BÖLÜM IV. KOMPULSİF SATIN ALMADA DURUMSAL FAKTÖRLER VE BENLİK ALGISININ ETKİSİ ÜZERİNE BİR ARAŞTIRMA BENLİK ALGISININ ETKİSİ ÜZERİNE BİR ARAŞTIRMA
5.2. Nicel Verilerin Analiz
5.2.4. Faktör Analiziler
As ações de liberdade existiram no Brasil até o fim da escravidão em 1888.1 Por
intermédio da Justiça, os escravos alcançavam a liberdade civil mediante o recurso de processo impetrado na Vara dos Órfãos. Arbitrava-se e julgava-se diante de variadas situações as relações privadas entre senhores e escravos. Em muitos casos, se apresentavam questões difíceis de resolver. Muitas ações tinham caráter litigioso, como bem classificou Maria Aparecida C. R. Papali.2 Mas, as questões mais
complexas apareceram com maior frequência antes da Lei de 28 de setembro de 1871, a chamada Lei do Ventre Livre. As ações se tornaram mais céleres, pois
1 Veremos, no entanto, que há alguns documentos relativos à liberdade existentes nos meses posteriores a 1888; documentos que se referiam a pendências de casos de luta por liberdade, mesmo depois da Lei Áurea.
2 Cf. PAPALI, Maria Aparecida C. R. Escravos, libertos e órfãos. A construção da liberdade em Taubaté (1871-1895), p. 32. Estas ações eram mais volumosas e confrontavam mais diretamente as posições senhoriais. Maria Aparecida Papali destacou que, em Taubaté, tal tipo de ação se manifestou mais no final da década de 1870 e durante a década de 1880, um período em que os cativos em suas lutas demonstravam mais conhecimento dos seus direitos.
quase nunca necessitavam de subir a instâncias superiores. Antes de 1871, as leis existentes ainda não eram claras e não havia parâmetros para os arbitramentos e classificações para o Fundo de Emancipação. Os arbitramentos estavam fundamentados na vontade senhorial, e por mais que as Ordenações Filipinas e outras legislações apontassem para a valorização da liberdade em relação à propriedade, no geral, os escravos ficavam à mercê das posições subjetivas dos agentes da Justiça, tais como curadores, advogados e magistrados. Mas, mesmo assim, como demonstrou a historiografia, em alguns casos os cativos alcançavam a vitória a partir das alegações que faziam e dos acordos que ocorriam.3
A partir da Lei de 28 de setembro 1871, abria-se espaço para que todo escravo, de posse de certa quantia reunida na forma de pecúlio, alcançasse o direito a liberdade, independente da vontade senhorial. Porém, o senhor mantinha, na grande parte das situações, sob sua autoridade o controle da permissão para o cativo obter o dinheiro; e, como vimos, as leis locais também determinavam esse processo. À Justiça cabia apenas arbitrar o valor, quando não ocorria acordo entre cativo e senhor quanto ao preço justo para a aquisição da carta de alforria.4 Tal lei institucionalizou o chamado
direito de auto-compra da própria liberdade por parte dos cativos que através de suas virtudes e talentos alcançassem o valor correspondente. Hebe Mattos apontou que tal ideia constituía um dos elementos do liberal negro Antonio Pereira Rebouças, desde 1859. Segundo essa historiadora a historiografia social da escravidão tem revelado como os cativos politizavam as próprias ações cotidianas e como tais movimentos foram fundamentais para o fim da escravidão no Brasil no século XIX.5
3 Cf. GRINBERG, Keila. Liberata. A Lei da Ambigüidade. As ações de liberdade da Corte de Apelação do Rio de Janeiro no século XIX. E para uma descrição da legislação anterior e posterior à lei de 1871, ver nesse mesmo livro o capítulo denominado “Veredicto”.
4 Para ter acesso a uma excelente discussão das ações de liberdade por arbitramentos de valor, regulamentados pela Lei de 1871 (lei do Ventre Livre, do Pecúlio, Rio Branco) conferir: MENDONÇA, Joseli Maria Nunes. Entre as mãos e os anéis. A lei dos sexagenários e os caminhos da abolição no Brasil. Coleção Várias Histórias. 2ª Ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2008, especialmente o capítulo 3.
