2011-2012-2013 Yılları Ödenek ve Harcama Durumu
B. PERFORMANS BİLGİLERİ
1. Faaliyet ve Proje Bilgileri
1.3 Faaliyetler ve Faaliyetlerden Sorumlu Birimler Listesi
Ao indicarmos a ideia de que o conceito de classe está presente de forma implícita ao longo de todo o livro de O Capital, demonstramos a validade de nossa análise e vinculamos o desenvolvimento do conceito de classe às condições históricas necessárias para a efetivação da venda da força de trabalho como mercadoria, ou seja, com a existência do trabalho assalariado. Nesse processo, demonstramos a exposição pormenorizada de Marx a respeito do trabalho abstrato, em que está associada à teoria do valor em que, explicita o meio pelo qual a força de trabalho passou a ser vendida como mercadoria.
O conceito de trabalho abstrato, contudo, no desenvolvimento lógico de Marx, adquire importância em torno da investigação do conceito de classe, à medida que sua efetivação real está associada à própria determinação das classes como indica Hirano371 a respeito das condições comuns a determinados grupos. O conceito de trabalho abstrato expressa justamente o modo pelo qual as condições comuns de existência definidoras da existência do proletariado são efetivadas ante o desenvolvimento do capital. Esse movimento, todavia, apenas nos fica evidente quando a abordagem do conceito de trabalho abstrato e do tempo de trabalho socialmente necessário têm seu tratamento essencialmente lógico presente no primeiro capítulo, articulado com a análise histórica, presente nas seções III e IV, quando do tratamento do problema da extração do mais-valor absoluto e relativo. Nessa formulação, o conceito de trabalho abstrato, antes existindo como representação da igualação de todos os trabalhos adquirem dimensão concreta e histórica, presente no conceito de trabalho simples, como expressão da equiparação de todas as capacidades de trabalhos a uma capacidade de trabalho comum.
A premissa fundamental do desenvolvimento do trabalho simples está associada à mercadoria como forma generalizada, alcançando a condição na qual a venda do trabalho objetivado é substituída pela venda da capacidade de trabalho. No primeiro momento, no qual o capital se apropria do trabalho sobre as condições nas quais o encontra, prevalece o que Marx denominou de subsunção formal do trabalho ao capital. Esse momento histórico está associado à manufatura, sendo essencialmente transitório
e, ao mesmo tempo, carrega em si o embrião da indústria moderna372, concretizada quando efetiva a subsunção real do trabalho ao capital.
Na manufatura já estão presentes alguns elementos essenciais constituidores do trabalho simples como produto do capital, especialmente a divisão técnica num caráter especificamente capitalista, na qual o trabalho individual incorpora apenas operações limitadas incapazes de produzir um valor de uso373 de forma independente – trata-se do
detail labour associado ao princípio de Babbage374 – delineando a redução abstrata do trabalho no curso do desenvolvimento capitalista.
Apenas com a subordinação real do trabalho ao capital, porém, podemos falar historicamente em uma completa abstração do trabalho, na medida em que a introdução da máquina significa a completa superação do vinculo do trabalho com a atividade de arte (artesão) ainda presente na manufatura. Condição em que sua “perícia particular devém cada vez mais algo abstrato, indiferente, [...] puramente mecânica, por conseguinte indiferente à sua forma particular; atividade simplesmente formal ou, o que dá na mesma, simplesmente física”375. Nesse sentido, o trabalhador toma a forma de apêndice da máquina, gestando-se nesse processo a redução dos trabalhos a um nível comum de qualificação dissociada das habilidades manuais, mas associada à operação da máquina, portanto, se concretiza o trabalho simples.
Transformando, porém, um princípio técnico, o conceito de trabalho simples – como todas as categorias marxianas – possui um conteúdo sociológico no sentido em que está associado à constituição de um tipo de ser. Para sermos mais claros, encontramos na redução de todos os trabalhos a trabalho simples não apenas a representação do estado no qual os variados trabalhos foram equiparados frente ao capital, mas também a representação da condição na qual os trabalhadores tiveram suas condições de existência equiparadas entre si, ou seja, o trabalho simples desemboca na imposição generalizada das condições de precariedade em que vivem os trabalhadores
372 Para Marx (O Capital I. Op. cit., p. 106) a extração de mais-valor relativo supõe “um modo de produção especificamente capitalista que com seus métodos, meios e condições nasce e é formado naturalmente apenas sobre a base da subordinação formal do trabalho ao capital. No lugar da subordinação formal surge a subordinação real do trabalho”.
