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GEREÇ VE YÖNTEM

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A primeira dificuldade resultante da divulgação sobre Ativos Biológicos é a sua enorme variabilidade quanto à espécie: vegetal e animal. A exploração de ativos vivos é exposta a uma infinidade de desafios que podem fazer o sucesso, aumentando a chance de o credor obter o seu repagamento, ou o contrário, levando o ao prejuízo. Além das características inerentes aos indivíduos do plantel, pomar ou cultura, as condicionantes de fora da porteira podem igualmente construir ou destruir valor.

Como já apresentado na discussão sobre os Ativos Biológicos, existem indivíduos com longo e de curtíssimo prazo de maturação, eucaplitos demoram, em algumas regiões, 6,4 anos para atingir o ponto de corte, enquanto frangos são abatidos em torno de 42 dias.

Há indivíduos que serão abatidos ou colhidos para gerar receita, geralmente chamados como “de corte” ou de culturas temporárias, enquanto há outros que existem para gerar outros indivíduos, persistem vivos gerando receitas em vários exercícios, chamados de culturas permanentes ou para reprodução.

Para efeito de ilustração do impacto da diversidade na apresentação, neste tópico são apresentadas as próprias imagens publicadas pelas companhias em suas Notas Explicativas, se fossem reescritas, o impacto da leitura não seria idêntico.

Essa diversidade faz com que as divulgações devam realizar essa segregação, a JBS, por exemplo, apresenta em suas Notas Explicativas:

Quadro 14. Imagem extraída das Notas Explicativas da JBS, com detalhe à segregação de prazos.

Pelo que se pode perceber, diferentes ativos com diferentes finalidades de exploração, bem como diferentes mercados de venda produzirão diferentes valores, obtidos a diferentes métodos de cálculo.

A norma internacional de valor justo IFRS 13, bem como seu similar brasileiro, o CPC 46, estabelecem, em seu apêndice A:

Abordagem de custo: Técnica de avaliação que reflete o valor que seria exigido atualmente para substituir a capacidade de serviço de um ativo (normalmente referido como o custo de substituição ou reposição). Abordagem de receita: Técnicas de avaliação que convertem valores futuros (por exemplo, fluxos de caixa ou receitas e despesas) em um valor único atual (ou seja, descontado). A mensuração do valor justo é determinada com base no valor indicado pelas expectativas de mercado atuais em relação a esses valores futuros.

Abordagem de mercado: Técnica de avaliação que utiliza preços e outras informações relevantes geradas por transações de mercado envolvendo ativos, passivos ou grupo de ativos e passivos idênticos ou comparáveis (ou seja, similares), como, por exemplo, um negócio (International Accounting Standards Board, 2011).

Essa variação de técnicas prevista indica o caminho para as estimativas dos diferentes Ativos Biológicos, gerando técnicas diferentes que nem sempre podem ser compreendidas com facilidade pelos usuários.

Quadro 15. Principais técnicas de apuração do Valor Justo aplicadas pelas empresas pesquisadas.

Fonte: o autor.

Muitas empresas apresentam algumas premissas, mas não os métodos empregados, ou dizem o método, mas não as premissas. Desta feita, os analistas unanimemente disseram que a análise de crédito se baseia na projeção de fluxo de caixa para se estimar a capacidade de

Abordagem de mercado

Preço gerado por transações de mercado para ativos/passivos iguais ou semelhantes culturas temporárias, entre 80 e 120 dias Abordagem de custo Custo de reposição soqueira da cana, cafezal Abordagem de receita Converte fluxos de caixa futuros em um valor presente florestas

repagamento, assim o grande empenho é o de realizar ajustes ao lucro dos elementos que o constituíram, mas que não produziram efeito caixa. Vide o trecho extraído da entrevista do analista 1, bastante experiente e que já trabalhou no Departamento de Crédito de diversas instituições financeiras:

No âmbito do crédito, a mudança que teve na norma, ela complicou um pouco a vida do analista, porque o número de ajustes de efeitos não caixa que surgiu com a adoção dos novos CPCs foi muito grande. Para crédito, o que vale para crédito, é o fluxo de caixa real, não é o que a empresa estima que vale o canavial, e daí ela usa especialistas internos para estimar aquele valor de mercado do canavial dela, o valor de mercado do gado, e daí as notas explicativas não tinham o nível de detalhe, o detalhamento que a gente precisava para confiar naquela informação, além de não ter abertura, se não tinha abertura a gente não conseguia fazer os ajustes corretamente.

O cálculo do valor justo, ao que indica, pouco interessa ao analista de crédito, dado que ele irá eliminar os efeitos que perceber, para tentar isolar apenas os eventos caixa, tal como apontado pelo Analista 4:

Não é o critério de cálculo do valor justo, mas a forma como utilizou, o que isso provocou na demonstração contábil, do ponto de vista de fluxo de caixa. Um exemplo, foi feito um cálculo de valor justo, afetou o patrimônio da empresa através de uma receita e que não é receita com reavaliação de Ativo Biológico. Aquela conta pode ter ido embaixo e estar afetando o resultado da companhia. E a gente tem observado muitas vezes que essa receita entra muitas vezes, a própria auditoria e a empresa também, coloca isso como redutora de receita, como um complemento. Já vi vários casos aqui. Então o analista que não foi orientado, pode não ter visto aquilo e acaba avaliando a empresa de forma errada, não percebeu aquilo dentro e não reverteu uma receita que não tem efeito caixa. Mas, então, assim, o valor justo pode não ser tão significativo para efeito de fluxo de caixa, mas ele pode distorcer o fluxo de caixa se o analista não souber de onde vem aquele valor, tanto para mais quanto para menos.

Dessa forma, quando é possível conhecer o impacto que a mensuração produziu sobre o resultado, o ajuste alegado pela maioria dos analistas entrevistados foi o da exclusão dessa receita ou despesa do resultado. Vide o trecho extraído da entrevista com o Analista 3:

Analista 3: é que a gente pede a DRE aberta antes de zerar e tudo que é linha que a gente não considera a gente joga como outras receitas, outros custos, para fora do EBITDA.

Pesquisador: e como você faz para ajustar o custo do produto vendido que está com o valor justo embutido?

Analista 3: não sei dizer.

O detalhe que resta desse procedimento é que nem sempre o impacto da mensuração se dá no mesmo exercício, em melhores palavras, se tiver ocorrido aumento do valor justo durante o exercício, o crédito estará no resultado do exercício em que ocorreu a venda, enquanto o débito estará compondo o valor do Ativo Biológico, de lá será transferido como custo do produto agrícola no estoque e somente irá a resultado incrementando o custo quando o

componente for vendido, que não necessariamente ocorrerá dentro do exercício do reconhecimento do ganho. Em suma, nesse exemplo, se o analista excluir a receita de mensuração do valor justo, mas não excluir também a parcela do custo, estará subestimando a capacidade de geração de caixa futuro em suas estimativas de repagamento.

Esse detalhe é uma fragilidade dos ajustes realizados pelos analistas mais experientes e conhecedores da norma, porém há aqueles que, como um outro analista, funcionário de um grande banco bastante atuante no mercado do agronegócio brasileiro que não aceitou gravar entrevista, mas mencionou na conversa que não realizava qualquer ajuste, dado que o valor constante do resultado, com exceção da depreciação, produziria efeito caixa, mesmo porque as demonstrações eram de empresa “CVM” (listada na CVM) e, como tal, públicas e validadas por auditoria, não havendo sequer percebido que havia valor justo a ser ajustado, o Ativo Biológico era estoque.

4.5 Os efeitos da mensuração do valor justo dos Ativos Biológicos e o custo da dívida

Benzer Belgeler