2.2 Altın Cevheri Zenginleştirilmesi
2.2.5 Gravimetrik Yöntemlerle Altın Cevheri Zenginleştirilmesi
2.2.5.1 Falcon Konsantratör İle Zenginleştirme
2.2.5.1.1 Falcon Konsantratör Tipleri
O retrato deste debate internacional, caracterizado pelo desentendimento entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento com relação a estes pontos controversos, esboçado em seus traços mais significativos nas páginas acima, conduz a algumas indagações fundamentais. Qual teria sido a resposta do Brasil em termos de discurso diplomático e de elaboração de política externa diante de tais desdobramentos?
Para que possamos fundamentar uma resposta adequada a esta indagação, dois princípios passam a despontar como norteadores da exposição. O primeiro procura evidenciar alguns traços gerais da política externa brasileira nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva que se revelem capazes de esclarecer as posições adotadas pelo Brasil perante a problemática em relevo. O segundo concentra a atenção sobre a atuação do Brasil e dos demais países megadiversos em relação às questões técnicas e argumentativas levantadas no fórum da TRIPs na OMC, no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica e nos fóruns da Organização Mundial de Propriedade Intelectual envolvendo as considerações acerca da proteção, da proteção e da preservação dos saberes tradicionais.
A estratégia da diplomacia brasileira perante as negociações na OMC e na OMPI adquire maior clareza se analisada em paralelo com as diretrizes diplomáticas gerais salientadas pelos representantes oficiais brasileiros em seus discursos públicos. Por conseguinte, para que possamos compreender as posições do Brasil nos espaços multilaterais do Regime Internacional de Propriedade Intelectual, torna- se imperativo contemplar alguns importantes elementos da condução diplomática pátria.
Neste sentido, em primeiro lugar, convém ressaltar que observamos a manutenção, no governo Lula, das linhas gerais da política externa preconizada por Fernando Henrique Cardoso com relação à problemática do acesso aos recursos
genéticos e aos saberes tradicionais e do compartilhamento de benefícios oriundos da comercialização dos produtos resultantes.
Com efeito, os indícios levantados até o momento permitem supor que os formuladores de política externa de ambos os governos interpretaram as principais divergências acerca do tema no seio do regime internacional de propriedade intelectual a partir da ótica do conflito Norte/Sul, em outras palavras, da oposição entre países desenvolvidos (produtores de propriedade intelectual e consumidores de recursos biogenéticos e saberes tradicionais) e países em desenvolvimento (consumidores de propriedade intelectual e provedores de conhecimentos tradicionais e recursos biogenéticos).
Em segundo lugar, é lícito supor que estes governos conceberam a política externa como instrumento de apoio ao projeto de desenvolvimento social e econômico do país. Esta posição está explicitada com clareza no discurso de posse do presidente Lula:
“No meu Governo, a ação diplomática do Brasil estará orientada por uma perspectiva humanista e será, antes de tudo, um instrumento do desenvolvimento nacional. Por meio do comércio exterior, da capacitação de tecnologias avançadas, e da busca de investimentos produtivos, o relacionamento externo do Brasil deverá contribuir para a melhoria das condições de vida da mulher e do homem brasileiros, elevando os níveis de renda e gerando empregos dignos.”40.
Em terceiro lugar, convém salientar que os processos de estruturação e de consolidação deste paradigma de desenvolvimento congrega os conhecimentos tradicionais, pois teriam papel destacado na promoção do desenvolvimento sustentável, desde que respeitados, reconhecidos, protegidos e promovidos nos âmbitos nacional e internacional
A relação entre desenvolvimento sustentável, recursos biogenéticos e conhecimentos tradicionais pode ser contemplada nos discursos elaborados em
40 Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na Sessão de Posse, no Congresso
razão das reuniões que integram as conferências das partes da CDB. O parágrafo a seguir é exemplar nesse sentido:
“O que a COP-8 está dizendo é que a biodiversidade não é a fronteira devoluta do século XXI. Sua exploração adequada, ao contrário, é o grande rumo para a construção de novos paradigmas de progresso, que vão enlaçar, de uma vez por todas, o cálculo econômico à qualidade de vida e ao equilíbrio ambiental. A luta pela adoção de um regime internacional de repartição dos benefícios, que resultam do acesso aos recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais associados, é parte desse percurso.”41.
Em quarto lugar, vale ressaltar que persiste a valorização dos fóruns multilaterais como espaços privilegiados de negociações e de obtenções de resultados e, principalmente, como espaços capazes de contrapor as assimetrias que inevitavelmente incidem sobre os tratados e acordos bilaterais.
Nestes termos, é válido afirmar que a valorização dos fóruns multilaterais fundamenta uma das diretrizes mais consistentes e permanentes da política externa brasileira. A manutenção desta orientação no decorrer dos primeiros anos do governo Lula resulta salientada em variados parágrafos do discurso brasileiro perante as Nações Unidas no ano de 2004, dentre os quais encerra maior destaque o seguinte:
“Reitero o que disse no ano passado desta Tribuna: uma ordem internacional fundada no multilateralismo é a única capaz de promover a paz e o desenvolvimento sustentável das nações. Ela deve assentar-se sobre o diálogo construtivo entre diferentes culturas e visões de mundo. Nenhum organismo pode substituir as Nações Unidas na missão de assegurar ao mundo convergência em torno de objetivos comuns.”42.
41 Discurso do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura do segmento de alto nível da Oitava
Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8). Curitiba, Paraná, 27/03/2006.
