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Fen, Doğa ve Bilim Etkinliği Planlama (Uzaktan Eğitim) 11. Oyun ve Hareket Etkinliği Planlama (Uzaktan eğitim)

De acordo com Minayo e Souza (2005), a violência contra o idoso faz parte da violência social, que ocorre no Brasil e no mundo, de modo geral. Ela se expressa através das maneiras como a sociedade organiza suas relações de classe, gênero, etnias e grupos etários e também da forma como o poder é exercido nas esferas macro e micropolíticas e institucionais.

As citadas autoras propõem o estudo da violência contra as pessoas idosas sob três pontos de vista: o demográfico, o epidemiológico e o socioantropológico. Do ponto de vista demográfico, deve-se vincular o recente interesse sobre o tema ao acelerado crescimento nas proporções de idosos em quase todos os países do mundo. Esse fenômeno quantitativo coloca vários dilemas para todas as sociedades e seus governos. Dentre eles, encontra-se a necessidade de reconfiguração dos ciclos de vida e de seus respectivos

41 papéis, hoje bastante estereotipados e das políticas sociais que lhes dizem respeito. Internacionalmente e também no Brasil, a população idosa não é homogênea, nem do ponto de vista da distribuição de renda nem por faixas etárias. A heterogeneidade interna da população idosa origina os riscos diferenciados de vitimização pela violência. Em relação à distribuição de renda, Minayo e Souza (2005) assinalam que cerca de 75% dos idosos brasileiros situam-se na faixa de pobreza, necessitando, portanto, de assistência dos serviços públicos.

No estudo epidemiológico sobre a violência contra a pessoa idosa, elaborado pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2005), este tipo de violência é um fenômeno de notificação recente no Brasil e no mundo. No entanto, a vitimização dos velhos é um fenômeno cultural de raízes seculares, sendo as suas manifestações facilmente reconhecidas desde as mais antigas estatísticas epidemiológicas.

Em 1975, pela primeira vez, esse problema foi descrito por revistas científicas britânicas, como “espancamento de avós”. No Brasil, a questão começou a ganhar visibilidade na década de 90, depois que a preocupação com a qualidade de vida dos idosos entrou na agenda da saúde coletiva brasileira. No entanto, a partir de 2003, as informações quantitativas e circunstanciadas sobre a violência contra idosos têm aumentado, por causa da obrigatoriedade da sua notificação prevista pelo Estatuto do Idoso (Brasil, 2003). A partir dessa obrigatoriedade, ficou demonstrado que a magnitude de tal fenômeno é muito mais extensa do que se previa anteriormente.

Neste sentido, a epidemiologia evidencia os indicadores com os quais o sistema de saúde mede a magnitude das violências que ocorrem no cotidiano da vida privada, no espaço público e no interior das instituições e que se transformam em informações quantificáveis. Ou seja, sua reflexão parte das consequências da violência referentes a

42 lesões, traumas e mortes e que chegam a ser notificadas pelo sistema de saúde (Minayo e Souza, 2005).

Segundo as citadas autoras, os limites desta notificação são dados por vários fatores. Um desses fatores é a vontade ou a consciência de tornar públicos os abusos e maus-tratos, de forma que sejam relatados às autoridades de saúde ou de segurança pelas vítimas, pelos agressores ou por terceiros. Outro fator reside na capacidade e na sensibilidade dos operadores de notificação, no sentido de descreverem com cuidado as causas básicas dos traumas, lesões e mortes e não apenas os sinais visíveis da vitimização. Por depender dessas circunstâncias cruciais, as informações epidemiológicas precisam ser sempre relativizadas, sobretudo quando se referem à magnitude do problema.

Nos estudos epidemiológicos, as violências são registradas enquanto causas externas de morbidade e mortalidade, que incluem: (a) as ações resultantes de agressões, acidentes, traumas e lesões; e (b) determinadas ações referentes aos processos que ocorrem nas relações sociais interpessoais, de grupos, de classes, de gênero ou objetivadas em instituições. Tais ações decorrentes de processos interpessoais interessam quando empregam diferentes formas, métodos e meios de aniquilamento de outrem ou quando empregam a coação direta ou indireta, causando danos físicos, mentais e morais ao outro. No caso da violência contra idosos, ainda se acrescentam as violências denominadas como maus-tratos, negligências e abusos (Minayo & Souza, 2005).

