B. Temel Politikalar ve Öncelikler
III. FAALİYETLERE İLİŞKİN BİLGİ VE DEĞERLENDİRMELER
O art. 9º da LAI enumera em seus incisos as medidas cabíveis para que seja assegurado o acesso à informação à população, determinando que deverá ser criado um serviço de
informações ao cidadão, bem como trazendo a obrigatoriedade da inserção dos cidadãos nas pautas públicas através de consultas e de incentivo à participação popular.
Conquanto o inciso I já esteja apto a produzir efeitos, pois a lei já informou como deverá ser estabelecido o serviço de informação ao cidadão, o inciso segundo não conta com o mesmo grau de efetividade, pois não tem a minúcia de determinar como o poder público promoverá as audiências públicas, principalmente, no tocante a estabelecer sua obrigatoriedade e, tão pouco, informa como se dará o incentivo à participação popular, restando incerto que tipo de políticas públicas devem ser feitas para alcançar tal fim.
A jusfundamentabilidade do direito à informação, trazida na lei, suscita a discussão acerca da falta de efetividade do inciso II. O próprio caput do artigo deixa claro que o direito à informação só estará assegurado mediante as ações enumeradas pelo artigo, e cumpre ressaltar que o inciso II do art 3º da LAI informa que a divulgação de informações de interesse público deverá acontecer independente de solicitação.
A importância do inciso II do artigo 9º, embora deliberadamente menoscabada pela falta de objetividade do texto, dá-se por ser justamente ele que protege o cidadão-contribuinte que não está inserido no processo discursivo, seja pela sua condição econômica, seja pelo não desenvolvimento de um ambiente cultural propício ao fomento de discussões acerca das contas públicas.
Como a divulgação das informações públicas deverá ocorrer independente de solicitação por parte do particular, infere-se do artigo que os administradores públicos deverão implementar políticas públicas para o esclarecimento da população. Assim, a LAI deveria trazer instrumentos que impusessem aos representantes eleitos a obrigação do estabelecimento dessas políticas, a fim de que o cidadão não ficasse à mercê da vontade dos políticos.
Por isso o inciso II é paradigmático. É a partir dele que se poderá inaugurar, no Brasil, um ambiente democrático com feições diferentes do que está posto, em que, efetivamente, desenvolver-se-á uma cultura de transparência na administração pública56, pois é a partir dele
que se pode extrair o dever dos administradores públicos de inserir a população, em todos os seus níveis, e através de todos os mecanismos disponíveis, nas discussões democráticas.
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As formas de controle do gasto público podem se dar de diversas maneiras. O tema é aprofundado em: GARCIA, Leice Maria. Controle Social dos Gastos Públicos: Fundamentação, Limites e Possibilidades. In: BUGARIN, Maurício Soares et al. Controle dos Gastos Públicos no Brasil: instituições oficiais, controle social e um mecanismo para ampliar o envolvimento da sociedade. Rio de janeiro: Konrad-Adenauer-Stiftung, 2003. passim. e TEIXEIRA, Alberto. A força da sociedade civil e a construção do contra-poder. In: PRAZERES, Maria Alice Bórgea; MACEDO, Miguel.(Orgs.). O poder, o controle social e o orçamento público. Fortaleza: Konrad-Adenauer-Stiftung, 2004. Passim.
Resta, então, analisar o alcance da lei nos termos em que ela se encontra, posto que, como direito fundamental a ações estatais positivas, o direito de acesso à informação demanda a criação de normas que estabeleçam procedimentos e mecanismos para seu cumprimento.
É um direito de natureza diferente dos direitos de defesa, os quais só demandam do Poder Estatal a não ação de seus agentes em face dos limites estabelecidos pelos direitos do cidadão, e, por isso mesmo, é necessária uma observação mais apurada sobre seu alcance. Como coloca Alexy:
Direitos a ações positivas do Estado impõem ao Estado, em certa medida, a persecução se alguns objetivos. Por isso, todos os direitos a ações positivas suscitam o problema de se saber se e em que medida a persecução dos objetivos estatais pode e deve estar vinculada a direitos constitucionais subjetivos dos cidadãos.57
Nesse caso, há de se verificarem quais os mecanismos que estão à disposição do cidadão para fazer valer o inciso II do art. 9º, tendo em vista que o direito que aí se encontra posto em face do direito fundamental à informação é um direito à criação de normas para o cumprimento de tal direito.
Em outras palavras, o direito à informação, da maneira como está posto na Lei 12.527/2011, não se encontra garantido por ela própria, entretanto a natureza do direito à informação induz à conclusão de que subjaz um direito do direito à informação, que é o direito à criação de normas que o garantam.
Portanto a obrigação advinda do direito fundamental à informação que se verifica em relação ao inciso II do art. 9º é direcionada ao legislador, em última instância, o que faz com que, novamente, a discussão acerca da democracia demonstre sua relevância.
Ocorre que a democracia brasileira goza de peculiaridades que não se observam em outros países. Enquanto países avançados, do ponto de vista da inserção do cidadão na discussão democrática, discutem os limites dos direitos fundamentais prestacionais, aqui a discussão ainda passa pela consecução da implementação de normas que garantam tais direitos.
Ou seja, no Brasil, a preocupação acerca dos direitos fundamentais que demandam ações positivas passa, primeiramente, por buscar mecanismos que obriguem os representantes eleitos a garanti-los minimamente, mesmo que já estejam postos na Constituição.
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ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais. Tradução: Virgílio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2008. p. 433.
Pode-se dizer, então, que doutrina nenhuma se aplicaria ao caso brasileiro, entretanto o modelo proposto por Alexy58 para o tratamento dos direitos à organização e procedimento
parece que apresenta algumas alternativas para socorrer o cidadão brasileiro no que concerne à falta de efetividade do inciso II, do art. 9 da Lei de Acesso à Informação.
3.3.2 Os direitos que têm como objeto a criação de normas procedimentais: o modelo de