• Sonuç bulunamadı

3. YÖNTEM

3.2. Evren ve Örneklem

Como já citado, as práticas desenvolvidas na disciplina-laboratório seguiram as referências das categorias do mapeamento selecionadas pela pesquisa, sendo estas:

Produção Vocal, Corporeidade, Produção Instrumental e Escuta Cênica. Isso não

significa que a disciplina tenha funcionado nesse formato, reservando-se etapas para cada função. Pelo contrário, nas aulas ministradas procurou-se mesclar práticas portadoras desses diferentes aspectos, algumas, inclusive, contemplando elementos de mais de uma categoria. Em relação ao potencial que cada uma dessas categorias pode alcançar, a disciplina-laboratório teve como meta promover a sensibilização e a conscientização dos alunos perante seus conteúdos. Além da delimitação de tempo dada pelos semestres letivos, entende-se, aqui, que um aprofundamento equivalente ao que os encenadores e pedagogos musicais alcançaram em suas propostas extrapolaria a capacidade de uma pesquisa. Considerou-se, também, a possibilidade de se desenvolver mecanismos com um maior nível de acessibilidade, trabalhando os princípios provenientes desses artistas e mestres, sem adentrar, no entanto, em estratégias com alto teor de especificidade e complexidade.

Outro ponto a se destacar é que se priorizou a apreensão dos conteúdos por meio da produção expressiva e criativa. Isto é, não foi utilizado o tipo de prática que traz uma determinada proposição e, que, em seguida, requer a resposta correta e única, uma vez que foi do interesse da pesquisa verificar a viabilidade pedagógica e interacional das práticas, mas, ao mesmo tempo, se estas atenderiam à flexibilidade e à abertura

necessárias ao fazer artístico. A opção por processos de criação também auxiliou a pesquisa perante o desafio de se desenvolver estratégias mais acessíveis, sem transformá-las, no entanto, “em soluções fáceis ou em panaceia para o aprendizado” (PEREIRA, 2012, p.199). Diante dessas demandas que surgiram durante a investigação, uma indicação foi detectada na seguinte fala de Grotowski, a respeito das propostas desenvolvidas por Constantin Stanislavski:

Stanislavski estava sempre fazendo experiências e não sugeriu receitas, mas sim os meios pelos quais o ator poderia descobrir-se, respondendo em todas as situações concretas à pergunta: “Como se pode fazer isso?” (GROTOWSKI, 1992, p. 178)20.

Encontrou-se nesse apontamento um apoio para a condução dos trabalhos. As práticas cênico-musicais, sendo consideradas “meios” para “descobrir-se”, seriam trabalhadas pelos próprios alunos, que as desenvolveriam por contato, exploração, descoberta, estruturação. Ou seja, pelo desencadeamento de processos de criação. Dessa forma, a metodologia da disciplina lançou mão de exercícios iniciais de vivência, seguidos de trabalhos com um maior nível de elaboração, pelos quais os alunos poderiam apreender, sintetizar e aplicar os conhecimentos adquiridos, bem como expandi-los pela própria concepção criativa. Assim, os procedimentos aplicados permearam três características principais, a saber:

1) Sensibilização: práticas introdutórias de vivência e familiarização com os conteúdos, realizadas, de maneira geral, por meio de jogos e improvisos breves e de caráter espontâneo. Como atividades de primeiro contato predominaram nas aulas iniciais e nos momentos de introdução a um novo conteúdo;

2) Experimentação: exercícios e estruturações de menor porte, realizados, em sua maioria, a partir das explorações e dos improvisos iniciais. Com a função de exercitar e compreender os conteúdos apresentados, fizeram parte do corpo das aulas praticamente todo o período da disciplina;

3) Exercícios-síntese: práticas voltadas para a síntese criativa das experiências vivenciadas e que demandaram um maior período de tempo em seu processo de elaboração21.

20 Grifos meus. 21

O desenvolvimento desses exercícios foi aproveitado como meio de avaliação acadêmica dos alunos, ou seja, a distribuição de pontos e conceitos dentro das normas exigidas pela Universidade.

Algumas atividades pontuais ainda foram desenvolvidas, como suporte para a disciplina-laboratório. Nestas foram realizados apontamentos e exercícios de caráter teórico-prático que se fizeram necessários para auxiliar no esclarecimento de algum tema em específico. De uma maneira geral, as práticas realizadas foram seguidas de reflexões e comentários voltados para conscientização dos processos e conteúdos abordados.

Todas as turmas integrantes da pesquisa cumpriram o programa integralmente, vivenciando os conteúdos de todas as quatro categorias selecionadas, desde os aspectos de familiarização à etapa dos exercícios-síntese. Contudo, as aulas ministradas não foram exatamente as mesmas, em função das características e necessidades de cada grupo. Parte dessa diferenciação já era prevista pela separação inicial entre atores e músicos. Não haveria sentido em esclarecer, por exemplo, certas noções musicais básicas já conhecidas dos músicos, mas que foram necessárias nas turmas de atores. Ou prolongar determinado exercício com os alunos do curso de Teatro, insistindo em demasia com algum conteúdo que os mesmos já demonstrassem estar suficientemente familiarizados.

Outro ponto foi a substituição ou o acréscimo de algumas práticas na repetição da disciplina Música e Cena I, no segundo semestre. Isso se deu com vistas a esclarecer ou a reforçar alguns aspectos que ficaram em aberto na primeira oferta, sem prejuízo, no entanto, do cumprimento dos conteúdos selecionados. O próprio andamento da disciplina-laboratório permitiu entrever as especificidades de cada turma, seu grau de envolvimento e experiência anterior, dados pelas dúvidas ou reflexões que surgiam e ainda pelos diferentes resultados de exercícios e trabalhos. Enfim, o constante retorno dado pelas aulas e pelos alunos constituiu o elemento fundamental para a realização dessas leituras durante o processo de investigação.

Benzer Belgeler