Performans programına ait performans hedef ve göstergeleri ile bunlara ilişkin faaliyetler aşağıda yer almaktadır
FAALİYET MALİYETLERİ TABLOSU
No Brasil, as migrações internas têm trazido implicações para o campo educacional e, especialmente, para a Educação de Jovens e Adultos, tanto que a migração é uma realidade que se constata na maioria das experiências de alfabetização e educação de trabalhadores, desenvolvidas em âmbito formal e/ou não formal, espalhadas pelo Brasil.
Nesse sentido, as migrações internas têm repercutido diretamente no sistema educacional brasileiro, já que, excluídos do sistema escolar desde a
infância – homens e mulheres – se integram aos cursos destinados aos jovens e aos adultos trabalhadores, na tentativa de (re) construir seus conhecimentos como resposta às demandas provenientes do mundo do trabalho e de outras situações advindas do seu existir.
Um dos nossos entrevistados, Sr. Manoelzinho, relata que, só recentemente, depois de “velho e aposentado”, está conseguindo frequentar a escola. Ele nos conta da alegria de viver esse momento, apesar do desafio que representa. Reconhece que, mesmo diante de condições tão desfavoráveis por ele apontadas, tais como: “cansaço, sono, dificuldade de visão, lentidão para aprender”, a escola era o lugar “certo” para “dominar” a leitura e a escrita, pois, mesmo sabendo muitas coisas, enfrentando todos os tipos de trabalho e conseguindo “desenrolá-los”, não conseguiu atingir esse objetivo. Vejamos:
Eu agora é que estou começando na escola. É, estou começando agora na escola e estou me sentindo a vontade, porque eu já estou dizendo até umas palavrinhas (...). Que às vezes eu me sinto como um menino começando a falar. Um menino que está começando a falar (...). Então, eu tenho fé em Deus de aprender, embora eu não vá aprender as coisas todas, mas pelo menos ler (...). Saber ler para ler o evangelho
(Manoelzinho, 73 anos, aposentado).
A escola, todavia, como espaço legítimo do ensino formal, concebida e organizada para essa tarefa educativa, nem sempre demonstra estar preparada para atender às necessidades desses adultos, sobretudo no que diz respeito aos diálogos por meio dos quais interagem com os saberes acumulados nos espaços de vida e de trabalho dos sujeitos educandos.
O analfabetismo é considerado como uma dívida social do país, com um duplo movimento que reúne tanto a ineficiência do ensino regular para crianças e adolescentes quanto a negação do direito à educação dos adultos na idade considerada apropriada. Poucos estudos se ocupam de investigações que articulem devidamente a relação entre migração e educação, migração e alfabetização e/ou analfabetismo.
No âmbito das produções que versam sobre essa relação, identificamos quatro trabalhos - três veiculados na década de 1990, e um, nos anos 2000. O primeiro deles é o livro da pesquisadora Gerusa Mendonça Gomes, intitulado
“A experiência do vazio: significados da Educação para os migrantes de retorno em Pernambuco (1990)”. A autora aborda, tomando como opção metodológica, o estudo das representações sociais, os significados atribuídos à educação pelos sujeitos migrantes inseridos em ciclos migratórios, ao retornarem para sua terra de origem. Perseguindo as contradições que transparecem nos discursos dos sujeitos, Gomes (1990) chega à conclusão de que, embora a escolarização seja silenciada nos discursos dos migrantes, em que prevalecem as pretensões quanto à instrução profissional, fato cuja ausência representa, portanto, o vazio, a autora identifica ser essa tendência uma estratégia dos sujeitos na perspectiva de encontrar formas de apropriação do saber dominante como possibilidade de libertação do trabalho alienado. Para ela,
a falta de um lugar e um tempo para viver, de ter que sobreviver, de saber para fazer, demarca uma situação de vazio (...). É a explicitação do não ser. O lugar de vida é no trabalho, fazendo e desfazendo-se nele, por ele e para ele. Tão absorvedor é o trabalho que nele a contradição de vida dos sujeitos e da própria sociedade melhor se explicita. O trabalho é o vazio que o retira do mundo dos vivos sem que, todavia, deixe de ser a própria vida (GOMES, 1990, p. 112).
