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Evlilik uyumu ve erken dönem uyum bozucu şemalar arasındaki ilişkileri

2. Kavramsal/Kuramsal Çerçeve

2.4. İlgili Araştırmalar

2.4.1. Evlilik uyumu ve erken dönem uyum bozucu şemalar arasındaki ilişkileri

Na Fonoaudiologia ainda há uma carência de pesquisas com idosos não- institucionalizados e não-acamados. Em outras palavras, o idoso com o qual nos deparamos no dia-a-dia e que não necessariamente tem sua vida deteriorada pelos efeitos do envelhecimento, fato que se pensava, anteriormente, ser inevitável. A partir desta observação iniciou-se a motivação para realizar esta pesquisa. Optou-se por incluir somente mulheres, por considerar que é uma necessidade dos dias de hoje, uma vez que elas constituem a maior parte da população idosa e promovem maiores demandas às unidades de saúde, até mesmo de forma preventiva.

Entre outros, um ponto relevante considerado ao elaborar o projeto de pesquisa foi o reduzido número de estudos que investigam a auto-imagem vocal dos idosos e como eles vêem o envelhecimento. Acredita-se que estas questões podem trazer esclarecimentos a respeito da comunicação do indivíduo idoso, úteis para a noção do profissional sobre como atuar com esta população.

Ao realizar um levantamento da literatura na área de voz, percebeu-se que cada autor utilizou um questionário diferente para investigar as particularidades dos idosos, fundamentais para este tipo de estudo, como: características demográficas, sociais, psíquicas, queixa de voz e histórico de problemas vocais. Destaca-se também uma pesquisa (Aquino, 2003) que utilizou o questionário QVV, o qual foi elaborado para a utilização com indivíduos disfônicos, e não com a população sem distúrbio de voz. Notou-se, desse modo, a importância de se padronizar e realizar a validação de um instrumento específico para idosos, que contemple questões voltadas às suas peculiaridades.

Não foi encontrado um questionário que incluísse todos os questionamentos que se julgavam necessários para esta pesquisa. Por este motivo, elaborou-se um novo instrumento que atendesse aos objetivos propostos e que pudesse ser aplicado à população de idosos em geral. Neste sentido, foi realizada uma leitura e a análise de outros questionários para servir de base para aquele que iria ser construído. Houve um cuidado para não induzir respostas, com a inclusão, sempre que possível, de perguntas abertas, que permitissem a livre expressão. Todavia, durante o processo de coleta de dados notou-se a necessidade de investigar mais alguns itens que não constavam do Formulário: a descendência das participantes, mais alguns aspectos relacionados à profissão (durante quanto tempo você trabalhou? Parou de trabalhar há quanto tempo?) e se as alterações vocais das quais se queixavam eram constantes ou

intermitentes. Sugere-se que, em uma próxima pesquisa, essas questões sejam incluídas no Formulário.

Além disso, um diferencial foi a forma de aplicação do instrumento, que se considerou a mais apropriada para esta população. O instrumento foi denominado Formulário, pois se utilizou o método no qual a pesquisadora fazia as perguntas da mesma forma que estavam redigidas e anotava a resposta das idosas. Este modo de registro proporcionou uma boa aceitação da pesquisa, pois diminui o tempo de aplicação, não causa constrangimento e nem exclui as pessoas com dificuldades visuais e de leitura.

Pôde-se notar que, com essa forma de abordagem, as idosas sentiram-se acolhidas, por poderem expressar seus pensamentos, emoções e experiências, e serem ouvidas. Isto foi relatado verbalmente por algumas delas que, inclusive, conversavam com outras mulheres após o término de suas avaliações e estimulavam-nas a também participar. Em uma próxima pesquisa, sugere-se que seja realizada a validação do Formulário, uma vez que este se mostrou um bom instrumento de investigação.

Mais uma opção incomum, em pesquisas na área da voz, foi a de apresentar fotografias para incitar a fala espontânea dos sujeitos, com o objetivo de gravar a voz para posterior análise perceptivo-auditiva. Esta iniciativa foi bem-sucedida também em virtude de as fotos terem como temática o passado e marcos históricos da cidade de São Paulo. Uma pessoa pode não ter nada ou ter pouco a dizer sobre um assunto específico como futebol, religião, paisagens, contudo, qualquer um tem um passado a recordar. Por mais que parte das mulheres não tivesse utilizado os serviços de um bonde ou não houvesse entrado na igreja apresentada na época da fotografia, estas imagens remetiam a alguma história do passado, faziam emergir principalmente boas recordações e lições de vida. A partir dos relatos, tornou- se possível conhecer um pouco mais do universo feminino no passado e no presente e, certamente, isso contribuiu para o desenvolvimento desta pesquisa e o aprendizado pessoal e profissional das investigadoras.