373 Somente podemos pensar na concretização do trabalho abstrato quando este alcança a condição na qual o “trabalhador parcial não produz mercadoria. Apenas o produto comum dos trabalhadores parciais converte-se em mercadoria”. (MARX, Karl. O Capital I. Op. cit., p. 429).
374 “O princípio de Babbage está associado à especialização dos trabalhadores individuais vis-à-vis as tarefas dentro de uma maior divisão técnica do trabalho, deprimindo os salários ofertados pelo capital individual. Isso porque passa a requerer do trabalhador habilidades associadas a um número limitado de tarefas”. (GLEICHER, David. An historical approach to the question of abstract labour. Op. cit., p. 114).
ante o capital, à medida que essa igualação autoriza a constante exploração do capital sobre o trabalho vivo. Assim, o capitalismo, ao impor a redução de todos os trabalhos a um trabalho qualitativamente indiferente, supera não apenas os limites das corporações e todas as barreiras a essas associadas, mas também cria a situação na qual os trabalhadores são iguais e indiferenciados como entes produtivos, ao engendrar as condições em que a própria “individualidade dos trabalhadores”376 diante do capital está apagada.
Longe de argumentar, contudo, que a constituição da classe proletária está associada a um coletivo no qual a individualidade está suprimida, ao contrário, entendemos tratar-se de um tipo particular de individualidade associada à sua atividade laborativa na qual as relações anteriormente existentes na atividade do artesão e outras formas de trabalho em que antes prevalecia, a unidade entre trabalho e produto do trabalho foi suprimida. Com ela, estão superados os limites de associação própria a uma atividade reduzida a poucos homens e dispersos territorialmente.
Portanto, trata-se da consumação de uma nova individualidade dos produtores diretos gestadas no e pelo capital, à medida que a igualdade dos produtores apenas é possível com a imposição da indiferenciação posta pelo capital. Essa igualdade não está associada somente à indiferença das suas atividades, mas também às condições sociais e históricas – expropriação dos produtores e subsunção real ao capital – da despersonalização do trabalho. Ambos os fatores impõem ao trabalho uma condição de total dependência em relação ao capital: no primeiro caso, dependência em relação aos fatores objetivos, aprofundada no segundo momento como dependência associada aos fatores subjetivos, no sentido de que a capacidade individual de trabalho apenas tem utilidade associada aos meios de produção pertencentes ao capital, ou seja, como trabalho simples.
Portanto, ao expor o meio pelo qual todos os trabalhos são reduzidos a trabalho simples em sua dimensão histórica, Marx nos mostra que a constituição do proletariado no sentido de sua origem está associada à dependência coletiva dos trabalhadores em relação ao capital; o conceito de classe representa as condições em comum as quais os diferentes sujeitos estão submetidos, e a condição do proletariado refere-se à condição comum de subordinação ao capital, gerando uma condição de existência indiferenciada dos trabalhadores assalariados perante o capital.
375 MARX, Karl. Grundrisse. Op. cit., p. 231.
A particularidade do proletariado, entretanto, o que é ao mesmo tempo o real significado da análise de classe em Marx, está em indicar o alcance das transformações impostas pelo capital ante sua necessidade de apropriação de trabalho excedente. O caráter essencialmente distinto das classes sociais produtivas existentes nas formas sociais anteriores, marcadas essencialmente por condições diversas e independentes por parte dos produtores, é superada pela força impositiva do capital, capaz de realizar uma completa homogeneização377 dos produtores reais, rompendo as relações sociais anteriores onde a dominação é marcada por elementos políticos e culturais, nas quais “os indivíduos [...] só entram em relação uns com os outros como indivíduos em sua determinabilidade, como suserano e vassalo, senhor e servo etc., ou como membros de uma casta etc., ou ainda como integrantes de uma estamento etc.”.
