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2.4. Erişkin Ayrılma Anksiyetesi Bozukluğu

2.4.2. Etyoloji

Com a ampliação e a perspectiva multidimensional do conceito de inteligência, e consequentemente do talento, a identificação se tornou um fator consideravelmente mais complexo. Já não se pode mais confiar em apenas um único instrumento para identificar o indivíduo talentoso, como os testes de QI, pois se corre o risco de perder muitos sujeitos, devido às limitações inerentes ao instrumento, restrito a habilidades linguísticas e matemáticas. Em função do atual estado de conhecimento, no processo de identificação, múltiplos critérios devem ser utilizados, considerando-se informações obtidas de variadas fontes (ALENCAR; FLEITH, 2001; FERNANDES, 2012; VIANA, 2005; VIANA et al., 2012).

Nesse sentido, vale ressaltar que as novas tendências no processo de identificação não contemplam apenas o uso de testes de QI, mas também o emprego de: estratégias criativas; indicação de professores e ex-professores, de pais, de colegas de sala de aula e avaliação de diversos produtos do aluno. O processo de avaliação deve incluir, do mesmo modo, sugestões de atividades e estratégias cognitivas e/ou afetivas a serem desenvolvidas com o mesmo (RENZULLI, 1986; RENZULLI; REIS, 1997).

Pesquisas conduzidas por Renzulli (1984) e seus colaboradores (GUBBINS, 1982; REIS, 1981) indicam que comportamentos talentosos podem ser desenvolvidos em indivíduos que não apresentam um desempenho elevado, inicialmente, em testes de inteligência e aptidão. Seguindo esse pensamento, o sistema de identificação, denominado de Modelo das

Portas Giratórias (MPG), desenvolvido por Renzulli (1986), com o objetivo de encaminhar

os jovens para formação de grupo de talentos, representa uma alternativa mais ampla e inclusiva no processo de reconhecimento do aluno talentoso. Esse grupo encaminha discentes para programas que oferecem oportunidades em experiências de aprendizagem avançada e criativa.

A identificação de talentos parte do pressuposto de que uma pessoa, em algum momento e em determinadas circunstâncias, poderá apresentar comportamentos talentosos. Segundo Renzulli e Reis (1997), é necessário um método próprio de identificação de pessoas talentosas. Nesse sentido, eles propõem o MPG, a fim de identificar e facilitar programas de

atividades enriquecedoras, solucionar problemas novos, produzir novos produtos e obter, enfim, uma transformação social.

O MPG foi pensado por Renzulli e Reis (1997) para identificar e posteriormente selecionar alunos talentosos para participarem do “Talent Pool” ou grupo de talentos. Esse modelo de identificação do talento foge aos procedimentos tradicionais quando propõe que o avaliador faça uso de diversas fontes de dados como psico e sociométrica, desenvolvimental e de produto ou realização (VIRGOLIM, 2014).

Na implementação desse referido modelo, sugere-se que uma equipe de avaliação diagnóstica utilize diversos fontes para a coleta de dados, seguindo níveis diferenciados de identificação, passo a passo, conforme os descritos na tabela 2, a seguir:

Quadro 3 – Passos para identificação dos alunos talentosos

Critério de Pontuação do teste

(aprox. 50% do grupo de talentos)

Passo 1 Indicações por Pontuação em Teste de QI.

O total de estudantes talentos é composto por aproximadamente 15 a 25% da população geral. Critérios de Nomeação (Aprox. 50% do grupo de talentos)

Passo 2 Nomeação pelos professores. Passo 3 Nomeação pelos colegas e

autonomeação (estudo de caso). Passo 4 Nomeação especial: trabalhos e

produtos criativos (estudo de caso). Passo 5 Notificação e orientação aos pais. Passo 6 Informação de ação: engajamento, criatividade e motivação.

Fonte: RENZULLI; REIS (1997)

O Modelo de identificação proposto pelas portas giratórias é mais inclusivo, devido a encaminhar para o Grupo de Talentos cerca de 15 a 25% da população estudantil que manifestem uma ou mais habilidades acima da média em alguma área do saber, sentir ou criar, em oposição a programas para pessoas com altas habilidades/superdotação, que abrangem apenas 3 a 5% da população estudantil.

