TEMEL DEĞERLER VE İLKELERİMİZ
FAALİYET MALİYETLERİ TABLOSU
Falar do Processo de Neolitização é o mesmo que definir quais os mecanismos que estão na base da mudança das sociedades recolectoras para as produtoras. Existem diversas abordagens sobre o que estaria na base do processo de neolitização. Segundo Sérgio Monteiro Rodrigues (2011, p. 17 e sgs) várias são as correntes teóricas por ele citadas e cujos modelos se aplicam ao Mediterrâneo ocidental. Este autor cita os modelos de difusão démica que se fundamentam na «…expansão de populações originárias do Próximo Oriente…» (idem, p. 17) e que se pode manifestar «…através do modelo de colonização pioneira…» (idem, p. 18), modelo este que permite a co- existência de duas comunidades distintas: a indigenista ou autóctene e a difusionista, permitindo diversa interacção entre os dois grupos distintos, sendo este modelo muito aplicado à Península Ibérica (idem, p.18). Outros, são os modelos percolativos ou capilares que resultam «…de redes de intercâmbio e de alianças intergrupos no quadro de sociedades de caçadores-recolectores europeus…» (idem, p. 17). Um outro modelo apresentado por Monteiro-Rodrigues é o “availability model” ou modelo trifásico, que não nega movimentação de comunidades «…mas que valoriza essencialmente os processos intrínsecos dos caçadores-recolectores mesolíticos…» (idem, p. 21). Numa primeira fase de disponibilidade nos contactos entre os dois grupos indígenas e agricultores, apenas se troca informação. Numa fase mais avançada, os indigenistas adquirem novidades do pacote neolítico, enquanto a comunidade agrícola se estabelece em territórios indigenistas (idem, p. 21). Numa fase posterior, denominada fase de substituição, generaliza-se a fase produtora e de competição entre indígenas e agricultores pela posse de um território e tudo o que isso implica em termos de
110 economia, aquisição de matéria-prima ou mesmo status social. Numa fase posterior e final (fase de consolidação), assiste-se à consolidação do sistema agrícola, ao decréscimo do recurso alimentar selvagem, ao surgimento de povoados [(como o de Sta Margarida, e aí, um amplo controlo do território (nossa nota)], bem como ao surgimento de necrópoles (idem, p. 22)
Para o território português vários são os autores que se apoiando nas teses anteriores elaboram os seus modelos teóricos sobre o território. É precisamente sobre esses modelos teóricos para o território português, em torno do Processo de Neolitização, que de seguida iremos prosseguir.
Em 1970, Guilaine e Ferreira defendem já a tese de difusionismo costeiro (segundo RODRIGUES 2011, p. 26)
Arnaud (segundo Zilhão, 1998), defende para a baía de Sines dois modelos: um difusionista e miscegenação posterior dos autóctenes e, um outro, em que os autóctenes teriam adquirido a longa distância o pacote neolítico completo ou parcialmente.
Para Carlos Tavares da Silva (1990), no Sul de Portugal, a par da existência de grupos mesolíticos que poderiam adquirir parte do pacote neolítico a realidade do difusionismo nos parece clara nesse autor dado apontar a tese de presença de cerâmica no concheiro do Cabeço do Pez como resultante provável da inclusão no seio comunitário de mulheres portadoras do pacote neolítico (exogamia), conhecedoras da olaria e da agricultura, conduzindo assim a um processo de osmose cultural, que teria provocado esse processo de neolitização. Ou seja, teríamos Indigenistas ou autóctones e difusionismo.
Para Nuno Bicho [et al.] 2003, a neolitização do Algarve deu-se através do processo dualista, no qual as populações mesolíticas locais apenas adoptaram a cerâmica, não alterando o seu sistema económico de pescador-caçador-recolector-armazenador. A introdução da cerâmica foi efectuada por grupos exógenos vindos por via marítima, e portadores do pacote neolítico.
Para Soares e Silva (2003) na Costa do Sudoeste, os grupos Mesolíticos teriam evoluído internamente para a sedentarização, conduzindo a um crescente desenvolvimento económico e social e, com ele, um crescimento demográfico. Estes autores não colocam de lado a existência da circulação do “pacote neolítico”, mas entendem que este aconteceu através da troca de informação (osmose cultural), por questões de vizinhança ou da prática da exogamia.