42 Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na 59ª Assembléia-Geral da ONU. Nova
Finalmente, em quinto lugar, fundamentar e consolidar parceiras consistentes com sócios estratégicos privilegiados, cujos interesses sejam atinentes aos interesses brasileiros, e que possam fortalecer a posição brasileira nos fóruns multilaterais, igualmente constitui diretriz almejada.
No caso particular das negociações envolvendo a reformulação do Acordo TRIPs em conformidade com a CDB, a reorientação do Regime Internacional de Propriedade Intelectual e a estruturação de um Regime internacional capaz de proteger, preservar e promover os saberes tradicionais o Brasil tem atuado em conjunto com a Índia, com os Países Nórdicos43, com a China, com a África do Sul,
com a Argentina, com vários países africanos e com diversos países latino americanos, elaborando documentos coletivos assinados em união com este países e desenvolvendo grupos específicos de negociação.
Neste sentido, particularmente relevante é a cooperação no âmbito regional da Bacia Amazônica, visto que os recursos destas regiões e os conhecimentos tradicionais a eles associados são fronteiriços e demandam uniformidade de tratamento nos âmbitos regional e internacional. A percepção oficial desta aproximação ganha caráter concreto nas palavras a seguir:
“A OTCA começa a afirmar-se como o mais importante instrumento de aproximação entre os países da bacia amazônica. A nossa união nos fortalece e reforça a soberania individual de cada um dos nossos países. A integração não é contraditória com a soberania, muito pelo contrário, ela será um reforço do exercício, em alguns casos conjunto, e sempre em colaboração uns com os outros, da nossa soberania. A valorização e o desenvolvimento sustentável da Amazônia são sem dúvida a melhor forma de proteção dos nossos interesses. Será também a forma de responder às expressões, por vezes equivocadas, que ouvimos de vários quadrantes do mundo sobre a questão da adequação e do manejo adequado desses recursos.” 44
43
Os países nórdicos compreendem uma região ao norte da Europa, a região nórdica, composta por Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Islândia.
44 Discurso do Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Celso Amorim, na Cerimônia de Abertura da
Primeira Oficina de Trabalho das Comissões Nacionais Permanentes dos Países Membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica. Brasília, 01/07/2004.
Este discurso denunciador de uma ordem mundial injusta para os países em desenvolvimento, em especial no que concerne à problemática do acesso aos recursos biogenéticos e aos saberes tradicionais associados, e as diretrizes de orientação diplomática verificadas refletem os desafios e as dificuldades que se colocam para a diplomacia brasileira traduzir suas posições em resultados favoráveis.
Esta escassez de poder de barganha, por sua vez, é causada pela própria complexidade da problemática, na medida em que o tratamento inovador destes temas envolve uma pluralidade de atores influentes com interesses divergentes e demanda atuação concertada em um contexto de interações entre instituições e regimes internacionais.
Com efeito, acreditamos que, talvez, a maior dificuldade com a qual se depara o ator interessado em estudar e negociar a problemática internacional dos recursos biogenéticos e dos conhecimentos tradicionais associados está ligada à constatação de que as negociações e os debates a ela relacionados não estão dissociados das discussões e negociações atinentes a uma série de outros temas debatidos globalmente, tais como os temas da produtividade agrícola, da diversidade biológica, do patrimônio cultural da humanidade, da segurança acerca da alimentação, dos direitos humanos, da sustentabilidade ecológica, do comércio internacional, da saúde pública, da pesquisa científica, do desenvolvimento sustentável e dos direitos de propriedade intelectual.
Esta constatação adquire significado quando observamos que o número, os níveis de detalhes e os temas sujeitos aos acordos cooperativos internacionais cresceram exponencialmente nas últimas décadas. Por sua vez, a emergência destes novos acordos e tratados elevou as densidades dos regimes internacionais existentes, pois eles passam a abarcar estes novos conjuntos de prescrições e regulamentações que, muitas vezes, não estão diretamente relacionados aos seus âmbitos de especialização.
Consequentemente, como esse processo não é ordenado, verificamos uma proliferação de conexões e interações entre acordos distintos, administrados por organizações internacionais diferentes, que tratam de temas idênticos. Como o sistema internacional não pode estabelecer uma clara hierarquia entre estes distintos conjuntos normativos (recordemos que inexiste no sistema internacional uma
instituição com autoridade para ordenar e hierarquizar normas e regras), suas conexões e relações favorecem a persistência de conflitos entre suas prescrições.
A questão internacional que pesquisamos e que os formuladores de política externa pátria negociam (controle do acesso aos recursos genéticos e/ou aos conhecimentos tradicionais a eles associados ou não e repartição de benefícios por intermédio dos direitos de propriedade intelectual) ilustra claramente este fenômeno.
Destarte, a estrutura institucional internacional desta problemática caracteriza- se pela sobreposição de acordos e processos legais que são criados e mantidos em distintas organizações intergovernamentais por diferentes atores. Um quadro deste complexo tabuleiro de negociações internacionais pode ser visualizado na figura abaixo:
Tal quadro de complexidade fortaleceu o engajamento do Brasil e dos demais países em desenvolvimento nas discussões da OMPI, da OMC e da CDB, na medida em que uma eventual reformulação ou revisão do ordenamento jurídico do acordo TRIPs em conformidade com a estrutura legal da CDB e das demais legislações internacionais administradas pela OMPI e que tratam dos direitos de propriedade intelectual poderá proporcionar um alicerce seguro contra as atividades