Apesar desse sistema de identificação incluir outros tipos de talentos, além do acadêmico, não garante que a dinâmica escolar tradicional e rotineira caminhe no sentido criar um ambiente estimulador e desafiador para motivar os alunos para o aprofundamento nas suas áreas de interesse. Na maioria dos casos, os alunos criativos terminam desmotivados com a rotina escolar acadêmica, contribuindo para os altos índices de evasão escolar. Diante desse contexto, a avaliação diagnóstica do talento se torna relevante, na medida em que permite conhecer os comportamentos e necessidades dos aprendizes, antes de se preocupar com o que ensinar e com o que devem aprender (VIRGOLIM, 2014).

Esse sistema de identificação, conforme podemos observar no quadro acima, consiste em seis etapas:

O passo 1: envolve indicação baseada em resultados em testes psicológicos (inteligência e aptidão); o passo 2: envolve a indicação de professores; o passo 3: envolve formas alternativas como autoindicação, indicação dos pais, colegas e testes de criatividade; o passo 4: (válvula de segurança número 1) inclui indicações especiais como as de professores que acompanharam o aluno em séries anteriores; no passo 5:, pais e alunos são notificados e orientados acerca da filosofia, procedimentos e atividades do programa em que o aluno participará e dos critérios utilizados para o ingresso do aluno no grupo de talentos; e o passo 6: (válvula de segurança número 2) baseia-se na informação da ação, na qual os professores são orientados a identificar alunos que têm um interesse inusual em algum tópico escolar (ALENCAR; FLEITH, 2001, p. 72).

Pode-se perceber que essas seis etapas utilizadas no processo de identificação dos alunos, visando à formação do Grupo de Talentos, envolve informações de natureza:

psicométrica, por meio dos testes de QI, capacidade e criatividade; desenvolvimental, através

da identificação de pais, professores, colegas e do próprio aluno; sociométrica, através da indicação de colegas e de desempenho, em atividades escolares e externas. Ressalta-se, também, que a coleta de informações sobre o perfil dos alunos talentosos é mais subjetiva do que resultados em testes ou escalas, pois dependem da intuição, observação e das reações do professor ao desempenho do aluno nas tarefas (RENZULLI, 1986).

O sistema de identificação proposto pelas portas giratórias, utilizado para a formação do Grupo de Talentos, é bastante flexível, constituindo-se em uma porta aberta aos estudantes não identificados pelos métodos tradicionais. Como consequência, pais, diretores, professores e coordenadores terão a oportunidade de participar ativamente da identificação. Além disso, compreendemos que o sistema de Grupo de Talentos também possibilita o acesso contínuo de um número maior de alunos aos programas de desenvolvimento do talento, minimizando o caráter elitista atribuído a essas práticas educacionais (RENZULLI, 1988).

Os avaliadores que resolvam seguir a metodologia acima proposta não têm que necessariamente seguir uma após a outra nessa ordem. Porém, os autores Renzulli e Reis (1997) destacam a importância dos resultados nos testes psicométricos e da nomeação pelos professores, visto que esses meios de identificação correlacionados asseguram a inclusão automática dos estudantes no grupo de talentos, sendo aconselhável para os demais realizar o estudo de caso. Observa-se que 50% dos alunos avaliados são identificados através dos testes pela sua habilidade intelectual ou acadêmica, enquanto os demais são identificados por apresentarem o talento criativo-produtivo ou elevado nível de motivação na realização das tarefas (PASSOS; VALLE-RIBEIRO; BARBOSA, 2014; VIRGOLIM, 2014).

Em termos práticos, o sistema das Portas Giratórias é um modelo de identificação associado ao Modelo dos Três Anéis. Esse método de identificação contempla a criação de uma “cartela de talentos” ou Talent Pool intitulada Identifying Gifted Talent Children19 que

consegue identificar, através de diferentes formas de nomeação, com confiabilidade, aproximadamente 25% dos alunos talentosos, com o intuito de formar um grupo específico na escola, que pode aproveitar-se dos diferentes serviços e práticas de enriquecimento escolar (RENZULLI; REIS, 1997).