111 Ao falar sobre o Algarve e Estremadura, Nuno Bicho [et al.] (2000, p. 11-22), defende que o processo de neolitização em Portugal não foi um modelo unilinear, mas diversificado nas várias zonas do país. Apresenta dois modelos teóricos para o Algarve: Um em que propõe a chegada por volta de 6550 BP (cerca de 5500 a.C.), de comunidades neolíticas exógenas portadoras de cerâmica cardial (sítios de Cabranosa e Padrão), tendo sido absorvidos pelas comunidades mesolíticas, passando a ocupar as mesmas zonas e optando pelo mesmo tipo de subsistência e economia, difundindo-se rapidamente a partir daí pelas comunidades locais a cerâmica não cardial; um outro modelo, apresenta a chegada de comunidades neolíticas, por via marítima, tendo as comunidades mesolíticas absorvido apenas a produção cerâmica através desse contacto. Contraria os modelos de Soares e Silva e de Zilhão, afirmando que o processo de neolitização português não se confina a um único modelo explicativo, definindo «…três regiões com processos de neolitização diferentes e com dois momentos diferentes…». (idem, p. 15) Em relação ao Algarve e à Estremadura (entre 6900 e 6400 BP), teriam chegado num primeiro momento comunidades exógenas vindas por mar. Enquanto que no Algarve essa colonização foi pouco expressiva, devido talvez ao peso das comunidades locais mesolíticas, estas assimilaram não só a tecnologia cerâmica, mas os próprios elementos humanos exógenos, continuando com uma economia centrada na caça e na recolecção marinha. Na Estremadura, pelo contrário, ter-se-ia dado uma forte colonização a norte do vale do Tejo, no interior, onde existiam comunidades mesolíticas, estando estas fixadas nos estuários, podendo ocorrer contactos esporádicos entre os dois grupos em áreas de exploração de recursos naturais (caso Rio Maior), em momentos diferentes e sazonalmente. A base económica dos grupos mesolíticos seria assente nos «…recursos naturais terrestres e marinhos enquanto as comunidades neolíticas assentava na agricultura e pastorícia…».(idem, p. 16) Num segundo momento (entre 6500 e 6000 BP) a Estremadura e o vale do Sado vê desaparecer as comunidades mesolíticas, talvez integradas pelas comunidades neolíticas, devido a alterações climáticas, decréscimo de recursos fluviais e crescimento demográfico das populações neolíticas. No Algarve «…mantém-se o mesmo padrão de subsistência das comunidades neolíticas…» (idem, p. 16), baseado nos recursos naturais da região, mas parece ter ocorrido um crescimento demográfico das populações «…e uma expansão do território ocupado anteriormente…» (idem, p. 16). Na costa Alentejana (por volta de 6000 BP) as comunidades mesolíticas vêem chegar a cerâmica epicardial, e a perca do domínio absoluto que tinham até então. Quer na costa Alentejana quer no Algarve só a
112 introdução da pastorícia e da agricultura no milénio seguinte (5000 BP) parece ter alterado o padrão de subsistência que até então aí imperava.
Para o Litotal alentejano e Estremadura Zilhão (1998), defende a existência de autóctones e do difusionismo por parte de comunidades portadoras da totalidade do pacote neolítico.
Mariana Diniz (2007) apoiando-se no sítio da Valada do Mato refere que o processo de neolitização não se inicia com comunidades portadoras do pacote neolítico, mas sim é um processo de longa diacronia que se inicia nos finais do 6º ou inícios do 5º milénio a.C. e que só termina com a chegada das sociedades agro-metalúrgicas. Sintetizando, podemos dizer que Diniz aponta a existência de um dualismo e de miscigenação de componentes com diferentes origens culturais. O que para ela parece pacifico é o modelo dual, difusionismo e indigenismo. Propõe uma leitura alternativa ao modelo dual no território português, o de «…uma co-participação no processo de “colonos” e de “indígenas”, num fenómeno de neolitização…» (idem, p. 201). «…multilinear e resultado de diferentes mecanismos históricos…» (idem, p. 202). Assim, «…o fenómeno de neolitização percorreu variados caminhos marítimos e vias terrestres, ao longo dos quais se geraram múltiplos epicentros de miscigenação e mutação cultural…» (idem, p. 225), tendo para o efeito contribuído «…de formas diferenciadas “colonos” e “indígenas”…» (idem, p. 225).