Sobre a coleta de dados, vale ressaltar que esta foi realizada em locais destinados exclusivamente à população idosa e também em um clube recreativo freqüentado por pessoas de qualquer idade. Nesses lugares, foi visível a superioridade numérica feminina já descrita na literatura (Neri, 2001; Schoueri-Junior et al., 2000; Lebrão e Laurenti, 2005).

A maioria das mulheres que freqüentava os locais aceitou facilmente participar da pesquisa após ter sido explicitada a importância desta. Elas encararam a participação como uma boa oportunidade de cuidado com a saúde e prevenção de comorbidades, confirmando a

referência na literatura de que a mulher geralmente é atenta à sua saúde (Schoueri-Junior et al., 2000).

Houve dificuldade em encontrar, durante a coleta de dados, mulheres na faixa etária entre 80 e 90 anos. Em virtude de a pesquisa ter sido desenvolvida somente em quatro lugares, não se pode afirmar com toda a segurança que pessoas dessa faixa etária freqüentam menos os ambientes destinados a idosos. Ao menos as que participaram desta pesquisa e que foram avaliadas em domicílio realizavam atividades fora de casa e, inclusive, algumas participavam de outros grupos de terceira idade não visitados. Entretanto, observa-se, no cotidiano, que há uma tendência de as mulheres nessa faixa de idade ficaremmais restritas ao ambiente doméstico, talvez por opção própria ou devido a algum impedimento, como, por exemplo, dificuldades de locomoção.

Quanto à literatura apresentada, há um consenso de que tem havido, ao longo dos anos, um aumento substancial da expectativa de vida da população brasileira (Pessini e Queiroz, 2002; Knorst et al., 2002; IBGE, 2004). Outra opinião convergente entre os autores é de que as mulheres têm uma longevidade maior do que os homens (Lebrão e Laurenti, 2005; Herédia, 2004; Schoueri-Junior et al., 2000; Neri, 2001). Sem dúvida, o número de idosos no país é crescente e demonstra que a Fonoaudiologia precisa ter um olhar específico sobre como atuar com esta população.

Os pesquisadores, entre eles Bacha et al. (1999), Cassol e Behlau (2000), Amorim (2001), Nisa-Castro et al. (2004), Russo (2004) e Monteiro (2007), concordaram que ocorrem transformações gradativas, em idades mais avançadas, nos órgãos fonoarticulatórios, nas funções neurovegetativas e na função auditiva, ou seja, na comunicação de um modo geral. É utilizado o termo presbifonia para identificar o envelhecimento da voz. Entretanto, pode-se notar que não há uma conformidade nas opiniões sobre as características vocais que compõem este diagnóstico. As mais comumente citadas são: a rouquidão (Behlau, 1999); tendência a tremor, instabilidade, ressonância baixa e loudness fraco (Behlau, 1999; Andrada e Silva e Duprat, 2004); quebra de sonoridade, variações de intensidade ou freqüência e bitonalidade (Andrews, 1995; Polido et al., 2005); tessitura restrita, ataque vocal suave ou aspirado (Andrada e Silva e Duprat, 2004); e crepitação na voz (Behlau et al., 2001).

De modo geral, há uma concordância de que a voz da mulher idosa passa por modificações durante o período da menopausa (Machado et al. 2005; Abitbol et al., 1999; Bressan, 1999; Boulet e Oddens, 1996) e o pitch tende a se agravar com o avançar dos anos (Behlau, 2004; Venites et al., 2004; Behlau et al., 2001; Feijó et al., 1998).

Em relação aos resultados, a tabela 1 mostrou que 90,4% da população total exerceu alguma atividade profissional no passado, sendo que a maioria nos três grupos trabalhou durante um período que vai de um a dez anos e parou de trabalhar há mais de 20 anos. No quadro 1 nota-se, nas duas primeiras faixas etárias, um predomínio de mulheres que exerceram no passado a profissão de costureira. No G3, a profissão mais citada foi a de operária de fábrica ou indústria. Ao considerar-se os três grupos, 30,6% tiveram essa atividade laboral, enquanto na pesquisa de Farinasso (2005) a principal profissão relatada pelos entrevistados com 75 anos ou mais foi a agricultura e exerceram a profissão de costureira apenas 8,1% dos idosos.

