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4. YAKIN FAY YER HAREKETLERİNDE YÖN ETKİSİ

4.2. Etkili Yönlerin Belirlenmesi

Os trabalhos codificados com as temáticas Comunicação Organizacional Digital e Redes Sociais na Internet foram agrupados em duas diferentes famílias de documentos primários (DPs) no software Atlas ti, visando a realização da análise codificação teórico-conceitual..

Nessa codificação buscamos identificar as bases teóricas que ancoram as discussões da temática da comunicação organizacional digital e os conceitos considerados fundamentais nos trabalhos analisados.

Por conta da recenticidade da comunicação digital, sobretudo ao falarmos de redes sociais online, conteúdo gerado pelo consumidor, mídias sociais, temos poucas referências acadêmicas. Fato que nos leva a “emprestar” conceitos da sociologia, administração e teoria das organizações, além da própria essência da comunicação organizacional. (TERRA, 2010).

A revisão de literatura apresentada evidencia os paradigmas teóricos e/ou pensamentos dos autores que dão sustentação à discussão teórica nos artigos. Dessa forma, procedemos a articulação da codificação teórico-conceitual com a codificação bibliográfica87. Essa articulação se fez necessária à análise empreendida nessa etapa. Realizamos o cruzamento dos códigos bibliográficos com os artigos incorporados à família de artigos codificados na temática comunicação organizacional digital. O resultado, produzido sob a forma de planilha (APÊNDICE AC), evidencia os autores mais citados por ano88.

87 Realizamos a codificação bibliográfica previamente em todos os artigos do corpus, codificando

individualmente cada autor citado nas reerências bibliográficas. Uma análise específica dessa codificação será apresentada no tópico seguinte.

88 No Quadro 23 foram incluídos os autores que tiveram mais de 10 codificações/citações ao longo do

Quadro 23 – Autores mais citados por ano

AUTORES 2007 ART 2008 ART 2009 ART 2010 ART 2011 ART 2012 ART 2013 ART 2014 ART 2015 ART TOTAIS

TOTAIS 96 48 140 112 88 17 128 72 92 793 CASTELLS, Manuel 7 4 23 4 7 3 7 8 3 66 CORRÊA, Elizabeth 8 0 9 8 2 2 0 7 42 KUNSCH, Margarida 1 2 10 4 1 0 2 5 0 25 LÉVY, Pierre 6 1 6 3 2 0 4 3 0 25 PRIMO, Alex 0 2 6 5 1 0 4 3 3 24 RECUERO, Raquel 0 0 3 5 4 0 4 2 5 23 SCROFERNEKER, Cleusa 1 1 3 1 0 1 7 1 3 18 TERRA, Carolina 0 3 4 5 0 1 1 3 1 18 BARICHELLO, Eugênia 0 4 3 2 1 0 1 2 3 16 LEMOS, André 1 1 0 1 2 1 7 1 2 16 BUENO, Wilson 2 1 7 1 1 0 3 0 0 15 BALDISSERA, Rudimar 0 2 1 2 2 2 1 1 3 14 OLIVEIRA, Ivone 2 0 0 1 1 1 3 2 3 13 SANTAELLA, Lùcia 3 0 4 1 0 0 3 0 2 13 LIMA, Fábia 0 0 0 1 3 1 5 0 1 11

FAUSTO NETO, Antônio 0 0 1 0 4 0 5 0 1 11

GRUNIG, James 2 1 0 3 1 0 2 1 0 10

MORIN, Edgar 0 0 5 2 3 0 0 0 0 10

Fonte: A autora, com suporte do software Atlas ti, 2016.

Os dados quantitativos são resultantes de um dos movimentos interpretativos do processo de acesso aos dados qualitativos que vamos analisar em seguida. Observando o quadro 23 e comparando seus autores com os elencados por Terra (2012)89, constatamos coerência tanto em relação aos autores nacionais, quanto aos internacionais, embora tenha investigado período diferente.

Focalizamos, nesse tópico, as abordagens teóricas e conceituais dos artigos do corpus. Como esses artigos constroem suas discussões teóricas? Quais autores são trazidos, em citações diretas ou indiretas, discursivamente para ancorar esse debate? Quais conceitos são fundamentais nessas abordagens?

Identificamos que a comunicação organizacional digital é discutida a partir de abordagens paradigmáticas diferentes e comporta noções variadas nos artigos analisados. Algumas pesquisas explicitam sua vinculação a modelos que são

identificados por Scroferneker (2012) como contratendências da comunicação organizacional, como os paradigmas relacional e da complexidade.

