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FĠNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA ĠLĠġKĠN ESASLAR (devamı) D. Önemli Muhasebe Politikalarının Özeti (devamı)

UMS 24 (2009) ‘İlişkili Taraf Açıklamaları’

D. Önemli Muhasebe Politikalarının Özeti

2. FĠNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA ĠLĠġKĠN ESASLAR (devamı) D. Önemli Muhasebe Politikalarının Özeti (devamı)

A época carolíngia foi qualificada, segundo Vauchez, de “civilização da liturgia”, uma vez que a religião se identificava com o culto prestado a Deus pelo clero e assistido pelos fi- éis, que tinham nesse ato uma obrigação moral e legal. Nem mesmo o monaquismo, cuja ati- vidade apostólica era sumamente importante, conseguiu escapar a esse crescente lugar da vida litúrgica. Mas fora dos mosteiros o espírito litúrgico parece ter deixado de ser “a expressão comunitária de um povo em oração, para tornar-se, aos olhos dos fiéis, uma coleção de ritos dos quais eles esperavam tirar proveito” (VAUCHEZ, 1995, p. 20). Mais uma vez as influên- cias ritualísticas do Antigo Testamento retornam com vigor e, na própria missa, a dimensão eclesial do sacrifício é relegada a segundo plano. O clima religioso nessa época é marcado pelo individualismo: os padres começam a celebrar missas privadas, sem a presença de fiéis, e missas votivas por intenções particulares. Os féis leigos já não têm mais uma participação ativa no culto, pois este passa a ser atributo dos especialistas. O canto litúrgico, que ocupava espaço cada vez mais relevante nos ofícios divinos, só pode ser executado por cantores for- mados nas escolas catedrais ou mosteiros. O canto gregoriano ou romano é adotado, mas este apresenta formas de expressão estranhas à liturgia local, dificultando ainda mais a participa- ção dos fiéis. Também o espaço físico das igrejas favorecia a passividade dos leigos, que fi-

cavam de pé na nave, separados do santuário e do altar. O sacerdote, de costas para o público é quem se dirigia, em Latim, a Deus em nome do povo. Isso contribuiu para que a liturgia se tornasse estranha ao fieis. Mas, outro elemento mais grave e de mais sérias consequências foi o conceito de Sacrifício que começou a prevalecer nessa época: a missa, que deveria ser a grande ação de graças dos fiéis, passa a enfatizar mais o dom feito aos homens por Deus, que desce do céu à terra. Segue-se que a evolução dos ritos corroborava sempre mais para a dis- sociação entre o sacramento e a vida cotidiana.

Vauchez lembra que “reduzir a um puro ritualismo toda a religiosidade da época caro- língia seria, no entanto, apresentar daquela uma visão deformada. Essa fé pouco interiorizada procurava exprimir-se noutros registros e, particularmente, realizar-se nas obras” (VAU- CHEZ, 1995, p. 23). O “moralismo carolíngio” tendia a conscientização dos indivíduos sobre as exigências éticas do cristianismo, o que contribuiu para a reintrodução das noções de justi- ça e de virtude, especialmente na política. É importante lembrar que a dinastia anterior, cujo rei merovíngio era um déspota que conquistara o poder pelo sangue, foi limitada em sua arbi- trariedade pela guerra civil. Assim, na ideologia imperial carolíngia, o soberano surge como um verdadeiro pastor e tem a seu cargo a cura das almas. Esta nova concepção da função real, consequência de sua sagração, confere ao príncipe um prestígio de ordem sobrenatural, mas os bispos que lhe conferem a unção exercem ascendência sobre ele. A realeza sagrada tem como missão colocar as estruturas do Estado a serviço da Igreja. Se o rei se tornasse indigno de tal missão, a Igreja podia retirar seu apoio a ele.

No século IX, os clérigos redigiram o Specula principis (Espelho do príncipe) para uso da alta aristocracia; neste tratado, as exigências morais enfatizam especialmente o cumpri- mento do dever de estado, isto é, colocar o poder econômico e militar a serviço do ideal cris- tão e a favor da Igreja e dos fracos. A penitência, a oração e a esmola são armas contra o mal, contra os vícios, e obrigatórias para os poderosos – os quais ganham o reconhecimento dos pobres e a oração destes pelos seus benfeitores.

Como este tipo de tratado não atingia o nível religioso geral da sociedade, o brilhante bispo Jonas de Orleães escreve o De instituitione laicali, intencionando oferecer aos simples fiéis um ensino adaptado ao seu estado. A originalidade desse tratado está nos seus objetivos que estabelecia uma forma de vida cristã para os fiéis, comparável à do clero.

De forma geral, o moralismo carolíngio “obteve efeitos positivos no plano espiritual, na medida em que valorizou as exigências éticas da fé cristã e a necessidade de as traduzir nos comportamentos” (VAUCHEZ, 1995, p. 25).

1.5 – Religiosidade popular e espiritualidade cristã

Numa sociedade em que o sagrado era apanágio de clérigos, monges e, de certa forma, da elite letrada da alta aristocracia, os fiéis aspiravam encontrar uma via de acesso à salvação, pois aspiravam uma vida espiritual que ia além das limitações da instituição eclesiástica, e até mesmo do dogma cristão.

As antigas práticas do paganismo ainda se moviam sob o verniz do cristianismo que as cobriam. Assim, havia fiéis que ainda praticavam a adoração ao cosmo e à natureza, mas tam- bém consideravam Deus uma força misteriosa que podia se manifestar a qualquer momento e em qualquer lugar, mas especialmente presente nos lugares sagrados.

Vauchez argumenta que, na época carolíngia, a espiritualidade do clero e a dos fiéis não constituíam dois mundos desprovidos de comunicação entre si – elemento que considera de maior importância para a evolução posterior do cristianismo. “À exceção de uma elite mui- to restrita de bispos e abades que se esforçam por permanecer fiéis à tradição patrística e pro- curam, em vão, opor-se à evolução em curso, o clero participa da mesma cultura – ou incultu- ra – que os leigos e sofrem a influência da mentalidade circundante.” (VAUCHEZ, 1995, p. 30). A Igreja orientada por devoções populares acolhe as que lhe pareceram compatíveis com a doutrina cristã, como por exemplo, o culto aos mortos - com a instituição da festa de Todos- os-Santos (séc. IX), e culto aos anjos e santos. De forma geral, a Igreja esforçou-se por cristi- anizar a atmosfera de difusa sacralidade que permeava os principais atos da vida, na religiosi- dade popular. Os inúmeros ritos (bênçãos, exorcismos...) impregnaram de religião a existência quotidiana e, dado que os resultados ultrapassaram as expectativas, ganharam igual importân- cia, senão maior, que os sacramentos propriamente ditos. Nesse clima de sacralidade indife- renciada, no qual profano e sagrado são indistintos, não era possível falar de vida interior, no sentido que hoje lhe atribuímos. A relação com o sobrenatural se dava por meio das fórmulas e, sobretudo, de gestos, os quais exprimem seus estados de alma.

Entre os séculos VIII e X, acaba por desaparecer uma certa concepção da fé cristã, caracterizada pela sua dimensão de mistério e pela expectativa dos últimos dias. É substituída por um conjunto de representações e de práticas sensivelmente diferentes. [...] Do impacto do cristianismo sobre espíritos rudes e concretos nasceu um novo modo de relação com o divino. A desco- berta do Cristo histórico, a valorização da vida moral, a importância conce- dida aos ritos e aos gestos constituem os fundamentos de uma espiritualida- de que se desenvolverá plenamente nos séculos seguintes. (VAUCHEZ, 1995, p. 36).