O alto índice de mulheres que trabalharam fora de casa pode causar admiração, pois contraria a noção, do senso comum, de que a maioria das idosas exerceu apenas atividades domésticas. Contudo, vale lembrar que eventos históricos promoveram, ao longo dos séculos, mudanças na dinâmica de trabalho e no papel feminino na sociedade, como, por exemplo, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, no século XVIII, bem como a Segunda Guerra Mundial, no século XX. A partir desses eventos, sua participação no mercado de trabalho foi crescente e mais acelerada, dentro e fora do Brasil. As idosas que compuseram esta pesquisa, especialmente por terem vivido a maior parte de suas vidas em uma grande metrópole (São Paulo), fizeram parte dessa realidade.

Atualmente, mantêm atividade laboral somente 12,5% das mulheres do G1, 2,9% do G2 e 7,1% do G3. Estes são índices diferentes dos constantes na pesquisa do Núcleo de Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo (FPA, 2007), na qual verificaram que ainda trabalhavam 21% das mulheres de 60 a 69 anos, 8% daquelas com 70 a 79 anos, e 1% das mulheres com 80 ou mais. A discrepância nos valores encontrados pode estar pautada no fato de essa pesquisa ter sido realizada em várias regiões do Brasil, com outras realidades.

No presente estudo, identificou-se que as mulheres da última faixa etária desenvolvem seu trabalho no próprio domicílio, pois a profissão não requer inserção no mercado formal, o que pode ter facilitado a manutenção da atividade até os dias de hoje. Apenas uma delas atua como cozinheira em uma lanchonete, de propriedade da família.

Na tabela 3 observa-se que grande parte das mulheres, nos três grupos, mora com alguém (68,8%, 64,7% e 67,9% respectivamente). Vivem sozinhas 33% da população total, valor mais alto do que o encontrado por Farinasso (2005), talvez pelo fato de a sua pesquisa ter incluído também homens e sabe-se que é maior a proporção de mulheres que vivem sozinhas na velhice (Capitanini, 2000). Quanto ao vínculo das pessoas com quem moram, constatou-se que no G1 a maioria (18,8%) das mulheres mora apenas com o filho ou com o

esposo (18,8%), enquanto nos demais grupos houve maior número de pessoas que moravam apenas com filhos (26,5% do G2 e 28,6% do G3).

Os dados citados acima são muito relevantes, pois de acordo com alguns pesquisadores (Baltes e Mayer, 1999; Motta, 1999; Debert, 1999), mulheres que moram acompanhadas tendem a ter melhor qualidade de vida do que as que vivem sozinhas.

A tabela 4 revelou que 90,4% das idosas apresentam algum tipo de problema na saúde geral, o que corrobora com a taxa de 95,5% encontrada, nesta questão, por Farinasso (2005). A hipertensão arterial (quadro 2) foi a doença mais comum na população estudada (65,9%), equivalente ao identificado na literatura (Farinasso, 2005; FPA, 2007).

É possível evidenciar que, entre as três faixas etárias, o G1 tem o maior percentual de mulheres com algum problema de saúde. Apesar de esse grupo ter tido um índice baixo de pessoas que utilizaram cigarro e, provavelmente, ter obtido mais informações do que os demais sobre a prevenção de comorbidades, outros fatores podem ter influenciado nessa condição. A qualidade de vida e a saúde da população certamente sofreram um declínio com o passar do tempo, com o advento dos alimentos industrializados, aumento da violência e estresse. As idosas das faixas etárias mais avançadas possivelmente viveram um cotidiano mais saudável ao longo de suas vidas.

Entretanto, ainda que no G1 haja mais idosas que afirmaram ter alguma doença, é necessário destacar que o grupo apresentou, ao mesmo tempo, um menor número de enfermidades por pessoa. Constatou-se que o número de doenças por pessoa aumentou com a idade e, realmente, é perceptível essa tendência na população idosa. É claro também que há fatores individuais, sociodemográficos e ambientais que influenciam na saúde e, por isso, em outro estudo, os resultados poderiam ser diferentes.

Ao analisar os dados sobre o uso de medicamentos (tabela 5 e quadro 3), notou-se que 88,3% das idosas faziam uso regular de algum tipo de medicação, similar à percentagem de 86,7 encontrada na pesquisa descrita por Lebrão e Laurenti (2005). Foi constatada uma proporção de consumo ligeiramente maior no G1 (93,8%), explicada pelo número maior de enfermidades apresentadas por este grupo. Observou-se que a população dos três grupos ingeria, na maioria dos casos, de dois a três tipos de medicação, e a mais consumida era destinada ao tratamento da hipertensão arterial, em função da maior ocorrência desta enfermidade.