Quanto a Manuel Calado (2000, p. 35-46), a sua abordagem sobre o processo de neolitização do Alentejo Central inicia-se com a génese do megalitismo. Aliando os dados disponíveis sobre povoamento neolítico e megalitismo, Calado propõe de forma esquemática, a aplicar ao Alentejo Central, alguns modelos em cinco linhas base. Dessas linhas base, destaca que essa ocupação ocorreu através de grupos portadores de cerâmica cardial, incisa e plástica, na altura em que se abandonaram os concheiros do Tejo e Sado, «…alimentada pelos respectivos efeitos demográficos, num ambiente de ruptura económica e cultural…» (idem, p. 40). Propõe para a localização dos povoados Neolíticos mais antigos uma completa relação com os antigos concheiros do Tejo e Sado, numa área territorial que não só contêm a «…quase totalidade dos recintos megalíticos…» (idem, p. 40), mas seria o território de exploração dos autóctones (caça- recolecção) constituindo uma fronteira teórica, que seguiria «…as principais linhas naturais de trânsito (festo e cursos de água). Por outro lado, Calado «…com base na avaliação do potencial das áreas de captação de recursos…» (idem, p. 41) propõe para os construtores de menires uma predominância de actividade pastoril, e para os grandes
113 povoados “abertos” uma economia agrícola expressiva. Calado sintetiza a sua teorização com uma proposta de leitura diacrónica das diversas opções apresentadas para o Alentejo Central, ao longo do processo de neolitização, tendo em atenção as diversas opções territoriais face aos tipos de habitat; conjuntamente com todos estes factores, a existência de um processo paralelo de megalitização, ou de evolução megalítica, face ao binómio territórios-habitats, desde o Neolítico até ao Calcolítico. Define que os primeiros grupos neolíticos (ou em vias de neolitização), elegerão preferencialmente solos graníticos para habitat, enquanto no Calcolítico o povoamento muda para terrenos devolutos de solos xistosos.
Para a Estremadura e Alto Ribatejo, Zilhão (1998, p. 27-44) define a existência de populações autóctones e de difusionismo, tendo sido estas comunidades absorvidas por estes últimos.
Para o Alto Ribatejo Oosterbeek (1999), após tecer alguns considerandos em torno dos dados de Zilhão (1992) sobre a Gruta do Caldeirão, considera que, e ao invés de Zilhão, a neolitização teria sido um processo sem descontinuidades abruptas, resultando de diversos factores em que as diversas comunidades Mesolíticas, numa articulação conjunta optariam por determinados elementos do “pacote neolítico”, numa aceitação selectiva ou socialmente impostas em alguns casos. O tipo precário de habitats, contrariando assim o «modelo aldeão», é o exemplo claro de que a neolitização não teria sido um processo rápido, mas gradual, notório pela aceitação de parte do pacote, caso cerâmicas, pecuária e braceletes de Glycymeris glycymeris, marcando esse facto, tal como a arte rupestre mais um avanço da paisagem por via da actividade humana, do que devido a uma aceitação global do pacote, que implicaria uma mudança estrutural do modo de vida das populações mesolíticas.
Só a agricultura mudou o modo de vida e o tempo das comunidades. Fixou a população à Terra, alterou modos de vida, fraccionando parte da comunidade. Todo este processo teria sido efectuado lentamente pelas diversas comunidades mesolíticas, a que não seria alheio seguramente resistências, o que o modelo de habitats precários parece sugerir.
Também para o Alto Ribatejo, Alexandra Figueiredo (2006) na sua dissertação de doutoramento, defende que a neolitização dos grupos mesolíticos ocorreu num processo não-fechado, no qual as populações estariam abertas à adopção do “pacote neolítico”, particularmente as espécies domésticas, enquanto os restantes elementos artefactuais
114 seriam adoptados em termos selectivos por cada grupo consoante as necessidades, embora essa adopção não possa ser interpretada numa óptica de subsistência.
Para Trás-os-Montes e Alto Douro, Sérgio Monteiro-Rodrigues (2000) não aceita a tese difusionista como elemento de Neolitização do território porque não existe rotura, antes existem provas da continuidade de ocupação do interior do território desde o Paleolítico Superior até ao início do Neolítico Antigo (O Neolítico inicial de Trás-os-Montes e Alto Douro é definido pela camada 3, do sector VII do sítio do Prazo (5475-5330 a.C., cal 2 sigma). Perfilha assim a tese de S. O. Jorge, no sentido da existência de uma selecção por parte das comunidades mesolíticas do pacote neolítico, denotando a existência de sítios arqueológicos onde as populações que adoptaram a agricultura e a domesticação (Buraco da Pala), enquanto outros se baseavam na continuidade da prática da caça e da recolecção.
Para o Baixo Côa e segundo António Faustino Carvalho (1999), toda a Beira Alta e Trás-os-Montes se encontravam desocupados à época da implantação das primeiras comunidades neolíticas, logo, temos difusionismo para a área.