Todo o processo de vir a ser do capital – descrito no capítulo anterior – repercutindo na ênfase da troca monetária, rompe todos os “laços de dependência pessoal, as diferenças de sangue, as diferenças de cultura presente etc.” 378, que caracterizam as sociedades anteriores379. Da mesma forma, a produtividade dissociada da habilidade artística abole também qualquer distinção associada à questão de sexo, raça, idade380. Perante o capital, são todos corporificações de tempo de trabalho em uma determinada quantidade mensurável e qualidade indiferente, passiveis de produzir mais- valor. Portanto, o conceito de proletariado expressa uma condição comum de subordinação dos sujeitos coletivos à ditadura do capital, uma representação da homogeneização das condições de existência produzida e produtora na dependência absoluta aos ditames do capital, ou seja, trata-se de um sujeito coletivo em condições comuns de antagonismo frente ao capital.
377 A ideia de homogeneização está presente em Gleicher (An historical approach to the question of
abstract labour, Op. cit., p. 101) ao anunciar que o “valor de uma mercadoria se refere à sua qualidade de homogeneidade de outras mercadorias e o valor de uso, à sua qualidade de heterogeneidade”. A indicação do heterogêneo em relação ao valor de uso já indica que o conceito de proletariado não significa a superação da individualidade.
378 MARX, Karl. Grundrisse. Op. cit., p. 111.
379 A constituição do proletariado, para Marx, como um processo de igualação dos diferentes trabalhadores “pressupõe a abolição e todas as leis que impedem os trabalhadores de migrarem de uma esfera da produção para outra ou de uma sede local da produção para qualquer outra. Indiferença do trabalhador ao conteúdo de seu trabalho. Redução máxima possível do trabalho em todas as esferas da produção a trabalho simples. Eliminação de todos os preconceitos profissionais entre os trabalhadores”. (MARX, Karl. O Capital III/I. Op. cit., p. 150-1).
380 Essa é uma das questões essenciais ilustradas por Marx quando do tratamento do trabalho feminino e infantil, na seção IV. Assim, ao denunciar as condições de extrema exploração impostas pelo capital, sua análise trata de reconstituir o processo pelo qual o capital impõe a formação da classe trabalhadora em uma condição em que são superadas as diferenças de gênero, geração e raça, essa é a premissa central de sua formulação. Diante do capital, permanecem apenas as supostas diferenças quantitativas, expressas no preço da força de trabalho.
O fenômeno de homogeneização imposta pelo capital aos produtores reais mediante redução dos trabalhos a trabalho simples assume posição de centralidade para delimitação do conceito de classe em Marx. A dimensão das condições comuns de existência do proletariado, contudo, não conduz em Marx a uma intepretação na qual a classe deve ser entendida como um coletivo social de sujeitos iguais, isentos de contradições ou diferenças importantes.
Trata-se justamente do contrário, Marx nos traz uma definição do proletariado marcada pela existência das diferenças entre os sujeitos sociais nele inseridos, e essa questão está presente no conceito de trabalho complexo. Trata-se, contudo, da diferença instalada no interior da homogeneidade, uma vez que o trabalho complexo é parte integrante do fenômeno de igualação dos trabalhos, uma vez que esse “trabalho qualitativamente superior tem economicamente sua medida no trabalho simples”. Tal premissa indica que a própria heterogeneidade do trabalho ante o capital apenas pode existir associada à homogeneidade do fator quantitativo – tempo de trabalho – incorporado pelo domínio do capital. Ao encontrar no tempo de trabalho a medida de valor do trabalho complexo, Marx o entende como da mesma natureza do trabalho simples, já que duas “coisas só são comensuráveis pela mesma medida quando são da mesma natureza”381, premissa que adquire centralidade em nossa análise, pois nos autoriza a entender o proletariado como a unidade entre trabalho simples e complexo.
