Tabela V.1: Análise estatística do conteúdo do Inquérito 2.
Categorias Dimensão de Estudo
Eu Relação com os outros Aptidões Técnicas Reacções perante situações Organizações
Carisma A; B C
Disciplina A; B C
Estilo Liderança Directivo C A; B
Exigente C A; B
Empatia A; B; C
Determinação A; B C
Orientado para a Tarefa A; B C
Escuta Activa B; C A Coragem A; B C Culto da Imagem A; B; C Controverso B; C A Inovador A; B; C Exemplo A; B; C Persistente A; B; C Patriota A; C B Versátil A; C B Sensível B; C A Capacidade de Decisão A; B; C
APÊNDICE W: CONCLUSÕES HISTÓRICAS – SPÍNOLA: O
HOMEM E O MILITAR
António Sebastião Ribeiro de Spínola nasceu a 1 de Abril de 1910, na cidade de Estremoz, em pleno Alto Alentejo, filho de António Sebastião de Spínola e de Maria Gabriela Alves Ribeiro de Spínola. Era filho de uma família abastada. As origens de Spínola foram fundamentais para o seu futuro profissional. A proximidade do pai ao regime existente foi um factor determinante para a carreira militar do filho.
Em 1920, ingressa no CM, em Lisboa, para fazer o ensino secundário até 1928. Nesse mesmo ano, inscreve-se na Escola Politécnica de Lisboa. A passagem pelo CM foi determinante para a formação da sua personalidade. A própria escolha da Arma de Cav quando ingressa na EML determina a sua vida militar e pessoal. Noutro aspecto, a formação que recebe ocorre num contexto bastante complexo, o qual aproxima-o ao regime político da altura.
Colocado inicialmente, em 1928, no RC 4 durante quatro anos, mais tarde iria exercer as funções de instrutor, durante os seis anos seguintes, no RC 7, a partir de 1933, já como Alferes. Em 1939, exerce as funções de ajudante-de-campo do Comandante da GNR, Gen Monteiro de Barros, que era seu sogro, e daria início à sua colaboração na Revista de Cavalaria de que era o co-fundador.
Em 1941 integra uma missão de estudo à Escola de Carros de Combate do Exército Alemão e à frente Germano-Russa. A 1947, parte para uma missão de estudo na Guarda Civil Espanhola, uma vez que exercia funções na GNR.
Promovido a TCor em 1961, desempenhou as funções de 2º Comandante e Comandante do RL 2.
Com o inicio da guerra em Angola, oferece-se como voluntário e recebe o comando do GCav 345. É colocado em Angola, em 1961, onde frequenta por um curto período um curso de aperfeiçoamento operacional no Centro de Instrução Militar de Grafanil, em Luanda. A sua primeira missão foi na região de Bessa Monteiro e mais tarde na região fronteiriça de
São Salvador do Congo. Permaneceu em Angola até 1964. A sua ida voluntária para Angola
com o comando do GCav 345 foi um marco na sua carreira militar. Tal como o próprio refere, a vivência no terreno e no combate alterou a sua perspectiva relativamente à forma de abordagem do conflito. A imagem do TCor voluntário era factor de motivação e exemplo para os seus subordinados, ultrapassando todos os limites quando este com 52 anos de
idade passa a integrar os deslocamentos e operações do Grupo. Duro e exigente com os seus oficiais, criou uma relação bastante forte com os seus subordinados. O seu carisma começa a ser elevadíssimo.
Em 1967 é nomeado Segundo Comandante Geral da GNR. Em 1968 é chamado para exercer funções de Governador e Comandante-Chefe das Forças Armadas da Guiné, cargo
que ocupou até 1973. Se em Angola a sua imagem não gera algum consenso, na Guiné
criou-o fortemente. A gestão da sua imagem é elevada ao extremo, sendo considerado por muitos como um herói. A sua conduta foi totalmente inovadora, baseando-se em dois pilares: reestruturação da intervenção militar e a aproximação às populações. A imagem e conduta que Spínola praticou em Angola, colocou-a em prática na Guiné. Os comandantes de batalhão e companhia passaram a integrar as operações militares, sendo fortemente controlados pelo Comandante-Chefe. Fiel aos seus princípios, aplicou-os com determinação adaptando-se facilmente à situação vivida. As relações com os seus oficiais eram bastante controversas, isto porque Spínola não tinha dificuldade nenhuma em punir quem quer que fosse.
Em Novembro de 1973, é convidado por Marcello Caetano, numa tentativa de colocá-lo no regime, para ocupar o posto de Ministro do Ultramar, cargo que não aceitou. Nomeado para VCEMGFA, por sugestão de Costa Gomes, é demitido em Março de 1974, por ter recusado participar na manifestação de apoio ao Governo e à sua política.
Sendo a 25 de Abril de 1974 nomeado representante do MFA, aceita do Presidente do Conselho, Marcello Caetano, a rendição do Governo. Já com uma instituição da JSN, órgão que passou a deter as atribuições dos órgãos fundamentais do Estado, que presidia, é escolhido pelos seus membros para o exercício das funções de Presidente da República. Ocupa a Presidência da República a 15 de Maio de 1974, cargo que exerceu até 30 de
Setembro de 1974, altura em que renuncia e é substituído pelo General Costa Gomes. A
revolução de 25 de Abril de 1974 trouxe uma nova faceta de Spínola, já iniciada na Guiné. A política tornou-se na sua principal actividade quando passa a ocupar o cargo de PR. A sua formação e personalidade aliadas à conjuntura que se vivia, revelam algumas características que passavam despercebidas. Mantendo-se fiel aos seus princípios e inflexível nas decisões, estas levam a que apresente a demissão 5 meses depois de ocupar o cargo.
Spínola sempre se apresentou como um oficial com ideias fixas e pensamento claro. Os seus diversos artigos publicados na Revista de Cavalaria demonstram isso mesmo. Em diversos, são apresentadas características essenciais aos oficiais de Cav, as quais Spínola
praticava no seu dia-a-dia. O espírito cavaleiro que tanto refere esteve sempre presente nas suas acções.
Recebeu diversos louvores e várias condecorações, entre as quais: Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito; Medalha da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, grau de Grande Oficial, com Palma; Medalha de Ouro de Valor Militar, com Palma; Medalha de Prata de Valor Militar, com Palma; Medalha de Prata de Serviços Distintos; Comendador da Ordem Militar de Avis; Medalha de Oficial da Ordem Militar da Avis; Medalha de Mérito Militar de 2ª Classe; Medalha de Mérito Militar de 3ª Classe; Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar; Medalha Comemorativa das Campanhas de Angola; Medalha Comemorativa das Campanhas da Guiné; Medalha com o grau da Cruz de 1ª Classe da Ordem de Mérito Militar com distintivo branco (Espanha). Foi casado com Maria Helena Martins Monteiro de Barros e não teve filhos.