Maria de Jesus Sanches (2000, p. 181-200) numa abordagem ao Norte de Portugal refere que a adopção dos diversos elementos neolíticos dependeria das diversas comunidades. A «…”expansão” da economia agro-pastoril…» (idem, p. 195), deve-se a diversas modalidades e dependem «…das relações sócio-económicas…» (idem, p. 195) das diversas comunidades, assim como das «…relações intercomunitárias…» (idem, p. 195).
Esse processo deveria ter sido longo. Partindo da hipótese de que esse pacote, estaria ausente no Norte a sua origem ter-se-ia dado por difusão a partir de outras áreas onde a adoptaram, em momentos cronológicos anteriores. Não aponta para uma movimentação de populações, embora não ponha de lado essa hipótese, mas reafirma a «…transmissão de ideias, produtos e/ ou técnicas…» (idem, p. 196) entre as diversas comunidades, e de natureza diversa. Aponta o “modelo capilar” de S. O. Jorge como a melhor explicação para a absorção dos itens neolíticos pelas populações mesolíticas numa óptica de transmissão e assimilação inter-grupal. Essa adopção pelos diferentes habitats seria aleatória e dependeria do tipo de elementos presentes nesse pacote, mas também dependeria do tipo de relevo dos diversos territórios, velocidade de transmissão e
115 adopção que estariam dependentes das relações de comunidade para comunidade, razão provável «…das “anomalias” verificadas no Neolítico do Norte de Portugal…» (idem, p. 197).
Para o território Português segundo Susana Oliveira Jorge (Cit por Rodrigues, 2000, p.165), a Pré-História Recente do Território Português pode ser o resultado da «…aceitação desta “novidade neolítica” trazida do exterior através de um complexo cruzamento de contactos intergrupais que dispensam grandes movimentações populacionais…» (idem, p.165), assim como ser definida por «…um processo de selecção das denominadas “inovações neolíticas”, por parte das sociedades com uma economia baseada na caça e na recolecção. Nessas sociedades tais “inovações” (por exemplo a cerâmica, a pedra polida, ou até mesmo os cereais e os animais domésticos), poderiam mesmo adquirir uma dimensão mais do domínio simbólico (prestigiantes pela sua raridade) do que propriamente do domínio tecno-económico…» (idem, p.165). Ou seja estamos perante uma Neolitização indígena ou autóctone.
Segundo Cruz (2010) o Neolítico Cardial já não se restringe à faixa calcária, mas surge (embora sem datações) em Santa Margarida (Constância) e Salvador (Abrantes), «…o que não impede a possibilidade de um cenário onde grupos de produtores coexistem com grupos “conservadores” de caçadores-recolectores…» (idem, p. 294). Considera ainda a hipótese que a chegada dos primeiros colonos portadores do pacote neolítico (colonização marítima segundo Zilhão), ter sido efectuada pela via do rio Tejo e permitir em simultâneo essa presença na Gruta do Caldeirão e para Norte ao longo do Tejo até à região de Abrantes. Seria uma área não desabitada, mas possuiria um sem número de caçadores-recolectores que se vão aculturando, consoante as suas necessidades ou a produção se instala e triunfa. Assim, Cruz considera que a solução que melhor se adequaria à neolitização do território português, seria a via marítima Mediterrânica e Atlântica e em vez de estar limitada ao Maciço calcário, prosseguiria ao longo do Tejo até chegar ao Zêzere. Esta seria a explicação difusionista do processo de neolitização para um primeiro momento «…permitindo às populações mesolíticas o usufruto de informação que certamente ocorreria através de redes de comunicação já existentes…» (idem, p. 300). Uma outra solução que propõe é o do interior do território em que o pacote neolítico tivesse sido difundido através dos rios nos troços navegáveis e as linhas de festo de caminhos de pé posto (Sado-Tejo, Tejo-Guadiana, Tejo-Zêzere).
116 As soluções anteriores permitem assumir como possível «…a existência de um processo de aculturação dinâmica, por parte das comunidades autóctones, como reacção à existência das novas tecnologias neolíticas, independentemente da via que tomaram para se tornarem conhecidas…» (idem, p. 300). Quanto ao megalitismo considera que o seu início no Vale do Rio Zêzere está representado pela Pedra da Encavalada.