A indicação marxiana em torno da natureza comum entre trabalho complexo e trabalho simples adquire importância em torno do conceito de classe ao expressar a inexistência entre os sujeitos executores desse trabalho – trabalhadores não-qualificados e qualificados – de uma relação de antagonismos, mas denuncia justamente tratar-se de uma relação de unidade, não uma relação de unidade de contrários – como na relação capital e trabalho – mas de unidade na diferença à medida que se encontram ambos ante a mesma condição de existência frente ao capital. Essa condição é expressa por Marx ao afirmar as diferenças “no nível do salário” que se “baseiam em grande parte na diferença entre trabalho simples e complexo [...] e ainda que tornem bem desigual a sorte dos trabalhadores” – não-qualificados e qualificados – “nas diversas esferas da produção, não atingem de modo algum o grau de exploração do trabalho nessas diversas esferas”382, ou seja, o trabalho qualificado é tão explorado quanto o trabalho não- qualificado. Portanto, não faz sentido indicar a partir de Marx os trabalhadores não-
381 MARX, Karl. Grundrisse. Op. cit., p. 511. 382 MARX, Karl. O Capital III/I. Op. cit., p. 111
qualificados como o setor mais explorado da classe. A hiperexploração concretiza-se quando o valor pago pela força de trabalho está abaixo do mínimo necessário a sua reprodução.
Por outro lado, o modo como Marx introduz o problema das diferenças no interior do proletariado, tomando o trabalho complexo como uma redução dialética associada à qualidade, mas distinguindo-o no campo da quantidade383, nos indica que o problema da diferença entre trabalho não-qualificado e qualificado – a qual está associada a determinação de classe – tem sua solução no campo da lei dialética da relação entre qualidade e quantidade. Referida lei se mostrará essencial para entendermos o problema das fronteiras de classe com suporte nas elaborações marxianas, à medida que essa nos indica que o determinante de classe como de qualquer outra coisa não é “apenas sua qualidade, mas igualmente sua quantidade”. Tal distinção configura-se na relação em que a qualidade é um “conjunto das propriedades que indicam o que uma coisa dada representa, o que ela é” – aqui estão os fatores indicados no capítulo anterior – “e a quantidade como um conjunto das propriedades que exprimem suas dimensões, sua grandeza”384, dimensão na qual incluímos o nível de qualificação, estipulado pela quantidade de trabalho objetivada na força de trabalho. Assim, o trabalho qualificado comporta uma diferença de grandeza, da dimensão em relação ao trabalho não-qualificado. Não é, porém, uma diferença de qualidade no que se refere aos fatores essenciais, uma vez que tal distinção quantitativa não enseja uma transformação qualitativa, porquanto “as mudanças quantitativas não acarretam mudanças qualitativas [...] até um certo limite e em um quadro determinado. Os limites nos quais as mudanças quantitativas não acarretam mudanças qualitativas exprimem a medida”385, sentido no qual entendemos que a diferença quantitativa entre trabalhadores não-qualificados e qualificados não representa uma superação das medidas-limite que configuram a existência da classe trabalhadora, ou seja, não propicia o salto qualitativo previsto pelas leis da dialética.
Se por um lado, porém, essa distinção de grandeza não repercute na superação dos limites da classe trabalhadora, de outra parte, enseja distinções qualitativas, mesmo no interior dessas medidas, as quais são constáveis nas condições de existência dos
383 Rosdolsky (Gênese e Estrutura do capital de Karl Marx. Op. cit. p. 431) comete o equívoco de considerar como questão importante em torno do trabalho qualificado “saber [...] de como se deve medir esse múltiplo” do trabalho simples, resumindo o problema a questão de proporção.
384 CHEPTULIN, Alexandre. A Dialética Materialista. Op. cit., p. 204 e 208. 385 Ibidem, p. 212.
trabalhadores qualificados, dimensão essa que entendemos repercutir nas formulações presentes na exposição marxiana, como fundamento para uma distinção entre trabalho não-qualificado e qualificado acerca do tratamento do problema da classe trabalhadora. Essa distinção está presente quando entendemos que, por mais que o proletariado seja alcançado como uma unidade entre trabalho não-qualificado e qualificado, a análise marxiana toma o trabalho não-qualificado em uma posição de prioridade em relação ao trabalho qualificado. Compreendemos que Marx oferece a posição de prioridade ao trabalho não-qualificado perante critérios associados a graus de intensidade distintos dos antagonismos do trabalho não-qualificado e qualificado em relação ao capital, definindo por uma posição particular do trabalho não-qualificado no interior do proletariado.
