Algumas alunas, rendeiras aprendizes do GF6, relataram que já haviam começado a criar, inventar moldes por conta própria antes mesmo do início do módulo de criação, devido a demandas de produtos diferenciados:
“[...] (o que levou a criar foi) a vontade e o desafio. Eu falei, eu vou desenhar pra
fazer aqui a aplicação do véu da noiva, aí ela disse mais ou menos como ela queria, eu mostrei os desenhos que tinha lá, mostrei o bico que fiz, aquele verde. Aí ela
disse ó eu queria assim e assado. Aí eu vou tentar né?” (Rendeira Aprendiz – GF6)
[Sic]
Foi relatado pelas alunas (GF6) que a maior dúvida era se o molde “ia dar certo”, se era “rendável” (desenho possível de ser produzido em renda de bilros); pois possuem muitas dúvidas e dificuldades em compreender o “caminho da linha no molde”. Percebe-se que, nesta fase da oficina, elas ainda se sentem inseguras e acreditam que só vão fixar os conhecimentos quando começarem a criar os próprios moldes.
“Eu acho que na criação a gente vai pegar mais a coisa. A quantidade de bilro,
como desenhar. Na criação é que a gente vai pegar mesmo assim definitivamente o desenho.” (Rendeira Aprendiz – GF6) [Sic]
“Porque você vai quadricular e vai se virar pra ver onde vai entrar traça, onde vai
entrar coentro, onde vai entrar trança, aí é que vai vim realmente a dificuldade. Agora tá moleza. Todo mundo só copiando. É só contar né? aqui tem cinco
quadradinho, aí fica facinho.” (Rendeira Aprendiz – GF6) [Sic]
Observou-se a preocupação das alunas em relação à criação dos desenhos por conta própria, onde elas terão que exercitar a leitura do molde, e calcular o número de bilros, e colocar cada símbolo no local certo, tornando o desenho “rendável”, diferente de apenas copiar os desenhos trazidos pela instrutora, como no Módulo 2. A instrutora ressaltou que as alunas irão fixar melhor os conhecimentos quando colocarem em prática o que aprenderam, rendando os moldes desenhados por elas (Módulo 9).
“A melhor coisa que tem coloca na almofada e vai fazer. Tudo que você criar,
coloque na almofada e vai fazer. Aí você vai, ah peraí aqui não deu aí você vai
A dúvida se a peça vai ser “rendável” ou não, gera uma grande expectativa para as alunas, que querem ver a peça pronta o mais rápido possível.
Observou-se que os módulos anteriores (1 ao 7) foram de extrema importância para promover a segurança nas alunas (GF5 e GF6) na hora de fazer os desenhos por conta própria.
“Acho assim, que quando elas não sabiam a posição dos pontos [...] ai vocês
tinham mais dificuldade... mas a partir do momento que elas aprenderam como colocar as flor, os ponto, como que pode ser, e como que não pode ser, ai facilitou
mais...” (Rendeira Instrutora da Oficina, integrante do GAE) [Sic]
Apesar de afirmarem que este módulo apresentou um maior grau de dificuldade, percebe-se que as dificuldades foram vistas como desafio, estimulando a capacidade criativa das alunas. Foi relatado que existe um “sentimento diferente” em se rendar uma peça desenhada por elas.
“Tem um sentimento diferente... a gente faz com mais amor... (risos)” (Rendeira Aprendiz – GF6) [Sic]
“É emocionante... fica mais empolgada pra fazer...” (Rendeira Aprendiz – GF6)
[Sic]
Outro aspecto constatado foi o fato de que a renda era produzida anteriormente de forma “mecânica”, repetindo os movimentos repassados pelas rendeiras instrutoras e, passou a ser mais bem interpretada no momento em que as alunas se viram sozinhas para pensar no desenho, calcular o número de bilros e observar o fluxo da linha.
A possibilidade de fazer os próprios moldes despertou a criatividade das alunas, de forma a estimular a aplicação da renda de bilros em diversos produtos, bem como a adaptação/transformação de moldes de outras tipologias artesanais para a renda de bilros, pois com o domínio do desenho dos moldes da renda, as alunas veem a renda de uma forma diferente, com várias possibilidades de aplicação.
“Eu confesso que me empolguei mais depois que comecei a fazer esse aqui. Fiquei
ansiosa em casa, doida que chegue logo pra fazer, fico só querendo fazer renda...
queria ter tempo pra fazer mais...” (Rendeira Aprendiz – GF6) [Sic]
“Ah, a criatividade vem, né?..acho que da asas a criatividade...eu acho que quanto
mais a pessoa desenha mais sugestões vão surgindo...vai fluindo mais” (Rendeira
Figura 90: Alunas durante sessão de criação de novas peças e novos modelos.
Na versão piloto era previsto que os novos moldes também fossem em 05 níveis de complexidade crescente, de forma que os moldes seriam de livre criação de cada aluna, onde elas fariam a criação de:
1. Moldes pequenos com trança e traça 2. Moldes médios com trança e traça 3. Moldes com trança, traça e pano 4. Moldes com trança, traça, pano e bico
5. Moldes com trança, traça, pano, bico e coentro
Na implementação da oficina, esta etapa foi eliminada. As alunas partiram direto para moldes mais completos, com maior número de pontos, alegando que os moldes com uma menor quantidade de pontos eram muito fáceis para elas, visto que elas, neste ponto, já sabiam o suficiente para criar livremente. Assim, nesta etapa, as alunas criaram seus próprios moldes, de modo a inserir tramas e formas livremente.
O tempo destinado ao módulo de criação de novos moldes foi considerado suficiente pela grande maioria das alunas, visto que estas viram este segundo módulo apenas como uma etapa complementar aos módulos 4 e 5 (representação bidimensional e teoria da cor). Observou-se que uma das principais dúvidas se concentrou na contagem dos bilros no desenho da renda. Percebe-se que este tópico deve ser mais bem explorado em uma próxima oficina.
Com base nos relatos das alunas, verifica-se que esta etapa foi importante para o aprendizado, mas que os conhecimentos apenas seriam efetivos após a prática e exercício desses conhecimentos no módulo 9 , em que elas produzirão a renda do molde criado por elas.
“Essa segunda etapa foi mais teórico, teve um monte de aula teórica.” (Rendeira
Aprendiz – GF6) [Sic]
5.3.4.3 Terceira Etapa: Produção da Renda
Na terceira etapa da Oficina de Desenho, as alunas produziram a renda dos moldes criados no módulo 8 na oficina e onde colocaram em prática os conhecimentos adquiridos ao longo da oficina (quadro 05).