Observa-se, que, a partir dos critérios expostos no quadro, os estudantes, além da nomeação decorrente dos resultados em testes tradicionais como o de QI, podem ser identificados através: da observação do professor; por meios especiais, como a autonomeação e indicados por seus colegas; por caminhos alternativos, como os testes de criatividade; por meio de notificação dos pais e informação de ação ou produtos. A metodologia das Portas Giratórias se trata, portanto, de um sistema de identificação dinâmico, que pode ocorrer em qualquer período do ano letivo (VIRGOLIM, 2014).

Renzulli e seus colaboradores (1997) propõem que, dentro dos serviços destinados a desenvolver os talentos dos estudantes, em primeiro lugar, deve-se identificar os interesses e estilos de aprendizagem de cada um. Em segundo, a partir dessa avaliação diagnóstica, devem-se prover experiências de aprendizagens contextualizadas com a realidade discente. Em seguida, convém que as atividades propostas estejam conectadas com as situações reais vividas, passadas e atuais. Convém, ainda, buscar a aplicação dos conhecimentos em situações práticas e, finalmente, que se desenvolva o pensamento criativo. Em síntese, importa que o estudante talentoso parta de suas recordações, entenda, aplique, analise e avalie, para que assim possam chegar ao nível de pensamento criativo e inventividade.

Vejamos abaixo algumas possibilidades de avaliação diagnóstica do talento dos líderes de sala de aula: testes psicométricos, nomeação dos professores, nomeação pelos colegas e autonomeação, descritos a seguir.

3.4.1 Indicação por meio dos testes psicométricos

A indicação por meio de testes psicométricos normalmente é utilizada nos estudos com o objetivo de verificar resultados acima da média, principalmente no que diz respeito ao rendimento escolar, portanto, na área acadêmica. Logo, tais testes de QI não são adequados

para a identificação de talentos em outras áreas, como a criativa. A identificação por testes também é relevante nos casos de educandos que possuem QI acima da média, mas que tiram notas baixas, apresentam baixos escores, desmotivação para com o ensino e acham as aulas pouco atrativas (ALENCAR; VIRGOLIM, 2001; VIRGOLIM, 2014).

Os testes psicométricos abarcam apenas de 1 a 3% da população com altas habilidades/superdotação. Todavia, quando se somam formas alternativas de identificação dessa população, incluindo a identificação de professores, pais, colegas e autonomeação dos estudantes devido à sua criatividade, liderança, dentre outras características, passa a abarcar cerca de 25% de uma população de talentosos na área acadêmica (ALENCAR; VIRGOLIM, 2001; VIRGOLIM, 2014).

Não se pode perder de vista que parte do insucesso escolar dos jovens talentosos decorre do fracasso da própria escola tradicional, mediante um currículo acadêmico monótono, repetitivo, em que as reais necessidades desses jovens não são atendidas, inibindo a manifestação de todo o seu potencial. Em ambientes pouco atrativos, os jovens terminam por enveredar por caminhos e práticas socialmente inadequadas, tornam-se agressivos, violentos, desenvolvem um autoconceito negativo, sentindo-se incapazes. Infelizmente, a escola massificada ainda não está preparada para atender ao potencial individual de cada aprendiz (ALENCAR; VIRGOLIM, 2001; LANDAU, 1990; VIRGOLIM, 2014).

Percebe-se que, apesar das diversas inteligências e possibilidades de uso de multimeios para identificação dos talentos, ainda é muito frequente o uso de medidas que avaliam a inteligência através do QI, mesmo que se pretenda, por exemplo, identificar a criatividade ou envolvimento com a tarefa. Passos, Ribeiro e Barbosa (2014) ao revisarem a literatura especializada, inclusive internacional, encontraram poucos estudos empíricos baseados no MPG. Na maioria dos casos, o que se encontra é a análise a partir de dados coletados de testes de inteligência e/ou da nomeação dos professores (RENZULLI, et al.,1997; VIRGOLIM, 2014).

3.4.2 Nomeação pelos professores

Outra prática, igualmente importante, além dos testes psicométricos, na identificação de alunos para programas educacionais de identificação e incentivo ao desenvolvimento do talento é a identificação pelo professor a partir de um roteiro bem planejado. Para facilitar esse processo de identificação, o avaliador pode pedir ao professor para nomear aquele discente com maior: vocabulário; motivação para aprender; capacidade de

liderança; pensamento crítico mais desenvolvido; de quem os colegas gostam mais; com maior interesse na área de Ciências, dentre outras características. Além do aspecto intelectual, as características de personalidade devem constar no processo de identificação, como a independência de pensamento e julgamento, curiosidade, absorção e persistência nas tarefas que se propõe a realizar e autoconfiança. Esses traços devem ser posteriormente analisados e cultivados na educação dos alunos com talento (ALENCAR; FLEITH, 2001; RENZULLI, et al.,1997).

