As concepções dos professores sobre educação inclusiva e suas experiências com a deficiência, no cômputo geral, trouxeram-nos a informações da educação ser direito de todos quanto ao acesso, independente da condição dos seus indivíduos.
Conforme relato da professora Márcia, que defende a inserção da criança com deficiência na escola regular, pois “[...] diante da necessidade do jovem, da criança e do adolescente de participarem do mundo de uma forma plena e interagir com ele, não pode ficar
numa escola estigmatizada, com o rótulo exclusivo de atendimento à deficiência”.
A professora destacou que, além da participação do ser humano na sociedade, esta deve atingir uma forma plena ao ser usufruída através dos direitos reservados a todas as pessoas.
As concepções de igualdade e diferença sobre as pessoas com deficiência visual foram claras ao relatar que os mesmos são iguais pela condição humana e necessitam aprender de forma diferenciada em função de sua condição individual. Referente à aprendizagem de cada indivíduo foi relatado que as diferenças encontradas nas pessoas com deficiência, como nas demais, se referem a ritmos diferenciados de aprender conteúdos sob diversas estratégias para solução de problemas. Segundo a experiência da professora Márcia com um aluno cego, que relatou a realização das atividades escolares da seguinte forma: “O aluno cego com quem trabalhei se sentia tão a vontade que participava das brincadeiras e até brigava como os outros. Os alunos cooperavam e se solidarizavam em ajudá-lo em suas respostas apresentadas”.
Essa fala denota preconceito, ao ser esperado pela professora que uma pessoa com deficiência apresente comportamento diferenciado nas relações com seus pares. Com base na atitude da professora, em relação ao aluno cego, chamamos a atenção para o aspecto de que, muitas vezes, o preconceito vem por parte de profissionais atuantes na escola e não dos colegas dos alunos que apresentam alguma deficiência.
Quanto à participação do aluno Pedro nas atividades extraescolares, no caso específico da atividade de karatê, brincadeiras nos intervalos de aula e excursões escolares dentre outras, na percepção dos professores podemos considerar como não praticadas pelo aluno. O motivo da pouca participação de Pedro, conforme o depoimento explicitado a seguir, dá-se pelo fato da família do aluno não incentivá-lo a atividades dessa natureza. A família julga ser de difícil realização essas atividades pelo Pedro, por achar que sua capacidade física está aquém dos demais alunos. A ausência desses sujeitos em atividades extraclasse caracteriza-se como isolamento. A fala da professora Márcia constatou que
Precisa de cuidado na questão extra-sala. O aluno Pedro, por exemplo, fica um pouco isolado... Não sei se é por proteção da mãe, que por achá-lo magrinho o orienta a não brincar [...] com medo que o mesmo venha a se ferir ou por outros motivos.
As atividades desenvolvidas na escola não necessariamente têm de ser diferenciadas para seus sujeitos, ou seja, uma atividade realizada com um aluno vidente também poderá ser realizada com um aluno cego, desde que hajam as devidas adaptações.
Os professores relataram que as atitudes para uma educação inclusiva não devem seguir modismos ou transplantar atitudes geradas sob outras condições para nossa realidade, sem a devida convicção da importância de se adotar prática “A” ou “B”, haja vista a inclusão de alunos com deficiência se construir com base em uma permanente adequação do que melhor compete realizar para cada indivíduo e em cada ambiente especificamente.
A construção de uma escola aberta a diferentes projetos que congreguem diferentes formas de pensar e agir com todos os segmentos sociais representados através de pessoas com ou sem deficiências, com suas diferenças étnicas, religiosas, culturais, sexuais etc. somente será possível se a mesma for verdadeiramente um espaço aberto à diversidade, conforme vem sendo debatido ao longo desses últimos anos.
Segundo a percepção da professora Fábia (especialista), que participou de seminários e cursos na área da educação inclusiva, é de ter tido a oportunidade de ouvir as pessoas com deficiência em depoimentos sobre seus desafios, com relação a fazerem-se entender por sua deficiência.
Outro aspecto destacado pelos professores com relação aos alunos com deficiência foi quanto à possibilidade de realizar um trabalho pedagógico com esses sujeitos de forma natural e espontânea. A professora Lívia, que ensinou Aline por um período, relatou que sua atuação foi considerada boa, principalmente por ter tido apoio em alfabetizar a aluna de forma natural. A professora fez as seguintes considerações sobre a aluna: [...] “era uma aluna alegre, de bem com a vida e informada. Era letrada nas questões do dia a dia (questões
atuais)”.
Para além do direito a uma educação inclusiva, os professores questionados defenderam a ideia de inclusão das pessoas com deficiência na escola regular, com participação, integração, recursos físicos e humanos adequados. Relataram que essa educação deve ser uma possibilidade de socialização no espaço escolar, com interação, troca de experiências e o direito de realizar uma avaliação adequada a cada sujeito, particularmente. Porém, a maioria das respostas foi de que educação inclusiva é um direito, o que foi reforçado pelas seguintes falas:
[...] contribui para que o aluno com deficiência possa usufruir do direito à educação [Míriam].
[...] fazer com que as pessoas em situação de deficiência tenham a possibilidade de usufruir dos mesmos direitos dos demais alunos considerados não deficientes [Paulo].
É incluir educandos especiais [...] a estudarem em instituições educacionais, convivendo e participando com outros educandos [Carlos].
[...] incluir alunos com deficiências em escolas regulares, para haver uma maior socialização com outros alunos ditos normais [Geovana].