5 MATTOS, Hebe Maria. Escravidão e cidadania no Brasil Monárquico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000, p. 53.
As ações de liberdade eram processos cíveis abertos pelos escravos por intermédio de curadores. De qualquer forma, os requerimentos iniciais solicitando a abertura das ações e a delegação de curadores e depositários tinham participação decisiva dos próprios cativos. Com base nas razões expressas, o curador era solicitado ao juiz para tratar dos direitos e interesses do autor (do escravo) em relação ao seu senhor. O depositário ficaria cuidando do escravo enquanto o processo corria. Tudo começava, assim, no requerimento em que o escravo expressava o seu desejo em alcançar a liberdade pelos motivos elencados nessa petição inicial. O senhor também tinha direito a advogado ou a procurador para representá-lo e tratar de seus interesses. O auto se dava entre argumentações e respostas entre as partes diante do juiz que julgava o caso, concluindo a favor ou não da liberdade pretendida. Esses curiosos documentos têm sido fontes fecundas para pensar vários pontos da escravidão, suas lutas e também a estrutura legal, institucional e jurídica do Brasil oitocentista. São fontes que têm se popularizado na busca de respostas sobre várias questões postas pela historiografia. Vários autores as tem utilizado desde a década de 1980. Dentre eles, estão: Sílvia Hunold Lara;6 Sidney Chalhoub;7 Hebe Maria
Mattos;8 Keila Grinberg,9 dentre outros. Esta última tem ainda trabalhado com as
chamadas ações de escravidão, processo judicial oposto às ações de liberdade, pois
6 LARA, Silvia Hulnold. Campos da Violência.
7 Especialmente o capítulo 2, onde o autor analisa ações anteriores a Lei de 1871, buscando ilações entre as ações dos escravos na Justiça e o encaminhamento da questão e dos direitos dos escravos no período, inclusive a própria lei de 1871. Conforme Sidney Chalhoub, os principais preceitos desta lei foram “arrancados” pelos escravos às elites senhoriais brasileiras. Cf. CHALHOUB, Sidney. Visões da Liberdade, p. 95-174.
8 Da mesma forma que Chalhoub, essa autora analisa as Ações de Liberdade na Corte de Apelação presentes no Arquivo Nacional. Cf. o capítulo 9, intitulado “Sobre o poder moral dos senhores”. A autora não comentou mais detidamente as ações de liberdade posteriores a 1871, pois se tornaram mais raras na Corte de Apelação e mais sumárias. Elas passaram a ser resolvidas, como já mencionei, com mais facilidade na primeira instância. Mas, disse que a partir da segunda metade do XIX ocorreu uma pressão pelo transito da escravidão para a liberdade que ultrapassou os aspectos tradicionais das relações privadas e se concentrou nos tribunais em larga escala, onde o poder senhorial fora questionado juridicamente. Os limites do poder senhorial baseado na “miragem da alforria” tornaram-se mais estreitos a partir daquele período. Mattos, Hebe Maria. Das cores do silêncio, p. 185-190.
9 Este livro, que foi a monografia de graduação da autora, também trata de modo geral de processos que chegaram à Corte de Apelação do Rio de Janeiro. A autora, além de analisar qualitativamente tais processos a partir de estudos de caso (o caso da família da escrava Liberata), realiza uma quantificação dos dados que computou em sua pesquisa. Cf. gráficos em GRINBERG, Keila. Liberata. A Lei da Ambigüidade, p. 107-117; e O Fiador dos Brasileiros. Cidadania, escravidão e direito civil no tempo de Antônio Pereira Rebouças. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. Neste livro, realizou excelente estudo dos curadores no Rio de Janeiro, onde revelou uma complexidade no posicionamento de tais profissionais.
eram abertos por senhores buscando reescravizar indivíduos por vários motivos.10
Podemos citar ainda Maria Aparecida Chaves Ribeiro Papali11, Joseli Maria Nunes Mendonça12 e Elciene Azevedo.13 Há ainda o trabalho de Fernando Antonio
Abrahão,14 que não é uma narrativa histórica propriamente dita, mas um texto que
organiza e classifica as ações judiciais relacionadas à liberdade na cidade de Campinas.