O Paradigma Relacional constitui uma das opções para a compreensão/explicação da comunicação organizacional digital com a admissibilidade da “construção conjunta entre interlocutores” e a consideração da imprevisibilidade da produção de sentidos, por se dar em condições discursivas singulares.

O processo comunicativo organizacional ultrapassa a perspectiva de suporte e de transmissão de informações, e passa a ser compreendido como interativo, estabelecendo relacionamentos na organização.

Ressalta-se que a compreensão da comunicação a partir do paradigma relacional é elaborada como um processo de construção conjunta entre interlocutores, que realizam discursos em situações singulares (LIMA, 2008). (DP 53 – 07/10).

Neste novo contexto, faz-se necessária a superação de modelos funcionalistas de comunicação, amplamente aplicados no contexto empresarial e cuja ênfase estava na transmissão das mensagens e no controle. Estes modelos dão lugar a outras formas de interação nas quais os agentes envolvidos estão implicados num processo permanente de compartilhamento e disputa de sentidos. Assim, este trabalho busca uma reflexão acerca das redes sociais e das tecnologias da Web 2.0 e suas implicações para as organizações, apresentando uma concepção da comunicação baseada no paradigma relacional. (DP 24 – 05/11).

A opção paradigmática da complexidade apoia-se em Morin (2003) e traz em seu bojo algumas noções que caracterizam o contexto contemporâneo, como a incerteza, a dualidade, a contradição e funda-se nos princípios da recursividade, hologramático e dialógico90, adequados à compreensão da realidade comunicacional das organizações.

Atualmente, o estudo da comunicação exige um olhar acurado no sentido que se apreendam os conceitos advindos dos saberes coletivos do universo social, muitos dos quais são tão bem abordados por autores da complexidade como Morin e Capra, cuja maior preocupação está em elucidar o tempo que vivemos e a necessidade que nos aflige, quando a questão em pauta é empreender processos de comunicação mais participativos e humanos. (DP 43 – 01/10).

Morin (2003) também afirma que pensar processos comunicacionais a partir da complexidade é perceber a solidariedade entre partes contraditórias de um mesmo campo e a interação com outros campos sociais, o que dá um caráter multidimensional ao todo da realidade social. (DP 17 – 07/09).

Como afirma Scroferneker (2012, p. 2), as contra tendências constituem

olhares diferenciados “que buscam romper com uma visão

reducionista/linear/prescritiva da Comunicação Organizacional” e traduzem a

“exaustão do Paradigma Simplificador ou Simplista”, ao mesmo tempo em que fazem apropriações de abordagens teóricas adequadas ao contexto contemporâneo, complexificado pelas tecnologias digitais da informação e da comunicação.

A linearidade previsível do modelo simplista (E->M->R) não consegue abarcar os objetos multifacetados que passaram a constituir a realidade comunicacional contemporânea, como o ambiente digital, as redes sociais na internet, as mídias sociais, as múltiplas plataformas digitais interativas e colaborativas, que passaram a dividir espaço com as chamadas mídias tradicionais ou massivas.

Nessa perspectiva, os autores encontram apoio em Castells (2003) que:

[...] defende que o desenvolvimento da internet trouxe a noção de espaço digital como um lugar de interações por meio e no qual as pessoas constroem as subjetividades. Este espaço constitui-se de uma geografia peculiar articulada em redes e nós que processam fluxos de informação gerados e administrados a partir de lugares descentralizados. Neste caso, da arquitetura e da dinâmica das múltiplas redes emanam significados e funções que são atribuídos para cada lugar. (DP 12 – 01/09).

No movimento interpretativo seguinte, visando a realização da análise da codificação teórico-conceitual, buscamos situar conceitualmente as duas dimensões sob análise, a partir dos artigos do corpus.

De acordo com alguns conceitos, refere à comunicação organizacional ou corporativa digital e adota termos vinculantes a uma visão mecanicista do processo comunicativo, como: “ferramentas”, “ferramental”.

A comunicação organizacional digital é descrita como uma “evolução” da comunicação de massa, concordando com a visão de Castells (2008) de mass self- communication (intercomunicação de massa). Consideramos que essa questão exige um aprofundamento das mudanças no processo comunicativo e das características distintivas dessa nova modalidade comunicativa, como a digitalização, a multimedialidade, a reticularidade, a hipertextualidade e a interatividade, optando por referir-se diretamente a uma lista dos produtos midiáticos digitais resultantes dessa nova configuração da comunicação no ambiente organizacional.