Além do enquadramento demográfico e epidemiológico, Minayo e Souza (op. cit.) inserem a temática da violência contra os idosos na questão mais ampla da violência social em geral, pautada pelo advento da modernidade, quando os direitos individuais, sociais e de segmentos específicos passaram a compor as exigências da cidadania e os códigos legais. Atualmente, tanto no Brasil quanto em toda a sociedade ocidental, a idade cronológica em suas diferentes etapas é ressignificada como um princípio norteador de

43 novos direitos e deveres, que extrapolam a esfera biológica. Isso quer dizer que o processo biológico, que é real e pode ser reconhecido por sinais externos do corpo, é apropriado e elaborado simbolicamente por todas as sociedades, em rituais que definem, nas fronteiras etárias, um sentido político e organizador do sistema social.

Geralmente, nos diferentes contextos históricos, há uma atribuição de poderes para cada ciclo da vida e, em quase todas as sociedades, observa-se um “desinvestimento” político e social na pessoa do idoso. A maioria das culturas tende a separar os velhos e a segregá-los e, real ou simbolicamente, a desejar sua morte. Nas sociedades ocidentais, continuam Minayo e Souza (2005), o desejo social da morte dos idosos se expressa sobretudo, nos conflitos intergeracionais, nas várias formas de violência física e emocional e nas negligências de cuidados. As manifestações culturais e simbólicas desse desejo de se liberar dos mais velhos se diferenciam no tempo, por classes, por etnias e por gênero. Isso acontece mesmo na cultura japonesa, que divulga para os ocidentais um culto positivo à sabedoria e à reverência aos idosos. Numa reportagem divulgada num jornal online, Takahashi (2006) denuncia um sentimento negativo expresso pelos próprios idosos, que recorrem a um templo budista para pedir uma morte rápida, a fim de não causar incômodo aos seus familiares.

No Brasil, prosseguem Minayo e Souza (2005), os cidadãos são constantemente informados pelos veículos de comunicação sobre os mais variados casos de maus-tratos e abusos dirigidos à população de idosos. Em sua grande maioria, essas ações são cometidas pelas próprias famílias, no ambiente doméstico onde residem os idosos vitimados. Também nas instituições públicas e privadas de proteção e na sociedade em geral, os idosos se queixam de maus-tratos, desrespeito e negligências. Esses problemas são agravados pela situação de desemprego, que leva o grupo familiar a se apoderar dos parcos benefícios da aposentadoria do idoso. Isso faz com que o idoso seja

44 relegado a uma vida de pobreza e dependência, dentro ou fora do domicílio. Nos casos de internação, os idosos são deixados como indigentes em antigos asilos, denominados de “Instituições de Longa Permanência para Idosos” (ANVISA/DC, 2005).

Embora a vitimação dos velhos seja um fenômeno cultural de raízes seculares e suas manifestações sejam facilmente reconhecidas desde as mais antigas estatísticas epidemiológicas, esse problema não tem se apresentado com a devida relevância social. No atual momento histórico, a quantidade crescente de idosos oferece um clima de publicização das informações produzidas sobre eles, tornando-as um tema obrigatório das pautas de questões sociais (Minayo, 2003).

É bem verdade que em 1994 foi promulgada a Lei Federal 8.842 (Brasil, 1994), buscando ordenar a proteção aos idosos. No entanto, como é o caso de muitas leis no Brasil, a sua implementação é ainda precária. No âmbito das instituições de assistência social e saúde, são frequentes as denúncias de maus-tratos e negligências. Mas nada se iguala aos abusos e negligências no interior dos próprios lares, onde o choque de gerações, os problemas de espaço físico e as dificuldades financeiras costumam se somar a um imaginário social que considera a velhice como "decadência".

Benzer Belgeler