Sabe-se que o indivíduo idoso tem propensão a um consumo aumentado de fármacos, que pode promover sensação de boca seca e, conseqüentemente, alterações na

deglutição (Silva-Netto, 2003), e os efeitos colaterais também podem contribuir para alterações na voz (Bressan, 1999).

Sobre a ocorrência do hábito de fumar (tabela 6), verificou-se que nunca consumiram tabaco 81,2% das mulheres do G1, 79,4% do G2 e 85,7% do G3. Fumaram, em algum momento da vida, 9,4% do G1, 20,6% do G2 e 14,3% do G3, percentagens reduzidas quando comparadas às da pesquisa da FPA (2007) em que foram encontradas, respectivamente, as percentagens: 25%, 26% e 30%. Evidenciou-se que apenas três mulheres (9,4%) do G1 ainda fazem uso do cigarro, divergindo do estudo da FPA (2007), no qual continuavam fumando 16% das mulheres de 60 a 69 anos, 6% de 70 a 79 anos e 4% daquelas com 80 anos ou mais. O número de cigarros consumidos atualmente ou no passado por grande parte das mulheres do G1 e do G2 era de seis a 20 ao dia (83,3% e 57,1%), enquanto o consumo do G3 ficou entre um e 20 cigarros (100%). Nota-se variação no tempo de uso do tabaco entre os três grupos, porém, sem diferença estatisticamente significativa. A maior parte da população pesquisada utilizou cigarro por um período que variou de 11 a 30 anos (41,2%).

Os achados no G1, grupo de mulheres mais novas, destacam-se, pois foi aquele com maior percentual de mulheres que nunca fumaram e com menor percentual das que fumaram em alguma época da vida. Estes dados têm lógica, pois nas épocas mais remotas o cigarro era considerado símbolo de independência, elegância e maturidade, porém, essa visão modificou-se com o passar do tempo. A faixa etária de 60 a 69 anos foi, sem dúvida, a que mais teve contato com propagandas anti-tabagistas e que mais obteve informações a respeito das conseqüências do cigarro sobre a saúde, o que pode ter levado a esse resultado.

O hábito de ingerir bebida alcoólica (tabela 7) ocorreu em 40,4% das idosas no total e, no G2, houve um maior número de mulheres que relataram este fato (50%) quando comparado com o G1 (37,5%) e o G3 (32,1%). Estes números são mais altos do que os visualizados na pesquisa da FPA (2007), em que consumiam bebida 17%, 8% e 5%, respectivamente, em cada faixa etária. Apesar de as percentagens terem sido elevadas nos três grupos, no presente estudo a maioria relatou que utiliza álcool sem regularidade, ou seja, apenas em eventos sociais e em pouca quantidade. A bebida mais consumida pelas idosas é a fermentada (78,9%), principalmente o vinho. Sabe-se que algumas mulheres, em especial do G1, descendem de famílias italianas e que esta bebida costuma ser bastante consumida por elas.

A prática regular de atividade física (tabela 8) foi constatada em 70,2% das participantes, em divergência com a população de outro estudo (Farinasso, 2005), em que os indivíduos não praticavam nenhum exercício físico de forma regular. O grupo 3 foi aquele em

que um número menor de idosas relatou essa prática, talvez por elas terem, além de outros problemas, mais ocorrência de artrose. Esta doença é comum na velhice e pode afetar, entre outras partes do corpo, quadris, joelhos, mãos, dedos e coluna, gerando desconforto articular, cansaço, dor, deformidades, inflamações e limitação da função articular.

Na tabela 8, observa-se também que as mulheres, nas três faixas etárias, praticam exercícios, prioritariamente, com uma freqüência que variava de uma a três vezes por semana (59,1%) e já realizam atividade física por um período que variava de três a dez anos na maioria dos casos (54,5%), sem diferença importante entre os grupos. Pode-se observar que várias idosas iniciaram alguma atividade há pouco tempo (de seis meses a dois anos), o que demonstra que nunca é tarde para começar a se exercitar. Em seus relatos, muitas alegaram que, antigamente, não havia tanto estímulo à prática de exercícios físicos. Hoje, além da divulgação maciça sobre os benefícios dos mesmos, os locais que elas freqüentam disponibilizam atividades desse tipo.

