31 ARALIK 2020 VE 2019 TARøHLERø øTøBARøYLE KONSOLøDE FøNANSAL TABLOLARA øLøùKøN NOTLAR
KULLANIM HAKKI VARLIKLARI
23. FøNANSAL ARAÇLARDAN KAYNAKLANAN RøSKLERøN NøTELøöø VE DÜZEYø (devamÕ)
Refletir sobre inclusão na contemporaneidade requer conhecer a abrangência que o próprio termo em si carrega diante das implicações e limitações presentes em uma sociedade dita modernista, tecnológica e por assim dizer solidária.
Em si, a palavra inclusão dá a entender a necessidade de se “fazer parte” de um contexto social, embasado primeiramente pela família, porto seguro inicial do processo inclusivo, depois se fortalecendo com a chegada da escola das séries iniciais até o ensino superior, e em toda a área pessoal ou social que possam ocupar diante da sociedade. Assim haverá o estabelecimento do princípio gerador e preparador para o exercício da dignidade humana e da cidadania.
Significa, também, repensar novos desafios exigindo da sociedade uma visão modificativa de sua relação com a questão inclusiva, para que a mesma sociedade solidária seja capaz de atender esses “excluídos sociais” e coexistir com a realidade vigente e com as necessidades dos indivíduos que dela fazem parte, possibilitando a aquisição de soluções e formas de inserção desses portadores com necessidades educacionais especiais, a fim de buscarem seu desenvolvimento de forma satisfatória e eficaz.
Apesar das dificuldades encontradas pela sociedade para a efetivação desses propósitos, os agentes envolvidos no processo inclusivo devem ter como meta principal a constante revisão das práticas inclusivas oferecidas, que se sabe por vez, que são excludentes e discriminatórias e não oferecem para esses indivíduos respaldos significativos.
Esse pequeno avanço social estabelecido pela inclusão permitiu a quebra de antigos paradigmas sociais educativos, a partir da identificação e remoção de possíveis barreiras encontradas, possibilitando assim, o estabelecimento de ambientes acessíveis voltados para essa nova realidade, pautadas no acesso ao conhecimento através de canais e fontes diversificadas de informação.
Mas, o que vem a ser inclusão? Como é possível entender o processo inclusivo, sem nem ao menos parar para refletir o que ela representa no âmbito
social, educacional e no cotidiano das pessoas? Quem são esses indivíduos estigmatizados que buscam seus direitos na sociedade da informação e querem ser contemplados como cidadãos reconhecidos pelo seu próprio fazer social? A palavra traz em si questionamentos sobre verdade de aceitação do outro, sobre direitos e deveres de cidadão em repensar seu posicionamento diante dessa realidade que percorre a história de forma tão desigual e humana.
Seu conceito foi inicialmente proposto como “o processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, as pessoas com necessidades especiais, a fim de que estas possam assumir seus papéis na sociedade” (SASSAKI, 1997, p. 39), configurando-se de forma geral a partir do período vigente. Mas, diante das diversidades encontradas nos períodos decorridos pela educação e revistas pelo processo educacional inclusivo, a necessidade de ampliação deste conceito aos moldes atuais se fez necessária, culminando com a dimensão do termo em si, conforme nos relata Ferreira (2005, p. 43-44):
Existe um consenso entre os estudiosos de que inclusão não se refere somente às crianças com deficiência, e sim a todas as crianças, jovens e adultos que sofrem qualquer tipo de exclusão educacional, seja dentro das escolas e salas de aula quando não encontram oportunidades para participar de todas as atividades escolares, quando são expulsos e suspensos por razões muitas vezes obscuras, quando não têm acesso à escolarização e permanecem fora das escolas, como é o caso de muitos brasileiros e de muitas crianças africanas. Há um consenso, que inclusão implica em celebrar a diversidade humana e as diferenças individuais como recursos existentes nas escolas e que devem servir ao currículo escolar para contribuir na formação da cidadania. Diversidade e diferenças constituem uma riqueza de recursos para a aprendizagem na sala de aula, na escola e na vida.
No princípio, o processo inclusivo direcionou apenas para a visão do indivíduo portador de deficiência, indivíduo este segregado pelo sistema e ausente do processo social, isso era o entendimento do pensamento e da cultura social estabelecida na época.
Observa-se que a cultura tem um papel fundamental para alavancar este processo. Morin apud Silva (2006, p.15) assim a descreve:
Emergência fundamental própria da sociedade humana. Cada cultura conceitua em si um duplo capital: por um lado, um capital cognitivo e técnico (prática, saberes, saber-fazer, regras); por outro, um capital mitológico e ritual (crenças, normas, proibições e valores).
