3.5. Araştırma Verilerinin Analiz ve Bulguları
3.5.7 Fark Analizleri
A língua é um sistema discursivo, estruturado no uso e para o uso escrito e falado de forma contextualizada. Entretanto, a compreensão de como funciona o sistema alfabético é condição necessária para o uso da língua escrita. Para a compreensão desse sistema, são necessários aprendizados muito específicos relativos aos componentes do sistema fonológico da língua e às suas interrelações (BATISTA et al, 2005). Por ser um processo que envolve a linguagem oral e escrita, a alfabetização deve ser colocada como um problema linguístico, uma vez que “somente através de reflexões linguísticas bem conduzidas é que se pode ter uma verdadeira dimensão do processo de alfabetização” (CAGLIARI, 1999, p.134).
Desde a década de 1980, está na esteira das discussões sobre a apropriação do Sistema de Escrita Alfabético (SEA) a Psicogênese da escrita, proposta pelas pesquisadoras Emília Ferreiro e Ana Teberosky.
É sabido que, para apropriar-se do Sistema de Escrita Alfabético (SEA), o aprendiz precisa, sobretudo, compreender que o aluno registra a pauta sonora das palavras. Para isso, é
necessário desenvolver conhecimentos do tipo metalinguístico, que permitam analisar as palavras não só quanto aos seus significados, mas também quanto aos segmentos sonoros que as compõem.
De acordo com Ferreiro (1989), a apropriação do Sistema de Escrita Alfabético (SEA) pressupõe “toda uma compreensão das relações entre partes e todos na escrita em si”. Nessa mesma direção, Morais (2005) afirma que, ao exercer um funcionamento metalinguístico, podemos operar sobre a linguagem em diferentes níveis, sobre diferentes unidades”. As afirmativas acima nos ajudam a pressupor que o desenvolvimento das habilidades de reflexão fonológica é condição necessária para que os aprendizes se alfabetizem, porém não constitui condição suficiente, sendo necessário um trabalho no qual as atividades de reflexão fonológica estejam acompanhadas da escrita e leitura das palavras e da imersão do alfabetizando nos usos sociais da leitura e da escrita, isto é, alfabetizar letrando.
A Psicogênese da Língua Escrita trouxe, como grande contribuição, a concepção de que o alfabetizando é um sujeito ativo no processo de aquisição do sistema de escrita alfabético, sendo capaz de, progressivamente, (re)construir esse sistema de representação a partir de seus conhecimentos prévios.
De acordo com os estudos realizados por Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1984) sobre a psicogênese da escrita, os aprendizes passam por estágios evolutivos durante o processo de aquisição do sistema de escrita alfabético, antes de chegar a compreender, de fato, o SEA. Ao todo são quatro hipóteses, as quais se voltam para a relação que o aprendiz estabelece entre a linguagem falada e escrita. De acordo com Ferreiro (1985), a escrita é um sistema notacional que descreve os fonemas da língua e que possui propriedades particulares quanto ao tipo de relação que estabelece com aqueles fonemas.
Para essa autora, o sistema de escrita alfabético não transcreve os fonemas e sim analisa a linguagem para identificá-los e, dessa forma, poder simbolizá-los de maneira representativa. Assim sendo, a escrita buscaria representar aquilo que é funcionalmente significativo (KATO, 1986; FERREIRO, e TEBEROSKY, 1991). Afinal, na Língua Portuguesa, o sistema de escrita é o alfabético (SEA). Este não representa diretamente o significado das palavras (aspectos semânticos), mas a sequência dos seus sons (sequência fonológica).
Durante a apropriação do SEA, o aprendiz elabora vários conhecimentos sobre o funcionamento desse sistema, como, por exemplo, que é preciso haver uma variedade interna nas grafias que usamos numa palavra; que as letras representam partes sonoras das palavras que falamos, partes menores que a sílaba, que são os fonemas; quais os valores sonoros que as letras podem assumir na nossa escrita (FERREIRO, 1985).
Um dos mais importantes desafios para a compreensão do princípio alfabético pelos aprendizes é o de perceber que as palavras escritas contêm combinações (letras ou combinações de letras), as quais se relacionam com as unidades sonoras das palavras (fonemas).