Nas conceituações, em alguns casos, observamos que são elencados os objetivos aos quais se prestaria essa nova modalidade de comunicação, externando a visão de público ainda passivo, atomizado, que espera e aceita a ação da organização sobre si, o que contraria o pressuposto básico da Web 2.0 da interação e participação dos públicos, já presente no contexto organizacional à época.

Paradoxalmente, alguns artigos abordam o empoderamento dos usuários e a desintermediação na comunicação organizacional digital, partindo de um conceito que nega esse poder.

Em outros conceitos observamos a necessária articulação de áreas Tecnologia da Informação, Desenvolvimento de Pessoas, Níveis operacionais dos diferentes tipos de negócios e Comunicação Organizacional, mas essas deixam apenas subentendido o porquê, o que pode ser inferido, pelo que propõe no resumo do artigo, análise do caso de uma marca – que tem “presença digital e relacionamento com os usuários de mídias sociais e ter uma estratégia de construção da marca e divulgação por meio do ambiente online.”

Constatamos que há poucas menções às características indicadas por Scolari (2008) como específicas da comunicação digital, somente duas aparecem com mais frequência: a interatividade e a multimedialidade (hipermedialidade).

Para dar sequência à análise buscamos relacionar/interpretar os artigos ao contexto sócio-histórico, de modo específico, com as características que diferenciam a comunicação tradicional e a comunicação digital, de acordo com e Corrêa (2009) e Scolari (2008) (digitalização, reticularidade, hipertextualidade, multimedialidade, interatividade, simetria comunicacional, conversações participativas, integração mediático-informativa).

As características da comunicação organizacional digital que emergiram da codificação feita nos artigos do corpus se identificaram com as características da comunicação digital elencadas por Scolari (2008). Na rede de citações91 evidenciamos algumas características que se aglutinam em torno de um sentido próximo (FIGURA 12):

91 Citações (citas, em espanhol), aqui, refere-se aos fragmentos de texto codificados e extraídos dos

Figura 12 – Rede de Códigos Características da Comunicação Digital (Scolari, 2008)

Fonte: A autora com recurso do Software Atlas ti, 2016

Consideramos que o aprofundamento nas característica definidoras dessa modalidade comunicativa seria importante para a consolidação de bases teóricas mais consistentes, o que contribuiria para o desenvolvimento de metodologias específicas para investigações sobre a comunicação organizacional digital e redes sociais na internet.

Figura 13 – Rede de Codificações, Características da Comunicação Organizacional Digital (extraídas do corpus de análise)

Fonte: Software Atlas ti, 2015

A comunicação organizacional digital, portanto, apresenta especificidades que vão além do contexto em que se dão as práticas comunicativas ou o tipo de plataforma utilizada.

De acordo com uma compilação-interpretativa, são características da comunicação organizacional digital:

a) Multimedialidade Plataforma digital unificada constituída por mídias complementares;

b) Agilidade na disseminação da informação, com potencialidade para a viralização;

c) Interatividade – interagentes realizam trocas, interação entre humanos, homem-máquina e;

d) Heterogeneidade das informações, dos sistemas e dos computadores; e) Disponibilidade e acessibilidade em tempo integral, o que requer das

organizações acompanhamento também full time;

f) Instantaneidade, simultaneidade, alta velocidade de busca e consulta sobre produtos, serviços e conteúdos sobre a organização, com respostas em tempo real;

g) Criação coletiva de conteúdos em ambientes colaborativos e participativos, onde prevaleça a liberdade de expressão para comentar fatos e experiências, públicas e privadas, com ou sem a moderação da organização;

h) Informalidade na linguagem, proporcionando a proximidade e engajamento dos diversos públicos;

i) Reticularidade – comunicação em rede, de muitos para muitos. Uso de plataformas de redes sociais online;

j) Popularidade – facilidade do uso das interfaces gráficas possibilita que os diversos públicos da organização participem e produzam conteúdos; l) Retorno, acompanhamento e mensuração dos fluxos comunicativos; m) Comunicação bidirecional (mão-dupla) – ainda que nem sempre haja

simetria na comunicação.

Entendemos que as características da comunicação organizacional digital foram sistematizadas teoricamente nos artigos analisados no corpus em concordância com aquelas apontadas por Scolari (2008) e Corrêa (2009).

No capítulo a seguir apresentaremos o 9º movimento interpretativo, com a reinterpretação das análises expostas, considerando a perspectiva de contribuir com novos estudos que venham a ser desenvolvidos sobre a temática.

Benzer Belgeler