D1 Tese de Neolitização para Abrantes
A ausência de cereais selvagens e de animais domésticos na Europa e a inexistência de cabra entre a dieta alimentar dos concheiros de Muge (BICHO, 2009) logo nos aponta para uma outra origem desse elemento difusor que se encontra na crescente fértil no Mediterrâneo oriental (RODRIGUES 2011, p.17). Aí, entre o IX e o IV milénio a.C. verificou-se o surgir do primeiro processamento dos cereais selvagens, da domesticação de ovi-caprinos, da cerâmica, das primeiras aldeias e núcleos urbanos. Das primeiras cidades estado amuralhadas, dos primeiros códigos de conduta, da escrita, das primeiras grandes civilizações (URL: https://pt.wikipedia.org/wiki/Neol%C3%ADtico). Parece- nos claro que a difusão quer por mar ou terra parece ter sido inevitável, para grupos na ânsia de atingirem novos territórios para lançarem a semente à terra, apascentarem o gado ovino e caprino. E o processo rápido chegou ao actual território português por volta do 6º/ 5º milénio a.C., tendo em atenção as datações dos sítios da Cabranosa, e Padrão, Algarve (DINIZ, 2007, p. 188 e 200).
Quanto a nós e em relação ao nosso concelho, dissemos atrás que o Ídolo do sítio da Jogada/Chã denota um claro difusionismo e miscigenação (exogamia) em meio megalítico (vd. Fig. 60). Isto parece-nos claro. No Povoado de Fontes dispomos de algumas datações absolutas: uma para o barro de revestimento (forno/ silo?) localizado no topo da camada C que são de 9.200±600 a.C., 8.900±600 a.C. e 9.300±600 a.C. e outra de 6.400±400 a.C. obtida do sedimento (CRUZ, 2010 p. 110 e 2011, p.12) e toda uma indústria macrolítica que se estende até ao Calcolítico com cerâmicas caneladas (CRUZ, 2011, p.34 e sgs.). No Povoado da Amoreira, uma datação absoluta sobre carvões da camada C deu uma datação de 7.460±120 BP, 6.706 – 6.157 cal B.C. 2 sigma, uma segunda por MAS forneceu a data de 10.230-10.150 BP, 8.280-8.200 cal B.C. 2 sigma, radiocarbono convencional 9.010± 40 BP (CRUZ, 1997 p. 301e 2010 p. 139) e toda uma indústria macrolítica e uma eventual cronologia tardia do Bronze. Por outro lado, a erecção do menir da Medroa precede claramente o megalitismo funerário
117 final (fase 3 final), estando em consonância com o proto-megalitismo da fase 1 correspondente a fossas individuais em torno de um afloramento, tal o da Pedra da Encavalada (CRUZ, 2010, p.142-166). Parece-nos evidente que em Abrantes dispomos de uma Neolitização em que o difusionismo é evidente, e os autóctones teriam absorvido parte do “pacote Neolítico”, como cerâmicas decoradas do sítio de Fontes, ou as cerâmicas lisas e decoradas da Pedra da Encavalada. As populações autóctones, continuariam a ocupar os mesmos locais sazonais desde há milénios, numa clara exploração de um território já amplamente conhecido e deveriam ter absorvido progressivamente do “pacote Neolítico”, alguns elementos como machados e cerâmicas com caracter de uso utilitário ou apenas de caracter ritual. E isto se deveu a um impulso próprio ou porque no seu seio e por exogamia entraram elementos portadores do pacote neolítico. Isto é o que nos parece atendendo ao Ídolo do povoado da Chã/ Jogada, claramente de influência oriental. Todavia, semelhante mudança ter-se-ia instalado de modo progressivo desde o 6º ao 3º milénio, até que surgem os grandes povoados de altura com uma clara e forte componente agro-pastoril, nos quais o sistema agro-pastoril se encontra consolidado. Se retermos o olhar na indústria macrolítica (embora não vejamos qualquer utilidade prática nesta indústria em xisto-grauvaque, como a recolhida no Povoado de Fontes) e a sua longevidade, esta serviria perfeitamente para a actividade económica de caça, pesca e recolecção local dos grupos autóctones, o que vai de encontro à opinião de Cruz (idem, p. 283) de que na Pedra da Encavalada a economia dos seus construtores e utilizadores passaria pela recolecção, caça, pesca e pastorícia transumante, como o demonstram alguns dos artefactos recolhidos. A não existência de uma quebra abrupta na utilização da indústria macrolítica ou Tagana, denota um sistema económico sem grandes ou nenhumas roturas (e, como tal, um modo de vida não sedentário), embora haja a adicção de parte de elementos do “pacote Neolítico”, tais como cerâmicas lisas e decoradas. Não nos parece assim que os autóctones estivessem em vias de sedentarização ou num processo crescente de Neolitização. O facto de o Povoado de Fontes dispor de cerâmica do Neolítico Antigo evolucionado não implica