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4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.5. Ex vivo Çimlenme Çalışması

Essa predominância no estudo da situação a partir do enfoque do risco é discutida por Heyman et al. (ibid), que referem estar relacionada ao lugar central que o risco ocupa na cultura contemporânea, fornecendo uma ferramenta usada para prever e controlar o futuro. Esta ferramenta enfatiza o pensamento probabilístico e o conceito de média, ambos fenômenos recentes e associados ao desenvolvimento da ciência nas sociedades ocidentais modernas.

Heyman e col. (ibid), ainda, apresentam e discutem a definição de risco, como apresentada pela Royal Society, a qual considera risco como “a probabilidade com que um evento adverso particular ocorra, durante um determinado período de tempo”.

Para aqueles autores, no entanto, o próprio conceito de adversidade projeta julgamentos de valor negativos na classe de eventos. Negatividade que, em última análise, baseia-se no olhar de quem olha o evento e que está relacionado a julgamentos, usualmente implícitos, e algumas vezes contestáveis, sobre a normalidade desejada.

Aqueles autores discutem que, no caso da saúde, o risco estaria relacionado à razão de ocorrência de um problema de saúde dentro de uma dada população ou à sua freqüência em subgrupos comparáveis. No entanto, para eles, a forma de se computar a razão ou a probabilidade, implica em atos de classificação de numeradores e denominadores. Feito isso, os indivíduos da coletividade selecionada passam a ser classificados em categorias e considerados como possuidores das propriedades agregacionais dos membros de seu grupo. Para os autores, essa generalização está relacionada ao fato de que todo raciocínio probabilístico implica em simplificação e, portanto, gera erros sistemáticos.

Eles afirmam, ainda, que muitos pesquisadores confiam em tais indicadores, sendo tentados a confundir as figuras geradas com a realidade. O uso dessa probabilidade serve, assim, como um guia para o futuro, implicando em padrões indutivos, algumas vezes questionáveis, de que o futuro irá se repetir. Essa ilusória possibilidade do resultado emerge da tendência nas culturas modernas, orientadas para o risco, para tratar a probabilidade como um estado objetivo dos indivíduos. Uma vez

estabelecido como fatos sociais, a probabilidade muda o futuro, o qual ele foi planejado para predizer através de processos recursivos. De acordo com os autores, tal realismo ingênuo, organizado ao redor de indicadores quantitativos, faz com que complexos problemas pareçam ser mais manejáveis, o que pode vir a provocar potencial ruptura de sistemas sociais.

Por outro lado, segundo Heyman et al. (ibid), as taxas de problemas de saúde, usualmente, dependem do modo como o numerador e o denominador são especificados, sua segmentação podendo ser feita através de um número indefinido de maneiras, a depender da especificação de coletividade. A depender do esquema de classificação adotado ou de como as populações são sub-divididas, a mesma pessoa pode ter múltiplas probabilidades de experienciar uma contingência futura. Assim, a escolha dos parâmetros faz com que pessoas e grupos sociais passem a adquirir a impossibilidade aparente, de mudar a probabilidade de experienciar um evento futuro, meramente através de sua re-conceitualização.

Os autores, ainda, entendem que a especificação da coletividade e sua conseqüente verificação de probabilidade dependem do conhecimento do observador e, portanto, não pode nunca ser objetiva ou neutra no senso de excluir o observador. Desta forma, as decisões sobre a especificação de coletividade são influenciadas, usualmente implicitamente, por preocupações pragmáticas, considerações organizacionais e esteriótipos sociais. Absortos pela significância estatística, ou outros indicadores de poder prognóstico, pesquisadores e clínicos podem deixar passar valores e preconceitos que os levaram a modelar o futuro de uma maneira, ao invés de outra. A objetividade da probabilidade parece, portanto, emergir da subjetividade das categorias, dos valores e do plano temporal.

Esse aspecto pode ser claramente explicitado através dos dados da revisão de literatura sobre saúde em creche, através da qual se verificou, na maioria absoluta dos estudos, uma comparação do estado de saúde de crianças cuidadas em creche com as cuidadas em casa. Assim, por exemplo, Victora et al. (1994) afirmam que freqüentar a creche aumenta em 10 vezes o risco de infecções respiratórias, quando comparadas ao risco das crianças que permanecem em casa. Fonseca et al. (1996) identificaram um risco aumentado em 5,22 vezes. Estes últimos autores atribuíram este aumento na incidência à negligência do cuidado da criança, quando a mãe não é

o agente exclusivo de cuidado, resultando em má nutrição, stress e privação de afeto e estimulação.