O artigo de Sônia Vargas, por sua vez, adentra a especificidade das questões migratórias, especialmente em terras nordestinas, e estabelece relações com o campo da Educação de Jovens e Adultos. Intitulado “Migração, diversidade cultural e educação de Jovens e Adultos no Brasil (2003)”, investiga as implicações politico-pedagógicas dos movimentos migratórios para a EJA e traz, como ponto central, os desafios da formação continuada dos educadores para atuarem conscientemente nas questões da diversidade cultural. A autora, além de situar a migração como categoria histórica e social, descreve os feitos e os fatos da Educação de Jovens e Adultos no Brasil, sinalizando para as implicações decorrentes de uma formação específica dos educadores para essa modalidade educativa. A autora assevera que (...) “o aumento de oportunidades educacionais para as classes populares é um dos caminhos que poderão conduzir a uma justiça social mais efetiva, que permita reduzir as desigualdades sociais na sociedade brasileira” (VARGAS, 2003, p. 129).
A terceira produção destacada é o caderno nº 12 da Travessia – Revista do Migrante, publicada pelo Centro de Estudos Migratórios (CEM). Interessa registrar que, ao longo de toda a produção desse Centro, esse é o único
número dedicado à educação, denominado de edição especial. Registramos nos escritos uma variação no trato da educação, em que prevalecem abordagens que se ocupam da questão da alfabetização e da Educação de Jovens destinadas aos migrantes. Os artigos que compõem a revista acentuam que o desencontro entre a teoria e os processos sociais concretos só pode ser superado quando os sujeitos envolvidos nas escolas e nos movimentos onde buscam construir novas identidades forem considerados, ouvidos e indagados. Assim, “reconhecer as práticas educativas que se dão nesses movimentos e recuperar criticamente a importância da escola para os protagonistas da subalternidade têm constituído desafios ainda não totalmente superados” (CEM, 1992, p. 03).
A última obra é o livro de Fernando Frochtengarten, “Caminhado sobre fronteiras: o papel da educação na vida de adultos migrantes” (2009). À luz dessas questões, uma compreensão quanto à experiência de escolarização destinada aos adultos migrantes foi empreendida por Frochtengarten (2009), que faz uma análise da experiência de retomada da vida escolar por adultos trabalhadores migrantes, que deixaram o campo e se destinaram à cidade. Nesse estudo, ele diz que reconhece os limites de acesso à escola por parte dos migrantes, que a maioria não teve oportunidade de frequentar uma escola formal, e outros, embora tivessem uma passagem por esse espaço, isso não foi suficiente para assegurar níveis de inserção no mundo da lecto-escrita.
A maioria dos alunos que viveu nesses quadros sociais chegou a ter um primeiro contato com as letras em passagens por escolas rurais ou pelas mãos de alguém que tenha feito a vez de professor. (...) Essas primeiras experiências escolares propiciaram algum grau de alfabetização, porém não geraram impulsos que tivessem se desdobrado em práticas sociais letradas (FRONCHTENGARTEN, 2009, p. 79).
Esses estudos representam uma valiosa contribuição para as abordagens que nos permitam compreender os caminhos para a efetivação do direito dos jovens e adultos ao saber escolar sistematizado, principalmente no contexto da Educação de Jovens e Adultos.
Nessa direção, nas entrevistas realizadas em nossa pesquisa, constatamos que a educação não se configurou como um direito e, tampouco,
representou possibilidades de apropriação de um mundo que foi negado a esses migrantes. Ao contrário, o que trazem como partilha em comum é um quadro de exclusão social e educacional, enfrentado sem muito poder de resistência desde a infância.
5.3 A aprendizagem ao longo da vida: construindo alternatividades na