Com o reconhecimento advindo posteriormente através das leis, dos decretos e da educação pelas práticas educacionais voltadas não mais para o modelo médico, mas para o modelo social e curricular, os conceitos foram reavaliados e construídos sob uma nova dimensão social, educativa e cultural, estabelecendo dessa forma o favorecimento da situação ampliando os leques de entendimento e de aceitação.
Assim é que a sociedade começou a se voltar e ter novos olhares para a questão inclusiva, não apenas sob o aspecto de indivíduos comprometidos física ou mentalmente, mas como indivíduos que de certa forma estavam fora do sistema como um todo, por motivos inerentes à própria compreensão humana.
Historicamente, a educação inclusiva teve ascensão e força na década de 90 com a difusão da Declaração de Salamanca na Espanha (UNESCO, 1994), onde foi proclamado o reconhecimento da necessidade e da urgência da educação das crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular do ensino, compreendendo que as mesmas possuíam características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem únicas ficando determinado que o meio mais eficaz de combater as atitudes discriminatórias seria os sistemas educacionais.
É a partir dessa declaração contextualizada e outorgada, dentre outras leis e decretos advindos respectivamente por autoridades e países envolvidos com a questão da educação inclusiva, entendida por Glat e Pletsch (2004, p. 4) como “aquela que proporciona ao aluno com necessidades educativas especiais participar das atividades cotidianas da classe regular, aprendendo as mesmas coisas que os demais, mesmo que de modo diferente”, que ocorre o redimensionamento do papel das escolas fundamentadas na prática inclusiva e na inserção de alunos com necessidades educacionais especiais.
No sistema educacional, a universidade estabelece sua participação nas políticas de inclusão de portadores de necessidades especiais, como uma instituição social que contribui no papel de promover o saber, ser centro de produção científica e tecnológica, sendo instrumento de modernidade e de integração igualitária para todos, fundamentada em seu histórico de atuação no contexto cultural, social, econômico e político do país.
A trajetória percorrida por ela se deu através de diversas características e seu conceito foi formado mediante a função social a ela atribuída.
No período medieval com os interesses da igreja por algumas áreas específicas (Filosofia, Teologia, Direito Civil e Canônico); Na modernidade na França e na Inglaterra, a revolução industrial e a consolidação do estado nacional, a formação de profissionais técnicos e da elite governamental; na Alemanha ocorreu os princípios do nacionalismo e a formação dos profissionais com base nas ciências resultantes de uma instituição voltada para a pesquisa científica e com autonomia especial; a americana dedicou a formação de quadros científicos a uma massa de profissionais ligados ao projeto nacional; na América Latina, por sua vez, serviu inicialmente, aos colonizadores e, logo após, a uma restrita elite dominante (SILVA, 2002, p.137).
No Brasil, a universidade brasileira chegou à década de 1920 tendo cunho meramente profissionalizante e sem autonomia. Esse período foi identificado por Cunha (1988) como “racionalismo instrumental e de exclusão social, servindo a ideologia burguesa ao processo produtivo de força do trabalho”.
Fundamentada nesse propósito inicial, a universidade sobrevive atualmente como uma instituição social apoiada na tríade: ensino, pesquisa e extensão, reconhecendo sua função social pautada na educação como fator de desenvolvimento social. No entanto, para ser considerada democrática, igualitária e justa, terá que repensar suas ações pautadas no compromisso voltado para as minorias marginalizadas existentes na sociedade.
Nesse sentido, Dias e Duarte (1986, p. 30) fundamentam sua Responsabilidade Social,
[…] primeiro, porque sua existência é justificada pelos benefícios que presta à comunidade; segundo, porque suas atividades têm impacto sobre ter- ceiros e sobre a comunidade da qual aufere recursos materiais e humanos indispensáveis à sua existência e ao seu funcionamento.
Cabe às instituições de ensino superior sensibilizar a comunidade acadêmica para os problemas sociais que circulam no seu meio, orientando os agentes e atores que dela fazem parte para promover e desenvolver competências sociais, educando- -os para a solidariedade em prol de ações positivas de aceitação e comprometimento com a sociedade.
Assim, ela “gera compromisso social, que gera sujeitos autônomos capazes de fazer a leitura da realidade e atuarem sobre ela de forma responsável, valorizando a vida e respeitando a dignidade das pessoas” (VERCELLI, 2010, p. 129).