Partindo-se dessa comparação, de forma explícita ou implícita, grande número de trabalhos conclui pela não freqüência das crianças à creche. Nesse sentido, Holberg et al. (1993) afirmam que os bebês deveriam permanecer em casa, onde o ambiente é de menor risco, mais estável e com menor estabilidade de pessoas. Turner et al. (1995) afirmam que as crianças deveriam ser cuidadas em ambientes onde não se encontram outras crianças. Para ela, desta forma, elas passariam a receber mais atenção e, portanto, mostrar-se-iam menos irritadas e com menos comportamentos de procura por atenção, resultando em menores problemas de saúde neste grupo. Nafstad et al. (1996), entendendo que os contatos primários e secundários desempenham um papel na transmissão de infecções do trato respiratório baixo, sugerem que irmãos em creche aumentam o risco de infecção no trato respiratório baixo em bebês que permanecem em casa, os primeiros devendo também permanecer em casa.

A análise desses estudos revelou que a comparação é feita a despeito de que os dois subgrupos apresentam uma grande diversidade de condições, com estruturas físicas e sociais, além de organização e relações bastante diferentes. E que, na base desse conjunto de trabalhos, os investigadores e suas pesquisas são regidos por pressupostos ideológicos implícitos, marcados por concepções culturais que destacam a existência de uma situação de cuidados das crianças, os quais são considerados ideais ao sadio desenvolvimento da criança (Amorim & Rossetti-Ferreira, 1999b).

No entanto, identificamos, na mesma revisão bibliográfica, que, baseada em diferentes pressupostos, a pesquisa pode ser estruturada de forma muito diversa e olhar ao mesmo problema através de outros prismas. Assim, na França ou Israel, onde a creche é cultural e socialmente mais aceita como instituição de cuidados de crianças, os estudos realizados revelaram seguir diferentes percursos na sua organização e conclusão para a ação. Assim, autores reconhecem que criança em creche apresenta maior freqüência de infecções respiratórias. No entanto, essa freqüência não é questionada e a investigação caminha no sentido de se encontrar formas de diminuir essa incidência, tanto através do uso de vacinas (Gershon, 1995; Dagan et al., 1996), da administração de imunossupressores (Collet et al., 1993), da organização espacial e da relação do número de crianças por área (Collet et al., 1994).

Outros autores, como Vives et al. (1997) e Yagupsky et al. (1995), encontraram que crianças de creche passam a carregar mais precocemente bactérias na flora nasofaríngea. Entretanto, o segundo grupo de autores, através de concomitante análise de material ligado a pessoas de fora da creche, verificou que membros da comunidade são os responsáveis pela transmissão destes agentes às crianças.

Finalmente, McCutcheon & Woodward (1996) também afirmam que a criança que recebe cuidados fora da família comumente experiencia mais doenças respiratórias agudas, dos que as cuidadas em casa, e que essa taxa é mais marcada entre crianças que freqüentam instituições creche. Entretanto, os autores buscaram analisar a situação através das conseqüências sobre o desenvolvimento e a vida da criança. Assim, estudaram também a freqüência de adoecimentos em crianças freqüentando os primeiros anos escolares (maiores do que seis anos de idade), comparando-as através da freqüência ou não, durante a primeira infância, de instituições de educação coletiva. Concluíram que a exposição a patógenos respiratórios, no início da vida, pode fornecer alguma proteção contra doenças respiratórias normalmente experienciadas pela criança ao longo do período escolar. Afirmam, assim, que não há um aumento indiscriminado no número de doenças que acometem as crianças que freqüentam creche, mas que há uma mudança no pico de acometimento das mesmas - do período escolar, passa para os primeiros anos de vida -, levando a uma menor taxa de abstenção na escola. Portanto, ao se modificar o perfil do estudo, ao invés de se destacar a doença, apontando a freqüência à creche como um preditor de risco, a pesquisa buscou entender o significado da doença dentro do processo de desenvolvimento. Desta forma, poder-se-ia, inclusive, passar a entendê-la como um preditor de saúde.

IV.3. Elementos da matriz sócio-histórica presentificados nos discursos da

Benzer Belgeler