Marx oferece algumas indicações que autorizam nossa afirmação quanto à prioridade em relação aos detentores do trabalho simples na análise desenvolvida pelo autor no Livro I de O Capital. No primeiro capítulo do Livro I de O Capital, encontramos já a primeira indicação, quando Marx encerra a questão da redução do trabalho complexo ao trabalho simples oferecendo uma indicação que, à primeira vista, parece representar uma simples abstração de cunho metodológico, ao relatar que, para fins de simplificação, tratará a força de trabalho diretamente como força de trabalho simples, com o intuito de poupar o esforço de redução386. Em certa medida, por mais que Marx anuncie que tratará quase que exclusivamente do trabalho simples, o argumento para tal procedimento parece ser de pura simplificação. O tratamento dado pelo autor para o mesmo problema no texto de 1859, contudo, nos permite entender que o critério não se limita à simplificação da exposição, pois a argumentação perpassa a ideia de que o “trabalho simples constitui de longe a parte mais importante de todo o trabalho da sociedade burguesa que poderemos comprovar consultando qualquer estatística”387. Uma relevância postulada por estatística indica a importância ofertada por Marx ao critério da quantidade, qual seja, os trabalhadores não-qualificados representam a maioria absoluta da classe trabalhadora. Por outro lado, a posição secundária concedida por Marx ao trabalho qualificado também pode ser explicada pelo critério da quantidade, justamente à medida que o autor os identifica como um “pessoal
386 MARX, Karl. O Capital I. Op. cit., p. 122.
numericamente insignificante” que surge ao “lado dessas classes principais”388, no caso os trabalhadores não-qualificados.
Ainda em O Capital, ao tratar do problema da acumulação, uma linha argumentativa semelhante à indicada no texto de 1859 é retomada, mesmo que momentaneamente, mas nos ofertando importante explicação quanto ao caráter de importância atribuída por Marx aos trabalhadores não-qualificados. Nas palavras do autor os “limites deste livro nos obrigam a tratar, aqui, sobretudo da parte mais mal renumerada do proletariado industrial e dos trabalhadores agrícolas, isto é, da maioria da classe trabalhadora”389.
Nessa passagem, Marx retoma o critério da quantidade, a maioria da classe trabalhadora, mas agora o critério de maioria está vinculado ao preço da força de trabalho. Para sermos mais exatos, a baixa renumeração – condição própria do trabalho não-qualificado – ao qual Marx associa o valor de sua força de trabalho ao mínimo necessário referente à reprodução física e social do trabalhador, ou seja, trata-se da esfera da classe que se encontra sobre as piores condições de existência.
Articula-se a essa passagem, e à do texto de 1859, toda a análise desenvolvida por Marx nos capítulos em que trata do problema da jornada de trabalho, no qual as formulações recaem sobre as atividades as mais diversas, executadas com o nível médio de qualificação encontrado em qualquer trabalhador. Sobre essas condições, se efetiva a introdução do trabalho feminino e infantil, que vendem sua força de trabalho a valores abaixo do trabalhador adulto masculino, vivendo consequentemente sobre condições mais precárias. Portanto, são evidências mais do que suficientes para assegurar que Marx encontra uma prioridade, no interior da classe trabalhadora, dos trabalhadores não-qualificados em detrimento dos trabalhadores qualificados. Os critérios usados por Marx para definir essa prioridade em sua análise são, por um lado, quantitativos, pois se referem à importância conferida à maioria da classe trabalhadora, e o setor que vive sobre as condições mais precárias de existência. Por outro lado, como veremos no último capítulo deste trabalho, esses critérios quantitativos adquirem dimensão qualitativa no que se refere ao grau de intensidade dos antagonismos à frente do capital.
Por fim, a compreensão da prioridade ofertada por Marx ao trabalho simples ajuda a dirimir formulações equivocadas, como a de Poulantzas, que associam o proletariado ao trabalhador fabril, mediante sua equiparação entre trabalho produtivo e