade de informações obtidas por todos os participantes do mercado. Segundo A. P. MARTINEZ102, só o full disclosure é capaz de propiciar um mercado eficiente, pois a eficiência está diretamente relacionada à

101 ―Meanwhile, many forms of insider trading are routinely tolerated. Alan D. Jagolinzer, an accounting professor at Stanford University, published a research paper in December showing that officers and directors of publicly held companies systematically sell company stock after positive news and ahead of bad news, generating abnormal returns compared with the market at large. A study published in 2004 by Alan J. Ziobrowski of Georgia State University found that United States senators on average beat the market by 12 percent a year. ―The results clearly support the notion that members of the Senate trade with a substantial informational advantage over ordinary investors,‖ Mr. Ziobrowski told The Financial Times, noting that the law does not prohibit senators from trading stock on the basis of information acquired in the course of their work.‖ WINANS, R. Foster, Let Everyone Use What Wall Street Knows.

60 credibilidade que a sociedade tem nos seus participantes, e a credibilidade só se conquista com a disponibilização completa de informações.

A autora citada acima complementa que as informações divulgadas pelas companhias devem ser amplas e fidedignas, além de facilmente acessíveis e tempestivas. Logo, as informações devem abordar todos os aspectos das empresas emissoras, seus aspectos positivos ou negativos; deve ser feita em canais de comunicação acessíveis e em linguagem clara e direta (a internet, por exemplo); e por fim devem ser publicadas em tempo hábil para a tomada de decisões pelos investidores. Adicionalmente, a publicação deve ser feita ao mesmo tempo para todos, de forma igualitária, sem dar margem à possibilidade do uso de informação privilegiada103.

A preservação do princípio da transparência incide em um alto custo para os participantes do mercado, e é por isso que o Estado intervém com normas, para incentivar a divulgação de informações que é custosa aos emissores dos ativos, mas necessária ao mercado investidor.

Ademais, o investidor geralmente é a parte mais vulnerável104 nas relações do mercado de capitais, por isso a necessidade da intervenção estatal para criar normas de aplicação do princípio do full disclosure:

103 MARTINEZ, Ana Paula, Política de Divulgação de Informações no Âmbito do Mercado de Capitais, pp. 97- 98.

104 A vulnerabilidade do investidor pode ser vista no acórdão do Recurso Especial nº 1164235-RJ, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça em 15.12.2011, que aplicou o CDC à relação entre investidor e gestor de fundos de investimento, conforme ementa a seguir: ―Processo Civil e Civil. Recurso Especial. Ação de indenização por danos materiais e compensação por danos morais. Contrato bancário. Fundos de investimento. Janeiro de 1999. Maxidesvalorização do Real. Prequestionamento. Ausência. Dissídio jurisprudencial. Cotejo analítico e similitude fática. Ausência. Preclusão. Ocorrência. CDC. Aplicabilidade. Súmula 297/STJ. Súmula 83/STJ. Excludente do nexo de causalidade. Art. 14, §1º, do CDC. Inocorrência. Força maior. Art. 1.058 do CC/16. Não ocorrência. Solidariedade. Integrantes da cadeia de consumo. Art. 7º, parágrafo único, do CDC. Aplicabilidade. Fundos de investimento. Atividade legalizada. Art. 1.479 do CC/16. Inaplicabilidade. Rentabilidade. Fundos de investimento. Juros de mora. Não incluídos. Enriquecimento sem causa. Inocorrência.

1. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial.

2. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas.

3. O CDC é aplicável aos contratos firmados entre as instituições financeiras e seus clientes referentes a aplicações em fundos de investimento, entendimento esse que encontrou acolhida na Súmula 297/STJ. Incide na espécie, portanto, a Súmula 83/STJ.

4. A observância, na gestão do fundo, da conduta proba imposta pelo CDC a todas as relações de consumo, em especial a atenção ao dever de informação, tem o condão de amenizar até mesmo os prejuízos ocorridos em razão da maxidesvalorização do real, ocorrida em janeiro de 1999. Não há se falar, portanto, em ofensa ao art. 1.058 do CC/16.

5. A má-gestão, consubstanciada pelas arriscadas e temerárias operações com o capital do investidor, como na hipótese em exame, ultrapassa a razoabilidade prevista no art. 14, §1º, II, do CDC, a justificar a excludente do nexo de causalidade, ainda que se trate de aplicações de risco.

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(...) o pressuposto é que o investidor não controle o empreendimento no qual seus recursos foram investidos. Assim, o debenturista [por exemplo, mas podemos aplicar o raciocínio para investidores que adquiram outros tipos de valores mobiliários] não tem poder de gestão, o preenchimento de sua expectativa financeira depende diretamente do sucesso do tomador de recursos. É esta a situação que gera o aparecimento do papel regulador do Estado, dada a existência, em maior ou menor grau, do poder de decisão do investidor sobre seu investimento. (...)

(...)

