A. İhaleye Fesat Karıştırma Suçunun maddi Unsuru
2. Fail
Todo professor, titular de cargo ou não, ao assumir as aulas em uma unidade escolar já sabe, no primeiro dia letivo, em quais turmas e períodos atuará naquela unidade, bem como o número de aulas que ministrará semanalmente. Evidentemente, a elaboração de um quadro horário definitivo (ANEXO 1) para o funcionamento da escola (que ocorre apenas em 20/03) e, mais especificamente neste caso, para o funcionamento do período da manhã, consome dias e, em alguns casos, semanas, visto que existem muitas variáveis a serem consideradas para a elaboração do mesmo.
Independentemente do quadro horário definitivo para desenvolvimento das atividades durante o ano letivo, na escola pesquisada cabia ao inspetor de alunos do período, a tarefa de zelar pelo cumprimento do quadro horário. Impõe-se explicar os procedimentos que justificam tal afirmação, dada sua relevância na pesquisa.
O procedimento normal do professor, ao adentrar a escola, era o de dirigir-se primeiramente à sala de professores e confirmar, no quadro de avisos, se seu horário foi alterado ou não. Caso não existisse alteração alguma, dirigia-se para sua sala de aula e cumpria sua jornada, ao passo que o inspetor de alunos possuia também uma cópia do quadro horário de cada dia. Mediante a observação, registrava a presença ou ausência do referido professor naquele horário e naquela turma.
No caso de ausência do professor (ou de professores), o inspetor se dirigia até a sala dos professores e verificava a presença ou não de professores eventuais. Nesse momento instalava-se uma situação curiosa, pois muitos encaminhamentos (nem sempre pedagógicos) podiam ocorrer como, por exemplo:
• existindo um professor eventual formado na mesma disciplina que o professor titular ausente, a prioridade era desse eventual;
• existindo mais de um professor eventual formado na mesma disciplina que o professor ausente, a prioridade era do que estava há mais tempo atuando na unidade escolar;
• não existindo nenhum professor eventual formado na mesma disciplina que o professor ausente, os professores eventuais chegavam a um acordo entre eles ou o inspetor definia;
• nenhum professor titular faltou e existiam professores eventuais aguardando. Podia-se dispensá-los ou pedir para que aguardassem mais uma aula sem a garantia da existência ou não da necessidade de seu trabalho;
• existia a ausência de um ou mais professores titulares e não existiam professores eventuais à disposição. Ficava a cargo do inspetor cuidar dos alunos durante todo o período de ociosidade dos mesmos;
• existia mais de uma turma sem professor titular e apenas um professor eventual. O inspetor decidia qual turma teria aula ou não.
Poderia citar outras situações referentes à ausência do professor titular, atuação do professor eventual e postura do inspetor de alunos. Todavia, deve-se destacar o fato de que, além desses procedimentos práticos, cabia também ao inspetor de alunos registrar em sua planilha quem faltou e quem atuou em seu lugar, ou seja, quem pode perder e quem pode ganhar financeiramente com esta ocorrência. O inspetor de alunos tomava, portanto, conhecimento de muitos dos acordos internos ocorridos durante o ano letivo e sabia de tudo o que acontecia na rotina diária da escola, envolvendo presença e/ou ausência do professor. Daí, ter se tornado uma valiosa e fidedigna fonte de informações para minha pesquisa.
O inspetor de alunos também desempenhava, há muitos anos, na unidade escolar em questão, o importante papel de zelar pelo cumprimento dos horários comuns (entrada e saída de alunos, intervalo para merenda e o início e o término das aulas). Na entrada do período, era o responsável pela abertura do portão de acesso dos alunos com dez minutos de antecedência ao início das aulas. No período que compreende entre a abertura do portão e o início das aulas, verificava a presença ou não dos professores previstos para o horário. No horário previsto para o início das aulas, acionava o sinal sonoro e encaminhava-se para o fechamento do portão, permitindo ainda dez minutos de tolerância para o ingresso dos alunos que chegaram atrasados.
Fechado o portão, retornava ao pátio, incentivando os alunos a se dirigirem às suas respectivas salas e, somente a partir daí, fazia os encaminhamentos necessários para a reorganização das turmas como citado anteriormente. Esta quantidade de
atividades e, principalmente decisões, eram realizadas dentro de um período de aproximadamente vinte minutos. Iniciada a primeira aula do período e providenciadas as acomodações necessárias para o início do período, ficava a cargo do inspetor de alunos e, quando presente, algum membro da equipe gestora, o planejamento das acomodações necessárias para as próximas aulas do período.
Relevante era, pois, o papel atribuído a esse profissional. Morador do bairro, ex- aluno do curso noturno da unidade escolar, contratado pela APM para trabalhar como inspetor e sem nenhuma formação pedagógica, ainda assim tornava-se o responsável, na ausência dos gestores, por encaminhamentos que podiam contribuir ou não para o processo ensino aprendizagem, além de influenciar diretamente toda a dinâmica para o funcionamento da unidade escolar.
Ao abordar a escola como uma organização Lima (2003) descreve o funcionamento da escola como sendo simultaneamente burocrático e anarquicamente organizado, pautado em regras formais, duradouras e legalmente previstas; regras não formais, de curta duração, não previstas legalmente e muitas vezes incorporadas às práticas escolares comumente já tidas como cultura escolar ; por último apresenta as regras informais, utilizadas apenas para se resolver situações pontuais o que lhes confere uma curtíssima duração, não são previstas legalmente, ainda não incorporadas às praticas escolares e em muitos casos são discriminatórias. Pois bem, a descrição feita até aqui da escola em questão e seus agentes permite a observação de todas essas características.
A apresentação de um conjunto de leis que estruturam a escola e amparam o professor ou a hierarquia existente entre Secretaria Estadual da Educação, COGESP, Diretoria de Ensino Regional e finalmente a escola exemplificam as regras formais e a organização burocrática. Contudo, as atribuições e rotina de trabalho do inspetor de alunos ilustram de modo singular as regras não formais de organização da escola quando, por exemplo, ele decide (na ausência dos gestores) qual turma fica com e sem aula caso o número de professores eventuais seja insuficiente.
Até este ponto foi possível apresentar as três grandes áreas da estrutura organizacional da escola (Nóvoa, 1995) e algumas de suas dinâmicas abrangendo a estrutura física, a estrutura administrativa e algo da estrutura social, naquilo que tem relação com o objeto de estudo aqui focalizado.