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4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.2. Faktör Analizi

A relação que se estabelece entre trabalho e juventude é essencial para que possamos compreender relações do presente e também para que possamos prever e compreender futuras transformações pelas quais a sociedade há de passar. Galland (2007, apud OLIVEIRA; PICCININI; BITENCOURT, 2011, p. 2) afirma que a inserção do jovem no mundo do trabalho é um dos marcos de passagem para a vida adulta. O autor ainda explica que, nos países ocidentais, o ingresso desse jovem no mercado de trabalho é adiado, em função do tempo de estudo; já nos países periféricos, isso só ocorre nas famílias com maior poder aquisitivo; para os jovens mais pobres, isso se dá muito cedo, ou ainda ingressam nas fileiras do desemprego.

Desse contexto dois discursos são construídos e apresentam como consequência a despadronização do curso de vida e a fragmentação das trajetórias biográficas (DIB; CASTRO, 2010) e outro, mais frequentemente utilizado por autores da área de Administração (VELOSO; DUTRA, 2008; VASCONCELOS, 2010; POUGET, 2010), mostrando o surgimento de uma nova geração, com comportamento diferente, que demanda uma mudança nas formas de gestão.

Não há como negar que as mudanças trazidas pelas novas tecnologias e as novas relações de trabalho hoje se refletem no ciclo de vida dos indivíduos, seja em jovens, adultos ou idosos. Essas mudanças têm sido objeto de discussão na literatura da administração. Aqui pensamos nas mudanças e influências que essa nova geração tem levado à escola e em que extensão isso se tem refletido no trabalho do professor do Ensino Superior.

Fazendo uma abordagem crítico-reflexiva do contexto científico e tecnológico, Pinheiro, Silveira e Bazzo (2010) apontam o surgimento do movimento CTS (ciência,

tecnologia e sociedade) como uma mudança na forma de se pensar e de se lidar com as transformações que ocorrem, trazendo, inclusive, algumas implicações para o contexto educacional.

De acordo com os autores, o movimento CTS surgiu por volta de 1970 e trouxe como um de seus lemas a necessidade do cidadão de conhecer os direitos e obrigações de cada um, de pensar por si próprio e ter uma visão crítica da sociedade em que vive, especialmente a disposição de transformar a realidade para melhor. Apesar de esse movimento não ter sua origem no contexto educacional, as reflexões nessa área têm aumentado significativamente, por entender que a escola é um espaço propício para que as mudanças comecem a acontecer (PINHEIRO, SILVEIRA E BAZZO, 2010, p. 3)

Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) corresponde ao estudo das inter- relações existentes entre a ciência, a tecnologia e a sociedade, constituindo um campo de trabalho que se volta tanto para a investigação acadêmica como para as políticas públicas. Baseia-se em novas correntes de investigação em Filosofia e em Sociologia da ciência, podendo aparecer como forma de reivindicação da população para participação mais democrática nas decisões que envolvem o contexto científico-tecnológico ao qual pertence. E, para isso, o enfoque CTS busca entender os aspectos sociais do desenvolvimento tecnocientífico, tanto com relação aos benefícios que esse desenvolvimento possa trazer, como também no que respeita às consequências sociais e ambientais que poderá causar (PINHEIRO; SILVEIRA; BAZZO, 2010, p. 3).

De acordo com Garcia et al. (1996, apud PINHEIRO; SILVEIRA; BAZZO 2010, p. 5), podemos identificar três períodos importantes que caracterizaram a relação entre ciência, tecnologia e sociedade. Um primeiro período se caracterizou pelo otimismo frente aos grandes feitos apresentados pela ciência e pela tecnologia em um período Pós-Guerra. O segundo foi caracterizado pelo estado de alerta, diante dos acontecimentos tidos entre os anos de 1950 e 1960, quando começam a aparecer os desastres oriundos da tecnologia fora de controle (o primeiro acidente nuclear grave; revoltas contra guerra do Vietnã). O terceiro período é marcado pelo despertar da sociedade contra a autonomia científico-tecnológica, que se iniciou por volta de 1969 e se estende até os dias atuais, como uma reação aos problemas que a ciência e a tecnologia têm trazido para a sociedade.