Percebeu-se que a maior parte do G1 (43,8%) realizava mais de um tipo de exercício físico (quadro 4), enquanto nos demais grupos a maioria praticava apenas uma modalidade (41,2% e 39,3%). Essa diferença pode ser devido ao fato de o G1 incluir mais mulheres com problemas na saúde e elas, por esse motivo, dedicarem-se mais às atividades físicas.

O tipo de exercício físico mais referido pelas participantes no G1 e G3 foi a caminhada, a qual é realizada por 58,3% e 43,7% das idosas, respectivamente. Na população total, praticam caminhadas 31,9% das idosas, corroborando com o percentual de 34,9% encontrado por Farinasso (2005). No G2, o tipo mais praticado é a ioga (38,5%), seguida da caminhada (34,6%).

Na tabela 9, nota-se que um alto percentual de mulheres nos três grupos realiza atividade social e/ou de lazer (92,6%). É possível identificar uma tendência na população total a desenvolver mais atividades desse tipo do que praticar exercícios físicos. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos, todavia, percebe-se que as participantes do G1 são as que menos desenvolvem práticas sociais e de lazer, talvez por ocuparem um tempo maior com o trabalho físico.

Ao todo, 74,7% das mulheres têm atividade social e/ou de lazer com uma freqüência que varia de uma a três vezes por semana. Participar de grupo da terceira idade (quadro 5) foi a atividade mais citada nas três faixas de idade. A maioria no G1 e G2 realiza apenas um tipo de atividade, enquanto a maior parte do G3 realiza mais de um tipo,

possivelmente em função de grande parte delas (33,3%) freqüentar um local destinado a atividades culturais e de lazer, com várias opções de escolha.

Quanto à demanda vocal no dia-a-dia (tabela 10), houve diferença estatisticamente significativa na comparação entre as faixas etárias. Notou-se que a demanda vocal variou conforme a idade: a maioria das mulheres do G1 relatou que faz uso intenso da voz; no G3 verificaram-se mais relatos de uso médio da voz; e, no G2, pouco uso. Esses dados contrariam o esperado, que seria uma redução da demanda vocal com o passar do tempo. Porém acredita- se que o Grupo 3 relatou maior uso da voz do que o 2 em virtude de ter mais idosas que fazem aula de canto e que realizam um número maior de atividades sociais e/ou lazer. Ou seja, há, provavelmente, maior exigência no que se refere à comunicação oral para essas mulheres.

Foi citado uso do telefone (tabela 10) com pequena freqüência pelas mulheres no total (58,5%). O Grupo 1, que relatou maior demanda vocal, também é aquele em que uma percentagem maior de pessoas relatou uso do telefone de forma intensa. Quanto às atividades de maior exigência de uso da voz (quadro 6), conversar pessoalmente foi a mais mencionada, sendo esta a única atividade que envolve uso da voz para a maioria das participantes nas três faixas etárias.

A tabela 11, sobre a prática de canto, demonstra que metade das mulheres do G1 e do G3 relatou que canta e a maioria do G2 não canta. Contudo, esta não é uma prática formal e regular entre as idosas, considerando-se a população total, uma vez que 61% cantam sozinhas em casa e 14,6% durante atividades religiosas. Pratica atividade de canto em coral uma percentagem bem mais elevada de mulheres no G3 (42,9%), em comparação ao G1 (12,5%) e G2 (18,2%). Pode ter havido esse resultado no G3 não só devido ao fato de as participantes gostarem mais de cantar, mas também por haver no grupo índice maior mulheres que freqüentavam um lugar que, entre aqueles onde a coleta de dados foi realizada, era o único que oferecia aula de canto.

Verificou-se uma associação entre dificuldade para cantar e a idade: houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos, com um maior percentual de mulheres do G3 que não relataram tal dificuldade, possivelmente por ser o grupo em que uma taxa maior de mulheres se submete a treinamento de voz durante a atividade de canto em coral.

O tipo de dificuldade para cantar (quadro 7) mais mencionado foi a de alcançar tons agudos, especialmente no G1 (50%) e G2 (81,8%). No G3 esta também foi a principal queixa, contudo apareceu em percentagem bem mais baixa (21,4%). Estes dados concordam com aqueles observados na literatura (Cassol e Bós, 2006; Bilton e Sanchez, 2002; Abitbol et al., 1999; Bressan, 1999; Boulet e Oddens, 1996), os quais indicaram a ocorrência de redução

na extensão vocal dos sons agudos com o avançar da idade. Um motivo para o G3 ter