No tocante aos conhecimentos dos analfabetos jovens e adultos sobre o sistema de escrita alfabético, estudos realizados por Ferreiro et al (1983, apud MOURA, 2001) revelaram que as produções dos adultos não-alfabetizados eram semelhantes no que se refere à passagem dos níveis psicogenéticos. Entretanto, os tipos de conflitos enfrentados pelo aprendiz em cada nível eram diferentes. Como exemplo, em sua maioria, os adultos apresentam uma clara distinção entre desenhar e escrever, sendo capazes de identificar caracteres que não são possíveis de ler, diferentemente do que ocorre com as crianças. Além disso, os adultos concebem a possibilidade de leitura silenciosa; consideram como “legível” um escrito que possui uma quantidade mínima de caracteres, apresentados com uma variedade interna; utilizam exclusivamente letras, contrapondo-se aos números.
Em síntese, segundo os estudos de Ferreiro et al (id), o adulto não-alfabetizado é um sujeito sensível às propriedades quantitativas e qualitativas de texto e tende a revelar mais conhecimento sobre certos aspectos convencionais da escrita.
A Psicogênese da Língua Escrita, que vigora atualmente, trouxe, segundo Soares (2004), uma concepção de alfabetização distinta de concepções anteriormente construídas. Antes dos estudos de Ferreiro, o aprendizado do sistema de escrita alfabético se dava a partir de textos construídos artificialmente. Posteriormente, a apropriação do sistema passou a ser promovida a partir de atividades de letramento, isto é, de leitura e produção de textos reais, de práticas sociais de leitura e de escrita. As teorias fundamentadas no ideário construtivista, como a psicogênese da escrita, ao longo dos últimos anos, trouxeram como aspecto positivo o resgate de importantes dimensões da aprendizagem significativa e das interações, assim como dos
usos sociais da escrita e da leitura, inseridos em uma concepção mais ampla de letramento (SOARES, 2004).
Trataremos, a seguir, a vertente que investiga as práticas sociais de leitura, considerando o contexto a ser investigado por esta pesquisa, a Educação de Jovens e Adultos (EJA). De acordo com Soares (2004), é designado por letramento “o exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita” (p. 92). Para essa autora, “os analfabetos podem ter um certo nível de letramento: não tendo adquirido a tecnologia da escrita, utilizam-se de quem a tem para fazer uso da leitura e da escrita” (p. 92). Soares, analisando a importância das práticas sociais de leitura por parte dos adultos analfabetos e sua relevância na aprendizagem do SEA, afirma que:
a diferença da aprendizagem inicial da língua escrita por adultos está fundamentalmente na natureza das experiências e práticas de leitura e escrita proporcionadas a estes, e na necessária adequação do material escrito envolvido nessas experiências e práticas (SOARES, 2006, p.16).
Ainda que os adultos tenham em suas experiências práticas o convívio contínuo com a leitura e a escrita, “a escolarização é tomada como condição fundamental para que as pessoas possam participar plenamente de sociedades letradas” (OLIVEIRA E VÓVIO, 2004).
O Letramento, vertente trazida às discussões sobre alfabetização na década de 1980, nos revelou que o aprendizado do SEA não garante apropriação dos usos e funções da língua escrita. É preciso “alfabetizar letrando” (SOARES, 2004), garantindo, desde o início, a participação em práticas de leitura e produção de textos reais e diversos.
A teoria do Letramento trouxe, evidentemente, grandes progressos no cenário das mudanças conceituais na alfabetização ao reconhecer a importância das práticas sociais de leitura e escrita no contexto da aprendizagem inicial da língua escrita. Entretanto, a “alfabetização como processo de aquisição do sistema convencional de uma escrita alfabética e ortográfica foi, assim, de certa forma obscurecida pelo letramento, porque este acabou por frequentemente prevalecer sobre aquela, que, como consequência, perde sua especificidade” (SOARES, 2004, p.11).
(...) nas últimas décadas, a concepção de letramento baseia-se numa concepção holística da aprendizagem da língua escrita, de que decorre o
princípio de que aprender a ler e a escrever é aprender a construir sentido para e por meio de textos escritos, usando experiências e conhecimentos prévios; no quadro dessa concepção, o sistema grafofônico (as relações fonema- grafema) não é objeto de ensino direto e explícito, pois sua aprendizagem decorreria de forma natural da interação da língua escrita (SOARES, 2004, p.12)