Com o enfoque CTS, o trabalho em sala de aula passa a ter outra conotação. A pedagogia não é mais um dos instrumentos de controle do professor sobre o aluno. Professores e alunos passam a descobrir, a pesquisar juntos para a construção e/ou produção do conhecimento científico, que deixa de ser considerado como algo sagrado e inviolável, ao contrário, está sujeito a críticas e a reformulações, como mostra a própria História de sua produção. Dessa forma, aluno e professor reconstroem a estrutura do conhecimento. Em nível de prática pedagógica, isso significa romper com a concepção tradicional que predomina na escola e promover uma nova forma de entender a produção do saber. É desmitificar o espírito da neutralidade da ciência e da tecnologia e encarar a responsabilidade política das mesmas. Isso supera a mera repetição do ensino das leis que regem o fenômeno e possibilita refletir sobre o uso político e social que se faz desse saber. Os alunos recebem subsídios para questionar, para desenvolver a imaginação e a fantasia, abandonando o estado de subserviência diante do professor e do conhecimento apresentado em sala de aula (PINHEIRO; SILVEIRA; BAZZO, 2010, p. 14)

Dessa forma, concluem Pinheiro, Silveira e Bazzo (2010), a importância de se discutir com os alunos os avanços da ciência e da tecnologia, suas causas, consequências, interesses econômicos e políticos, de forma contextualizada, reside no fato de que devemos conceber a ciência como fruto da criação humana. Por isso, ela está intimamente ligada à evolução do ser humano, desenvolvendo-se permeada pela ação reflexiva de quem sofre/age as diversas crises inerentes a esse processo de desenvolvimento.

Os debates a respeito da ciência, tecnologia e sociedade trazem profundas alterações no modo de se pensar a formação dos professores tanto frente a novas tecnologias quanto com relação à nova geração de alunos que ora se apresenta, especificamente a que é fruto de discussão no presente trabalho: Geração Y.

Muito do que se discute com relação à formação docente é direcionada para os ensinos Fundamental e Médio. E onde fica a formação do professor para o Ensino Superior, principalmente quando estamos diante de inúmeras e profundas transformações no mundo do trabalho e, somando-se a isso, o ingresso de alunos cada vez mais jovens no Ensino Superior?

A esse respeito, Pachane e Pereira (2004, p. 7) esclarecem que

Hoje, é necessário ao professor saber lidar com uma diversidade cultural que antes não existia no Ensino Superior, decorrente do ingresso de um público cada vez mais heterogêneo. Um público que pode, por um lado, não estar tão bem preparado, tanto emocional quanto intelectualmente, para o ingresso no Ensino Superior; um público talvez mais jovem, mais imaturo, e, por vezes, pouco

motivado e comprometido com sua aprendizagem, tendo em vista que o Ensino Superior hoje não é mais garantia de um emprego estável no futuro, mas um público que pode, por outro lado, ser muito mais exigente quanto à qualidade do curso oferecido, tendo em vista especialmente o alto grau de competitividade do mercado de trabalho (PACHANE; PEREIRA,2004, p. 7).

As mudanças ocorrem não apenas internamente ao Ensino Superior, mas existe todo um conjunto de mudanças sociais, econômicas, políticas. No mundo contemporâneo, muitas coisas devem ser repensadas. A formação para o magistério superior não poderia ficar para trás.

De acordo com Pachane e Pereira (2004, p. 8), “as mudanças relacionadas, em especial, ao avanço científico-tecnológico, a alterações na organização do trabalho (processo produtivo), à sociedade de informação, aos processos de globalização da economia e a alterações na relação dos sujeitos com o conhecimento” vão provocar mudanças nos vários aspectos do Ensino Superior.

Em sua argumentação sobre o futuro do pensamento na era da informática e as novas tecnologias da inteligência, Lévy (2004) argumenta que

Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação, aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada. Não se pode mais conceber a pesquisa científica sem uma aparelhagem complexa que redistribui as antigas divisões entre experiência e teoria. Emerge, nesse final do século XX, um conhecimento por simulação que os epistemologistas ainda não inventaram. (LÉVY, 2004, p. 7)

Percebe-se que os desafios são muitos e que lidar com o público da Geração Y irá demandar novas posturas e formações por parte dos professores.