Os docentes, por causa de sua proximidade cotidiana com os estudantes na sala de aula, são os mais indicados e recorridos para nomear, a partir da sua observação, os alunos mais talentosos, seja pela criatividade, rendimento escolar, capacidade de liderança, artística, esportiva, dentre outros aspectos, ou seja, características não detectadas pelos tradicionais testes de QI (ALENCAR; VIRGOLIM, 2001; LANDAU, 1990; VIRGOLIM, 2014).

3.4.3 Nomeação por colegas

Além da indicação dos talentosos por professores, a nomeação pelos colegas é uma alternativa a ser utilizada na identificação dessas pessoas, porém ainda pouco explorada. O MPG disponibiliza um formulário, no qual solicita primeiramente que o estudante nomeie o colega que ele pediria ajuda em seu dever de Matemática, Português, Ciências, dentre outras matérias. Em seguida, que aponte: o melhor na área artística, musical, esportiva, dança, teatro; o mais bem-humorado; aquele que tem as ideias mais originais, que escreve boas histórias. Para identificar a capacidade de liderança, pede que indique aquele colega que ele escolheria para liderar os trabalhos em grupo. Na última questão, solicita que indique o melhor aluno da turma (FELDHUSEN, 1998; RENZULLI; REIS, 1997; VIRGOLIM, 2014).

3.4.4 Autonomeação

Outra possibilidade pouco explorada, usada para selecionar aprendizes para um programa educacional de talentosos é a autoidentificação. O seu uso tem sido especialmente encorajado junto a pessoas do meio rural ou de nível socioeconômico desfavorecido. Através de um instrumento, o estudante reflete sobre aquelas áreas que ele considera que apresenta talento, cita produtos, descreve atividades realizadas e ações em desenvolvimento que evidenciam seu potencial naquelas áreas (FELDHUSEN, 1998; FREEMAN; GUENTHER, 2000; RENZULLI; REIS, 1997).

No instrumento de autonomeação, é fornecida uma lista de áreas para que o aluno identifique aquelas em que considera que demonstra habilidade especial, como por exemplo: habilidade intelectual geral, matemática, linguagem, leitura, ciências, artes, liderança. Além de identificar uma ou mais áreas, o estudante também deverá justificar, descrever os projetos realizados ou atividades que possam evidenciar ou elencar motivos os que o levaram a se considerar bom naquela área (VIRGOLIM, 2014; RENZULLI; REIS, 1997).

Uma das técnicas sugeridas para autoidentificação consiste em perguntar ao jovem sobre seus hobbies e interesses principais, as atividades desenvolvidas fora da escola, as formas de pensamento preferidas, bem como suas reações a elementos de seu ambiente. (RENZULLI; REIS, 1997; WESTBERG, 2002).

Ao término desse tópico, é relevante enfatizar que a precisão do processo de identificação dos alunos talentosos pelo professor poderá ser aumentada através de uma formação continuada adequada, incluindo conteúdos como Educação Inclusiva, discussão da relevância do processo de identificação validado, instrumentos de observação, formas de coleta de informações, dentre outros. Também é essencial o professor saber fazer uso de formulários e escalas fidedignas e validadas através de pesquisas (FELDHUSEN; JARWAN, 1993).

A correlação positiva pelos dois primeiros procedimentos acima citados, como a indicação por testes e nomeação por professores, já assegura a identificação dos estudantes talentosos. Caso os alunos não sejam identificados por essas duas possibilidades de identificação, busca-se correlacionar com testes alternativos, como o de criatividade, motivação intrínseca e engajamento na tarefa. O estudo de caso, o levantamento de informações junto aos pais ou responsáveis e notificações especiais também representam alternativas para assegurar uma identificação (ALENCAR; VIRGOLIM, 2001; GUENTHER, 2000; LANDAU, 1990; RENZULLI; REIS, 1997; VIRGOLIM, 2014).

Benzer Belgeler