(...) Ao investidor o Estado oferece a proteção do registro prévio, do fornecimento de informações detalhadas, da fiscalização das contas e dos atos. (...)105 (Grifos nossos)

Nesse sentido, A. A. S. de CAMARGO explica que o Estado, por meio de suas instituições, deve incentivar a transmissão de informações entre os agentes econômicos, pois estes nem sempre estarão motivados a fazê-lo:

(...) Independentemente do seu tamanho, as instituições têm o papel de coordenar a atividade dos indivíduos, justamente porque eles sempre terão, racionalmente, um único incentivo, que é o de maximizar seus ganhos individuais, qualquer que seja o ganho para a sociedade como um todo.106

Uma empresa de capital aberto, por exemplo, para atender as imposições regulatórias de transparência, necessita arcar com as despesas de publicação das informações: atas, fatos relevantes, demonstrações financeiras etc. Este pode ser o motivo de tantos casos de descumprimento às normas de disclosure. Sobre este tema, M. TRINDADE, ex-presidente da CVM, examinando os dados sobre os inquéritos julgados por esta autarquia em 1998, verificou que ―das 208 penalidades ali consideradas, nada menos que 124 (ou cerca de 60%) dizem respeito diretamente à tutela da informação atempada e de qualidade (elaboração de demonstrações financeiras, dever de informar, informações periódicas e insider trading)107.‖

Os professores Alexsandro Broedel Lopes e Roberta Carvalho de Alencar criaram um índice para medir o custo da transparência das companhias abertas do Índice Bovespa de 1998 a 2005 e descobriram que, a cada ponto que a empresa avança neste índice, ela reduz em

6. Sendo a relação havida entre as partes de consumo, incide na hipótese o art. 7º, parágrafo único, do CDC, que estabelece a responsabilidade solidária entre os integrantes da cadeia de consumo.

7. A aplicação em fundos de investimento, realizada sob controle e fiscalização estatal, tem previsão expressa em lei e não se insere na previsão do art. 1.479 do CC/16.

8. Os juros já englobados no retorno financeiro de um fundo de investimento, chamados juros compensatórios ou remuneratórios, não se confundem com os juros moratórios, cujo fundamento de incidência é diverso, qual seja, penalizar aquele que demorou em cumprir a obrigação. Inexiste, portanto, violação do art. 884 do CC/02. 9. Recurso especial de OLIMPIO SANTA RITA MATA parcialmente conhecido e nessa parte improvido. Recurso especial de MARKA NIKKO ASSET MANAGEMENT S/C LTDA não provido.‖

105 MATTOS FILHO, Ary Oswaldo, O conceito de valor mobiliário, pp. 45 e 47.

106 CAMARGO, André Antunes Soares de, Novo desafio da regulação do mercado de capitais brasileiro: a

divulgação de informações, p. 106.

62 média 0,14 ponto percentual em seu custo de capital108. Assim, salienta-se que, embora o custo de manter a transparência no mercado de capitais pareça alto para a empresa, quanto mais transparente ela se compromete a ser, mais redução ela obtém no custo de capital, já que a empresa se torna mais atrativa ao mercado investidor.

A. P. MARTINEZ cita diversos estudos comprovando que as boas práticas de divulgação de informações são vantajosas para as companhias e podem, por exemplo: aumentar a sua reputação (facilitando a captação de recursos externos) e reduzir o custo de captação de capital estrangeiro109. E recomenda:

(...) a companhia deve estabelecer mecanismos eficientes de controle interno, para assegurar que todas as informações disponíveis de interesse do mercado sejam divulgadas. É fato que hoje muitas companhias já possuem disponíveis informações relevantes que caso fossem divulgadas poderiam ajudar a agregar valor ao próprio preço de suas ações. Cabe a cada companhia adotar políticas que garantam a divulgação dessas informações, o que poderá ser revertido em seu benefício no futuro.

Também é recomendável que as companhias tomem a iniciativa na comunicação com os investidores, assumindo uma postura ativa e adiantando-se a questões e preocupações. Os websites das companhias são um importante meio para o cumprimento desse objetivo por permitir a divulgação de informações em tempo (quase) real a investidores e analistas. Como já dito, a companhia deve divulgar e comentar não apenas os desenvolvimentos de natureza positiva, mas deve enfrentar rumores e divulgar notas de natureza negativa.110 (Grifos nossos)

O princípio do full disclosure deve ser implementado por meio de normas que obriguem os participantes do mercado, em especial os emissores de ativos, a divulgar constantemente informações111. A ICVM 480 dá um bom resumo do conteúdo e da forma das informações que devem ser divulgadas no mercado de capitais, por isso vale a transcrição de alguns artigos:

Art. 14. O emissor deve divulgar informações verdadeiras, completas, consistentes e que não induzam o investidor a erro.

Art. 15. Todas as informações divulgadas pelo emissor devem ser escritas em linguagem simples, clara, objetiva e concisa.

108 Alexsandro é professor da Universidade de São Paulo e da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e Roberta é professora da Fucape Business School, do Espírito Santo. A pesquisa foi baseada em 47 perguntas acerca da forma como a empresa entrevistada prestava informações em seus balanços, relatórios encaminhados à CVM e à Bovespa, e as informações disponíveis em seus sites. PAVINI, Angelo, O valor da transparência.

109 MARTINEZ, Ana Paula, Política de Divulgação de Informações no Âmbito do Mercado de Capitais, pp. 98- 99.

110 MARTINEZ, Ana Paula, Política de Divulgação de Informações no Âmbito do Mercado de Capitais, pp. 102-103.

111 PROENÇA, José Marcelo Martins, Insider Trading - Regime jurídico do uso de informações privilegiadas no

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Art. 16. O emissor deve divulgar informações de forma abrangente, equitativa e simultânea para todo o mercado.

Art. 17. As informações fornecidas pelo emissor devem ser úteis à avaliação dos valores mobiliários por ele emitidos. (Grifos nossos)

Por fim, cumpre ressaltar que para garantir que o princípio do full disclosure foi cumprido, é preciso garantir não só que as informações tenham sido divulgadas de forma ampla e transparente, mas também de forma universal e simultânea, para que não haja privilégio entre os investidores, conforme descrito nos dispositivos acima.

Tendo em vista que o full disclosure é princípio que deve abarcar a regulação de toda divulgação de informações no mercado de capitais, cabe verificar se deve englobar também o jornalista que ata neste mercado, conforme se verá no item a seguir.

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CAPÍTULO III – A ATIVIDADE JORNALÍSTICA NO MERCADO DE