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EXTENDED SUMMARY

Belgede Türkiye Jeoloji Bülteni (sayfa 22-26)

Na medida em que se torna mais intenso e diversificado o uso dos mananciais e de suas bacias hidrográficas, maior é a necessidade de se definir formas de manejo sustentado e de gestão ambiental desses ecossistemas. Para isso, torna-se necessário um monitoramento sistemático, o qual resulta em séries temporais de dados que permitam avaliar a evolução da qualidade do corpo aquático e conhecer tendências de sua variação (DUARTE, et al., 1997).

Os resultados do monitoramento devem ser de forma clara para a população, apresentando classificações dos ambientes segundo sua qualidade. Para que se possa proceder a essa classificação é necessário comparar os resultados obtidos com padrões de qualidade existentes, quer em legislações ou em publicações científicas (LAMPARELLI, 2004).

Na África do Sul, em função de restrições quanto a disponibilidade de água e problemas referentes à eutrofização, em 1988 estabeleceu-se uma meta de manter a concentração de fosforo total em 130 μg/L em reservatórios, para evitar que florações ocorressem em mais de 20% do tempo, prejudicando assim os usos da água (LAMPARRELI,

op. cit.).

A Austrália e a Nova Zelândia estabeleceram diferentes valores para nutrientes e clorofila a, para lagos e reservatórios, sendo, 3 a 5 μg.L-1 para clorofila a, enquanto os de fósforo total variam de 10 a 25 μg.L-1 e os de nitrogênio total variam de 350 a 1000 μg.L-1 (ANZEC/ARMCANZ, 2000).

54 No Brasil, as possibilidades de usos de recursos hídricos para diversas finalidades são determinadas por Legislação Federal. A Resolução Nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, (CONAMA, 2005) estabelece classes de qualidade de água para corpos de água doce, salina e salobra, enquadradas de acordo com seus usos pretendidos, contudo não associa esta condição a níveis de trofia. A Resolução Nº 274 (CONAMA, 2000) estabelece padrões para águas destinadas a uso recreacional e balneabilidade. A Portaria Nº 2914 do Ministério de Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011) estabelece os padrões de águas destinadas ao abastecimento público. Assim, todos os programas de monitoramento de qualidade de água devem também considerar os limites e usos estabelecidos pela legislação vigente.

A partir da Resolução 357/05 do CONAMA, as águas superficiais do território nacional foram subdivididas em treze classes de qualidade requerida para os seus usos preponderantes. As águas doces são divididas em cinco classes: especial, 1, 2, 3 e 4. As águas salinas são divididas em classe especial, 1, 2 e 3 e as águas salobras em classes especial, 1, 2 e 3. Os parâmetros utilizados para analisar a qualidade da água são parâmetros biológicos, bacteriológicos, orgânicos e inorgânicos. Para cada classe existe o limite aceitável para cada parâmetro, assim como os seus usos preponderantes: águas destinadas ao consumo humano após tratamento simplificado ou convencional, preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas, irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras e assim por diante (NUNES, 2006).

A Resolução CONAMA 357/05, estabelece os valores de concentração de fósforo total e clorofila a, para ambientes lênticos, intermediários e lóticos em águas continentais que devem ser iguais ou inferiores aos apresentados na Tabela 4. Para nitrato total o valor não deve ser superior a 10,0 mg.L-1 N-NO3-. De acordo com o art. 10, § 3, desta resolução, “para águas doces de classe 1 e 2, quando o nitrogênio for fator limitante para eutrofização, o valor de nitrogênio total não deverá exceder de 1,27 mg.L-1 para ambientes lênticos e 2,18 mg.L-1 para aguas lóticas”.

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Tabela 6 -Valores máximos de Clorofila a e Fósforo Total, para águas doces, classe 1, 2 e 3,

Resolução 357CONAMA (2005). Clorofila a (μg.L-1) Fósforo Total Ambiente (mg.L-1) Classe 1 10 Lêntico Intermediário* Lótico 0,020 0,025 0,100 Classe 2 30 Lêntico Intermediário* Lótico 0,030 0,050 0,100 Classe 3 60 Lêntico Intermediário* Lótico 0,050 0,075 0,150 *ambientes com tempo de residência entre 2 e 40 dias ou tributários de ambientes lênticos. Fonte: Adaptado Resolução 357 CONAMA (2005).

No Capítulo VI, no Art. 42. da Resolução CONAMA nº 357/05 é relatado que “Enquanto não aprovados os respectivos enquadramentos, as águas doces serão consideradas classe 2, as salinas e salobras classe 1, exceto se as condições de qualidade atuais forem melhores, o que determinará a aplicação da classe mais rigorosa correspondente”. Nessa resolução as águas doces enquadradas na classe 2, podem ser destinadas para:

a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional; b) a proteção das comunidades aquáticas;

c) a recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;

d) a irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; e

e) a aquicultura e a atividade de pesca.

O enquadramento dos corpos de água em classes, de acordo com a qualidade a ser pretendida ou mantida é um dos instrumentos mais importantes para a gestão de uma bacia

56 hidrográfica, pois trabalha com a visão futura da bacia e permite que se defina a tática a ser utilizada nesse caminho rumo à situação desejada (PORTO, 2002).

O estabelecimento das concentrações de nutrientes e de clorofila a para a definição dos limites entre as classes tróficas, segue diferentes metodologias. Lamparelli (2008), aplicou a proposta da USEPA (2000a e 2000b), que define os valores de referência, considerados concentrações basais, separando, portanto os ambientes pouco impactados, ou oligotróficos dos já eutrofizados. Este método consiste em selecionar os pontos menos impactados para cada ambiente e calcular o percentil 75% da distribuição das variáveis de interesse, para esses locais. Outra metodologia usada pela autora foi a proposta por Dodds et al., (1998) que separa, a partir de uma coletânea de dados, os ambientes segundo seu grau de eutrofização, estabelecendo o limite entre as classes oligotrófica, mesotrófica e eutrófica. Esse método considera todo o universo amostrado e determina o percentil 25% da distribuição das variáveis de interesse, selecionando assim os ambientes menos impactados, mas, nesse caso de todo o conjunto de dados.

Cunha et al., (2013), para propor o Índice de Estado Trófico para reservatórios tropicais/subtropicais (IETtrs), considerou dados secundários de 18 reservatórios monitorados pela CETESB durante 14 anos, com frequência bimestral e amostrados na superfície da coluna d’água. Primeiramente, calculou as médias geométricas de fósforo total e clorofila a em cada reservatório e organizou-as em ordem crescente e dividida em cinco subconjuntos de dados, correspondentes às categorias ultraligotrófica (percentil 0-20%), oligotrófica (20-40%), mesotrófica (40-60%), eutrófica (60-80%) e supereutrófica (80-100%). Assim, foi possível fixar limites superiores para essas variáveis para cada classe de estado trófico.

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