C- EVLENME İLE İLGİLİ İNANIŞLAR VE DEĞERLENDİRİLMESİ
1- Evlenme İle İlgili İnanışlar
A partir do momento em que assumimos que as interlínguas (ILs) são gramáticas internalizadas na mente dos aprendizes de L2, aceitamos também que as intuições lingüísticas fornecidas por eles nos dão indicações, mesmo que indiretamente, sobre suas competências nas interlínguas. A questão que surge a partir disso é até que ponto esses julgamentos são
130 confiáveis e equiparáveis aos julgamentos de falantes de uma L1. Ao compararmos as gramáticas de falantes de L1 e de aprendizes de L2, assumimos que as primeiras são mais consistentes e mais desenvolvidas que as segundas. Inclusive, a própria definição de interlínguas indica que essa gramática é transitória e instável, embora siga os princípios da UG (White, 1989, 2007; Schwartz e Sprouse, 1996).70 No capítulo primeiro desta tese,
chamamos atenção para outros problemas relacionados às interlínguas: mesmo concordando com a idéia de que as Ils seguem os princípios da UG, muitas vezes elas diferem em vários aspectos das gramáticas dos falantes de uma L1. E em relação aos parâmetros, se eles realmente podem ser fixados, é possível que também apresentem diferenças dos parâmetros da L2. Novamente voltamos ao problema das diferenças entre as gramáticas finais dos falantes de L1 e de L2. Partimos do pressuposto de que os falantes de L1 têm gramáticas basicamente muito semelhantes, ou seja, eles têm a mesma competência lingüística. No caso da L2, as gramáticas finais são variadas, mesmo no caso de aprendizes que estejam no mesmo “nível de aprendizagem” ou falantes da mesma língua materna. Como lidamos então com a questão da confiabilidade e da validade dos julgamentos desses aprendizes? A relação entre esses fatores não é muito diferente da relação entre forma e conteúdo nos estudos lingüísticos (Davies e Elder, 2005, p. 796): validade é o que faz com que o teste seja único, específico, mas para
70 Clahsen e Muysken (1986) têm opinião diferente: as interlínguas dos aprendizes nem sempre seguem os
131 que isso aconteça é preciso que tenha também confiabilidade. Confiabilidade é totalmente necessária, mas não suficiente; assim, confiabilidade e validade são fatores interdependentes. A confiabilidade oferece a base na qual a validade do teste será alicerçada. Davies e Elder (2005) consideram confiabilidade como parte da validade de um teste; a primeira não oferece novidade, a segunda sim. Para esses autores, e também para Bellack e Hersen (1984), se demonstrarmos que um teste tem validade, não é preciso provar sua confiabilidade; essa acaba se tornando um fator secundário.
Considerando-se que a confiabilidade dos GJs é um reflexo da consistência desses julgamentos, Sorace (1996, p. 392) oferece dois motivos pelos quais os GJTs podem apresentar inconsistência:
• A inconsistência pode ser resultado da má elaboração do GJT. As questões podem ser mal formuladas, o design do teste pode não ser apropriado, etc. A reformulação do teste resolve o problema e a inconsistência deixa de existir;
• A inconsistência pode estar relacionada com problemas inerentes à construção gramatical que está sendo investigada. Nesse caso, mesmo que o teste seja reaplicado várias vezes, o problema persistirá.
132 A autora afirma que, na maioria dos casos, a reaplicação do instrumento é uma solução válida para verificar a confiabilidade do teste, embora em muitos casos ela não seja indicada por causa do desenvolvimento das interlínguas. Sorace (1996) concorda que muitos pesquisadores não são cautelosos na criação de GJTs, mas que isso não precisa ser assim. Se os instrumentos forem bem elaborados, não há necessidade do uso de mais de um tipo de teste; os julgamentos gramaticais ou de aceitabilidade serão suficientes para dar evidências das gramáticas internalizadas nos aprendizes de uma L2. Conforme Sorace (1996, p. 385), mesmo que haja deficiências quanto ao uso dos GJTs, ela concorda que “it seems reasonable to claim that ILs judgments at least partly reflect IL knowledge: the more extraneous variables are controlled for, the clearer this reflection is”. 71
Greenbaum (1977) propõe alguns critérios para que os julgamentos gramaticais sejam confiáveis e, embora em seu estudo ele se refira a falantes de língua materna, podemos aplicá-los, com algumas modificações, a estudos em SLA.
• Reaplicação do instrumento com sujeitos diferentes, mas da mesma comunidade de fala. Nesse caso, não é tarefa simples
71 “Parece razoável afirmar que os julgamentos de interlínguas, no mínimo, refletem parcialmente o
conhecimento das interlínguas. Quanto mais controladas forem as variáveis irrelevantes, mais clara a reflexão será.”
133 identificar o que é a mesma “comunidade de fala”, principalmente quando a pesquisa é realizada em sala de aula. O que se pode fazer, então, é reaplicar a pesquisa com sujeitos que estejam em níveis de aprendizagem semelhante (básico, intermediário, avançado, ou ainda sujeitos que possuam o mesmo teste de proficiência, por exemplo). Mesmo assim, é evidente que o conhecimento de um grupo e de outro terá diferenças;
• Reaplicação do mesmo teste, com os mesmos informantes, após um certo período de tempo. Esse tipo de reaplicação pode ser bastante interessante, mas novamente é afetado pela questão da evolução das interlínguas. Se os aprendizes estão constantemente em contato com a L2, espaços pequenos de tempo podem ser cruciais para essa evolução e, com certeza, haverá resultados diferentes nos testes. Além disso, se o léxico e a ordem das sentenças não forem mudados, os participantes provavelmente lembrarão das suas respostas anteriores, e isso, sem dúvida, também afetará a confiabilidade dos julgamentos;
• Reaplicação do mesmo teste, com os mesmos sujeitos, com uso de vocabulário diferente. Apesar de parecer algo simples, trocar a parte lexical das sentenças pode afetar os resultados, pois nem sempre os informantes interpretam as sentenças da
134 maneira como os lingüistas esperam. Por isso, uma simples troca de vocábulos deve ser feita com cautela, principalmente quando os sujeitos estão em fases iniciais da aprendizagem da L2;
• Reaplicação do teste com os mesmos sujeitos e mesmo material, mas com diferentes tipos de medidas (escalas com relações como X ≠ Y, X > Y, entre outras). Aqui o problema é saber até que ponto essas medidas são válidas para a obtenção de resultados semelhantes e válidos.
Resumidamente, a confiabilidade de um teste está diretamente relacionada à consistência das medidas adotadas nas pesquisas.
No terceiro e último capítulo deste trabalho, retomaremos essa questão ao discutir as condições que devem ser seguidas na elaboração de GJTs em SLA para que esses testes tenham maior confiabilidade.